Maria Bolena

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Maria Bolena
Retrato por Hans Holbein, o Jovem
Cônjuge Guilherme Carey
Guilherme Stafford
Descendência
Catarina Carey Knollys
Henrique Carey, 1.° barão Hunsdon
Ana Stafford
Eduardo Stafford
Casa Família Bolena (por nascimento)
Família Carey (por casamento)
Família Stafford (por casamento)
Pai Tomás Bolena
Mãe Isabel Howard
Nascimento c. 1499/1500
Blickling Hall, Norfolk, Inglaterra
Morte 19 de junho de 1543 (43/44)
Enterro desconhecido

Maria Bolena (em inglês: Mary Boleyn; c. 1499/150019 de julho de 1543) foi uma dama da corte, filha de Tomás Bolena, Conde de Wiltshire, e de Isabel Howard, filha do Duque de Norfolk. Provavelmente é mais velha que sua famosa irmã, Ana Bolena (nascida em por volta de 1500); a única certeza é que os três Bolena (além das duas mulheres também havia um homem, Jorge) tinham praticamente a mesma idade. Jorge provavelmente nasceu em 1504. Maria teve destaque em sua época por ter sido amante do rei Henrique VIII da Inglaterra e provavelmente do rei Francisco I da França, além de ter sido irmã da segunda esposa do rei Henrique, a rainha Ana.

Vida[editar | editar código-fonte]

Na corte francesa[editar | editar código-fonte]

Em 1514, ela e a irmã Ana Bolena, com aproximadamente 15 e 14 anos de idade, respectivamente, foram enviadas para a corte francesa como damas da princesa inglesa Maria Tudor, de 18 anos, que casar-se-ia com o rei da França, Luís XII. Luís veio a falecer poucos meses depois, sem deixar herdeiros, e sua filha, Cláudia de Valois casou-se com o novo rei Francisco I, tornando-se sua consorte, já que não poderia reinar devido à lei sálica.

Ana Bolena permaneceu na França para servir à rainha Claudia; Maria regressou à Inglaterra. Diferentemente da irmã, Maria saiu com uma péssima reputação da França: tinha fama de "extremamente devassa".

Na corte inglesa[editar | editar código-fonte]

Maria é descrita como "uma jovem leviana, que desfrutava de todos os prazeres da corte" na obra "As seis mulheres de Henrique VIII", de Antonia Fraser. A reputação que adquiriu na França não era exatamente “honesta”. Talvez por isso ela logo tenha chamado a atenção do rei Henrique VIII, que a tomou como amante. O relacionamento terminou em 1521, e diferentemente do que se diz, não gerou nenhum filho. Ao fim do romance, Maria foi imediatamente casada com um mercador de nome William Carey.

Em 1522, Ana Bolena retornou à Inglaterra para se casar. Apesar de ser a filha mais nova, tinha possibilidades maritais melhores do que as que tivera a irmã, já que esta envolvera-se com o rei antes de se casar, portanto notoriamente não era virgem, o que complicava sua situação. O escolhido para Ana Bolena foi um primo seu: James, lorde Butler. O casamento entre os dois encerraria uma velha disputa a qual o pai de Ana e Maria, Thomas, dedicava-se há muito tempo: a posse do condado de Ormonde, uma possível herança para a família Bolena. As negociações falharam. Ana, entretanto, acabou permanecendo na corte inglesa. Estava muito mudada: os sete anos na França haviam-na transformado em uma francesa. E ela logo surpreenderia a todos.

Em 1524, nasceu o primeiro bebê de Maria com seu esposo William: uma menina, a quem chamaram Catarina. Em 1526, Maria deu à luz um menino de nome Henrique. Em seu "As seis mulheres de Henrique VIII", Antonia Fraser mostra que é impossível os filhos de Maria serem também do rei Henrique, fruto do tempo em que ele e Maria foram amantes. Por apenas dois motivos: A primeira criança, Catarina, nasceu em 1524, e o romance real havia terminado em 1521. O outro motivo era o desejo desesperador do rei em relação a um filho varão: seu casamento com a rainha Catarina de Aragão havia resultado em apenas uma menina, o que deixava a sucessão Tudor balançada. Quando a primeira amante de Henrique, Bessie Blount, deu à luz um menino (Henry Fitzroy) em 1516, ele foi reconhecido como filho ilegítimo do rei e, entre outras honrarias, feito duque de Richmond. Se os filhos de Maria tivessem como pai o rei Henrique, com certeza seriam reconhecidos, como acontecera com Fitzroy.

Em 1526, o rei Henrique VIII apaixonou-se por Ana Bolena. Ao contrário de Maria, Ana recusou-se a ser amante do rei. Inteligente, não cedera facilmente: estava disposta a ter a coroa da Inglaterra. Apaixonado e movido pela falta de um herdeiro varão, Henrique tenta divorciar-se de Catarina de Aragão para casar-se com Ana. A Igreja Católica não atende ao apelo.

Durante o verão de 1528, uma epidemia de suor maligno atacou a Inglaterra, matando centenas de pessoas. Ana contraiu a doença, porém sobreviveu. O marido de Maria, William Carey, não teve o mesmo destino: acabou por falecer, tornando Maria uma viúva.

Maria em Rochford[editar | editar código-fonte]

Em 1533, finalmente ocorreu o casamento entre Ana Bolena e Henrique VIII. Maria também acabaria por se casar nesse ano, mas de modo bem menos glamouroso: seu noivo chamava-se William Stafford, e era um serviçal de seu tio, Thomas Howard. O casamento por amor foi realizado escondido e às pressas, e teve como consequências a fúria da família Bolena. Maria era a irmã da rainha da Inglaterra e podia por isso fazer um casamento financeiramente bem mais vantajoso. O jovem casal foi então banido da corte.

Maria e Stafford foram então viver no campo, em Rochford. Ela logo engravidou, dando à luz uma menina chamada Ana. Em 1535, nasceria o segundo filho do casal, Edward.

Não há descrição precisa sobre a vida de Maria durante o reinado de sua irmã. Ela nunca se ausentou de Rochford para visitar sua família.

Mas permanecia aflita para retornar à corte. Escrevia frequentemente ao rei e ao chanceler, Thomas Cromwell, implorando por clemência. Quem acabou por ceder foi sua irmã Ana, que enviou-lhe uma xícara dourada e um pouco de dinheiro, ocorrendo assim uma reconciliação íntima entre as duas. Maria então retornou à corte com sua família.

De volta à corte[editar | editar código-fonte]

Ana precisava da sua ajuda. Após dar à luz Isabel, ela não conseguia manter uma gestação até o fim, o que estava deixando o rei novamente apreensivo em ter um herdeiro varão. Henrique começava a desviar o seu interesse para outras mulheres da corte, e para desespero da família Bolena, começou a relacionar-se com uma jovem aia, Joana Seymour, o que diminuiu drasticamente a influência de Ana sobre ele.

Ele agora desejava casar-se com Joana. Thomas Cromwell, que havia ajudado Ana a ascender, agora era o responsável por sua queda, apresentando acusações inteiramente falsas contra a rainha.

Ana foi condenada por traição, acusada de bruxaria, incesto (diziam-se que ela mantinha relações com o irmão, Jorge) e adultério. Jorge também foi acusado das mesmas coisas e ainda de sodomia, por apresentar tendências homossexuais. Seus supostos parceiros também foram julgados, culpados e executados. Ana e Jorge foram presos e depois decapitados na Torre de Londres, em 19 de maio de 1536 e 17 de maio de 1536, respectivamente, na presença da desesperada Maria. Henrique logo casou-se com Joana Seymour, que foi a terceira das suas seis mulheres.

Maria regressou a Rochford.

Vida “pós-Ana”[editar | editar código-fonte]

Com a morte dos seus pais (em 1538 e 1539), Maria herdou todas as terras da sua família, em Essex, tornando-se uma rica camponesa. A chegada da rainha Ana de Cleves levou sua primogênita, Catarina Carey, para a corte em 1540. Os outros três permaneceriam com Maria e Stafford pelo tempo seguinte.

Maria morreu em 19 de julho de 1543. Sua filha Ana também morreria por essa época, perto dos 10 anos de idade. Também aos 10 morreria Edward, em 1545. Após a morte de Maria, William Stafford se casou com uma mulher chamada Dorothy, que acabaria por ser uma cortesã influente durante o reinado de Elizabeth I da Inglaterra. Henrique Carey também ganharia muitas honras nesse período, como conselheiro da rainha, sua prima. Sua irmã Catarina também teria relevância: fundaria uma importante dinastia Elizabethana (ou Isabelina), com seu marido Francis Knollys.

Descendência[editar | editar código-fonte]

Maria Bolena foi mãe de quatro filhos, sendo eles:

  • Catarina Carey Knollys: Nascida em 1524, filha de William Carey. Foi dama de honra das rainhas Ana de Cleves e Catarina Howard e importante figura no reinado de Isabel I, sua prima. Casou-se com Sir Francis Knollys e teve com ele 14 filhos: Lettice Knollys, Mary Knollys, Henry Knollys, Elizabeth Knollys, William Knollys, Edward Knollys, Sir Robert Knollys, Richard Knollys, Sir Thomas Knollys, Sir Francis Knollys, Anne Knollys, Catherine Knollys, Cecily Knollys e outro bebê, que morreu cedo e cujo sexo é desconhecido. Sua filha mais velha, Lettice, é ancestral de personalidades como Charles Darwin, Winston Churchill, Diana, princesa de Gales, Elizabeth Bowes-Lyon e Sarah, Duquesa de Iorque.
  • Henrique Carey: Nascido em 4 de março de 1526, filho de William Carey. Tornou-se principal conselheiro e cortesão na corte de sua prima Isabel I, que o fez Visconde Hunsdon. Casou-se com Ann Morgan, com quem teve 12 filhos: Sir George Carey, Sir John Carey, Henry Carey, Thomas Carey, Thomas Carey (recebeu o mesmo nome do irmão, morto na infância), William Carey, Sir Edmund Carey, Robert Carey, Katherine Carey, Philadelphia Carey, Margaret Carey. Também teve alguns filhos ilegítimos, incluindo Valentine Carey.
  • Ana Stafford: Filha de Maria com William Stafford, nascida logo após ao casamento dos pais, cerca de 1533, provavelmente morreu na infância.
  • Edward Stafford: Filho de Maria e Stafford, nasceu em 1535 e morreu 10 anos depois, em 1545.

Títulos[editar | editar código-fonte]

Por toda sua vida, Maria recebeu diversos tratamentos. De seu nascimento a 1521 foi “Senhorita Bolena”, ainda que por certo tempo tenha sido conhecida como “A amante do rei”. Em 1521, o casamento com William Carey rendeu-lhe o tratamento de “Senhora Maria Carey” ou “Lady Carey”. Manter-se-ia assim até 1533; o enlace com Wlliam Stafford, tornou-a “Lady Maria Stafford”. Ela seria assim conhecida até sua morte, em 1543.

Na cultura popular[editar | editar código-fonte]

Ficção[editar | editar código-fonte]

  • É personagem do filme "Ana dos Mil Dias" de 1969 e também do filme "Duas irmãs, um rei".
  • Aparece em livros como "O diário Secreto de Ana Bolena" de Robin Maxwell; "Elizabeth" de Rosalind Miles; "A Rosa de Hever" de Maureen Peters; "The Lady in the Tower" de Jean Plaidy; "Mistress Anne" de Norah Lofts; "The Concubine" de Norah Lofts; "Anne Boleyn" de Evelyn Anthony, "Dear Heart, How Like You This" de Wendy J. Dunn; "Brief Gaudy Hour" de Margaret Campbell Barnes e "Doomed Queen Anne" de Carolyn Meyer.
  • É personagem principal do livro The Other Boleyn Girl de Philippa Gregory, tradução de "The Other Boleyn Girl". O romance é uma espécie de diário de Maria. A história do livro inspirou uma série feita pela BBC em janeiro de 2003, em que Maria é vivida por Natascha McElhone. Foi também feito um filme, The Other Boleyn Girl, em que Scarlett Johansson a interpreta.
  • Aparece na série The Tudors, onde é vivida por Perdita Weeks.

Não-ficção[editar | editar código-fonte]

É personagem de livros de não-ficção, como "The Mistresses of Henry VIII" de Kelly Hart e "Mary Boleyn" de Josephine Wilkinson.

Ancestrais[editar | editar código-fonte]