Ana Bolena

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Nota: Se procura a ópera de Donizetti, consulte Anna Bolena.

Ana Bolena
Rainha de Inglaterra
Coroação 1 de Junho de 1533
Títulos Marquesa de Pembroke
Nascimento c. 1501/1507
Norfolk, Inglaterra
Morte 19 de Maio de 1536 (executada)
Torre de Londres, Inglaterra
Sepultamento Capela Real de São Pedro ad Vincula, Torre de Londres
Consorte Henrique VIII
Consorte até 17 de Maio de 1536
Filhos Isabel
Henrique
Eduardo
Pai Tomás Bolena, conde de Wiltshire
Mãe Isabel Howard

Ana Bolena (em inglês: Anne Boleyn; Norfolk, c. 1501/1507[1]Torre de Londres, 19 de Maio de 1536) foi marquesa de Pembroke e a segunda mulher de Henrique VIII de Inglaterra e mãe da rainha Isabel I de Inglaterra. O seu casamento com Henrique VIII foi polémico do ponto de vista político e religioso e resultou na criação da Igreja Anglicana. A ascensão e queda de Ana Bolena, considerada a mais controversa rainha consorte de Inglaterra, inspiraram inúmeras biografias e obras ficcionais.

Índice

[editar] Primeiros anos

Ana era filha de Tomás Bolena, Conde de Wiltshire e de Isabel Howard, filha do Duque de Norfolk. A data e local do seu nascimento permanecem incertos no intervalo 1501-1507[1]. Ana foi educada nos Países Baixos, na corte de Margarida, Arquiduquesa da Áustria.[2] Por volta de 1514, viajou para a corte francesa onde se tornou numa das aias da rainha Cláudia de Valois (mulher de Francisco I), onde aprendeu a falar francês e se familiarizou com a cultura e etiqueta deste país. Esta experiência haveria de se mostrar decisiva na formação da sua personalidade.[3][4]

Em Janeiro de 1522, Ana Bolena regressou à Inglaterra por ordens do pai e entrou ao serviço de Catarina de Aragão, a consorte do rei Henrique VIII de quem a sua irmã, Maria Bolena, era então a amante "oficial".[5] Neste período, Ana desenvolveu uma relação com Henry Percy, o filho do Conde de Northumberland, e os dois chegaram a estar secretamente noivos. O casamento foi impedido pelo pai de Percy por razões incertas e Ana foi afastada da corte[6] Em meados de 1525, estava de regresso e no ano seguinte, substituiu a sua irmã mais nova nas atenções do rei. A princípio, Ana seduziu-o, estimulou todos os avanços de Henrique VIII, mas nao aceitava ser sua amante, queria o trono da Inglaterra. O fato de Maria Bolena ter dado ao Rei uma filha e um filho, despertou nele a intenção de casar-se novamente para produzir um herdeiro legitimo, já que Catarina de Aragão não parecia ser capaz de produzir um herdeiro varão para a casa de Tudor.

O poder de Ana aumentou de forma exponencial. Tornou-se influente na diplomacia inglesa ao estabelecer uma relação de amizade com Monsieur de la Pommeraye, o embaixador francês que estava apaixonado por ela. O diplomata John Barlow era também um admirador e espiava no Vaticano às suas ordens. Em 1532, Henrique VIII tornou-a Marquesa de Pembroke, fazendo-a a primeira mulher a receber um título nobiliárquico de seu pleno direito.[7] A sua família foi também beneficiada: o pai recebeu o Condado de Ormonde e o irmão, Jorge Bolena, tornou-se Visconde Rochford. Ana não era no entanto uma personagem popular. Em 1531 os apoiantes da rainha Catarina organizaram uma manifestação contra Ana Bolena que reuniu oito mil mulheres nas ruas de Londres.

[editar] Os mil dias

Finalmente, em 1532, em Calais, Henrique VIII e Ana Bolena tornaram-se amantes.[8] A 25 de Janeiro de 1533, antes do anúncio oficial da dissolução unilateral do casamento com Catarina de Aragão, Henrique casou-se secretamente com Ana, no Palácio de Whitehall[9] Esta pressa pode ter estado relacionada com uma gravidez de Ana e a necessidade de Henrique VIII em não deixar sombra de dúvidas quanto à legitimidade de um herdeiro. Em 23 de Maio de 1533, Cranmer, presente num tribunal especial convocado pelo Priorado de Dunstable para se pronunciar sobre a validade do casamento do rei com Catarina de Aragão, declarou esse casamento como nulo e sem efeito. Cinco dias depois, em 28 de Maio de 1533, Cranmer declarou o casamento de Henrique e Ana como váildo. [10] Catarina perdeu o seu título e, consquentemente, a 1 de Junho, Ana foi coroada Rainha de Inglaterra numa cerimónia magnífica na Abadia de Westminster, precedida de um sumptuoso banquete[11]. Em resposta, o povo londrino mostrou o seu desagrado, comparecendo poucas pessoas.[12] Henrique VIII foi excomungado pelo Papa Clemente VII por esta afronta ao direito canónico, declarando que à luz do mesmo, o seu casamento com Catarina de Aragão continuava válido.[13] Em 7 de Setembro de 1533, Ana deu à luz uma menina, a futura Isabel I de Inglaterra.[14]

Enquanto rainha, Ana Bolena procurou introduzir muitos aspectos da cultura francesa na corte de Inglaterra. Continuou influente junto do rei e diz-se que foi por sua indicação que a maioria dos bispos da nova Igreja de Anglicana conseguiram o seu posto. Henrique VIII parecia satisfeito com ela em tudo, menos na falta de um herdeiro. As gestações subsequentes acabaram em abortos espontâneos e no nascimento de nati-mortos, o que resultou no desapontamento do rei.[15] Em Janeiro de 1536, Catarina de Aragão morreu de doença prolongada, provavelmente cancro, e Ana teve o mau gosto de celebrar o evento vestida de amarelo quando o resto da corte, incluindo Henrique VIII, se encontrava de luto pela Princesa de Gales.[16] A partir de então Henrique VIII começou a afastar-se da mulher, que consequentemente se tornou vulnerável a intrigas. A gota de água terá sido a subida de Jane Seymour, aia de Ana Bolena, ao estatuto de amante.

Em 2 de Maio de 1536, após cerca de 1000 dias como rainha consorte da Inglaterra, Ana foi presa na Torre de Londres, acusada, juntamente com o seu irmão Jorge, de adultério, incesto e alta traição.[17] Além de, no desespero para gerar um herdeiro ao trono, ser acusada de ter tido relações com seu irmão Jorge Bolena, dando a luz um 'monstro'. Cinco homens, incluindo o seu irmão, foram também presos e interrogados sob tortura. Baseado nas confissões resultantes, o Parlamento condenou Ana Bolena por traição a 15 de Maio.[18] O casamento com Henrique VIII foi anulado dois dias depois, por razões desconhecidas, uma vez que os registos foram destruídos.

[editar] Execução

Ana Bolena na Torre por Edouard Cibot.

Há uma curiosidade que permite avaliar a personalidade forte e marcante de Ana Bolena e segundo fontes históricas aconteceu por ocasião de sua execução. Alguns, inclusive, dizem ter sido um último recurso da rainha para retardar a consumação da execução, ainda esperançosa de um perdão real por parte de Henrique VIII, perdão este que estaria sendo defendido pela sua irmã, Maria. Quando informada da sua iminente execução, Ana Bolena fez chegar a Henrique VIII uma exigência - não aceitaria ser morta por um carrasco inglês, que utilizava o machado para a decapitação. Exigia a "importação" de um carrasco francês, pois estes usavam a espada. Para justificar a sua exigência, teria dito "uma Rainha da Inglaterra não curva a cabeça para ninguém e em nenhuma situação", pois as execuções com a espada eram feitas com a vítima ajoelhada, mas com a cabeça erguida.[19]

Na manhã de sexta-feira, 19 de Maio, Ana Bolena foi executada, não na Torre Verde, mas sim, num andaime erigido sobre o lado norte da Torre Branca, em frente do que é hoje as Casernas de Waterloo[20] Ela usava um saiote vermelho sob um avulso, um vestido de tordilha de damasco aparado na pele e um manto de arminho. [21] Acompanhado por duas assistentes do sexo feminino, Ana fez seu último passeio da Casa da Rainha à Torre Verde e ela olhou "como se ela não fosse morrer".[22] Ana subiu o cadafalso e fez um breve discurso para a multidão:

Bom povo cristão, vim aqui para morrer, de acordo com a lei, e pela lei fui julgada para morrer, e por isso não vou falar nada contra ela. Não vim aqui para acusar ninguém, nem para falar de algo de que sou acusada e condenada a morrer, mas rezo a Deus para que salve o rei e que le tenha um longo reinado sobre vós, pois nunca um príncipe tão misericordioso esteve lá: e para mim ele será sempre um bom, gentil e soberano Senhor. E se qualquer pessoa ponha isso em causa, eu obrigá-la-ei a julgar os melhores. E assim eu deixo o mundo e todos vós, e eu sinceramente desejo que todos rezem por mim. Ó Senhor, tem misericórdia de mim, eu louvo a Deus a minha alma.[23]

Ana obteve o que requisitava, mostrando que até nos seus últimos momentos, ainda era capaz de impressionar o rei. Ela foi decapitada por um carrasco francês, tal como pedira. Henrique não providenciou um sepulcro para Ana, e assim o seu corpo e a cabeça foram enterrados num túmulo desmarcado na Capela Real de São Pedro ad Vincula. O seu esqueleto foi identificado durante a renovação da capela, no reinado da Rainha Vitória e o local de repouso de Ana está marcado no chão em mármore.

[editar] Na cultura popular

Ana Bolena tem inspirado ou sido mencionada em numerosas obras artísticas e culturais, desde meios de comunicação, obras de arte, representações na cultura popular, cinema e ficção.

A história trágica de Ana Bolena tem inspirado muitas obras de ficção e biográficas. Há também inúmeras lendas e teorias em torno da sua vida, nomeadamente a sugestão de que Ana teria seis dedos numa das mãos, embora essas sugestões tenham sido dadas por Nicholas Sander, que foi totalmente contra a Inglaterra Anglicana e de Isabel (filha de Ana Bolena). Além disso, muitos dizem já ter visto o seu espírito rondando pela Torre de Londres.

[editar] Ascendência

[editar] Descendência

De Henrique VIII, Ana Bolena teve três filhos:

Referências

  1. 1,0 1,1 Os historiadores afirmam que o nascimento de Aana Bolena ocorreu entre 1501 e 1507. Eric Ives, autor de uma das mais importantes biografias da rainha, afirma que o nascimento ocorreu em 1501.
  2. Ives, p. 19; Warnicke, pp. 12–3.
  3. Starkey, pp. 261–63.
  4. Fraser, p. 121.
  5. Williams, p.103.
  6. Fraser, pp. 126–7; Ives, p. 67 and p. 80.
  7. Ives, pp. 158–59; Fraser, 185.
  8. Williams, p.123.
  9. Starkey, pp. 462–464.
  10. Williams, p.124.
  11. Fraser, p. 195.
  12. Fraser, pp. 191-94.
  13. Scarisbrick, pp. 414–18; Haigh, pp. 117–18
  14. Williams, pp.128-131.
  15. Williams, chapter 4.
  16. Starkey, pp. 549–51; Scarisbrick, p. 436.
  17. Hibbert, pp.54-55.
  18. Warnicke, pp. 212, 242; Wooding, p. 194.
  19. Hibbert, p.60.
  20. Ives, p. 423.
  21. Williams, p.146.
  22. Fraser, p. 256.
  23. Hibbert, p.59.

[editar] Bibliografia

[editar] Referenciada

  • Ashley, Mike British Kings & Queens (2002) ISBN 0-7867-1104-3
  • Brigden, Susan New Worlds, Lost Worlds (2000)
  • Elton, G. R. Reform and Reformation. London: Edward Arnold, 1977. ISBN 0713159537.
  • Fraser, Antonia The Wives of Henry VIII (1992) ISBN 067973001X
  • Graves, Michael Henry VIII. London, Pearson Longman, 2003 ISBN 058238110X
  • Haigh, Christopher English Reformations (1993)
  • Hibbert, Christopher Tower Of London: A History of England From the Norman Conquest (1971)
  • Ives, Eric The Life and Death of Anne Boleyn (2004) ISBN 1405134631
  • Lacey, Robert The Life and Times of Henry VIII (1972)
  • Lehmberg, Stanford E. The Reformation Parliament, 1529-1536 (1970)
  • Lindsey, Karen Divorced Beheaded Survived: A Feminist Reinterpretation of the Wives of Henry VIII (1995) ISBN 0201408236
  • MacCulloch, Diarmaid Thomas Cranmer New Haven: Yale University Press (1996) ISBN 0300074484.
  • Morris, T. A. Europe and England in the Sixteenth Century (1998)
  • Parker, K. T. The Drawings of Hans Holbein at Windsor Castle Oxford: Phaidon (1945)OCLC 822974.
  • Rowlands, John The Age of Dürer and Holbein London: British Museum (1988) ISBN 0714116394
  • Scarisbrick, J. J. Henry VIII (1972) ISBN 978-0520011304
  • Schama, Simon A History of Britain: At the Edge of the World?: 3000 BC–AD 1603 (2000) ISBN 0-563-38497-2
  • Schofield, John. The Rise & Fall of Thomas Cromwell. Stroud (UK): The History Press, 2008. ISBN 9780752446042.
  • Somerset, Anne Elizabeth I. London: Phoenix (1997) ISBN 0385721579
  • Starkey, David Six Wives: The Queens of Henry VIII (2003) ISBN 0060005505
  • Strong, Roy Tudor & Jacobean Portraits". London: HMSO (1969)OCLC 71370718.
  • Warnicke, Retha M. The Rise and Fall of Anne Boleyn: Family politics at the court of Henry VIII (1989) ISBN 0521406773
  • Williams, Neville Henry VIII and His Court (1971).
  • Wilson, Derek Hans Holbein: Portrait of an Unknown Man London: Pimlico, Revised Edition (2006) ISBN 9781844139187
  • Wooding, Lucy Henry VIII London: Routledge, 2009 ISBN 9780415339957

[editar] Futura leitura

  • Anne Boleyn, a Music Book, and the Northern Renaissance Courts: Music Manuscript 1070 of the Royal College of Music, London" Ph.D., Musicology, University of Maryland, 1997 ISBN 0-591-46653-8
  • The Politics of Marriage by David Loades (1994)

[editar] Ligações externas

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