Niagara (filme)

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Niagara
Niagara (PT)
Torrente de Paixão (BR)
Pôster de Niagara.jpg
 Estados Unidos
1953 • cor • 92 min 
Direção Henry Hathaway
Produção Charles Brackett
Roteiro Richard L. Breen
Charles Brackett
Walter Reisch
Narração Joseph Cotten
Elenco Marilyn Monroe
Joseph Cotten
Jean Peters
Max Showalter
Género Suspense, Film noir
Idioma Inglês
Música Sol Kaplan
Edição Barbara McLean
Estúdio 20th Century Fox
Distribuição 20th Century Fox
(1953) (EUA) (cinema)
20th Century Fox
(2002) (EUA) (DVD)
Lançamento Estados Unidos 21 de janeiro de 1953
Portugal 22 de outubro de 1953
Orçamento US$ 1,670,000[1]
Receita US$ 2.35 milhões (EUA)[2]
Página no IMDb (em inglês)

Niagara (br: Torrente de Paixão / pt: Niagara) é um filme americano de 1953, do gênero suspense e noir, lançado pela Twentieth Century-Fox, dirigido por Henry Hathaway, e estrelado por Joseph Cotten, Jean Peters, Casey Adams (Max Showalter) e Marilyn Monroe.

O filme, cujo roteiro foi escrito por Charles Brackett, Richard L. Breen e Walter Reisch,[3] foi um dos maiores sucessos de bilheteria da Fox naquele ano, e, ao contrário de outros filmes noirs da época, foi filmado em Technicolor.

Niagara foi o primeiro filme em que o nome de Marilyn foi o primeiro a aparecer nos créditos, o que a elevou ao status de estrela. Seus dois filmes seguintes, Gentlemen Prefer Blondes, com Jane Russell, e How to Marry a Millionaire, com Betty Grable e Lauren Bacall, foram sucessos ainda maiores.

Enredo[editar | editar código-fonte]

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Ray e Polly Cutler (Max Showalter e Jean Peters), em sua adiada lua de mel, nas Cataratas do Niágara, encontram o bangalô que reservaram ocupada por George e Rose Loomis (Joseph Cotten e Marilyn Monroe). Rose lhes diz que George finalmente conseguiu dormir, e que ele recentemente foi liberado de um hospital psiquiátrico do exército. Os Cutler educadamente aceitam outro, menos bonito, bangalô, e assim os dois casais se tornam amigos.

Polly Cutler e George Loomis
Monroe como Rose Loomis

George e Rose têm um casamento conturbado. Ela é mais jovem e muito atraente. Ele é ciumento, deprimido e irritado. Enquanto visitava as cataratas no dia seguinte, Polly vê Rose apaixonadamente beijando outro homem, Patrick, seu amante. Naquela noite, os Cutler presenciam a ira de George. Rose se junta a uma festa improvisada e pede que toquem uma determinada música, ao que George sai enfurecido de seu bangalô e quebra o disco, porque ele suspeita que a canção tem um significado secreto para Rose.

O que George não sabe é que Rose e Patrick estão planejando assassiná-lo. No dia seguinte, Rose convence George a seguí-la para dentro do escuro túnel turístico debaixo das cataratas. Lá Patrick irá matá-lo. Para avisar Rose que George está morto, Patrick irá pedir que toquem a canção especial de Rose ("Kiss" ("Beijo"); música de Lionel Newman, letra de Haven Gillespie, ambas não creditadas). A música é tocada nos alto falantes e Rose conclui que George foi assassinado.

Na verdade, é George quem matou Patrick, jogou seu corpo na Cataratas do Niágara, e pegou os sapatos de Patrick na saída, ao invés dos dele. Isto leva a polícia a acreditar que George é a vítima. O corpo é recuperado e os policiais trazem Rose para identificar o corpo de George. Quando o lencçol é levantado e ela vê o rosto de Patrick, Rose desmaia e é internada em um hospital.

O gerente da pousada muda os pertences dos Cutler para o bangalô dos Loomis. George vem para para o bangalô para matar Rose em vingança, mas encontra Polly lá. Ela acorda e o vê antes de ele fugir. Ela conta à policia, que começa uma busca.

Durante a segunda visita dos Cutler às cataratas, George encontra Polly sozinha por um momento. Tentando fugir, ela escorrega e ele a salva de cair sobre a borda na cachoeira. Ele explica a ela que matou Patrick em auto defesa e suplicante diz: "Por favor... deixe-me permanecer morto". Polly vai embora sem responder. Mais tarde naquele dia, ela diz ao detetive da polícia que ela acredita que George está vivo.

Rose, amedrontada, deixa o hospital com a intenção de voltar para os Estados Unidos. Ao econtrar Gerorge esperando por ela na fronteira, ela corre e tenta se esconder na torre dos altos falantes. George a pega e a estrangula sob os altos falantes, que permanecem em silêncio. Em remorso, ele diz: "Eu te amava, Rose. Você sabe disso."

Os Cutler vão pescar com amigos em uma lancha num trecho do rio Niagara acima das cataratas. Quando a lancha é amarrada à margem para que o grupo vá fazer compras, George rouba o barco com Polly a bordo. A polícia é avisada e sai em perseguição. O barco fica sem gasolina e flutua em direção às cataratas. George faz um buraco no barco para desacelerá-lo e consegue colocar Polly sobre uma grande rocha antes de chegar às cataratas, onde morre. Polly é resgatada da rocha por helicóptero.

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Elenco[editar | editar código-fonte]

Temas noir[editar | editar código-fonte]

Um dos temas principais do filme é sexo e sua destrutividade.[4] Rose é uma femme fatale, sedutoramente vestida com roupas justas, relevando sua sensual silhueta. Seu relacionamento (sexual, hipócrita e desprezador) com George é contrastado com a relação mais normal dos Cutler, que também tem elementos sexuais, insinuados pelo filme. Ray Cutler não deixa de notar os encantos sexuais de Rose, mas a reação de ambos Ray e Polly às suas interações com George e Rose demonstram a convencionalidade de suas atitudes.[5]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Recepção crítica[editar | editar código-fonte]

Abertura do filme

Quando o filme foi lançado, o jornal The New York Times elogiou o filme, menos a atuação. Eles escreveram: "Obviamente, ignorando a idéia de que existem Sete Maravilhas do Mundo, a Twentieth Century-Fox descobriu mais duas e melhorou-as com Technicolor em Niagara ...Pois os produtores estão fazendo máximo uso de ambas, as grandezas das Cataratas e suas áreas adjacentes, bem como a grandeza que é Marilyn Monroe... Talvez a senhorita Monroe não seja a atriz perfeita neste momento. Mas nem o diretor nem os cavalheiros que manuseavam as câmeras pareceram se preocupar com isso. Eles pegaram cada curva possível em ambos na intimidade de seu camarim e nos igualmente reveladores vestidos justos. E eles demonstraram muito concretamente que ela pode ser sedutora - até quando caminha. Como já foi observado, Niagara pode não ser o lugar a se visitar nestas circunstâncias mas as quedas e a senhorita Monroe são algo a se ver."[6]

O crítico Robert Weston também aclamou o filme e escreveu, "Niagara é um bom filme para os fãs de noir que anseiam por algo um pouco diferente. Esteja avisado, o filme foi rodado em glorioso Technicolor, não em preto e branco, mas ainda exibe uma ampla porção de sombras e estilo...Sem dúvida, a melhor razão para ver Niagara é exatamente o prometido pelo trailer: o cenário. Há um fantástico trabalho de locação que mostra os aspectos deslumbrantes das Quedas antes da cidade evoluir para uma barata resposta canadense à cidade de Atlantic City; e, claro, há uma garota chamada Marilyn Monroe, florescendo de seu humilde início."[7]

O pessoal da revista Variety escreveu, "Niagara é uma mórbida, clichê expedição para dentro da luxúria e assassinato. A atmosfera é tensa o tempo todo e sobrecarrega os nervos com uma sensação de desastre iminente. O ponto focal de tudo isso é Marilyn Monroe, que está de férias nas Cataratas com o maridinho Joseph Cotten... A câmera perdura sobre os lábios sensuais de Marilyn, vagueia sobre sua silhueta revestida em roupas íntimas e delineia com precisão os contornos de seu derrière enquanto ela desce uma rua para um encontro com seu amante. Como um contraste à beleza da forma feminina há um outro tipo de beleza da natureza - a das Quedas. Estes fenômenos naturais foram magnificamente fotografados na locação."[8]

Legado[editar | editar código-fonte]

Nas semanas após a morte de Marilyn, em agosto de 1962, Andy Warhol usou uma foto de publicidade de Niagara como base para uma de suas pinturas em serigrafia, chamada Marilyn Diptych, que mostra várias imagens do rosto de Marilyn.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Aubrey Solomon. Twentieth Century-Fox: A Corporate and Financial History (em ). EUA: Scarecrow Press, 1988. 300 pp. p. 248. 20 vols. ISBN 9781461674078. Visitado em 05 de outubro de 2014.
  2. Aubrey Solomon. Twentieth Century-Fox: A Corporate and Financial History (em ). EUA: Scarecrow Press, 1988. 300 pp. p. 225. 20 vols. ISBN 9781461674078. Visitado em 05 de outubro de 2014.
  3. Niagara (1953): Full Cast & Crew - Writing Credits (em inglês) IMDb. Visitado em 11 de outubro de 2014.
  4. Alain Silver; Elizabeth Ward. Film noir: an encyclopedic reference to the American style (em ). 3ª. ed. EUA: Overlook Press, 1992. 479 pp. p. 200. ISBN 9780879514792. Visitado em 06 de outubro de 2014.
  5. Randall Riese. The Unabridged Marilyn: Her Life from A to Z (em ). EUA: Bonanza Books, 1990. 578 pp. p. 222. ISBN 9780517696194. Visitado em 06 de outubro de 2014.
  6. A. W.. (22 de janeiro de 1953). Niagara (1952): Niagara Falls Vies With Marilyn Monroe (em inglês). The New York Times. Nova York: New York Media. Visitado em 06 de outubro de 2014.
  7. Robert Weston (24 de agosto de 2001). Niagara (1953) (em inglês) Film Monthly. Visitado em 06 de outubro de 2014.
  8. Variety Staff. (30 de dezembro de 1952). Review: ‘Niagara’ (em inglês). Variety. Nova York: Penske Media Corporation. Visitado em 06 de outubro de 2014.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Niagara (filme)
Filmografia principal de Marilyn Monroe
The Asphalt Jungle (1950) | All About Eve (1950) | Niagara (1953) | Gentlemen Prefer Blondes (1953) | How to Marry a Millionaire (1953) | River of No Return (1954)  | The Seven Year Itch (1955)  | Bus Stop (1956) | The Prince and the Showgirl (1957) | Some Like it Hot (1959) | Let's Make Love (1960) | The Misfits (1961