Ogan

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Ogan (do iorubá -ga: "pessoa superior, chefe", com possível influência do jeje ogã "chefe, dirigente") é o nome genérico para diversas funções masculinas dentro de uma casa de Candomblé. É o sacerdote escolhido pelo orixá para estar lúcido durante todos os trabalhos. Ele não entra em transe, mas mesmo assim não deixa de ter a intuição espiritual.

Os atabaques do candomblé só podem ser tocados pelo Alagbê (nação Ketu), Kambondo (nações Angola e Congo) e Runtó (nação Jeje) que é o responsável pelo Rum (o atabaque maior), e pelos ogans nos atabaques menores sob o seu comando, é o Alagbê que começa o toque e é através do seu desempenho no Rum que o Orixá vai executar sua coreografia, de caça, de guerra, sempre acompanhando o floreio do Rum. O Rum é que comanda o Rumpi e o Lê.

Os atabaques são chamados de Ilú na nação Ketu, e Ngoma na nação Angola, mas todas as nações adotaram esses nomes Rum, Rumpi e Le para os atabaques, apesar de ser denominação Jeje.

Candomblé Jeje[editar | editar código-fonte]

Os cargos de Ogan na nação Jeje são assim classificados:

Pejigan que é o primeiro Ogan da casa Jeje. O mais velho de todos os ogans geralmente mais sábio. Tem a função de cuidar do Peji, altar dos santos e zelar pelo assentamentos dos filhos da casa.

O segundo é o Runtó que é o tocador do atabaque Run, porque na verdade os atabaques Run, Runpi e são Jeje.

Axogun - É um ogan de suma importância no Candomblé, é o responsável pela execução sacrificial dos animais votivos, é um especialista no que faz.

Candomblé Ketu[editar | editar código-fonte]

Alagbê - O chefe dos tocadores de atabaques, os instrumentos de percussão, dominante do atabaque Rum, que através dele o Orixá fará sua dança e com isso comandando os atabaques Rumpi e Lê.

Ogan gibonã - Zelador da casa de exu, outro ogan de suma importância, pois seus conhecimento ajudam na firmeza da casa.

Ogan Apontado - Pessoa apontada como possível candidato a Ogan. Equivalente ao Ogan suspenso.

Ogan Suspenso - Pessoa escolhida por um Orixá para ser um Ogan, é chamado suspenso, por ter passado pela cerimônia onde é colocado em uma cadeira e suspenso pelos Ogans da casa, significando que futuramente será confirmado e passará por todas obrigação para ser um Ogan.

Há também outros Ogans como Gaipé, Runsó, Gaitó, Arrow, Arrontodé.

Candomblé Bantu[editar | editar código-fonte]

  • Tata N'Ganga Lumbito - Ogã, guardião das chaves da casa.
  • Kambondu - Equivalente a Ogã para o povo nagô , plural de kambondu é Tumbondu.
  • Kambondo Kisaba ou Tata Kisaba - Ogã responsável pelas folhas.
  • Tata Kivonda - Ogã responsável pelos sacrifícios animais (mesmo que axogun).
  • Tata Pokó - Ogã responsável pelos sacrifícios animais mas que foi iniciado para Nkosi (Ogun para o povo nagô).
  • Tata Muloji - Ogã preparador dos encantamentos com as folhas sagradas e cabaças.
  • Tata Mavambu - Ogã ou filho de santo que cuida da casa de exú (de preferência um homem; as mulheres não devem exercer essa função, uma vez que mestruam, só o podendo fazer após a menopausa).
  • Tata Kanzumbi -  É o Ogã responsável por sacudimentos (Kusaka), carregos e de zelar pela Nzo (casa) do guardião do candomblé. Também tem a responsabilidade pelos rituais fúnebres.
  • Tata Ngimbi - É o Ogã responsável pelas cantigas sagradas (Mimbu Nzambiri) dos Minkisi.
  • Nsika ia ngoma (Xicarangoma) ou muxiki - O chefe dos tocadores de atabaques, os instrumentos de percussão.

O ogan também tem um papel fundamental,em questão dos rituais e também para invocar a entidade,pois o Ogan é o que toca para o santo (seja orixá,preto velho,caboclo,exu, eré, pombogira, boiadeiro etc.) o ogan depois do pai de santo, babalorixá e o sacerdote, é o mais próximo entre as entidades, pois o contato que o ogan faz é através do atabaque, também podendo dizer "toque para o santo". O ogan tem que gostar do que faz, pois não é só pegar um atabaque e repicar o couro, pois ao tocar, o ogan entra em contato direto com a entidade,invocando-a no corpo do medium ao cantar. Para consagrar um ogan do terreiro ou abaça,é feito um ritual sagrado,onde deita o atabaque e o ogan,consagrando ele como o que para o santo. Normalmente é raro ter um terreiro que não tenha um ogan. "- Gosto do que faço,quando toco para o santo,vem uma paz enorme em mim, sinto meu corpo leve e uma alegria ao ver o orixá na terra dançando atraves do toque."Diz um ogan de um dos abaças de keto. A responsabilidade é muito grande para um ogan, por isso não é bom vacilar ou como diz rebelar contra a entidade, podendo gerar consequecias graves,pois o santo cobra em cima daquele filho rebelado ou seja revoltado. FONte: André de Faria soares, ogan do abaça de keto da Rainha do Candomblé.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre candomblé é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.