Ogan

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Ogã[1] (do iorubá -ga: "pessoa superior, chefe", com possível influência do jeje ogã: "chefe, dirigente") é o nome genérico para diversas funções masculinas dentro de uma casa de candomblé. É o sacerdote escolhido pelo orixá para estar lúcido durante todos os trabalhos. Ele não entra em transe, mas, mesmo assim, não deixa de ter a intuição espiritual. Os atabaques do candomblé só podem ser tocados pelo Alagbê (nação Ketu), Kambondo (nações Angola e Congo) e Runtó (nação Jeje), que é o responsável pelo Rum (o atabaque maior), e pelos ogãs nos atabaques menores sob o seu comando. É o Alagbê que começa o toque e é através do seu desempenho no Rum que o orixá vai executar sua coreografia, de caça, de guerra, sempre acompanhando o floreio do Rum. O Rum é que comanda o Rumpi e o Lê.

Os atabaques são chamados de Ilú na nação Ketu, e Ngoma na nação Angola, mas todas as nações adotaram esses nomes Rum, Rumpi e Le para os atabaques, apesar de ser denominação Jeje.

Candomblé Jeje[editar | editar código-fonte]

Os cargos de ogã na nação Jeje são assim classificados:

  • Pejigan, que é o primeiro ogã da casa jeje. O mais velho de todos os ogãs, geralmente o mais sábio. Tem a função de cuidar do peji (o altar dos santos) e zelar pelos assentamentos dos filhos da casa.
  • O segundo é o Runtó, que é o tocador do atabaque Run, porque, na verdade, os atabaques Run, Runpi e são Jeje.
  • Axogun - É um ogã de suma importância no candomblé: é o responsável pela execução sacrificial dos animais votivos. É um especialista no que faz.

Candomblé queto[editar | editar código-fonte]

dominante do atabaque Rum, que através dele o Orixá fará sua dança e com isso comandando os atabaques Rumpi e Lê.

  • Ogan gibonã - Zelador da casa de exu, outro ogan de suma importância, pois seus conhecimento ajudam na firmeza da casa.
  • Ogã Apontado - Pessoa apontada como possível candidato a Ogan. Equivalente ao Ogan suspenso.
  • Ogã Suspenso - Pessoa escolhida por um orixá para ser um ogã, é chamado suspenso, por ter passado pela cerimônia onde é colocado em uma cadeira e suspenso pelos ogãs da casa, significando que, futuramente, será confirmado e passará por todas obrigação para ser um ogã.

Há também outros ogãs como Gaipé, Runsó, Gaitó, Arrow, Arrontodé.

Candomblé banto[editar | editar código-fonte]

  • Tata N'Ganga Lumbito - Ogã, guardião das chaves da casa.
  • Kambondu - Equivalente a ogã para o povo nagô, o plural de kambondu é Tumbondu.
  • Kambondo Kisaba ou Tata Kisaba - Ogã responsável pelas folhas.
  • Tata Kivonda - Ogã responsável pelos sacrifícios animais (mesmo que axogun).
  • Tata Pokó - Ogã responsável pelos sacrifícios animais mas que foi iniciado para Nkosi (Ogun para o povo nagô).
  • Tata Muloji - Ogã preparador dos encantamentos com as folhas sagradas e cabaças.
  • Tata Mavambu - Ogã ou filho de santo que cuida da casa de exú (de preferência um homem; as mulheres não devem exercer essa função, uma vez que mestruam, só o podendo fazer após a menopausa).
  • Tata Kanzumbi -  É o Ogã responsável por sacudimentos (Kusaka), carregos e de zelar pela Nzo (casa) do guardião do candomblé. Também tem a responsabilidade pelos rituais fúnebres.
  • Tata Ngimbi - É o Ogã responsável pelas cantigas sagradas (Mimbu Nzambiri) dos Minkisi.
  • Nsika ia ngoma (Xicarangoma) ou muxiki - O chefe dos tocadores de atabaques, os instrumentos de percussão.

O ogã também tem um papel fundamental,em questão dos rituais e também para invocar a entidade, pois o ogã é o que toca para o santo (seja orixá, preto velho, caboclo, exu, eré, pombagira, boiadeiro etc.) o ogã depois do pai de santo, babalorixá e o sacerdote, é o mais próximo entre as entidades, pois o contato que o ogã faz é através do atabaque, também podendo dizer "toque para o santo". O ogã tem que gostar do que faz, pois não é só pegar um atabaque e repicar o couro, pois ao tocar, o ogã entra em contato direto com a entidade,invocando-a no corpo do medium ao cantar.

Para consagrar um ogã do terreiro ou abaça, é feito um ritual sagrado,onde deita o atabaque e o ogã,consagrando ele como o que para o santo. Normalmente, é raro haver um terreiro que não tenha um ogã. " Gosto do que faço, quando toco para o santo, vem uma paz enorme em mim, sinto meu corpo leve e uma alegria ao ver o orixá na terra dançando através do toque", diz um ogã de um dos abaças de keto. A responsabilidade é muito grande para um ogã, por isso não é bom vacilar ou, como se diz, rebelar contra a entidade, podendo gerar consequências graves, pois o santo cobra em cima daquele filho rebelado ou revoltado.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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  1. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 675.