Pax Julia

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Arco romano junto à muralha do Castelo de Beja

Pax Julia, Pax Iulia, Pax Augusta[1] ou Civitas Pacensis era o nome da cidade de Beja, Portugal, no tempo da dominação romana da Península Ibérica. Pensa-se que a povoação seria já muito antiga, talvez mesmo existente nos últimos períodos pré-históricos. A avaliar pelos achados arqueológicos do seu termo, Pax Julia teria sido uma importante cidade durante a romanização do território onde hoje existe Portugal.

Até ao século XX, alguns autores, identificavam a Pax Julia romana com a cidade espanhola de Badajoz. Esta identificação foi avançada por Rodrigo Dosma, um cónego de Badajoz do século XVI, em cuja época era habitual a elaboração mais ou menos fantasiosa, quando não completamente inventada, da história de cidades, com o objetivo de demonstrar uma grande antiguidade e a origem romana ou anterior.[2] Esta hipótese está atualmente posta de lado, devido à pouca ou nenhuma consistência dos argumentos, que se baseavam exclusivamente em interpretações arbitrárias das fontes históricas, e que não são corroborados por evidências arqueológicas. Apesar disso, tanto o gentílico culto de Badajoz como o nome da diocese badajocense em latim continuam a ser "pacense" (Augustanus-Pacensis, de Pax Augusta ou simplesmente Pacensis),[1] ao passo que a diocese bejense é designada Beiensis.[3]

História[editar | editar código-fonte]

O nome celebra a pacificação dos célticos, mais tarde integrados no território da província romana da Lusitânia. O nome Júlia deve-se ao facto de ter sido Júlio César o autor dessa mesma paz. De igual modo, o imperador Augusto denominou esta importante cidade Pax Augusta, prevalecendo no entanto a denominação inicial. Crê-se que a cidade foi fundada cerca de 400 a.C., pelos célticos, uma tribo celta que habitava grande parte dos territórios de Portugal a sul do rio Tejo (atual Alentejo e península de Setúbal) e parte da Estremadura espanhola, até ao território dos cónios (atual Algarve e parte do sul do distrito de Beja)

Os cartagineses lá se estabeleceram durante algum tempo, no século III a.C., um pouco antes da sua derrota e expulsão da península Ibérica pelos romanos no seguimento da segunda guerra púnica. As primeiras referências à cidade aparecem no século II a.C., em relatos de Políbio e de Ptolomeu. Com a conquista romana, esta cidade passa a fazer parte do Império Romano (mais especificamente da República Romana), ao qual pertenceu durante mais de 600 anos, primeiro na província da Hispânia Ulterior e posteriormente na província da Lusitânia. Nos séculos III e II a.C. decorreu o processo de romanização das populações locais e a cidade passou a fazer parte da civilização romana, pertencendo a uma região muito romanizada.

Foi sede de um convento (circunscrição jurídica) pouco depois da sua fundação — o Convento Pacense (Conventus Pacensis) e teve direito itálico.Albergou uma das quatro chancelarias da Lusitânia, criadas no tempo de Augusto. A sua importância é atestada pelo facto de por lá passar uma das [[|Estrada romana|vias romanas]].

Do período romano restam algumas inscrições, esculturas, cipos, objectos em cerâmica e vestígios de um aqueduto que passa perto da Igreja do Pé da Cruz. Recentemente foram descobertos os restos do que é um dos maiores templos da península Ibérica.[4]

No século V, após a Queda do Império Romano do Ocidente, os suevos apoderaram-se da cidade, sucedendo-lhes os visigodos. Nessa época foi sede episcopal e passou a denominar-se Paca, provindo o nome actual do árabe Baja ou Beja, uma alteração fonética de Paca (a língua árabe não tem o som "p"). De 714 a 1162, altura em que foi conquistado pelos portugueses, esteve na posse dos mouros.

O castelo de Beja foi originalmente edificado pelos romanos, tendo sido alvo de várias reconstruções.

Referências

  1. a b López Bardón, T. (1097). Diocese of Badajoz (em inglês) www.newadvent.org Robert Appleton Company, New Advent Catholic Encyclopedia. Visitado em 1 de março de 2015.
  2. Dosma Delgado, Rodrigo (1870), Barrantes, Vicente, ed. (em espanhol), Discursos pátrios de la Real Ciudad de Badajoz, Biblioteca Histórico-Extremeña, p. xliii–liii, https://archive.org/stream/discursosptrio00dosm#page/86/mode/2up/search/Pax+Julia, visitado em 1 de março de 2015 
  3. Knight, Kevin (1097). Beja (Beiensis) (em inglês) www.newadvent.org Robert Appleton Company, New Advent Catholic Encyclopedia. Visitado em 1 de março de 2015.
  4. Lourenço, Luís Miguel (30 de julho de 2009). Arqueologia: Templo romano descoberto em Beja é o maior de Portugal e um dos maiores da Península Ibérica Lusa, Expresso.sapo.pt. Visitado em 1 de março de 2015.


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