Pax Julia

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Arco romano junto à muralha do Castelo de Beja.

Pax Julia era o nome da cidade de Beja, Portugal, no tempo da dominação romana da Península Ibérica. Pensa-se que a povoação seria já muito antiga, talvez mesmo existente nos últimos períodos pré-históricos. A avaliar pelos achados arqueológicos do seu termo, Pax Julia teria sido uma importante cidade durante a romanização do território onde hoje existe Portugal.

Foi baptizada com este nome para celebrar a pacificação do povo dos célticos, mais tarde integrados no território da província romana da Lusitânia. O nome Júlia deve-se ao facto de ter sido Júlio César o autor dessa mesma paz. De igual modo, o imperador Augusto denominou esta importante cidade Pax Augusta, prevalecendo no entanto a denominação inicial.

Crê-se que a cidade foi fundada cerca de 400 anos a. C., pelos celtas, especificamente pelo povo dos célticos, um povo celta que habitava grande parte dos territórios de Portugal a sul do rio Tejo (atual Alentejo e Península de Setúbal), e também parte da Estremadura Espanhola, até ao território dos cónios (atual Algarve e parte do sul do distrito de Beja). Os cartagineses lá se estabeleceram durante algum tempo, no século III a.C., um pouco antes da sua derrota e expulsão da Península Ibérica pelos romanos no seguimento da segunda guerra púnica. As primeiras referências a esta cidade aparecem no século II a.C., em relatos de Políbio e de Ptolomeu.

Com a conquista romana, esta cidade passa a fazer parte do Império Romano (mais especificamente da República Romana), ao qual pertenceu durante mais de 600 anos, primeiro na província da Hispânia Ulterior e posteriormente na província da Lusitânia.

Nos séculos III e II a.C. houve o processo de romanização das populações locais e esta cidade passou a fazer parte da civilização romana, pertencendo a uma região muito romanizada.

Foi sede de um conventus (circunscrição jurídica) pouco depois da sua fundação - o Convento Pacense (em latim: Conventus Pacensis) e teve direito itálico. Esta cidade albergou uma das quatro chancelarias da Lusitânia, criadas no tempo de Augusto. A sua importância é atestada pelo facto de por lá passar uma das vias romanas.

Do período romano restam algumas inscrições, esculturas, cipos, objectos em cerâmica e vestígios de um aqueduto que passa perto da Igreja do Pé da Cruz. Da época romana, resta também um dos maiores templos da Península Ibérica,1 legando este povo uma estrutura urbanística traçada em grelha adaptada à pré-existente.

Os suevos e os visigodos dominaram esta cidade depois da Queda do Império Romano do Ocidente, tornando-a sede de bispado.

No século V os suevos apoderaram-se da cidade, sucedendo-lhes os visigodos. Nessa época a cidade passa a denominar-se Paca, provindo o nome actual do árabe Baja ou Beja, uma alteração fonética de Paca (a língua árabe não tem o som "p").

O castelo foi originalmente edificado pelos romanos/latinos, tendo sido alvo de frequentes reconstruções. Do ano de 714 (século VIII) ao ano de 1162 (meados do século XII), altura em que foi conquistado pelos Portugueses, esteve na posse dos Mouros.

Referências[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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