Política (Aristóteles)

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A Política e sua primeira página em grego.

Política (em grego: Πολιτικά ; em latim: Politica) é um texto do filósofo grego antigo Aristóteles. É composto por oito livros (I: 1252a - 1260b, II: 1261a - 1274b, III: 1275a - 1288b, IV: 1289a - 1301b, V: 1301b - 1316b, VI: 1317a - 1323a, VII: 1323b - 1337a, VIII: 1337b - 1342b) e não existem dúvidas acerca da autenticidade da obra. Acredita-se que as reflexões aristotélicas sobre a política originam-se da época em que ele era preceptor de Alexandre. Ao mesmo tempo, Aristóteles compôs para Alexandre duas obras de caráter político que se perderam: Os colonos e Sobre a monarquia.

Na filosofia aristotélica a Política é a ciência que tem por objeto a felicidade humana e divide-se em ética (que se preocupa com a felicidade individual do homem na pólis) e na política propriamente dita (que se preocupa com a felicidade coletiva da pólis). O objetivo de Aristóteles com sua Política é justamente investigar as formas de governo e as instituições capazes de assegurar uma vida feliz ao cidadão. Por isso mesmo, a política situa-se no âmbito das ciências práticas, ou seja, as ciências que buscam o conhecimento como meio para ação.

Segundo Aristóteles:

"Vemos que toda cidade é uma espécie de comunidade, e toda ela se forma com vistas a algum bem (o bem-comum) pois todas as ações de todos os homens são praticadas com vistas ao que lhes parece um bem; se todas as comunidades visam a isso, é evidente que a mais importante de todas elas e que inclui todas as outras tem mais que todas este objetivo e visa ao mais importante de todos os bens; ela se chama cidade e é a comunidade política" (Pol., 1252a).

Os livros I, II, e III são introdutórios e versam sobre temas como teoria do Estado e classificação das várias espécies de constituição; os livros IV, V e VI tratam da prática política, da natureza das várias constituições e dos princípios que as regulam; os livros VII e VIII especulam sobre a política ideal, analisando a estrutura da melhor cidade.

Natureza de escravo e escravidão[editar | editar código-fonte]

Uma das distinções feitas por Aristóteles nesta obra é entre Natureza de escravo e escravidão. 1 Pela Primeira ele se refere aos homens que não pertencem a si-próprios, não tem propósitos e finalidades próprios, de modo que buscam servir aos propósitos de outro. O sujeito em questão, portanto, encontra propósito servindo como instrumento às finalidades alheias. 2

escravidão é a apropriação dos homens vencidos na guerra, por meio de força e violência, para submeter os vencidos ao seus desejos e caprichos de modo coercitivo. Havia na Grécia da época de Aristóteles uma lei, segundo a qual todo homem vencido na guerra tornava-se propriedade do vencedor. 3

Traduções para o português[editar | editar código-fonte]

  • ARISTÓTELES. Política. Tradução do grego, introdução e notas de Mário da Gama Kury. 3ª ed. Brasília: UNB, 1997. 317p. ISBN: 85230001109
  • ARISTÓTELES. Política. Edição bilingue (português-grego) com tradução directa do grego. Tradução de António Campelo Amaral e Carlos de Carvalho Gomes. 1ª ed. Lisboa: Vega, 1998. 668p. ISBN: 972-699-561-2
  • ARISTÓTELES. Política. Tradução de Roberto Leal Ferreira. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998. 350p. ISBN: 8533608411 (Obs: tradução da tradução francesa).

Referências

  1. Política 1255a - 05
  2. Política 1254a - 15
  3. Política 1255a 3-14

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • SALKEVER, Stephen G. Finding the mean : theory and practice in Aristotelian political philosophy. Princeton: Princeton University Press, 1994. 287p.
  • WOLFF, Francis. Aristóteles e a política. São Paulo: Discurso Editorial, 1999, 154p. ISBN: 8586590118

Ligações externas[editar | editar código-fonte]