Política econômica anticíclica

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Uma política econômica anticíclica consiste no conjunto de ações governamentais voltadas a impedir, sobrepujar, ou minimizar, os efeitos do ciclo econômico.

Ciclos econômicos são flutuações da atividade econômica, inerentes ao capitalismo e caracterizadas pela alternância de períodos de ascensão (picos) e períodos de recessão (vales, isto é, o ponto mais baixo de ciclo). Os ciclos econômicos decorrem da sobreacumulação ou superprodução, à qual se seguem expectativas de declínio da taxa de lucro (ou de que a taxa de lucro seja menor que a taxa de juros), o que provoca a redução de investimentos e desaceleração do nível de atividade. Fatores exógenos, como os choques do petróleo e as crises financeiras, podem contribuir para reverter o ciclo e acentuar seus efeitos.

As políticas anticíclicas são defendidas pelos keynesianos, que consideram que o ciclo econômico não é autorregulado, como pensavam os neoclássicos. Segundo a escola keynesiana o déficit público é o principal instrumento de política econômica para amenizar os efeitos do ciclo. Assim, durante a recessão, o governo deve intervir, reduzindo tributos, promovendo a expansão do crédito e o aumento dos gastos, realizando investimentos capazes de estimular a economia. Desta forma, durante a recessão, o déficit público deve se expandir de modo a restabelecer o equilíbrio econômico. O inverso deve ocorrer durante a fase ascendente do ciclo: nos períodos de prosperidade, o Estado deve aumentar a tributação, constituindo um superavit para pagar suas dívidas e formar um fundo de reserva que possa ser utilizado durante os períodos de recessão (ou depressão).

No Brasil, o II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND II), parcialmente implementado pelo governo Geisel durante o primeiro choque do petróleo (segundo semestre de 1973), pode ser considerado como um exemplo, embora não muito bem sucedido, de política anticíclica. [1] Outro exemplo, mais recente, é o Programa de Aceleração de Crescimento - PAC - , de características anticíclicas e desenvolvimentistas, que visa promover um crescimento econômico através do aumento de gastos públicos em obras de infraestrutura. Já o Programa Minha Casa, Minha Vida, que tem como meta construir um milhão de casas, também tem um caráter anticíclico na medida em que promove o aumento do nível de investimento e emprego na construção civil. [2] Destaca-se também o papel do BNDES no financiamento de investimentos.[3]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. BRESSER PEREIRA, L. C. Auge e declínio nos anos setenta. Revista de Economia Política, vol.3 n° 2, abril-junho de 1983.
  2. Veja alguns pontos do PAC divulgados pelos ministros.Economia: pacote econômico. Globo.com, 22/01/2007, 11h24m, atualizado em 22/01/2007, 12h57m
  3. O papel anticíclico do BNDES sobre o crédito, por Ernani Teixeira Torres Filho.Visão do Desenvolvimento nº 7 , 3 agosto de 2006.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • (em inglês) SCHUMPETER, Joseph Alois. Business Cycles: A Theoretical, Historical and Statistical Analysis of the Capitalist Process. New York and London: McGraw-Hill Book Co., Inc., 1939. 1st ed., 2 vols.
  • (em inglês) SCHUMPETER, Joseph Alois. The Theory of Economic Development: An Inquiry into Profits, Capital, Credit, Interest, and the Business Cycle (translated by Redvers Opie, with a special preface by the author). Cambridge Mass: Harvard University Press, 1934. Second Printing 1936; third printing 1949.
  • SICSÚ, João; PAULA, Luiz Fernando; e RENAUT, Michel, organizadores. Novo-desenvolvimentismo: um projeto nacional de crescimento com eqüidade social. Barueri:Manole; Rio de Janeiro:Fundação Konrad Adenauer, 2005. ISBN 85-98416-04-5 (Manole)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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