Ubirajara Fidalgo

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Ubirajara Fidalgo da Silva, mais conhecido como Ubirajara Fidalgo, (CaxiasMaranhão), (22 de Julho de 1949) – Rio de Janeiro, 3 de Julho de 1986, foi um ator, dramaturgo, produtor e diretor de teatro brasileiro.


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Ubirajara Fidalgo
Nome completo Ubirajara Fidalgo da Silva
Nascimento 22 de junho de 1949
Caxias, Maranhão
, Brasil
Morte 3 de julho de 1986 (37 anos)
Rio de Janeiro, Brasil
Ocupação ator, diretor e dramaturgo
Cônjuge Alzira Fidalgo
Atividade 1959 - 1986


Foi uma das grandes figuras emblematicas do Movimento Negro no Brasil nas décadas de 1970 e 1980 e fundador do Teatro Profissional do Negro, o TEPRON, que aliou a montagem de textos teatrais tradicionais às questões relevantes ao racismo e discriminação no Brasil contemporâneo. Foi pioneiro ao levar aos palcos debates políticos de cunho social com a participação e interatividade do público, além de ter sido precursor na inclusão de atores de periferias e favelas em uma cia de teatro profissional, através da promoção de oficinas e workshops profissionalizantes. [1] [2]


Índice

[editar] Família e estudos

Segundo filho de uma numerosa família de 11 irmãos, Ubirajara Fidalgo nasceu em uma fazenda próxima ao município de Caxias do Maranhão, herança de sua avó materna, Prudência Fidalgo, uma ex-mucama que ganhou de presente de seus senhores terras e um sobrenome, Fidalgo. Lá viveu até os 8 anos de idade com seus pais, Aldenora e Geraldo, ela uma professora primária maranhense e ele um comerciante com aptidão artistitica e de ascendência espanhola, quando foi enviado à São Luis para viver com uma tia "letrada". Lá ele teve acesso à vida cultural e fora apresentado ao teatro pela primeira vez em sua vida ainda na infância. Na adolescência começou a frequentar aulas de interpretação teatral com Jesus Chediak, onde tomou conhecimento do repertório de uma série de autores nacionais e internacionais. Aos 18 anos se muda para o Rio de Janeiro indo viver com amigas de sua tia de criação. Estuda artes-cênicas na Uni-Rio e ballet clássico no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, onde chegou a integrar o corpo de baile. Em 1973 conhece a modelo Alzira Fidalgo com quem se casa no ano seguinte e, em 1978 nasce a primeira e única filha do casal, Sabrina Fidalgo.

[editar] Teatro Profissional do Negro

No ano de 1968 aos 18 anos muda-se para o Rio de Janeiro e no ano de 1970 encena no Teatro Thereza Rachel o espetáculo Otelo de William Shakespeare como diretor e ator principal. Otelo foi a primeira montagem do TEPRON, Teatro Profissional do Negro, cujas encenações posteriores foram os espetáculos "A Boneca da Lapa", a peça infantil Os Gazeteiros, entre outros. A filosofia do TEPRON era a encenação de textos de Fidalgo relacionados às questões políticas e sociais e principalmente à problemática e os conflitos do negro na sociedade brasileira. Já no final dos anos 1970 o TEPRON passa a realizar oficinas de interpretação itinerantes buscando formar uma unidade como grupo pautada na questão social, atuando principalmente com alunos de comunidades carentes e periferias junto com um elenco de atores profissionais. O conceito era profissionalizar pessoas dessas camadas sociais e inseri-las no contexto artístico e político das peças da companhia. No início dos anos 1980, com a primeira montagem do monólogo "Desfulga", Fidalgo amplia ainda mais o leque político de suas encenações ao oferecer, após cada espetáculo, um debate entre ele, ilustres convidados e o público, debates esses que visavam um questionamento mais profundo acerca de assuntos sueridos pelos textos de Fidalgo o que logo chamou a atenção de políticos, artistas, ativistas sociais e estudantes além de vários grupos do Movimento Negro e de outros grupos minoritários. O racísmo, o preconceito, a homofobia, a misoginia,a desigualde social e a então ditadura militar eram assuntos amplamente abordados nos debates pós-peça que percorreu teatros e ocupações da cidade. Com o TEPRON Fidalgo chegou a encenar ao mesmo tempo três peças, ("Desfulga", "Fala Pra Eles Elisabete" e a infantil "Os Gazeteiros") que ficaram três anos em cartaz.

[editar] Militância: 1975 - 1982

Em 1975, Ubirajara Fidalgo, junto com outros, é um dos principais articuladores da fundação, no Rio de Janeiro, do Instituto de Pesquisa e Cultura Negra (IPCN), organização de relevância no quadro do movimento social negro e cuja manutenção devia-se à contribuição de centenas de sócios. Uma das poucas entidades do gênero a ter sede própria, passou a enfrentar problemas financeiros no fim dos anos 1980, tendo de fechar as portas subseqüentemente. Posteriormente ao lado do professor, jornalista e pesquisador das raízes historicas brasileiras, Joel Rufino dos Santos, se engaja na criação da ACAAN (Associação Cultural de Apoio as Artes Negras).

[editar] Última encenação

Seu último trabalho em vida foi no ano de 1985 com a encenação da peça "Tuti", no Teatro Calouste Gulbenkian, hoje Centro de Artes Calouste Gulbenkian. A peça ficou um ano em cartaz e Fidalgo assumiu as funções de diretor e coprodutor. A peça foi reencenada 13 anos mais tarde no Teatro Sesc Copacabana com os atores Déo Garcez,Jorge Maya, Jalusa Barcellos e Carla Costa e direção de Cyrano Rosalém, tendo sido um dos primeiros projetos culturais a percorrer o circuito das Lonas Culturais no estado do Rio de Janeiro.

[editar] Filosofia do Tepron

A filosofia do T.E.P.R.O.N era a encenação de textos relacionados às questões políticas e sociais e principalmente à problemática e os conflitos do negro na sociedade brasileira. O TEPRON foi a primeira companhia teatral afro-brasileira do Rio de Janeiro e a segunda do Brasil, depois do Teatro Experimental do Negro (TEN) fundada por Abdias do Nascimento.


[editar] Morte

Ubirajara Fidalgo faleceu aos 37 anos na manhã do dia 3 de julho, no hospital São Lucas, no Rio de Janeiro, poucos meses após ter recebido um transplante de rins. Vitima de um acidente de carro da infância Fidalgo sofria desde então de insuficiência renal. [3]

[editar] Obra e Acervo

[editar] Peças de Teatro

  • 1975 - A Boneca da Lapa
  • 1979 - Desfulga
  • 1982 - Os Gazeteiros
  • 1983 - Fala Pra Eles Elisabete
  • 1985 - Tuti
  • 1986 - Bambi's Son

[editar] Ligações externas

[editar] Bibliografia

  • GOMES, Arilson dos Santos. Idéias negras em movimento: da Frente Negra ao Congresso Nacional do Negro de Porto Alegre. Florianópolis: III Encontro Escravidão e Liberdade no Brasil Meridional, 2007 http://www.labhstc.ufsc.br/programa2007.htm! ref = Gomes, 2007.
  • HANCHARD, Michael George. 'Orfeu e o poder: o movimento negro no Rio de Janeiro e São Paulo (1945-1988)'. Rio de Janeiro: Eduerj, 2001. ISBN 8575110020
  • MOURA, Clóvis. 'História do negro brasileiro'. São Paulo: Ática, 1989. ISBN 8508034520
  • NASCIMENTO, Abdias (org.). 'O Negro revoltado'. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982.
  • SANT'ANA, Luiz Carlos. 'Breve Memorial do Movimento Negro no Rio de Janeiro'. Rio de Janeiro: "Papéis Avulsos", CIEC/UFRJ, nº 53, 1998.
  • SANTOS, José Antônio dos. 'Raiou a Alvorada: Intelectuais negros e imprensa, Pelotas (1907-1957)'. Pelotas: Universitária, 2003.

[editar] Ver também


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