Adelomelon brasiliana

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaAdelomelon brasiliana
Vista superior de uma concha do molusco Volutidae A. brasiliana.
Vista superior de uma concha do molusco Volutidae A. brasiliana.
Vista inferior de uma concha do molusco Volutidae A. brasiliana.
Vista inferior de uma concha do molusco Volutidae A. brasiliana.
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Mollusca
Classe: Gastropoda
Subclasse: Caenogastropoda
Ordem: Neogastropoda
Superfamília: Volutoidea
Família: Volutidae
Subfamília: Cymbiinae
Tribo: Adelomelonini
Género: Adelomelon
Dall, 1906[1]
Espécie: A. brasiliana
Nome binomial
Adelomelon brasiliana
(Lamarck, 1811)[1]
Ilustração com a vista superior (esquerda) e inferior (direita) de uma concha, sem o perióstraco, de A. brasiliana, por Johann Hieronymus Chemnitz, retirada de Neues Systematishes Conchylien-Cabinet (1795).[2]
Sinónimos
Voluta brasiliana Lightfoot, 1786 (nomen nudum)
Voluta brasiliana Lamarck, 1811
Adelomelon (Pachycymbiola) brasiliana (Lamarck, 1811)
Voluta colocynthis Dillwyn, 1817[1][2]
Pachycymbiola brasiliana (Lamarck, 1811)[3]

Adelomelon brasiliana (nomeada, em inglês, brazilian volute[4] e, em português, caracol negro[5]; embora seja um caramujo)[6][7] é uma espécie de molusco gastrópode marinho pertencente à família Volutidae. Foi classificada por Jean-Baptiste Lamarck, com a denominação de Voluta brasiliana, em 1811.[1] Sua distribuição geográfica abrange o sudoeste do oceano Atlântico, entre o Rio de Janeiro, no sudeste do Brasil, até a província de Río Negro, na Argentina. Esta espécie de caramujo atinge até os 20 centímetros de comprimento. Pode ser usada na alimentação.[8] No Uruguai ela tem sido explorada comercialmente pela pesca, em pequena escala. desde o início da década de 1990.[9] Também pode ser encontrada nos sambaquis da costa brasileira.[10]

Descrição da concha e hábitos[editar | editar código-fonte]

Concha globosa, com espiral baixa, de até 6 voltas, e protoconcha arredondada. Sua superfície apresenta coloração creme a branco-acinzentada, dotada de linhas de crescimento visíveis e tubérculos, ou protuberâncias, fortes e destacadas; chegando até sua volta final, que apresenta abertura ampla, ocupando 4/5 de toda a concha (quase a totalidade do seu comprimento), quando vista por baixo, possuindo um lábio externo levemente espessado e columela com duas fortes pregas oblíquas. O interior da abertura e região da columela apresenta coloração de laranja-rosada a levemente amarronzada em algumas áreas, com canal sifonal curto e largo. Esta espécie carece de opérculo e tem concha revestida por um perióstraco negro-acastanhado e aderente. Pode ser encontrada com anêmonas e cracas (organismos epibiontes) em sua superfície.[3][8][9][11]

É encontrada em costas arenoso-lodosas em até 77 metros de profundidade, se alimentando de bivalves.[8]

Reprodução e oviposição[editar | editar código-fonte]

Segundo estudo realizado em Mar del Plata, Argentina, com espécimes coletados numa profundidade de 15 metros, a época reprodutiva de Adelomelon brasiliana se estende de setembro a abril (primavera e verão austrais), mostrando sincronização com a temperatura da água marinha. O tamanho mínimo das conchas, para a maturidade sexual das gônadas de machos e fêmeas, é de pouco mais de 10 centímetros de comprimento, sendo uma espécie com uma lenta taxa de crescimento e muito sensível à poluição. Suas cápsulas de ovos, translúcidas e amareladas, soltas, gigantescas e esféricas (conhecidas como cápsulas ovígeras), são arremessadas nas praias, possuindo de 5 a 6 centímetros de diâmetro e contendo de 5 a 33 embriões (RIOS, 1994 Op. cit., cita de 9 a 20), em seu interior. Possuindo concentrações de proteínas e carboidratos, elas possibilitam um desenvolvimento e metamorfose completos, em torno de 90 dias. Este é o único volutídeo sul-americano que possui cápsulas ovígeras liberadas diretamente na água, capazes de se deslocar por até 700 quilômetros de distância.[5][8][9]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d «Adelomelon brasiliana» (em inglês). World Register of Marine Species. 1 páginas. Consultado em 2 de novembro de 2018 
  2. a b Wiggers, F.; Veitenheimer-Mendes, I. L. (novembro de 2008). «Taxonomic review of the genus Adelomelon (Gastropoda; Volutidae), based on type material» (em inglês). Brazilian Journal of Biology. vol.68 no.4. (SciELO). 1 páginas. Consultado em 30 de outubro de 2018 
  3. a b «Pachycymbiola brasiliana». Conquiliologistas do Brasil: CdB. 1 páginas. Consultado em 2 de novembro de 2018 
  4. a b ABBOTT, R. Tucker; DANCE, S. Peter (1982). Compendium of Seashells. A color Guide to More than 4.200 of the World's Marine Shells (em inglês). New York: E. P. Dutton. p. 218. 412 páginas. ISBN 0-525-93269-0 
  5. a b Rodrigues, Marcelo (16 de outubro de 2017). «O que são essas bolas transparentes que achamos na praia?». Bicho Vivo – Os ecossistemas e sua fauna. 1 páginas. Consultado em 2 de novembro de 2018 
  6. SANTOS, Eurico (1982). Zoologia Brasílica, vol. 7. Moluscos do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia. p. 97. 144 páginas 
  7. SANTOS (p. 97.: Op. cit.) cita que caramujo "designa todos os gasterópodes aquáticos, quer pulmonados, quer providos de brânquias, sejam da água doce ou salgada"; caracol "qualifica com mais justeza os pulmonados terrestres com concha fina e de pequenas dimensões".
  8. a b c d RIOS, Eliézer (1994). Seashells of Brazil (em inglês) 2ª ed. Rio Grande, RS. Brazil: FURG. p. 137. 492 páginas. ISBN 85-85042-36-2 
  9. a b c Cledón, Maximiliano (setembro de 2004). «Reproductive biology and ecology of Adelomelon brasiliana (Mollusca: Gastropoda) off Buenos Aires, Argentina» (PDF) (em inglês). Alfred-Wegener-Institut. 1 páginas. Consultado em 2 de novembro de 2018 
  10. SOUZA, Rosa Cristina Corrêa Luz de; LIMA, Tania Andrade; SILVA, Edson Pereira da (2011). Conchas Marinhas de Sambaquis do Brasil 1ª ed. Rio de Janeiro, Brasil: Technical Books. p. 211. 252 páginas. ISBN 978-85-61368-20-3 
  11. OLIVER, A. P. H.; NICHOLLS, James (1975). The Country Life Guide to Shells of the World (em inglês). England: The Hamlyn Publishing Group. p. 248. 320 páginas. ISBN 0-600-34397-9 
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