Al-Amin

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Alamim
محمد الأمين بن هارون الرشيد
Califa Abássida
Dracma de Alamim quando de seu mandato como governador do Coração
Governo
Reinado 809 - 813
Antecessor Harune Arraxide
Sucessor Al-Ma'mun
Dinastia Abássidas
Vida
Nome completo Muhammad ibn Harun al-Amin
Nascimento 787
Morte 813 (26 anos)
Pai Harune Arraxide
Mãe Zubaida

Maomé ibne Harune Alamim (em árabe: محمد الأمين بن هارون الرشيد; transl.: Muhammad ibn Harun al-Amim) foi um califa abássida, filho do califa anterior Harune Arraxide. Ele reinou entre 809 até a sua morte, em 813.

Califa[editar | editar código-fonte]

Al-Tabari relata que Harune Arraxide por diversas vezes insistiu com seus filhos que eles deveriam respeitar-se uns aos outros e honrar a ordem de sucessão como ele articulou. Tanto al-Amin quanto a al-Ma'mun assinaram acordos durante a peregrinação até Meca de que ambos respeitariam o testamento de seu pai. Al-Amin receberia o califado e al-Ma'mun se tornaria o governador da região do Grande Coração, na parte oriental do Irã, com autonomia quase total. Com a morte de al-Amin, de acordo com este testamento, al-Ma'mun se tornaria califa.

Hostilidade em relação a al-Mamun[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Quarta Fitna

Al-Ma'mun já desconfiava de al-Amin antes da morte do pai e convenceu Harune a levá-lo consigo em sua última viagem ao oriente. Embora Harune tenha instruído que os comandantes de Bagdá de sua expedição a ficarem com al-Ma'mun, eles retornaram para a cidade após a morte de Harun. Al-Amin tentou fazer com que o principal agente financeiro de al-Ma'mun em Rei contra ele, ordenou que o irmão reconhecesse seu próprio filho (Musa) como herdeiro e ainda pediu que ele voltasse para Bagdá. Al-Ma'mun despediu o agente e se recusou a aceitar as ordens. Por ser filho de mãe persa, ele contava com grande apoio na região do Irã (a antiga Pérsia).

Al-Amin foi ainda incitado a agir contra o irmão por seus ministros, principalmente al-Fadal ibne al-Rabi. Entre as ações, ele mandou trazer os documentos sucessórios assinados em Meca para Bagdá e os destruiu. Ele também enviou agentes para o leste para provocar agitação no território de al-Ma'mun, algo que este conseguiu impedir na maior parte das vezes com uma atenta vigilância nas fronteiras. Por fim, Al-Amin também negou o acesso de al-Ma'mun à sua família e ao dinheiro que ele tinha em Bagdá.

Em março de 811, al-Amin enviou um exército sob a liderança de Ali ibne Issa ibne Maane contra seu irmão. O habilidoso general Tair ibne Huceine, que comandava as forças de al-Ma'mun, derrotou Ali na Batalha de Rei de 3 de julho.

Revoltas internas[editar | editar código-fonte]

Al-Amin enfrentou tensões crescentes na Síria, para onde ele enviou Abdal Malique ibne Sali na tentativa de restaurar a ordem. Depois de intensas lutas, Abdal Malique foi morto. O califa também enviou Amade ibne Maziade e Abdalá ibne Humaide com um exército de 20 000 homens cada para enfrentar al-Ma'mun[1] , porém, agentes de Tair semearam a discórdia entre as tropas e ambas as forças acabaram lutando entre si.

O califa também enfrentou uma revolta em Bagdá liderada pelo filho de Ali ibne Issa, Huceine, que terminou morto quando ela foi logo esmagada. Tair avançou e tomou Avaz, tomando controle da região de Barém e partes da Arábia, com Baçorá e Cufa jurando lealdade a al-Ma'mun. O general continuou avançando em direção a Bagdá e derrotou os exércitos enviados contra ele. Em Meca, Daud ibne Issa lembrou aos fiéis que al-Amin havia destruído os acordos de sucessão de Harune Arraxide e os convenceu a se aliarem a al-Ma'mun. Em retorno, foi confirmado como governador de Meca e Medina.

Cerco de Bagdá (812–813)[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Cerco de Bagdá (812–813)

Tahir armou campo perto do Portão de Anbar e cercou Bagdá. Os efeitos do cerco foram intensificados quando os prisioneiros da prisão local foram soltos na cidade. Diversos combates violentos se sucederam, resultando numa degradação cada vez maior das posições de al-Amin, que foi ficando cada vez mais deprimido.

Quando Tahir forçou finalmente a entrada na cidade, al-Amin tentou negociar uma fuga segura. O general relutantemente concordou sob a condição de que Al-Amin entregasse seu cetro, seu selo real e todos os demais símbolos de seu califado. Al-Amin tentou fugir de barco, aparentemente levando consigo estes símbolos. Foi capturado, preso e assassinado, tendo a sua cabeça pendurada no Portão Anbar. Al-Tabari[2] cita uma carta de Tahir para al-Ma'mun informando o novo califa da captura e execução do irmão, além da situação geral em Bagdá.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Al-Amin
Nascimento: 787 Morte: 813}}
Precedido por:
Harune Arraxide
Califas abássidas
809–813
Sucedido por:
Al-Ma'mun

Referências

  1. al-Tabari v. 31 p. 100
  2. Al-Tabari v. 31 pp. 197–202

Bibliografia[editar | editar código-fonte]