Al-Amin

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
al-Amin
محمد الأمين بن هارون الرشيد
Califa Abássida
Governo
Reinado 809 - 813
Antecessor Harun al-Rashid
Sucessor Al-Ma'mun
Dinastia Abássidas
Vida
Nome completo Muhammad ibn Harun al-Amin
Nascimento 787
Morte 813 (26 anos)
Pai Harun al-Rashid
Mãe Zubaida

Muhammad ibn Harun al-Amim (em árabe: محمد الأمين بن هارون الرشيد) foi um califa abássida, filho do califa anterior Harun al-Rashid. Ele reinou entre 809 até a sua morte, em 813.

Califa[editar | editar código-fonte]

Muhammad ibn Jarir al-Tabari relata que Harun al-Rashid por diversas vezes insistiu com seus filhos que eles deveriam respeitar-se uns aos outros e honrar a ordem de sucessão como ele articulou. Tanto al-Amin quanto a al-Ma'mun assinaram acordos durante a peregrinação até Meca de que ambos respeitariam o testamento de seu pau. Al-Amin receberia o califado e al-Ma'mun se tornaria o governador da região do Grande Coração, na parte oriental do Irã, com autonomia quase total. Com a morte de al-Amin, de acordo com este testamento, al-Ma'mun se tornaria califa.

Hostilidade em relação a al-Mamun[editar | editar código-fonte]

Al-Ma'mun já desconfiava de al-Amin antes da morte do pai e convenceu Harun a levá-lo consigo em sua última viagem ao oriente. Embora Harun tenha instruído que os comandantes de Bagdá de sua expedição a ficarem com al-Ma'mun, eles retornaram para a cidade após a morte de Harun. Al-Amin tentou fazer com que o principal agente financeiro de al-Ma'mun em Rayy contra ele, ordenou que o irmão reconhecesse seu próprio filho (Musa) como herdeiro e ainda pediu que ele voltasse para Bagdá. Al-Ma'mun despediu o agente e se recusou a aceitar as ordens. Por ser filho de mãe persa, ele contava com grande apoio na região do Irã (a antiga Pérsia).

Al-Amin foi ainda incitado a agir contra o irmão por seus ministros, principalmente Fadl ibn ar Rabi. Entre as ações, ele mandou trazer os documentos sucessórios assinados em Meca para Bagdá e os destruiu. Ele também enviou agentes para o leste para provocar agitação no território de al-Ma'mun, algo que este conseguiu impedir na maior parte das vezes com uma atenta vigilância nas fronteiras. Por fim, Al-Amin também negou o acesso de al-Ma'mun à sua família e ao dinheiro que ele tinha em Bagdá.

Em março de 811, al-Amin enviou um exército sob a liderança de Ali ibn Isa ibn Mahan contra o irmão e tomou Rayy. O habilidoso general Tahir bin Husain, que comandava as forças de al-Ma'mun, derrotou Ali na Batalha de Rayy.

Revoltas internas[editar | editar código-fonte]

Al-Amin enfrentou tensões crescentes na Síria, para onde ele enviou Abd al-Malik ibn Salih na tentativa de restaurar a ordem. Depois de intensas lutas, Abd al-Malik foi morto. O califa também Ahmad ibn Mazyad e Abdallah ibn Humayd com um exército de 20 000 homens cada para enfrentar al-Ma'mun[1] , porém, agentes de Tahir semearam a discórdia entre as tropas e ambas as forças acabaram lutando entre si.

O califa também enfrentou uma revolta em Bagdá liderada pelo filho de Ali ibn Isa, Husayn, que terminou morto quando ela foi logo esmagada. Tahir avançou e tomou Ahwaz, tomando controle da região de Bahrein e partes da Arábia, com Basra e Kufa jurando lealdade a al-Ma'mun. O general continuou avançando em direção a Bagdá e derrotou os exércitos enviados contra ele. Em Meca, Dawud ibn Isa lembrou aos fiéis que al-Amin havia destruído os acordos de sucessão de Harun al-Rashid e os convenceu a se aliarem a al-Ma'mun. Em retorno, foi confirmado como governador de Meca e Medina.

Cerco de Bagdá (812–813)[editar | editar código-fonte]

Tahir armou campo perto do Portão de Anbar e cercou Bagdá. Os efeitos do cerco foram intensificados quando os prisioneiros da prisão local foram soltos na cidade. Diversos combates violentos se sucederam, resultando numa degradação cada vez maior das posições de al-Amin, que foi ficando cada vez mais deprimido.

Quando Tahir forçou finalmente a entrada na cidade, al-Amin tentou negociar uma fuga segura. O general relutantemente concordou sob a condição de que Al-Amin entregasse seu cetro, seu selo real e todos os demais símbolos de seu califado. Al-Amin tentou fugir de barco, aparentemente levando consigo estes símbolos. Foi capturado, preso e assassinado, tendo a sua cabeça pendurada no Portão Anbar. Al-Tabari[2] cita uma carta de Tahir para al-Ma'mun informando o novo califa da captura e execução do irmão, além da situação geral em Bagdá.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Al-Amin
Chefe da Banu Hashim
Nascimento: 787 Morte: 813
Precedido por:
Harun al-Rashid
Califas abássidas
809–813
Sucedido por:
Al-Ma'mun

Referências

  1. al-Tabari v. 31 p. 100
  2. Al-Tabari v. 31 pp. 197–202

Bibliografia[editar | editar código-fonte]