Angelines Fernández

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Angelines Fernández
Angelines em 1978, durante o filme El Chanfle
Nome completo María de los Ángeles Fernández Abad
Nascimento 9 de julho de 1922
Madrid, Castela-a-Nova
Nacionalidade espanhola
mexicana
Morte 25 de março de 1994 (71 anos)
Cidade do México, Distrito Federal
Ocupação atriz
Atividade 1954–1994

María de los Ángeles Fernández Abad[1] (Madrid, 9 de julho de 1922Cidade do México, 25 de março de 1994),[2] mais conhecida por Angelines Fernández foi uma atriz espanhola, naturalizada mexicana, mundialmente conhecida por ter atuado no programa humorístico El Chavo del Ocho como a Dona Clotilde (a Bruxa do 71)[1] e em Los Caquitos como Dona Nachita.[3][4]

Antes de saltar para a fama no México por sua personagem "a Bruxa do 71", Angelines Fernández lutou contra Francisco Franco durante a Guerrilha Republicana em sua terra natal, a Espanha, onde teve que fugir perseguida pela ditadura de Franco.[5]

Angelines era uma conhecida atriz de novelas no rádio e na TV, ao mesmo tempo em que incursionava pelas telonas, contracenando com astros da Era de Ouro do Cinema Mexicano, como Cantinflas e Arturo de Córdova.[6]

A atriz consagrou-se como uma das mulheres mais bonitas do México em seu tempo.[6]

Na televisão, ela também apareceu em Gabriela (1960), La Intrusa (1964), Sonata de otoño (1966) e Chapolin Colorado (1973-79). No cinema, trabalhou em El Diario de mi Madre (1958), El Esqueleto de la Señora Morales (1960), El Padrecito (1964), Un novio para dos hermanas (1967), El cielo y tu (1971), El Chanfle (1979) e Bella Entre las Flores (1990).[2]

A atriz morreu em 1994 devido ao um câncer de pulmão, aos 71 anos.[7]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Início da vida e primeiros trabalhos[editar | editar código-fonte]

"Ao trabalhar nas guerrilhas da Espanha, minha mãe foi listada como anti-franquista, então ela precisava deixar seu país de origem, considerando que sua vida era difícil. Ele chegou ao México em 1947, depois viveu em Havana, onde organizou seus papéis e voltou a trabalhar nos filmes de Cantinflas e Arturo de Córdova."

– Paloma Fernández, filha de Angelines, em entrevista à TVNotas em 1999.[8]

Nascida em Madrid, Espanha, em 9 de julho de 1922. Quando a guerra civil estourou, em 7 de julho de 1933, tinha acabado de completar 11 anos.[9] Após a vitória dos nacionalistas contra os exércitos regulares republicanos, em 1939, anarquistas, socialistas e comunistas se uniram num movimento clandestino para continuar o combate, escondidos principalmente em florestas e regiões montanhosas, lançando ataques contra forças do governo. Angelines tinha apenas 17 anos quando viu a ditadura de Francisco Franco assolar seu país.[4] Nesse mesmo período ela estreou como atriz na comédia musical Carlo Monte en Monte Carlo, na companhia de teatro de Isabela Garcés, em Madrid.[10] Indignada com o avanço fascista e com a miséria imposta ao seu povo, ingressou nos grupos rebeldes que combatiam o governo franquista, na Guerra Civil Espanhola, apoiando os republicanos contra seu ditador.[11]

Aos 25 anos, em 1947, foi descoberta pelos militares e passou a correr risco de vida. Foi quando então tomou a difícil decisão, de exilar-se no exterior para escapar da morte. Ao sair da Espanha, Angelines já tinha sua única filha, Paloma Fernández.[9] Após passar por Cuba, seu destino original, a jovem migrou para o México ainda em 1947. Lá encontrou com o ator espanhol radicado no México, Ángel Garasa, também refugiado da Guerra Civil Espanhola. Para ajudar a compatriota, ele arranjou-lhe um pequeno papel como atriz em uma peça no Teatro Fabregas, onde ela agradou tanto que no ano seguinte já era protagonista da peça La Casa del Loca (1948), no Teatro Ideal.[11] Pouco depois, foi contratada pela rede televisão cubana CMQ, vivendo durante um breve período em Havana.[6]

Retornou definitivamente ao México em 1950 para estrelar a peça Cuatro Corazónes con Freno y Marcha Atrás, de Jardiel Poncela, iniciando, assim, sua carreira como atriz dramática. Angelines também começou a trabalhar como rádio-atriz, trabalhando nas rádio-novelas da Rádio XEW, na Cidade do México. Quando a televisão mexicana foi inaugurada em 31 de agosto de 1950, Angelines já era uma atriz popular, sendo o primeiro rosto a aparecer na transmissão inaugural da XE1GC, Canal 02 do México. Meses antes, ela retornara a Cuba para também inaugurar a televisão por lá.[12]

Ela passou a fazer diversas peças televisivas e só estreou em novelas em 1959, atuando na primeira versão de Teresa, estrelada por Maricruz Olivier. Fernández já era uma veterana do cinema mexicano, sendo uma das atrizes da era de ouro do cinema do país. Ela estreou nas telonas em Maternidade Imposible (1955), estrelado por María Elena Marqués. Em 1959, estrelou Cadenas de amor aos 35 anos como a vilã Irma, ao lado de Ofelia Guilmáin e Aldo Monti. Foi a primeira novela que usou cenas ao ar livre e não apenas em fóruns, estas foram realizadas nos estacionamentos da estação Telesistema Mexicano, no que hoje são as instalações da Televisa Chapultepec. Ela atuou em vinte e cinco filmes, incluindo o clássico El Esqueleto de La Señora Morales (1960), a primeira comédia de humor negro do cinema mexicano. Estrelado por Arturo de Córdova, o filme narra a estranha história de um taxidermista sexualmente reprimido e aprisionado por um casamento sem amor a uma mulher puritana e fanática religiosa. Angelines é Clara, a irmã beata da esposa vitimista. A atriz, então com 38 anos, mostra a elegância que consagrou-a como uma das mulheres mais bonitas do México em seu tempo.[6] No cinema Fernandéz contracenou com grandes astros mexicanos como Arturo de Córdova, Pedro Infante e Libertad Lamarque.[12]

Com Cantinflas, o cômico mexicano mundialmente famoso, ela fez vários filmes, entre eles El Padrecito em 1964, onde assumiu o papel coadjuvante de Sara, a inimiga do personagem Padre Sebastián, e El Profe (1971). Neste último, trabalhou com outro veterano do cinema mexicano, Ramón Valdés.[12] Nesse mesmo período ela contracenou com María Antonieta de Las Nieves, em Un novio para dos hermanas (1966).

Estrelato mundial com Chespirito[editar | editar código-fonte]

Fernández estrelou várias telenovelas nos anos 60 e início da década de 1970. Porém, o auge da sua carreira começou quando Roberto Gómez Bolaños (Chespirito) a convidou para trabalhar no seriado El Chavo del Ocho (Chaves) em 1972, interpretando a Dona Clotilde, que era chamada pelas crianças de Bruxa do 71.[13] Sua personagem era uma mulher madura que usava um longo vestido azul e um arranjo sobre os cabelos. Ela morava sozinha, e escondia de todo mundo sua verdadeira idade e, embora fosse muito mal-humorada com as crianças, não tinha nenhum mal: longe da acusação negativa de seu apelido, ela não queria complicar a vida de ninguém. Ela conseguiu esse trabalho quando perguntou a seu amigo pessoal, Ramón Valdés, se ele sabia de qualquer trabalho de atuação que pudesse fazer.[13] Exibido pela primeira vez no Canal 8, o roteiro veio de um esquete escrito por Bolaños, onde uma criança de oito anos discutia com um vendedor de balões em um parque (interpretado por Ramón Valdez).[14] Bolaños deu importância ao desenvolvimento dos personagens, aos quais foram distribuídas personalidades distintas. Desde o início, seu criador percebeu que o seriado seria destinado ao público de todas as idades, mesmo se tratando de adultos interpretando crianças.[14] O sucesso de El Chavo del Ocho foi tanto que, em 1973, foi distribuído em vários países da América Latina, obtendo altos índices de audiência.[15] Estima-se que no mesmo ano, foi visto por mais de 8,3 milhões de telespectadores a cada dia.[16] Devido à popularidade, o elenco realizou turnês internacionais que compreenderam vários países nos quais era transmitido à época, numa série de apresentações onde dançavam e atuavam no palco ao vivo.[17][18]

Sobre seu papel no programa Paloma [sua filha] declarou: "Ela sempre teve muito respeito por Roberto Bolaños. E assim era feliz. No início, fazer os outros rirem lhe custava, porque era atriz dramática e não tinha nada a ver com a comédia. As crianças na vida real sempre a imaginaram como uma bruxa de verdade, e quando saíamos ao mercado ou levávamos nosso cachorrinho para passear, os meninos gritavam: 'Aí vem a Bruxa!'. E minha mãe começava a se mortificar. Comentava comigo que se sentia triste porque ninguém queria ficar perto dela, tinham medo! Eu ria quando, na vida real, ela se irritava com as crianças do mesmo jeito que ela se irrita com o Chaves e a Chiquinha. Depois se acostumou e não se incomodava mais em ser chamada de 'Bruxa'."[6]

Ela também participou de outro programa de Chespirito, El Chapulín Colorado (Chapolin), anos depois. Foi com Chaves e Chapolin que ela alcançou fama no México e em sua terra natal. As duas produções de Chespirito se tornaram grandes sucessos internacionais, atingindo todos os países da America Latina. Em 1974, participou de sua última telenovela e concentrou seu trabalho em torno das produções de Chespirito. Depois que os programas Chaves e Chapolin terminaram em 1980, ela ainda continuou a interpretar Dona Clotilde no programa Chespirito, na década de 1980 e em turnês. Nos anos 1980, ela começou a interpretar Dona Nachita, uma segunda personagem regular em Chespirito, a vizinha fofoqueira nas esquetes de Los Caquitos.[16] Ela permaneceu no elenco de El Chavo del Ocho até 1990, quanto teve de se afastar devido a um câncer de pulmão. Ainda em 1990, ela interpretou uma freira em Sor Batalla, novamente ao lado de María Antonieta de Las Nieves.[19] Neste mesmo ano estreou seu último filme, Bella entre Las Flores (1990).[19] Ela deixou o elenco de Los Caquitos em 1992.

Morte[editar | editar código-fonte]

Mausoléu onde jaz os restos mortais da atriz

O incessante hábito de fumar levou Angelines a adquirir um câncer de pulmão, que ocasionou o seu falecimento no dia 25 de março de 1994,[7] coincidentemente, aos 71 anos de idade.[20] Mas antes de partir, Angelines havia pedido expressamente que um último desejo seu fosse realizado: ser enterrada ao lado de Ramón Valdés.[13]

Foi enterrada no Mausoleos Del Ángel, na Cidade do México, a poucos centímetros da lápide de Ramón Valdés, seu amigo íntimo.[13] Os dois atores que já haviam atuado juntos em 1968, e posteriormente em El Chavo del Ocho. Os dois ficaram tão próximos, que após permanecer ao lado do corpo de Valdés durante seu funeral, Angelines permaneceu por mais de duas horas ao lado de sua lápide na Cidade do México. Entre soluços, ela repetiu várias vezes: "Você me deixou meu Roro... meu Roro..."[13]

Angelines foi a terceira do elenco do El Chavo del Ocho a morrer, depois de Ramón Valdés, que interpretava Seu Madruga (falecido em 1988) e Raúl Padilla, que interpretava Jaiminho (falecido em 1994).

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Televisão[editar | editar código-fonte]

Programas Cômicos[editar | editar código-fonte]

Ano Título Personagem
1980/91 Chespirito Dona Clotilde, Dona Nachita, Dona Cotinha, Delegada
1979/82 La Chicharra Ursula
1973/79 El Chapulín Colorado vários personagens
1972/80 El Chavo del Ocho Dona Clotilde ( A Bruxa do 71)

Telenovelas[editar | editar código-fonte]

Ano Título Personagem
1974 Ha llegado una intrusa Carmelita
1970 Rafael
1969 Encadenados
1966 La duquesa
Sonata de otoño
1965 Tú eres un extraño
1964 La Intrusa
Teatro del cuatro
1963 Mi vida és una canción
1962 La herida del tiempo
La Madrasta
1961 La família del 6
La telaraña
1960 El Esqueleto de la señora Morales
Claudia
El hombre de oro
Gabriela
Un amor en la sombra
1959 Cadenas de amor Irma
Teresa Esmeralda

Cinema[editar | editar código-fonte]

Filmes[editar | editar código-fonte]

Ano Título Papel
1990 Bella entre las Flores Dona Perfecta
1984 Charrito Maquiadora
1983 Don Ratón y Don Ratero Doméstica
1982 El Chanfle 2 Secretária
1978 ¡Oye Salomé!
El Chanfle Esposa de Paco
1975 El agente viajero
1974 Kalimán en el siniestro mundo de Humanón
1972 Traiganlos vivos o muertos
1971 El cielo y tu
El profe Mãe de Martin
1969 Un Quijote sin mancha Prudência Pingaron
1968 Corona de lágrimas Mercedes Ancira
Despedida de casada
Esta noche sí
1967 Estrategia matrimonial Margarita
1966 Fuera de la ley
Un novio para dos hermanas Professora de piano
1964 El Padrecito Sara
1963 Mi vida es una canción
1960 El Esqueleto de la Señora Morales Clara, irmã de Glória
1959 Mi niño, mi caballo e Yo
1958 Misterios de la magia negra Laura
El Águila Negra contra los enmascarados de la muerte
El diario de mi madre Leonor
1955 Maternidad imposible

Referências

  1. a b «De guerrillera a "La Bruja del 71": la increíble historia de Angelines Fernández» (em espanhol). Radio Mitre. 12 de dezembro de 2019. Consultado em 18 de dezembro de 2019 
  2. a b José L Bernabé Tronchoni. «Find a Grave – Angelines Fernández». Find a Grave. Consultado em 16 de dezembro de 2019 
  3. Jorge Rodarte (19 de novembro de 2019). «Actores de El Chavo del 8 y cómo lucían antes de ser famosos» (em espanhol). Debate. Consultado em 18 de dezembro de 2019. Circulan en redes sociales imágenes de cómo lucían algunos actores de El Chavo del 8 antes de ser famosos 
  4. a b «La historia detrás de Doña Clotilde, la guerrillera que combatió a Franco antes de trabajar en El Chavo del 8» (em espanhol). Radio Mitre. 3 de abril de 2019. Consultado em 18 de dezembro de 2019 
  5. «La Bruja del 71: la guerrillera que combatió a Franco antes de formar parte del elenco del Chavo del 8» (em espanhol). infobae. 2 de abril de 2019. Consultado em 18 de dezembro de 2019. Mucho antes de ser "Doña Clotilde" en "El Chavo del 8", la actriz Angelines Fernández combatió al dictador español 
  6. a b c d e Rafaella Britto (10 de abril de 2017). «Guerrilheira e musa: o passado desconhecido de Angelines Fernández, a Bruxa do 71». Medium. Consultado em 17 de dezembro de 2019 
  7. a b «El desconocido pasado guerrillero de La Bruja del 71 en la Guerra Civil Española que la obligó a escapar a México» (em espanhol). CHV Noticias. 4 de abril de 2019. Consultado em 16 de dezembro de 2019. Con sólo 14 años cuando comenzó el sangriento conflicto, Angelines Fernández colaboró junto a su madre con la guerrilla antifranquista, motivo por el que debieron refugiarse en otro país tras el triunfo del dictador Francisco Franco. 
  8. «La guerrilla antifranquista a la que pertenecía La Bruja del 71 antes del Chavo del 8» (em espanhol). infobae. 3 de abril de 2019. Consultado em 18 de dezembro de 2019. Al estallar la Guerra Civil en 1936, Angelines Fernández era una adolescente de apenas 14 años que renegaba de Francisco Franco 
  9. a b Alana Sousa (13 de setembro de 2019). «O SEGREDO DA BRUXA DO 71: GUERRILHEIRA ANTIFRANQUISTA». Aventuras na História. Consultado em 16 de dezembro de 2019. A atriz Angelines Fernández não era bruxa, mas tinha um grande segredo 
  10. «Biografía de Angelines Fernández» (em espanhol). Vecindad CH. Consultado em 15 de dezembro de 2019 
  11. a b Gilmar Lopes (18 de novembro de 2018). «A Bruxa do 71 foi uma guerrilheira contra a ditadura na Espanha?». E-Farsas. Consultado em 15 de dezembro de 2019 
  12. a b c Diego Nunes (4 de dezembro de 2017). «A verdadeira história da Bruxa do 71, do Chaves». 3º Neurônio – memória. Consultado em 15 de dezembro de 2019 
  13. a b c d e Martín Fernández Paz (11 de novembro de 2018). «Un amor que venció a la muerte: la historia real de los actores que interpretaron a "Don Ramón" y la "Bruja del 71"» (em espanhol). Teleshow. Consultado em 18 de dezembro de 2019. A Ramón Valdés y Angelines Fernández, quienes se ganaron el cariño de varias generaciones con sus papeles en "El Chavo del 8", los vinculó una trama digna de un culebrón mexicano 
  14. a b Gómez Bolaños 2006, p. 98
  15. Esmas. «Roberto Gómez Bolaños» (em espanhol). Consultado em 12 de abril de 2012 
  16. a b «Hoy cumple cuarenta años el Chavo del 8». Excélsior (em espanhol). Consultado em 13 de abril de 2012 
  17. Gómez Bolaños 2006, p. 115
  18. «Protagonistas e personagens principais de Chaves, quem são?». Chavo del 8. Consultado em 24 de setembro de 2012 
  19. a b «A verdadeira história de Angelines Fernández». Memórias Cinematográficas. 28 de fevereiro de 2019. Consultado em 17 de dezembro de 2019 
  20. «Morte de Angelines Fernández, a Bruxa do 71, completa 20 anos; Veja curiosidades da atriz». Quem. 24 de março de 2014. Consultado em 16 de dezembro de 2019. Estrela espanhola morreu em 25 de março de 1994, vítima de doenças causadas pelo fumo excessivo 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]