Aracnídeos
| Aracnídeos | |
|---|---|
| Representantes das 12 ordens existentes de aracnídeos | |
| Classificação científica | |
| Reino: | Animalia |
| Filo: | Arthropoda |
| Subfilo: | Chelicerata |
| Classe: | Arachnida Lamarck, 1801 |
| Subdivisões | |
|
* Solifugae
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Os aracnídeos (formalmente chamados de Arachnida) são uma classe de animais artrópodes que inclui, dentre os bichos melhor conhecidos pela população por aranhas, carrapatos e ácaros, escorpiões e pseudoescorpiões, e os opiliões (ou aranhas-do-pau-podre). O nome desta classe de animais tem origem vem do grego antigo ἀράχνη (aráchnē, significando aranha), que remete na mitologia grega à entidade Arachne, que teria sido uma humana castigada pelos deuses transformada em uma aranha. A classe historicamente levou o nome pois foram as aranhas os primeiros representantes formalmente descritos.
Quase todos animais aracnídeos atuais são animais terrestres, com poucas exceções vivendo em ambiente aquático, de água doce (como alguns ácaros e até aranhas anfíbias) e de ambientes marinhos. Existem mais de 110 000 espécies descritas de seres aracnídeos, dos quais cerca de 51,000 são de aranhas.
Características
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Todos aracnídeos são animais artrópodes (ou seja, invertebrados dotados de um exoesqueleto com pernas articuladas), que usualmente apresentam quatro pares de pernas (ou apêndices locomotores), que partem de uma região anterior bem definida do corpo denominada de prossoma (ou cefalotórax, sendo resultante da fusão embrionária da cabeça com o tórax). Não apresentam antenas como outras linhagens de artrópodes, e apresentam um par de apêndices semelhantes a pernas denominados de pedipalpos com funções e morfologia diferenciadas de acordo com o grupo (ou ordem) do aracnídeo; também existe um par de apêndices denominado de quelíceras associado à entrada bucal, para a manipulação dos alimentos. A segunda subdivisão do corpo chama-se de opistossoma (ou ainda, abdome) que é geralmente mais flexível e não apresenta subdivisões definidas.
Apresentam o corpo recoberto por uma carapaça dorsal relativamente rígida de composição quitinosa, com diversas suturas e articulações entre os segmentos. Por debaixo da carapaça do exoesqueleto, o corpo dos aracnídeos é recoberto por um tecido semelhante a uma cartilagem denominado de endosternito, no qual muitos músculos se ligam. Nos opiliões, este endoesternito pode ser encontrado calcificado, levando a uma aparência mais rígida destes animais.
As diferentes linhagens de aracnídeos apresentam particularidades estruturais, como no caso das aranhas que apresentam fiandeiras no final do opistossoma para a produção de seda, ou os escorpiões com a presença de pectinas ou pentes no opistossoma e de um aguilhão articulado no seu último segmento, bem como os pedipalpos modificados em pinças para captura e destroçamento de alimentos. Nas aranhas de deserto Solifugae, os pedipalpos são praticamente idênticos a pernas, logo estes aracnídeos parecem apresentar 5 pares de pernas. Vale notar que muitas larvas de ácaros nascem com 3 pares de pernas, em que um par extra geralmente surge na muda para o estádio de ninfas. Mesmo assim, vale mencionar que existem linhagens de ácaros com 3 ou mesmo dois pares de pernas, ao longo de todo o ciclo de vida.
Classificação dos aracnídeos
[editar | editar código]Formalmente na zoologia, os aracnídeos são animais invertebrados do filo Arthropoda, subfilo Chelicerata, que abrange os animais conhecidos por Aranae (aranhas), Opiliones (opiliões ou aranhas-do-pau-podre), Scorpionidae (escorpiões), Pseudoscorpionida (pseudo-escorpiões), Solifugae (aranhas-do-deserto), Amblypygi, Schizomida, Uropygi (escorpiões-vinagre), e (tradicionalmente) Acarina (abrangendo ácaros e carrapatos).
Existem mais de 110 000 espécies descritas de aracnídeos, das quais cerca de metade são aranhas. São 13 ordens viventes de aracnídeos, habitando quase todos os habitats continentais. Tratam-se, assim, do segundo grupo de animais terrestres mais diverso do planeta, perdendo apenas para as linhagens dos insetos.
Os estudiosos da diversidade do grupo, como taxonomistas, utilizam principalmente estruturas da morfologia externa, incluindo formatos de corpo e estruturas, visibilidade e definição de segmentos e suturas, modificações especializadas do prossoma e do opistossoma, especificidades dos apêndices, e mesmo mecanismos envolvidos na transferência de esperma. Outras particularidades de anatomia interna, do desenvolvimento, e bioquímicas são utilizadas em menor grau. No entanto, grandes avanços de classificação têm sido feitos com o aumento de informações de biologia molecular.
Fisiologia
[editar | editar código]Sistema circulatório
[editar | editar código]A circulação dos aracnídeos corre por um sistema que é aberto para banhar os tecidos internos do corpo. Canais especiais conduzem a hemolinfa (isto é, o sangue do animal aracnídeo) destes tecidos para o coração, que é uma porção pulsátil dorsal do vaso principal, que bombeia de volta a hemolinfa para as cavidades internas. Normalmente, o pigmento principal da hemolinfa é a hemocianina. As células livres presentes na hemolinfa destes animais (geralmente chamadas de hemócitos) não têm função de transporte de oxigênio.
Respiração
[editar | editar código]Existem dois tipos de orgãos respiratórios dentre os aracnídeos: pulmões foliares e traqueias. As estruturas conhecidas por pulmões foliares são encontradas dentro de cavidades endurecidas logo abaixo do opistossoma. A difusão dos gases ocorre entre a hemolinfa que circula dentro das estruturas foliares (lamelas) que empilham-se como as folhas de um livro dentro da cavidade, e o ar que permeia os espaços entre estas estruturas. Por outro lado, o sistema traqueal consiste de uma quantidade de tubos que conectam-se com o meio exterior através de aberturas lateralmente pareadas (os espiráculos), de forma bem semelhante ao existente nos insetos. A difusão dos gases acontece do ar atmosférico para dentro de túbulos bem finos preenchidos com fluido que ramificam-se dentre os tecidos dos órgãos internos. Em geral, as diferentes linhagens de escorpiões dependem de respiração por pulmões foliares, enquanto que as aranhas-de-deserto e ácaros de diversos tipos apresentam o sistema traqueal. A maioria das aranhas depende de uma mescla dos dois sistemas; aracnídeos muito pequenos costumam também depender bastante ou mesmo completamente de respiração cutânea.
Alimentação
[editar | editar código]Os animais desta classe são geralmente carnívoros, sendo todos predadores. Algumas espécies possuem glândulas inoculadoras de veneno com as quais podem matar ou imobilizar as suas presas que são capturadas e mortas com a ajuda dos pedipalpos e quelíceras. A digestão ocorre parcialmente fora do corpo ocorrendo através de enzimas que farão uma pré-digestão. O fluido alimentar é sugado por uma faringe bombeadora ou por um estômago bombeador, no caso das aranhas, sendo uma digestão lenta. É o veneno que paralisa e faz a pré-digestão dos tecidos, facilitando a digestão. A aranha possui uma glândula inoculadora de veneno para cada quelícera. Algumas espécies são parasitas.
Reprodução
[editar | editar código]Quase todos os aracnídeos apresentam dois sexos separados (ou seja, são animais dioicos) e reproduzem-se por fecundação interna, e produzem ovos, de onde saem indivíduos imaturos morfologicamente semelhantes aos progenitores (isto é, sem passar por grandes metamorfoses). Dentre as diferentes linhagens, há considerável variação no número e aspecto das gônadas, tanto dos ovários como dos testículos. De forma geral, os ovários apresentam-se associados aos ovidutos enquanto que os testículos estão associados a vasos deferentes. Em ambos os sexos, a abertura do orifício genital reside na face ventral do segundo segmento abdominal, mas podendo em alguns ácaros ser dorsal. O esperma é normalmente armazenado pela fêmea dentro de uma estrutura especializada denominada de espermateca.
Os pedipalpos nas aranhas, podem ser modificados nos machos possuindo bulbos se enchem de esperma funcionando como órgão copulador. Em algumas espécies de aracnídeos, por exemplo os escorpiões, também é utilizado o espermatóforo, que são “pacotes de espermatozoides”, sendo que o macho deve atrair a fêmea até o espermatóforo para que ocorra a fecundação. Nos escorpiões, a abertura genital fica ao lado dos pentes, podendo ter relação com a reprodução (percebe também estímulos sexuais); Na hora da reprodução mantêm uma certa distância por causa dos ferimentos que podem ser causados pelo aguilhão (imune ao próprio veneno); O macho do escorpião produz um espermatóforo (cápsula) e conduz a fêmea para que ela possa se fecundar (reprodução indireta); nas aranhas, depois de nascidos, os filhotes se depositam sobre a fêmea; Pode-se ter casos de teia comunitária para os filhotes. Existem espécies de aranhas que, depois do acasalamento, o macho tem que dar de "presente" um inseto a fêmea ou será morto por ela. Após ganhar o presente a aranha fêmea enrola o inseto nas teias e o macho foge.
Inoculadores de veneno
[editar | editar código]- Escorpião - através do aguilhão;
- Aranha - através das quelíceras;
- Pseudo-escorpião - através dos pedipalpos;
Obs: A grande maioria das aranhas não apresenta importância médica, sendo que no Brasil são apenas três que oferecem perigo, a aranha-marrom (Loxosceles), a aranha armadeira (Phoneutria) e a viúva-negra (Latrodectus).
Anatomia Funcional
[editar | editar código]- O pulmão foliáceo é uma abertura ventral para onde o ar entra e levam o oxigênio para a corrente sanguínea que vai oxigenar todo o sangue. Os pulmões não são utilizados por todos os aracnídeos;
- As aranhas possuem tanto traqueias quanto pulmões;
- O sistema traqueal, a abertura é chamada espiráculo leva o oxigênio diretamente para todos os tecidos;
- Animais que respiram por traqueias não apresentam pigmentos sanguíneos, pois não é o sangue que transporta o oxigênio.
- Coração tubular dorsal continuando anteriormente e posteriormente por uma aorta, no coração há a presença de óstios:
- Aranhas: 3 pares de óstios.
- Escorpiões: 7 pares de óstios.
- Os aracnídeos possuem glândulas coxais na base das pernas que faz comunicação com o exterior eliminando as excretas;
- Os aracnídeos perdem pouca água na forma de excreta;
- Todos os líquidos que banham o túbulo de Malpighi são filtrados entre o intestino médio e o intestino posterior, as excretas são eliminadas juntas com as fezes pelo ânus;
- Alguns possuem tanto túbulos de Malpighi quanto glândulas coxais;
- Intestino - é arborescente, para ter uma maior área de absorção;
- O intestino médio aumenta a produção de enzimas e a região de absorção;
- Principal resíduo nitrogenado é a guanina;
- Tricobótrios - são pelos sensoriais que percebem a vibração de corrente de ar;
- Órgãos em Fenda - espalhados por todo o corpo principalmente nos apêndices e percebem a tensão no esqueleto, e também deteta as informações sonoras;
- Pente - presente somente em escorpiões, com função de perceber vibrações no substrato (reprodução);
- O orifício genital de ambos os sexos está localizado na região ventral do segundo segmento abdominal. Muitos têm transmissão indireta de espermatozoides através de um espermatóforo;
- Podem ser ovíparos ou vivíparos;
- Pode ter cuidado parental, ou seja, pais cuidando "atenciosamente" dos filhotes.
- A diferenciação do sexo das aranhas segue pela extremidade dos palpos sendo que é diferente nos machos, com o apêndice usado para transmitir espermatozoides para a fêmea
As glândulas dos aracnídeos são intrínsecas às diferentes ordens. Mais predominantemente, nas aranhas a seda fica armazenada na forma de uma líquido viscoso nas glândulas de seda abdominais. O número de fiandeiras, a partir da qual o material glandular da seda é secretado, pode variar dentre os diferentes grupos de aranhas; este líquido é protéico, e se solidifica em fios em contato com o ar. Nos pseudo-escorpiões, a seda é produzida por uma fiandeita presente em cada quelícera; também algumas linhagens de ácaros produzem seda a partir da região bucal.
Classificação
[editar | editar código]- Trigonotarbida - extintos
- Amblypygi - amblipígeos, aracnídeos com primeiro par de pernas (ou apêndices locomotores) muito alongadas (cerca de 160 espécies)
- Araneae - aranhas (cerca de 40.000 espécies)
- Mesothelae - aranhas primitivas, muito raras
- Opisthothelae - todas as outras aranhas
- Araneomorphae - aranhas mais comuns
- Mygalomorphae - aranhas caranguejeiras
- Phalangiotarbida - extintos
- Opiliones - opiliões, aranha-alho ou temenjoá (mais de 6.300 espécies)
- Palpigradi - muito pequenos, raramente encontrados (cerca de 71 espécies)
- Pseudoscorpiones - pseudoescorpiões (mais de 3.300 espécies)
- Ricinulei - ricinuleídeos (cerca de 73 espécies)
- Schizomida - esquizomídeos (cerca de 180 espécies)
- Scorpiones - escorpiões (cerca de 2.000 espécies)
- Solifugae - solífugos ou solpugídeos (cerca de 900 espécies)
- Haptopoda - extintos
- Thelyphonida - escorpiões-vinagre (cerca de 100 espécies)
- Acari - ácaros e carrapatos (cerca de 30.000 espécies)
- Acariformes
- Sarcoptiformes
- Trombidiformes
- Opilioacariformes
- Parasitiformes
- Acariformes
Referências
[editar | editar código]RUPPERT, Edward E.; FOX, Richard S.; BARNES, Robert D. Zoologia dos invertebrados: uma abordagem funcional-evolutiva. 7ª ed., São Paulo: Roca, 2005. 1145pp.
VIERA, C., JAPYASSÚ, H. F., SANTOS, A. J., GONZAGA, M. O. Teias e Forrageamento In GONZAGA, M. O.; SANTOS, A. J., JAPYASSÚ, H. F. (eds.) Ecologia e Comportamento de Aranhas Editora Interciência, Rio de Janeiro, 2007. 45pp.
Ligações externas
[editar | editar código]- Estudos Universitários:
- Arachnology.
- Arachnid Photo Gallery (The American Arachnological Society).
