Banco Bozano, Simonsen

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Banco Bozano, Simonsen
Edifício-sede do Banco Bozano, Simonsen, na avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro.
Razão social Banco Bozano, Simonsen de Investimento
Tipo Empresa de capital fechado
Indústria Serviços financeiros
Gênero Sociedade Anônima
Fundação 1961
Fundador(es) Júlio Bozano
Mário Henrique Simonsen
Encerramento 2000 (39 anos)
Sede Rio de Janeiro,  Brasil
Locais Brasil
Proprietário(s) Banco Santander do Brasil
Presidente Paulo Ferraz (1995–2000)
Produtos Investimento

Banco Bozano, Simonsen foi um banco de investimento brasileiro com sede na avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, fundado por Júlio Bozano e Mário Henrique Simonsen, em 1961. Encerrou as suas atividades em 2000, após ser incorporado pelo Banco Santander em operação que envolveu a compra do Banco Meridional.

História[editar | editar código-fonte]

Em 1961, Júlio Bozano, após abandonar o curso de arquitetura, funda com Mário Henrique Simonsen a Bozano, Simonsen & Cia. Ltda., empresa de serviços financeiros. Dois anos depois, é formada a Bozano, Simonsen Crédito e Financiamento (BSCI), mas, em 1967, as operações dos bancos comerciais e de investimento são separadas pelo Banco Central, dando origem ao Banco Bozano, Simonsen de Investimento.[1]

Em 1970, inicia a diversificação de seus negócios e cria a Bozano, Simonsen Agropastoril, em Barretos, São Paulo, que chegou a ser a maior produtora de laranja do país. Em 1971, em parceria com o grupo Gomes de Almeida Fernandes, explora a Fazenda Ipanema, em Alfenas, Minas Gerais, que também foi a maior produtora de café do país.[1]

Dois anos depois, o grupo compra e funde dois pequenos bancos comerciais e, com atuação independente do banco de investimento, cria o Banco Bozano, Simonsen. No ano seguinte, a Nomura Securities, então maior corretora do Japão, compra 5% de capital do banco.[1]

Em março de 1974, Simonsen assume o Ministério da Fazenda no governo Geisel, mas faz um acordo de não intervir nos negócios.[1]

Em 1978, seguindo na diversificação dos negócios, associa-se à Multiplan, para atuar na área imobiliária, particularmente na construção de shopping centers.[1]

Em 1979, uma nova participação no grupo, agora de 25%, é vendida, para o Mellon Bank, um dos maiores bancos dos Estados Unidos. Simonsen assume o Secretaria de Planejamento da Presidência da República (hoje Ministério do Planejamento), no governo do general João Figueiredo, mas fica apenas um ano no cargo.[1]

Uma nova parceria é formada com a Anglo American, um dos maiores grupo mineradores do mundo, para atuar na produção de ouro.[1]

Em 1990, o Mellon Bank deixa o grupo e vende a sua participação. No ano seguinte, o consórcio liderado pelo grupo, compra 51% das ações com direito a voto da Usiminas, no leilão de privatização. Em 1992, seguem as aquisições e o banco compra 20% do Latinvest, banco de investimento inglês e 33% do capital da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST), privatizada pelo governo federal. As aquisições seguem no ano seguinte, ao vencer o leilão de privatização da Companhia Siderúrgica Paulista (COSIPA). Em 1994, nova aquisição de peso, a Embraer, também privatizada pelo governo federal.[1]

Em 1995, a gestão do banco é profissionalizada e Paulo Ferraz, com dez ano no grupo, assume a presidência. Neste mesmo ano, ganha, em concorrência, a administração do Banerj para prepará-lo para a privatização, vencida mais tarde pelo Itaú. Adquire 12,5% do capital da Escelsa, empresa de energia elétrica do Espírito Santo.[1]

Em 1996, vende suas participações na Escelsa, na Usiminas e na CST e embolsa um lucro de cerca de 400 milhões de dólares. Desfaz a parceria com a Anglo American e vende sua participação na Latinvest para o banco espanhol Bilbao Viscaya. Também cria a Planicred, em parceria com a Multiplan, para atuar nas áreas de cartões de crédito e de financiamento ao consumidor.[1]

No ano seguinte, compra o Banco Meridional, por 266 milhões de reais, no leilão de privatização, se torna o maior banco de investimento brasileiro e é eleito, pela Euromoney, o melhor banco de investimento do país. Também incorpora a Seguradora Oceânica. Em fevereiro, morre Mário Henrique Simonsen e sua mulher, Iluska Simonsen, herda sua participação que era de pouco menos de 5% no banco. Em 1997, a Euromoney reelege o banco como melhor banco de investimento do Brasil.[1]

A partir de julho de 1998, o Meridional passa a ser a holding do grupo no setor financeiro e Paulo Ferraz é incluído na lista de 25 nomes que formam a nova elite empresarial latino-americana da revista BusinessWeek.[1]

Em janeiro de 2000, o Meridional — e o grupo — é vendido e incorporado pelo Banco Santander.[2][3]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l «A trajetória do Bozano». Exame. 17 de novembro de 1998. Consultado em 22 de abril de 2015 
  2. Paduan, Roberta (16 de agosto de 2013). «Aos 76, o bilionário Julio Bozano volta ao mercado». Exame. Consultado em 22 de abril de 2015 
  3. «Santander no Brasil - História». Santander. Consultado em 22 de abril de 2015