Brigadeiro (doce)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Brigadeiro
Brigadeiros
Categoria Sobremesa
País Brasil
Criação década de 1940
Receitas: Brigadeiro   Multimédia: Brigadeiro

O brigadeiro é um doce típico da culinária brasileira que rapidamente se difundiu pelo Brasil, tornando-se comum em todo o país a sua presença em festas de aniversário, junto com doces como o cajuzinho e o beijinho.[1] É conhecido também pelo nome de negrinho no Rio Grande do Sul.[2][3][4]

Se considera que o doce tenha surgido no Rio de Janeiro,[1] no contexto da campanha eleitoral do brigadeiro Eduardo Gomes para a presidência em 1945, mas alguns estudiosos dizem que o doce surgiu no Sul do Brasil.[5]

Ingredientes[editar | editar código-fonte]

Os ingredientes do brigadeiro são leite condensado, chocolate em pó, manteiga ou margarina e chocolate granulado para a cobertura. Pode ser feito tanto no fogão quanto no forno de micro-ondas.[2]

História e origem[editar | editar código-fonte]

A origem do nome "brigadeiro" é ligada à campanha presidencial do Brigadeiro Eduardo Gomes, candidato da UDN nas eleições presidenciais de 1945.[6] Certos estudiosos acreditam que a origem do doce vem do Sul, onde é conhecido como negrinho.[5]

Heloísa Nabuco de Oliveira, parte da tradicional família carioca que apoiava a candidatura do brigadeiro, criou um tipo de doce feito com leite, ovos, manteiga, açúcar e chocolate, ligeiramente diferente da receita de brigadeiro atual, e deu o nome da patente militar de Eduardo Gomes como nome do doce. A guloseima, inicialmente feita como uma forma de arrecadar fundos para a campanha, rapidamente ganhou popularidade e se espalhou pelo resto do país junto da campanha eleitoral. Como as festas dos correligionários e cabos eleitorais eram muito disputadas pela população, estes logo começaram a chamar os amigos para irem comer o "docinho do brigadeiro". Com o tempo, o nome "brigadeiro" se tornou tão associado ao doce que o mesmo passou a ser conhecido apenas como "brigadeiro". Apesar do apoio recebido, Eduardo Gomes foi derrotado nas eleições, tendo a eleição sido vencida pelo então general Eurico Gaspar Dutra.[7]

No Rio Grande do Sul[editar | editar código-fonte]

No Rio Grande do Sul, ao contrário de no resto do país, o brigadeiro é popularmente conhecido pelo nome negrinho.[8][carece de fonte melhor]

Tal fato, conforme é relatado nas memórias do político udenista catarinense Hercílio Deeke se deve também a razões políticas ligadas à candidatura de Eduardo Gomes. Segundo comenta o mesmo, o forte antagonismo político do caudilho gaúcho Getúlio Vargas - hegemônico na política gaúcha da época e forte opositor da candidatura de Eduardo Gomes - fez com que no Rio Grande do Sul o termo "brigadeiro" fosse pouco utilizado, usando-se em seu lugar o termo "negrinho" como um substituto "politicamente aceitável" para os meios de comunicação majoritariamente varguistas abertamente hostis ao candidato da UDN.[9]

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria com imagens e outros ficheiros sobre Brigadeiro (doce)
Wikilivros

Referências

  1. a b «Brigadeiro, doce preferido nas festas, surgiu em campanha eleitoral». Globo Repórter. 16 de junho de 2017. Consultado em 20 de março de 2022 
  2. a b «Receitas de brigadeiro» (PDF). Nestlé Brasil. Consultado em 6 de outubro de 2017 
  3. Motter, Juliana (2010). Livro do Brigadeiro. [S.l.]: Panda Books 
  4. «Um Doce Político». Gazeta do Povo. 9 de junho de 2010. Consultado em 20 de março de 2022 
  5. a b Meirelles, Pedro von Mengden (2019). «"O mais popular dos doces brasileiros": História crítica do brigadeiro.». Revista Aedos (25): 330–354. ISSN 1984-5634. Consultado em 14 de abril de 2021 
  6. «Origem do nome do doce brigadeiro está ligada à história do Brasil». Portal G1. Rede Globo. 1 janeiro de 2013. Consultado em 6 de outubro de 2017. Cópia arquivada em 9 de julho de 2019 
  7. «Muito bem organizadas as manifestações no Dia da Paz». Diário de Cuiabá. Consultado em 7 de outubro de 2017. Arquivado do original em 9 de julho de 2019 
  8. «Folclore e Gastronomia Brasileira». Sites Google. Consultado em 7 de outubro de 2017 
  9. DEEKE, Hercílio Artur Oscar. Meu legado na política. Blumenau: Sociedade Colonizadora Hanseática, 1966.