Buldogue serrano

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Question book-4.svg
Esta página ou secção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo, o que compromete a verificabilidade (desde Dezembro de 2017). Por favor, insira mais referências no texto. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Buldogue Serrano
Nome original Buldogue Serrano
Outros nomes Bordoga
Burdogue
Buldogue pampeano
Serrano
País de origem  Brasil
Características
Peso macho 31-40 kg
Peso fêmea 25-35 kg
Altura macho 50-56 cm na cernelha
Altura fêmea 48-53 cm na cernelha
Pelo curto
Cor Todas as cores e combinações
Expectativa de vida 10-12 anos
Classificação e padrões
Federação Cinológica Internacional
Grupo 11 - Raças Não Reconhecidas pela FCI
Notas Padrão CBKC #NR11

O buldogue serrano é uma raça de cão brasileira, apto para a guarda e em especial para o trabalho com o gado. A raça já é reconhecida pela Confederação Brasileira de Cinofilia, e agora busca reconhecimento internacional junto à FCI.[1]

História[editar | editar código-fonte]

A História desta raça confunde-se com a História da raça bulldog campeiro. A versão oficial e aceita pela Confederação Brasileira de Cinofilia, diz que o buldogue serrano sempre foi, apesar de ter ancestrais em comum com o bulldog campeiro, uma outra raça que teria se originado de cães do tipo buldogue, trazidos por imigrantes europeus ao sul do Brasil a partir do século XIX.[2] No sul do Brasil em maioria estes imigrantes foram alemães, italianos e poloneses. Estes imigrantes teriam trazido consigo cães de presa do tipo buldogue, que nesta época eram muito comuns na Europa. Os alemães e poloneses teriam trazido o Bullenbeisser e os italianos o buldogue maltês e talves o antigo buldogue inglês, esta última já extinta e muito diferente do atual buldogue inglês. Também acredita-se que o Alano español(buldogue espanhol) trazido à América espanhola, teria facilmente atravessado a fronteira com o Brasil acompanhando tropas na época das guerras Guaranítica, e da Tríplice Aliança, e posteriormente auxiliando peões a tocar o gado entre as fronteiras. O fila de terceira, raça portuguesa já extinta de buldogue, possivelmente também contribuiu para a formação do buldogue serrano, já que esta raça foi uma das primeiras raças caninas a pisar em solo brasileiro, muito utilizada para a lida com o gado na Ilha Terceira e foi trazida pelos colonos portugueses para o trabalho com o gado. Desta forma acredita-se que todas estas raças teriam contribuído na criação do buldogue serrano.

Todos estes cães já em solo brasileiro, teriam sido selecionados na lida diária das fazendas de gado da região, e com acasalamentos selecionados pelos peões, buscando os cães mais aptos ao trabalho de subjugar gado, teriam criado duas novas raças, os bulldogs campeiros (mais pesados), mais comuns nos campos do Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, e nos campos do Rio Grande do Sul próximos as fronteiras com Argentina e Uruguai e também na região das missões, e os buldogues serranos (mais leves), mais comuns nas encostas das serras e nas serras gaúchas.

Os melhores cães para o trabalho de submeter bois e porcos eram os mais apreciados, e também aqueles que sabiam guardar a carroça e o cavalo do tropeiro enquanto este descansava, sendo os cães leves ou pesados, o que importava era sua aptidão para o trabalho. Os mais leves, também pastoreavam reunindo o gado, trabalhando de maneira mais ostensiva, auxiliando os peões a levar a seu destino as comitivas de gado, os mais pesados também acompanhavam as comitivas, mas nestas ocasiões acompanhavam o peão que ia atrás da comitiva, aguardando o comando de retirar um boi bravo da mata densa quando fosse necessário.

Estes cães, pesados ou leves (campeiros ou serranos) também foram muito utilizados em antigos abatedouros da região sul e da região onde hoje é o Estado do Mato Grosso do Sul, nestes estabelecimentos, foram utilizados para subjugar gado e porcos no momento do abate, onde muito comumente arrastavam porcos pelas orelhas e subjugavam sozinhos bois de até 400 kg, porém com o desenvolvimento destas atividades, medidas da vigilância sanitária impediram o uso de cães nestes estabelecimentos, e com o também desenvolvimento da pecuária, estes cães tiveram seu uso cada vez menor, e com isto chegaram a quase extinção.

No final da década de 1970, este cão estava em via de extinção, então o cinófilo Ralf Schein Bender começou um trabalho de resgate destes cães, que veio a ser concretizado em 2001 quando a CBKC(Confederação brasileira de cinofilia) passou a reconhecer a raça buldogue campeiro, porém alguns criadores insatisfeitos com o privilégio dado ao tipo pesado (tipo leve não existe no padrão) pelo padrão oficial da raça buldogue campeiro, resolveram em abril de 2009 interceder junto à CBKC solicitando o reconhecimento do tipo mais leve (serrano), porque corria o risco de desaparecer[3] devido a clara preferência pelo tipo mais pesado no padrão do buldogue campeiro. A CBKC reconheceu a necessidade de se reconhecer o buldogue serrano como uma raça separada e oficializou seu reconhecimento em agosto de 2009. Os criadores que encabeçaram o trabalho de reconhecimento do buldogue serrano foram o cinófilo Pedro Pessoa Ribeiro Dantas que redigiu o padrão oficial enviado para apreciação da CBKC, e o jornalista e criador de cães Ivanor Oliviecki que enviou fotos da raça à CBKC para acelerar o processo de reconhecimento.

Aparência[editar | editar código-fonte]

Cão de aspecto atarracado sem no entanto aparentar ser um cão pesado e lento, pelo contrário, possui musculos longos dando grande impressão de agilidade, a cabeça é proporcional ao corpo e o maxilar é prognata, deve ser baixo o sufiente para passar por baixo das cercas das fazendas de gado.[4]

Temperamento[editar | editar código-fonte]

Guardião equilibrado, não demonstra agressividade gratuita a pessoas ou outros cães, mas não exita em atacar sob comando ou quando provocado, possui extrema submissão a seu dono e grande instinto para a lida com o gado,[4] é um ótimo companheiro para caminhadas e corridas.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Outras raças brasileiras:

Referências

  1. Padrão oficial da raça pela CBKC
  2. Padrão oficial da raça pela CBKC
  3. * (em português) CÃES & CIA, Brasil: Editora Forix, 2010, mensal, Edição nº 374, ISSN 1413-3040, reportagem Todos os Buldogues! Americano, Campeiro, Francês, Inglês, Olde English e Serrano
  4. a b Sérgio Meira Lopes de Castro, Domingos Josué Cruz Setta, Ivanor Oliviecki, Pedro Pessoa Ribeiro Dantas e Claudio Nazaretian Rossi, Confederação Brasileira de Cinofilia, padrão oficial da raça Buldogue Serrano. <http://www.fecirs.com.br/padroes/gr11/buldogserrano.pdf> Acessado em 03/10/2016.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Buldogue serrano
Ícone de esboço Este artigo sobre cães é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.