Morro do Cambirela

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Morro do Cambirela
Morro do Cambirela está localizado em: Brasil
Morro do Cambirela
Coordenadas 27° 45' S 48° 40' O
Altitude 1.043 m (3.422 pés)
Localização Palhoça, Santa Catarina,  Brasil
Rota mais fácil lado norte

O Morro do Cambirela é uma montanha situada no maciço do mesmo nome, no município de Palhoça, no Estado de Santa Catarina. Sua altura é de 1043 metros, o que torna o Pico do Cambirela o ponto culminante do município e da região, destacando-se pelo fato de elevar-se praticamente a partir do nível do mar até mais de um quilometro de altura. Está situado no Parque Estadual da Serra do Tabuleiro e domina toda a Baía Sul.[1]

Cercado de lendas, estima-se que tenha sido um vulcão a 590 milhões de anos atrás. O Cambirela é bastante procurado por praticantes de trilhas que desejam subir ao topo em busca da aventura e da vista única do cume da montanha. É também conhecido pelo acidente aéreo de 1949 e pela neve de 2013, que acumulou no topo e surpreendeu os moradores da Grande Florianópolis.

Placa indicando uma das trilhas de subida do Morro do Cambirela.

Nome[editar | editar código-fonte]

Segundo o dicionário tupi-guarani, o nome Cambirela vem de kambi, que significa "seios de leite" e reya, que é "muitos", provavelmente uma referência aos vários picos do Maciço do Cambirela e as nuvens e cachoeiras que embelezam o morro.[2]

Cambirela também passou a ser o nome do município vizinho ao Morro do Cambirela, Santo Amaro da Imperatriz, que era até então chamada apenas de Santo Amaro, em 1941, quando a localidade foi elevada a vila e o governo emitiu um decreto pra eliminar nomes duplicados em cidades - haviam Santo Amaros em outros estados. Porém, a rejeição da população levou a realização de um plebiscito que escolheu o nome atual, que foi oficializado em 1948.[3]

Geologia e Vegetação[editar | editar código-fonte]

As formações rochosas encontradas no Cambirela são de granito e basalto, uma mistura interessante comumente encontrada na região, fronteira entre a Serra do Mar e a Serra Geral, ambas com formações geológicas distintas. Especula-se que, devido ao fato de haver águas termais na região em que se situa a montanha, o Cambirela possa ser o cume mais alto de um vulcão extinto. Toda a região, incluindo parte do sul da ilha de Santa Catarina, é compostas por rochas vulcânicas de 590 milhões de anos, sendo as fontes termais resquícios desse período.

A vegetação nativa é um remanescente da Mata Atlântica até certa altitude - cerca de 800 m, após o que encontram-se gramíneas. Uma pedreira ao pé do monte agredia a paisagem, no entanto os proprietários da lavra reconstituíram a paisagem plantando árvores. Ainda que não façam parte da vegetação nativa, ocultam a cicatriz formada pela exploração mineral. A atividade extrativista causa medo nos moradores da região - apesar de não haver risco vulcânico no Cambirela. Segundo a Fundação Estadual do Meio Ambiente, não há riscos nas atividades.[2]

Primeiro topo do Cambirela, a aproximadamente 960 metros acima do nível do mar.

Acesso[editar | editar código-fonte]

O Maciço do Cambirela pode ser visto de Florianópolis em vários pontos da cidade, em especial pela margem sudoeste da Ilha de Santa Catarina. Também é possível vê-lo de São José, Biguaçu, Santo Amaro da Imperatriz e, claro, da Palhoça. Existem trilhas que levam ao topo, ao longo das quais se encontram alguns cursos de água cristalina, como o Rio Cambirela, que desce da montanha, apresentando algumas cachoeiras.[4] Estas trilhas são muito utilizadas por turistas aficionados das caminhadas ecológicas. As caminhadas duram cerca de três horas. Entretanto, não é incomum pessoas se perderem ou terem problemas, tendo que ser resgatados pelo Corpo de Bombeiros, em geral com o helicóptero devido ao difícil acesso.[5][6]

Existem dois acessos, ambos partem da BR-101. O primeiro é logo após a ponte sobre o rio Cubatão, na rua Jacob Vilain Filho. O segundo acesso fica na margem da rodovia, no Km 222. O ponto mais alto acessível de trilha chega a 980 m de altura.

É possível avistar de seu cume importantes pontos da região, tais como o Rio Cubatão, a Ilha de Santa Catarina os municípios de Palhoça, São José e Florianópolis. Além da Baía Sul e da Ilha de Santa Catarina avista-se o Oceano Atlântico.

Vista do topo do Cambirela, olhando para o leste. É possível ver, logo abaixo, a Palhoça, incluindo a foz do Rio Cubatão, a Baía Sul e toda a extensão da Ilha de Santa Catarina. A esquerda, mais ao fundo, aparece parte de São José, da região continental de Florianópolis e da Baía Norte.

Acidente aéreo de 1949[editar | editar código-fonte]

Na tarde de 6 de junho de 1949, o Vôo 2023 - um Douglas C-47 do Correio Aéreo Nacional (CAN), vindo do Rio de Janeiro, tinha saído do Aeroporto Hercílio Luz em Florianópolis as 16h com destino a Porto Alegre, chocando-se contra o Cambirela pouco depois disso. Todos os 24 ocupantes - 13 militares e 11 civis, incluindo duas crianças - morreram. A causa provável da tragédia - a maior da aviação brasileira até então - foi o mau tempo.[7]

Neve[editar | editar código-fonte]

Neve na Serra do Tabuleiro vista do Morro da Cruz, em Florianópolis.

A formação de neve no Cambirela é bastante rara, tendo sido registrada poucas vezes. Historicamente, foram registradas neves visíveis a distância em 1942, 1984 e a mais conhecida, a de 2013 - porém, se considera que precipitações menores, com alguns minutos, devem acontecer com certa frequência, porém, devido ao difícil acesso e registro, não se sabe.[8]

Em 2013, nevou durante a noite e o gelo permaneceu sobre os picos da Serra do Tabuleiro até as 14h, fato que foi amplamente registrado pela mídia e pelos moradores da Grande Florianópolis, que foram surpreendidos pelo cenário inédito que mais lembrava países andinos ou europeus. Por isso, de forma bem-humorada, as montanhas nevadas foram apelidadas de Alpes Palhocenses ou Barilhoça.[9]

Cultura popular[editar | editar código-fonte]

Cambirela, com o pico atrás das nuvens, visto de Florianópolis. O rosto do gigante da lenda pode ser visto a esquerda.

O Morro do Cambirela é cercado de lendas, como as que tentam explicar luzes vistas na montanha com a presença de boitatás ou mesmo sobre a presença de OVNIs.[2][10]

Uma das histórias bruxólicas mais conhecidas de Florianópolis, que narra a origem das pedras do Itaguaçu, fala também do chamado "gigante do Cambirela": nela, as bruxas organizaram uma festa na praia, com todos os personagens folclóricos convidados, exceto o diabo por seu fedor e atitudes antissociais. Este aparece na festa enfurecido e transforma as bruxas em pedra. O gigante, que acompanhava a festa de longe, viu e chorou tanto que o choro virou o mar e se deitou para nunca mais levantar. É possível a cabeça, nariz, pescoço, tronco, pernas e pés do gigante, formados pelos picos dos morros próximos, de certos pontos da cidade, com o Morro do Cambirela servindo como um travesseiro, sendo a própria montanha chamada de gigante por vezes. Essa lenda é bem parecida a do Gigante da Pedra da Gávea no Rio de Janeiro.[11][2]

O Cambirela empresta seu nome, além do rio e do maciço, para uma praia próxima a ele e aos mais diversos usos na região, incluindo hotéis, postos de gasolina e edifícios. O Centro de Formação e Treinamento do Figueirense Futebol Clube, que fica próximo ao morro, é conhecido como CT do Cambirela. Na Palhoça, o órgão ambiental municipal se chama Fundação Cambirela de Meio Ambiente (FCAM). O nome foi até mesmo incluído na campanha promovida pela União Astronômica Internacional para nomear a estrela Epsilon Eridani.[12]

Referências[editar | editar código-fonte]

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