Carlos Cruz

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Carlos Pereira Cruz (Torres Novas, Parceiros de Igreja, 24 de Março de 1942) foi um apresentador português. Também exerceu as funções de director de informação, director de programas e director-coordenador da RTP1. A sua carreira foi encurtada pelo julgamento e condenação por Abuso sexual de menores no denominado Processo Casa Pia. Foi feito Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, a 9 de Junho de 2000, título que perdeu a 29 de Janeiro de 2015[1] devido a ter sido condenado por abuso sexual de menores, no âmbito do Processo Casa Pia.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido no concelho de Torres Novas, aos quatro anos vai para Angola com a família, vivendo na antiga colónia até aos 17 anos.

1956-1968[editar | editar código-fonte]

Começa a fazer rádio aos 14 anos, depois de Rui Romano o ter confundido com outra pessoa. É relator desportivo e produtor de programas desportivos na Emissora Católica de Angola e no Rádio Clube de Angola, até que em 1960 é admitido na Emissora Nacional e em 1962 estreia-se como apresentador de televisão, primeiro no TV Motor e, logo a seguir, no Tele Desporto.

Em 1966, já depois de abandonar os estudos de Engenharia na Faculdade de Ciências apresentava o programa de atualidade musical Discorama ao mesmo tempo que cumpria o serviço militar, como oficial miliciano.

1968-1979[editar | editar código-fonte]

Regressa à rádio, desta vez na Renascença, em 1968, com um programa que alcança algum êxito, o PBX. Na mesma estação segue-se o Tempo Zip, até que em 1973 funda o Serviço de Noticiários.

De novo na televisão, Carlos Cruz integra em 1969 o painel de um dos mais inovadores programas portugueses de sempre, o Zip-Zip, onde ao lado de Raúl Solnado e Fialho Gouveia realizam entrevistas a diversas personalidades portuguesas, incluindo artistas cujo trabalho se via ameaçado pela censura.

Logo após o 25 de abril de 1974 Carlos Cruz é nomeado pelo governo para conselheiro de imprensa da Missão Portuguesa junto das Organização das Nações Unidas, função que desempenha entre 1975 e 1979.

Pelo meio acumula a função com a de diretor de programas da RTP1, sendo nessa qualidade que negoceia a compra para Portugal da novela Gabriela, Cravo e Canela, adaptação do romance de Jorge Amado, que será exibida em 1977, sendo então a primeira novela a ser exibida em Portugal e um êxito comercial absoluto.

1980-1989[editar | editar código-fonte]

No início da década de 1980 volta à companhia de Raul Solnado e Fialho Gouveia para apresentar o programa E o Resto São Cantigas.

Na rádio apresentou o programa Pão Com Manteiga. Dirigiu, em 1982, a revista Mais e apresentou o programa Duplex na Rádio Comercial.

Em 1984 foi o apresentador e grande responsável por trazer de Espanha o concurso 1, 2, 3 que se tornou um grande sucesso, tendo três edições nesta primeira fase, até 1986. Aparece também no filme Vidas de António da Cunha Telles.

Apresenta, em 1986, um formato inovador na RTP2, a Quinta do Dois, cujo cenário adoptava o ambiente da rádio. Neste programa é criada a personagem "Zé da Viúva" desempenhada pelo actor Carlos Cunha. Outros dos intervenientes eram Cândido Mota e os Parodiantes de Lisboa.

Produz o musical Enfim Sós onde apareceram nomes como Dulce Pontes e a cantora Dora.

1990-1999[editar | editar código-fonte]

Já em 1990 funda a CCA - Carlos Cruz Audiovisual, Lda., entre outras empresas, responsáveis então pela produção de onze programas semanais para a RTP1, como A Roda da Sorte, O Preço Certo, Isto… só Vídeo ou Marina, Marina. Ficará conhecido como o «Senhor Televisão».

Apresenta programas como Carlos Cruz Quarta Feira (1991), Ideias com História (1993) e Zona+ (1994).

Foi Director de Antena da TVI, em 1996. De 1999 a 2000 apresentou Quem Quer Ser Milionário, na RTP1.

2000-2003[editar | editar código-fonte]

Muda-se para a SIC, onde apresenta programas como A Febre do Dinheiro, Noites Marcianas, A Linha da Sorte e Fora de Série. Terminou a carreira na SIC com Escândalos e Boatos no qual apresentou o primeiro dos programas antes de rebentar o escândalo do processo Casa Pia.

Foi ainda o rosto da campanha institucional para a introdução do Euro em Portugal, ao presidir à Comissão Executiva da Candidatura Portuguesa ao Campeonato Europeu de Futebol de 2004. A 9 de junho de 2000 recebeu, das mãos de Jorge Sampaio, o grau de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.[2]

2011-2014[editar | editar código-fonte]

Em outubro de 2011 foi anunciado, através de entrevista à revista Pública, o seu regresso futuro à televisão como apresentador de um programa do canal de cabo "House TV" dirigido por Carlos Noivo.[3]

No dia 2 de abril de 2013, Carlos Cruz apresentou-se voluntariamente no estabelecimento prisional da Carregueira, Sintra, num momento em que ainda não tinha sido emitido o mandato de detenção.

A 29 de janeiro de 2014, foi confirmado que, em virtude de ter sido condenado a uma pena superior a 3 anos de prisão efetiva, Carlos Cruz iria perder a condecoração de Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique que lhe tinha sido atribuída pelo ex-Presidente Jorge Sampaio a 9 de Junho de 2000.[4] A informação foi confirmada por Manuela Ferreira Leite, presidente do Conselho das Ordens Nacionais. A Lei das Ordens Honoríficas Portuguesas prevê a expulsão de membros que "tenham sido condenados pela prática de crime doloso com pena de prisão superior a três anos". A expulsão é automática, não tendo os condecorados direito a defesa.[5]

Processo Casa Pia[editar | editar código-fonte]

A sua carreira foi interrompida em 2003 por ter sido acusado de ter desenvolvido actividades pedófilas, vendo-se envolvido no caso de abuso sexual no Processo Casa Pia. Em 1 de Fevereiro de 2003 foi detido, no âmbito desse mesmo processo. Esteve preso entre 1 de fevereiro de 2003 e 4 de maio de 2004. A partir desta última data passou ao regime de prisão domiciliária.

Na fase de julgamento, o Ministério Público acusou-o de quatro crimes.[6]

A 3 de setembro de 2010, foi considerado culpado, por um tribunal de primeira instância, de três crimes de abuso sexual de menores, tendo sido condenado a sete anos de prisão efectiva.[7]

Carlos Cruz declarou-se "inocente" e diz ter sido "vítima de uma monstruosidade jurídica".[8]

Casamentos[editar | editar código-fonte]

Foi casado duas vezes. O seu primeiro casamento foi com a brasileira Marluce, tendo a filha Marta Cruz.

O seu segundo casamento foi com Raquel Rocheta, entretanto divorciados, tendo também uma filha.

Livros publicados[editar | editar código-fonte]

  • P.B.X.: textos de programa (co-autor) (196-)
  • Preso 374 (Oficina do Livro, 2004)[9]
  • Inocente para Além de Qualquer Dúvida (Vogais, 2012)
  • Uma vida (Albatroz, 2016)

Referências

  1. Sónia Balasteiro (29 de janeiro de 2015). «Carlos Cruz e Jorge Ritto expulsos da Ordem D. Henrique.». Sol. Consultado em 29 de janeiro de 2015. 
  2. «Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "Carlos Cruz (TV e Rádio)". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 2015-01-29. 
  3. «Carlos Cruz regressa à televisão». Jornal Público. Consultado em 12 de Outubro de 2011. 
  4. Miguel Santos (29 de Janeiro de 2015). «Oficial: Carlos Cruz e Jorge Ritto perderam condecorações do Estado português». Observador. Consultado em 29 de Janeiro de 2015. 
  5. «Carlos Cruz e Jorge Ritto perdem condecorações». 
  6. «Quatro crimes contra Cruz». Correio da manhã. 
  7. «- Condenado». Jornal Público. 
  8. «Carlos Cruz diz-se "vítima de uma monstruosidade jurídica"». Jornal Público. 
  9. «Cruz, Carlos, 1942». PORBASE. Consultado em 22 de setembro de 2010. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]