Carlos de Habsburgo-Lorena

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Pretendente
Carlos Tomás da Áustria
SKKH Erzherzog Karl von Österreich.jpg
Reivindicação
Título Imperador da Áustria
Rei da Hungria
País Áustria e Hungria
Nome reivindicado Carlos II
Período desde 01 de janeiro de 2007
Predecessor Otto da Áustria
Sucessor Fernando da Áustria
Último monarca Carlos I
Vida
Cônjuge Francesca Thyssen-Bornemisza
Descendência Eleonora
Fernando
Gloria
Casa Habsburgo-Lorena
Pai Otto da Áustria
Mãe Regina de Saxe-Meiningen
Nascimento 11 de janeiro de 1961 (55 anos)
Starnberg, Alemanha
Família imperial austríaca
Casa de Habsburgo-Lorena
Imperial Coat of Arms of the Empire of Austria (1815).svg

SAI&R o arquiduque Carlos
SAI&R a arquiduquesa Francisca

  • SAI&R a arquiduquesa Eleonor
  • SAI&R o arquiduque Ferdinando
  • SAI&R a arquiduquesa Glória


Carlos de Habsburgo-Lorena, em alemão Karl von Habsburg ou Karl Habsburg-Lothringen, em húngaro Karl Habsburg Károly (Carlos Tomás Roberto Maria Francisco Jorge Bahnam), (11 de janeiro de 1961), também conhecido como arquiduque Carlos da Áustria [a] [b] é um político austríaco, o actual chefe da Casa de Habsburgo e soberano da Ordem do Tosão de Ouro. Nascido em Starnberg, na Alemanha, é filho do arquiduque Otto da Áustria e da princesa Regina de Saxe-Meiningen e neto do último imperador da Áustria, Carlos I. Foi membro do Parlamento Europeu em representação do Partido Popular Austríaco entre 1996 e 1999. Todos os títulos de nobreza, reais e imperiais foram abolidos e estão proibidos na Áustria e na Hungria, e os membros da família não os usam nesses países.[nota 1]

Família[editar | editar código-fonte]

Carlos é o sexto filho, primeiro varão, do arquiduque Otto da Áustria e da princesa Regina de Saxe-Meiningen. Os seus avós paternos eram o imperador Carlos I da Áustria e a princesa Zita de Bourbon-Parma. Os seus avós maternos eram o príncipe Jorge de Saxe-Meiningen e a condessa Lara Maria of Korff Genannt Schmising-Kerssenbrock.

Vida privada[editar | editar código-fonte]

Carlos de Habsburgo nasceu na Alemanha, sendo baptizado em Pöcking, na Baviera, como arquiduque Carlos da Áustria (Erzherzog Karl von Österreich), o nome que se pode encontrar nos registos baptismais.[2] Na altura do seu nascimento, o seu pai não possuía nenhuma nacionalidade de facto, vivendo na Alemanha com um passaporte diplomático espanhol enquanto a sua mãe era uma cidadã alemã. Tal como o pai e irmãos, Karl esteve impedido de entrar na Áustria nos primeiros anos da sua vida.

Carlos vive em Salzburgo, na Áustria, desde 1981 na Casa Áustria, conhecida antes como Villa Swoboda.[3]

No dia 31 de janeiro de 1993, Carlos casou-se com Francesca Thyssen-Bornemisza, filha única do barão Hans Heinrich Thyssen-Bornemisza, um industrial europeu, e da sua segunda esposa, Fiona Campbell Walter. O casal tem três filhos:

Carlos e Francesca separaram-se em 2003.[4]

Em julho de 1998, um tribunal austríaco multou Karl em 180 000 schillings (14 300 euro) por ele não ter declarado imediatamente aos funcionários aduaneiros que levava uma tiara antiga na bagagem quando atravessou a fronteira da Suíça em julho de 1996.[5] A tiara pertencia à sua esposa, que pretendia usá-la para um casamento.

Carreira política[editar | editar código-fonte]

Karl é presidente do ramo austríaco da União Pan-Europeia desde 1986. Depois de estudar Direito durante doze anos, Karl foi apresentador de um concurso de perguntas na televisão austríaca chamado Quem é Quem que era transmitido pelo canal de televisão ORF entre 1992 e 1993.[6]

Em outubro de 1996, é eleito para o Parlamento Europeu como representante do Partido Popular Austríaco (ÖVP). Dois anos depois descobre-se que a campanha eleitoral do ÖVP tinha recebido 30.000 euros de uma doação da World Vision sob o nome do ramo austríaco da União Pan-Europeia enquanto Carlos era o director do ramo austríaco da empresa que, aparentemente, não tinha dado conta das actividades ilícitas do seu director.[7] Foi o pai de Carlos que o salvou da situação, afirmando que o filho estava a ser atacado injustamente, comparando o nome de "Habsburgo" à estrela amarela usada pelos judeus durante a Segunda Guerra Mundial.[8] Apesar de tudo, o ÖVP não voltou a nomear Carlos de Habsburgo para as eleições de 1999.[9] Em 2004 Karl entregou 37 000 euros ao ramo austríaco da World Vision.[10]

No dia 19 de janeiro de 2002, Carlos foi nomeado director-geral da UNPO (Organização das Nações e Povos Não Representados) pela assembleia geral.[11] Desde 7 de dezembro de 2008, é o presidente da Associação dos Comités Nacionais do Escudo Azul.[12]

Casa de Habsburgo-Lorena[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Casa de Habsburgo-Lorena

No dia 30 de novembro de 2000, pai de Carlos entregou-lhe a posição de chefe e soberano da Ordem do Tosão de Ouro.[13] Em 2005, perdeu um processo que tinha feito contra o Estado austríaco onde reclamava a devolução das antigas propriedades dos Habsburgo à família que tinha sido expropriada pela Primeira República, devolvida em parte pelo regime do austrofascismo e finalmente retirada na sua totalidade pelos nazis. A tentativa da família em recuperar os seus bens falhou porque a expropriação dos Habsburgos é um ponto da constituição austríaca.[14]

No dia 1 de janeiro de 2007, o seu pai abdicou do seu estatuto como chefe da Casa de Habsburgo, uma posição que passou imediatamente para Carlos.[15]

O nome completo de Carlos em documentos oficiais é Karl Thomas Robert Maria Franziskus Georg Bahnam Habsburg-Lothringen. Todos os títulos nobres, reais ou imperiais são ilegais na Áustria e na Hungria e a família não os usa nestes países. [c]

Carreira de negócios[editar | editar código-fonte]

Karl von Habsburg é um dos três co-fundadores da BG Privatinvest, uma empresa de investimento sediada em Viena. Em dezembro de 2010, a empresa comprou os dois jornais mais importantes da Bulgária, o Dneven Trud e o 24 Chasa.[16] No entanto, depois de vários conflitos com os sócios búlgaros, a BG Privatinvest vendeu os jornais em abril de 2011.[17]

Notas

  1. Títulos reais e de nobreza foram abolidos na Áustria e na Hungria pelo Adelsaufhebungsgesetz de 3 de abril de 1919.[1] O nome de família do pai de Karl Habsburg foi declarado como Habsburg-Lothringen pela uma decisão ministerial austríaca em 1957 e por uma corte alemã (Landgericht Würzburg) em 16 de julho de 1958. Otto estava, porém, na época apátrida, vivendo na Alemanha com um passaporte diplomático da Espanha, e a ele foram negados tanto um passaporte austríaco como a entrada na Áustria. O nome oficial de Otto como cidadão alemão desde 1978 era Otto von Habsburg.
[a] ^ Alguns exemplos deste tratamento incluem o Almanaque de Gota (2003), pág. 26; Genealogisches Handbuch des Adels, Fürstliche Häuser X, C.A. Starke Verlag, 1978, p.114; Richard Kay (27 March 2002) "Charles, Camilla and a concert date with the Queen", Daily Mail p. 11; e Chantal de Badts de Cugnac & Guy Coutant de Saisseval, Petit Gotha (2002), Paris, pág. 201.
[b] ^ Foi baptizado como "arquiduque Carlos da Áustria" e continua a ser assim referido pelos seus apoiantes, pela Santa Sé e pela imprensa não-austríaca. Em 2011, o papa Bento XVI tratou-o várias vezes por "Sua Alteza Imperial, o arquiduque Carlos da Áustria" em discursos públicos. Também já foi tratado assim constantemente pelo Cardeal Arcebispo de Viena e pelo núncio papal do país.
[c] ^ Os títulos reais e nobres foram abolidos da Áustria e da Hungria numa lei de 3 de abril de 1909 chamada Adelsaufhebungsgesetz.[18] O apelido da família de Karl apenas foi autorizado a ser Habsburg-Lothringen depois de uma decisão ministerial em 1957 [19] e por um tribunal alemão (Landgericht Würzburg) a 16 de julho de 1958. Contudo, na altura Otto não possuía qualquer nacionalidade, vivendo na Alemanha com um passaporte diplomático espanhol, visto que lhe tinham sido negados tanto o passaporte alemão como o austríaco. O nome oficial de Otto a partir de 1978, quando conseguiu ser considerado um cidadão alemão, era Otto von Habsburg.

Referências

  1. «Rechtsinformationssistem». Bundeskamsleramt. Consultado em 18 de julho de 2016. 
  2. Habsburgs Erbe zerfiel und erlebte dennoch eine Renaissance
  3. "Villa Swoboda", SalzburgWiki.
  4. Shaw, William, "We Are Not a Muse", New York Times, 25 de Fevereiro de 2007.
  5. Member of Habsburg family fined for smuggling", Reuters News (21 de Julho de 1998).
  6. Die Presse, 3 de Abril de 2011
  7. "Österreich : Gelber Stern", Martin, Hans-Peter (21 de dezembro de 1998)
  8. "Österreich : Gelber Stern", Martin, Hans-Peter (21 de Dezembro de 1998)
  9. Schüller, Rainer (2005), "25. November 1998: Der Spendenskandal um "World Vision Österreich" bringt den ÖVP-Politiker Karl Habsburg in Bedrängnis. Volkspartei und Adel: ein schwieriges Verhältnis?", Datum (10)
  10. Schüller, Rainer (2005), "25. November 1998: Der Spendenskandal um "World Vision Österreich" bringt den ÖVP-Politiker Karl Habsburg in Bedrängnis. Volkspartei und Adel: ein schwieriges Verhältnis?", Datum (10)
  11. UNPO Steering Committee appoints Karl von Habsburg as the organizations new Director-General, consultado a 24 de Julho de 2011.
  12. "ANCBS - An organization for protection of culture in danger", consultado a 24 de julho de 2011.
  13. Schatz des Ordens vom Goldenen Vlies
  14. Karl Habsburg will Vermögen vor VfGH erkämpfen, consultado a 24 de Julho de 2011.
  15. "Die vielen Pflichten des Adels", Wiener Zeitung. 5 de Julho de 2011
  16. "German media group sells its newspaper and publishing business in Bulgaria", Associated Press Newswire (15 de dezembro de 2010).
  17. "Sopharma Owner, Partner Win Battle for WAZ Asssets in Bulgaria", Novinite (18 de Abril de 2011).
  18. http://www.ris.bka.gv.at/GeltendeFassung.wxe?Abfrage=Bundesnormen&Gesetzesnummer=10000038
  19. http://www-classic.uni-graz.at/sozwww/agsoe/soz/oes/oes_h.htm