Eleições gerais no Reino Unido em 2017

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Eleições gerais no Reino Unido em 2017
 

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8 de junho de 2017
Theresa May (cropped).png Jeremy Corbyn 2014-04-30 (cropped).jpg
Candidato Theresa May Jeremy Corbyn
Partido Conservador Trabalhista
Natural de Maidenhead Islington North
Assentos no parlamento 317
Baixa 13
262
Aumento 30
Votos 13 667 213 12 874 985
Porcentagem 42,3% 40%
Nicola Sturgeon 2017a (cropped).jpg Tim Farron 2016 (cropped).jpg
Candidato Nicola Sturgeon Tim Farron
Partido SNP Liberal-Democratas
Natural de Westmorland e Lonsdale
Assentos no parlamento 35
Baixa 21
12
Aumento 4
Votos 977 569 2 371 772
Porcentagem 3% 7,4%
2017UKElectionMap.svg

As eleições gerais no Reino Unido em 2017 foi a votação popular que elegeu o 57.º Parlamento do Reino Unido, em 8 de junho de 2017. Cada um dos 650 distritos eleitorais elegeu um parlamentar (MP) à Câmara dos Comuns, a câmara baixa do Parlamento Britânico. A eleição deveria acontecer somente em maio de 2020, contudo, Theresa May, a então primeira-ministra e líder dos Conservadores, estava confiante que uma eleição antecipada iria fortalecer sua posição no início das negociações do Brexit, contando com uma vantagem significativa sobre os Trabalhistas nas pesquisas de opinião. Porém a aposta de May acabaria dando errado.[1]

O Partido Conservador, que governava controlando a maioria do Parlamento desde as eleições de 2015 (e antes, por cinco anos, governaram com uma coalizão com os Liberais Democratas), defendia uma vantagem de quase 100 assentos sobre o Partido Trabalhista, a oposição oficial, na Câmara dos Comuns, tendo cinco parlamentares a mais do que o mínimo de 324 necessários para formar um governo. Theresa May tinha esperanças de conseguir para o seu partido uma maioria absoluta ainda maior na Câmara a fim de "fortalecer sua posição nas negociações do Brexit".[2] Na época em que a eleição foi convocada, em abril de 2017, várias pesquisas de opinião mostravam Theresa May a frente do líder trabalhista, Jeremy Corbyn, por uma margem de 20 pontos percentuais, mas tal vantagem foi erodindo (assim como a popularidade da primeira-ministra). Ao contrário do que May pretendia, os Conservadores perderam a maioria absoluta (apesar de continuar como o maior partido em total de votos), resultando num "Parlamento Pendurado" (com nenhum partido, sozinho, capaz de formar um governo de maioria).[3]

Com o resultado desapontador nas urnas, os Conservadores entraram em negociações com o Partido Unionista Democrático (DUP, na sigla em inglês) da Irlanda do Norte, cujo os 10 assentos conquistados no Parlamento poderia garantir uma coalizão Tory-DUP para formar um governo de maioria.[4] Enquanto isso, o Partido Trabalhista viu sua posição na Câmara se fortalecer consideravelmente, ganhando mais de 30 assentos e conquistando muitos votos, particularmente entre a população mais jovem. Já o Partido Nacional Escocês, que havia conquistado 56 dos 59 assentos que a Escócia tem direito na Câmara do Reino Unido em 2015, perdeu força consideravelmente. Acabou acontecendo que foi em solo escocês que os Conservadores registraram mais avanços, algo bem incomum em um país de tendências mais progressistas. Os Liberal Democratas e o DUP continuaram como o quarto e o quinto maiores partidos no Parlamento Britânico, respectivamente, com ambos conquistando mais assentos para si. Já o Partido de Independência do Reino Unido (conhecido como UKIP), que havia conquistado uma boa fatia dos votos populares em 2015, acabou sendo arrasado nas urnas e não conquistou um assento sequer no Parlamento.[5]

As posições políticas sobre as negociações na sequência da invocação britânica do artigo 50 do Tratado da União Europeia em Março de 2017, para deixar formalmente a UE, dominaram a campanha eleitoral. Contudo, outras questões, como imigração, saúde, educação e combate ao terrorismo acabaram ganhando bastante destaque.

Sistema eleitoral[editar | editar código-fonte]

Cada distrito eleitoral do Reino Unido elege um MP para a Câmara dos Comuns usando o sistema "First Past The Post". Se um partido obtiver a maioria dos assentos, então esse partido tem o direito de formar o Governo, com o seu líder como primeiro-ministro. Se nenhum único partido ter uma maioria nos resultados da eleição, então há um parlamento pendente. Neste caso, as opções para formar o Governo são um governo minoritário ou um governo de coalizão.[6]

Devido à postergação da Sexta Revisão Periódica dos Distritos de Westminster, não se deve usá-la até 2018,[7] as eleições gerais acontecerão sob os limites já existentes, permitindo comparações com os resultados em 2015 por parte do eleitorado. Em 3 de maio de 2017, a Rainha dissolverá a atual parlamento.

Condições de elegibilidade[editar | editar código-fonte]

Para votar nas eleições gerais, deve-se:[8][9]

  • estar no Registo Eleitoral;
  • ter idade igual ou superior a 18 anos no dia da votação;
  • ser cidadão britânico, irlandês ou da Commonwealth;
  • ser residente num endereço no Reino Unido (ou um cidadão britânico residente no estrangeiro que tenha sido registado para votar no Reino Unido nos últimos 15 anos)
  • não estar legalmente excluído da votação (Por exemplo, uma pessoa condenada na prisão ou num hospital psiquiátrico[10]).

Os indivíduos devem estar registados para votar até à meia-noite de doze dias úteis antes do dia da votação (22 de maio de 2017).[11][12] Qualquer pessoa que se qualificar como eleitor anônimo tem até à meia-noite de 31 de Maio de 2017 para se registar.[13] Uma pessoa que tem dois lares (como um estudante universitário que tem um endereço no semestre e vive em casa durante as férias) pode se registrar para votar em ambos os endereços, desde que não estejam na mesma área eleitoral, mas pode votar em apenas um eleitorado na eleição geral.[14]

Data da eleição[editar | editar código-fonte]

A Lei de Parlamentos de Prazo Fixo de 2011 introduziu parlamentos de duração determinada no Reino Unido, com eleições programadas de cinco em cinco anos, na sequência das eleições gerais de 7 de Maio de 2015.[15] Isso removeu o poder do primeiro-ministro, usando a prerrogativa real, de dissolver o parlamento antes de seu comprimento máximo de cinco anos. A lei permite a dissolução antecipada se a Câmara dos Comuns vota por uma maioria qualificada de dois terços.

Em 18 de abril de 2017, a primeira-ministra Theresa May anunciou que iria buscar uma eleição em 8 de junho de 2017.[16] May tinha indicado previamente que não tinha nenhum plano para convocar uma eleição instantânea.[17][18] Uma proposta da Câmara dos Comuns permitiu que a ideia fosse aprovada em 19 de abril, com 522 votos a favor e 13 contra, uma maioria de 509, reunindo a maioria necessária de dois terços.[19] A moção foi apoiada pelos Conservadores, pelo Partido Trabalhista, pelos Liberais Democratas e pelos Verdes, enquanto o SNP se absteve. Nove parlamentares trabalhistas, um SDLP e três independentes (Sylvia Hermon e dois ex-PMs do SNP, Natalie McGarry e Michelle Thomson) votaram contra a proposta.[20]

O líder trabalhista Jeremy Corbyn apoiou a eleição antecipada,[21] assim como o líder liberal democrata Tim Farron e o Partido Verde.[22][23] O SNP declarou que era favorável aos parlamentos de duração determinada, mas se abstiveram na votação na Câmara dos Comuns.[24] O líder do UKIP, Paul Nuttall, e o primeiro-ministro do País de Gales, Carwyn Jones, criticaram May pelo calendário da eleição como oportunista, motivado pela aparente fraqueza do Partido Trabalhista na oposição.[25][26]

Resultado[editar | editar código-fonte]

Resumo das Eleições gerais no Reino Unido de 2017
Partido Candidato Votos Votos (%) Votos (±) Assentos Assentos
(%)
Assentos
(±)
  Partido Conservador Theresa May 13 667 213
 
42,67%
+5,87% 317 48,77% -13
  Partido Trabalhista Jeremy Corbyn 12 874 985
 
40,2%
+9,8% 262 40,31% +33
  Partido Nacional Escocês Nicola Sturgeon 977 569
 
3,05%
-1,65% 35 5,38% -21
  Partido Liberal Democrata Tim Farron 2 371 772
 
7,41%
-0,49% 12 1,85% +4
  Partido Unionista Democrático Arlene Foster 184 260
 
0,58%
-0,02% 10 1,54% +2
  Sinn Féin Gerry Adams 238 915
 
0,75%
+0,15% 7 1,08% +3
  Plaid Cymru Leanne Wood 164 466
 
0,51%
-0,09% 4 0,62% +1
  Partido Verde Natalie Bennett 525 371
 
1,64%
-2,16% 1 0,15% 0
  UKIP Paul Nuttall 593 852
 
1,85%
-10,85% 0 0% -1
  Independente Sylvia Hermon 16 148
 
0,05%
-0,01% 1 0,15% 0
  Presidente da Câmara dos Comuns John Bercow 34 299
 
0,11%
+0,01% 1 0,15% 0
  Partido Social Democrata e Trabalhista Colum Eastwood 95 419
 
0,3%
-0% 0 0% -3
  Partido Unionista do Ulster Robin Swann 83 280
 
0,26%
-0,14% 0 0% -2
  Partido da Aliança da Irlanda do Norte Naomi Long 64 553
 
0,2%
+0,2% 0 0% 0
  outros partidos
-
136 505
 
0,43%
-0,07% 0 0% 0
Totais 32 028 607   650  
Participação 32 028 607 68,7% +2,3%  
Fonte: BBC - Results of the 2017 General Election

Pesquisas de opinião[editar | editar código-fonte]

Nas eleições gerais de 2015, as pesquisas de opinião subestimaram os votos do Partido Conservador e superestimaram os votos do Partido Trabalhista[27] e, portanto, não conseguiram prever o resultado com precisão.[28] Depois começaram a fazer mudanças nas práticas de votação; As recomendações de uma revisão pelo British Polling Council são susceptíveis de resultar em novas mudanças.[29]

Sondagem de opinião do Reino Unido para a eleição de 2017, incluindo as pesquisas que começaram em ou antes de 21 de abril de 2017 (a média móvel é calculada a partir das últimas dez pesquisas).      Conservadores,      Trabalhistas,      UKIP,      Liberais Democratas,      SNP,      Verdes.

Resultado por distrito eleitoral[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «U.K. Election 2017: Britain's PM Theresa May's Gamble Ends in 'Disaster'». NBC News. Consultado em 9 de junho de 2017 
  2. «Strengthen our hand in Europe? No, a landslide for May would weaken it». The Guardian. 2 de maio de 2017 
  3. «UK election 2017: Conservatives 'to fall short of majority'». bbc.com. BBC. Consultado em 9 de junho de 2017 
  4. «Who are the DUP and will they demand a soft Brexit to prop up the Tories?». The Telegraph. Consultado em 9 de junho de 2017 
  5. "Paul Nuttall suffers crushing defeat as Ukip vote collapses". Página acessada em 9 de junho de 2017.
  6. Another hung Parliament: what next? (Video). uclpoliticalscience via YouTube. 18 de março de 2015 
  7. The boundary review around the regions:
  8. «Types of election, referendums, and who can vote». gov.uk. HM Government. Consultado em 18 de abril de 2017 
  9. «Representation of the People Act 1983, Section 1». Legislation.gov.uk. Consultado em 26 de abril de 2017 
  10. Representation of the People Act 1983, Sections 3 and 3A
  11. Electoral Commission: Deadline for registration ahead of an election. Note that 29 May 2017 is a bank holiday.
  12. D'Arcy, Mark (18 de abril de 2017). «Election 2017: Parliamentary timeline». BBC. Consultado em 18 de abril de 2017 
  13. The deadline for the receipt and determination of anonymous electoral registration applications is one working day before the publication date of the notice of alteration to the Electoral Register (that is the sixth working day before polling day). cf «Guidance for Electoral Registration Officers (Part 4 – Maintaining the register throughout the year)» (PDF). Cabinet Office and Electoral Commission (United Kingdom). Julho de 2016. p. 114 (para 7.128). Consultado em 23 de abril de 2017 
  14. Electoral Commission (2016). «I have two homes. Can I register at both addresses?». electoralcommission.org.uk. Electoral Commission (United Kingdom). Consultado em 5 de janeiro de 2011 
  15. Horne, Alexander; Kelly, Richard. «Alexander Horne and Richard Kelly: Prerogative powers and the Fixed-term Parliaments Act». UK Constitutional Law Association. Consultado em 17 de agosto de 2015 
  16. «Theresa May seeks general election». BBC News (em inglês). 18 de abril de 2017. Consultado em 18 de abril de 2017 
  17. Heaven, Will (18 de abril de 2017). «Five times Theresa May ruled out a snap general election». Coffee House. The Spectator. Consultado em 18 de abril de 2017 
  18. Weaver, Matthew (18 de abril de 2017). «The many times Theresa May ruled out an early election». The Guardian. Consultado em 18 de abril de 2017 
  19. «General election 2017: MPs back plans for 8 June poll». BBC. 19 de abril de 2017 
  20. «The 13 MPs who opposed snap general election». BBC News. 20 de abril de 2017. Consultado em 23 de abril de 2017 
  21. Stone, Jon (18 de abril de 2017). «Jeremy Corbyn has responded to Theresa May's call for an early election». The Independent. Consultado em 18 de abril de 2017 
  22. Maidment, Jack (18 de abril de 2017). «Tim Farron: Early general election offers voters chance to 'change the direction of our country'». The Daily Telegraph. Consultado em 18 de abril de 2017 
  23. «Green Party: We're ready for an early General Election». GreenParty.org.uk. Partido Verde da Inglaterra e do País de Gales. Consultado em 18 de abril de 2017 
  24. Howarth, Angus (19 de abril de 2017). «SNP abstain as MPs vote in favour of snap General Election». The Scotsman. Consultado em 27 de abril de 2017 
  25. Staff writer (18 de abril de 2017). «UKIP says Theresa May's general election move is cynical». BBC. Consultado em 18 de abril de 2017 
  26. Roderick, Vaughan (18 de abril de 2017). «Carwyn Jones: Early election 'not in national interest'». BBC. Consultado em 18 de abril de 2017 
  27. «General Election: 7 May 2015». British Polling Council. Consultado em 18 de agosto de 2015 
  28. Silver, Nate. «The U.K. snap election is riskier than it seems». FiveThirtyEight. Consultado em 21 de abril de 2017 
  29. Wells, Anthony J. «The Polling Inquiry public meeting». UK Polling Report. Consultado em 18 de agosto de 2015 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Boundary Commissions