Fernando Pessa

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Fernando Pessa
ComIHGOM
Nome completo Fernando Luís de Oliveira Pessa
Nascimento 15 de abril de 1902
Vera Cruz, Aveiro
Morte 29 de abril de 2002 (100 anos)
Lisboa
Nacionalidade Portugal Português
Ocupação Jornalista

Fernando Luís de Oliveira Pessa (Vera Cruz, Aveiro, 15 de Abril de 1902Lisboa, 29 de Abril de 2002) foi um dos mais famosos jornalistas portugueses do século XX. Convidado para a secção brasileira da BBC, passou a viver em Londres durante a Segunda Guerra Mundial.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Juventude[editar | editar código-fonte]

Sua mãe era natural de São Tomé, e seu pai era médico militar mas, devido à falta de dinheiro, pediu licença do exército e partiu para a colónia de São Tomé e Príncipe, deixando a mulher e os três filhos em Portugal.[2]

Fernando Pessa viveu em Aveiro até aos dois anos. Foi em Penela, vila do distrito de Coimbra, que o jornalista recebeu a instrução primária. Fez o exame da 4ª classe em 1911, em Coimbra, onde viveu até 1921.

Concluídos os estudos secundários, em que se preparara para os exames de admissão à "Escola de Guerra", tentou o ingresso na carreira militar como oficial de Cavalaria. Porém, como resultado da Primeira Guerra Mundial, havia oficiais em excesso e só era admitido quem frequentasse o Colégio Militar de Lisboa.

Antes de embarcar na carreira jornalística, trabalhou numa companhia de seguros e num banco, ainda em Coimbra, onde esteve pouco tempo. Em 1926 foi trabalhar para outra companhia de seguros, no Brasil, de onde regressou em 1934.

Rádio[editar | editar código-fonte]

Edifício da BBC em Londres

Em 1934 candidatou-se aos quadros da recém criada Emissora Nacional,[2] tendo ficado classificado em segundo lugar e, como gostava de sublinhar, “sem cunhas”. Iniciou, assim, uma carreira que nunca tinha pensado seguir. E assim transformou-se no primeiro locutor da Emissora Nacional.

Com uma semana de rádio, Pessa fez a sua primeira reportagem: a cobertura de um festival de acrobacia área na antiga Porcalhota, actual Amadora.

Após quatro anos na Emissora Nacional, foi convidado para trabalhar na BBC, em Londres. Começou por trabalhar com sotaque na secção brasileira e só quando um colega português adoeceu foi chamado para ler o noticiário. Neste ambiente sofreu os bombardeamentos alemães sobre Londres e se profissionalizou e notabilizou como correspondente durante a Segunda Guerra Mundial.

A censura e a restrição das liberdades civis da ditadura de António de Oliveira Salazar acabaram por contribuir para o crescendo de popularidade das transmissões em português da BBC.

Conheceu a sua esposa, Simone Alice Roufier, uma brasileira de ascendência inglesa e norte-americana, em Londres. Casou-se em 1947, no novo regresso a Portugal.

No regresso a Lisboa, em 1947, a sua reentrada na rádio Emissora Nacional foi vedada por influência do regime, sendo forçado a voltar ao ramo dos seguros. Nesta época também fez dobragens de filmes e documentários, nomeadamente O Último Temporal - Cheias do Tejo e Portugal já faz automóveis, do cineasta Manoel de Oliveira. Acabou por participar do Plano Marshall de ajuda económica à Europa, quando Portugal se envolveu.

Encontram-se artigos da sua autoria na revista Mundo Gráfico [3] (1940-1941), nomeadamente: "Uma guitarra na BBC" de 15 de Fevereiro de 1943 (nº57) e "As mãos que vêem" de 30 de Março de 1944 (nº84).

Televisão[editar | editar código-fonte]

Rua Augusta, Lisboa. Foi nas pequenas reportagens sobre situações do quotidiano, principalmente da cidade de Lisboa, que a expressão “E esta, hein?” de Fernando Pessa se tornou popular.

Depois da notoriedade enquanto repórter de guerra na BBC, realizou a primeira emissão em directo da RTP, em 7 de Março de 1957, na Feira Popular de Lisboa.

Entrou para os quadros da RTP apenas a 1 de Janeiro de 1976, já com 74 anos.

A célebre expressão “E esta, hein?” marcou a sua carreira como repórter televisivo. A expressão surgiu como substituto dos palavrões que tinha vontade de dizer quando denunciava situações menos agradáveis do quotidiano do país nos seus "bilhetes postais". Neste contexto, era por vezes criticado por privilegiar nas suas sátiras os políticos cuja ideologia não partilhava, poupando em geral os que pudessem ser conotados com a esquerda.

Pelo seu trabalho como correspondente da Segunda Guerra Mundial, Fernando Pessa foi distinguido com a Ordem do Império Britânico. E, em Portugal, a 13 de Julho de 1981, o Presidente da República, Ramalho Eanes, atribui-lhe o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique, e, a 10 de Junho de 1991, o Presidente da República, Mário Soares, atribui-lhe o grau de Grande-Oficial da Ordem do Mérito.[4]

Na sua família, também foram agraciados o Coronel Adriano Luís de Oliveira Pessa, Comendador da Ordem Militar de Avis a 28 de Junho de 1919 e Comendador da Ordem de Benemerência a 1 de Julho de 1933, o Primeiro-Tenente Álvaro Luís de Oliveira Pessa, Oficial da Ordem Militar de Avis a 5 de Outubro de 1933, e o Major Custódio Luís de Oliveira Pessa, Comendador da Ordem Militar de Avis a 5 de Outubro de 1926.[5]

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

Reformou-se em 1995, com 93 anos de idade.

Fernando Pessa morreu a 29 de Abril de 2002, no Hospital Curry Cabral, em Lisboa, poucos dias depois de completar cem anos.

Homenagens póstumas[editar | editar código-fonte]

  • Junto ao Fórum Lisboa (antigo Cinema Roma) existe um jardim que recebeu o nome de Jardim Fernando Pessa, em homenagem ao jornalista, que tinha a sua residência na Avenida de Roma, em Lisboa, em frente a esse cinema, e pela qual dava os seus passeios diários de bicicleta até bem perto dos 99 anos.
  • A Câmara Municipal de Lisboa dedicou-lhe o nome do Auditório Fernando Pessa.

Referências

  1. Revista Sábado n.º 587, 30 Julho - 5 Agosto 2015, pág. 58.
  2. a b «Fernando Pessa». Porto Editora. Infopédia. Consultado em 1° de maio de 2014  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  3. Jorge Mangorrinha (Junho de 2014). «Ficha histórica: Mundo Gráfico(1940-1948)» (pdf). Hemeroteca Municipal de Lisboa. Consultado em 14 de Janeiro de 2015 
  4. http://www.ordens.presidencia.pt/
  5. http://www.ordens.presidencia.pt/

Ligações externas[editar | editar código-fonte]