Glorinha Beuttenmüller

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Glorinha Beuttenmüller
Nascimento Maria da Glória Cavalcanti Beuttenmüller[1]
1925 (93 anos)[2]
Rio de Janeiro
 Rio de Janeiro
 Brasil
Ocupação Fonoaudióloga
Especialidade Voz[3]

Maria da Glória Cavalcanti Beuttenmüller (Rio de Janeiro, 4 de agosto de 1925) é uma fonoaudióloga e escritora brasileira nacionalmente conhecida e prestigiada como a moderadora da fala do jornalismo brasileiro.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Segunda filha de Gustavo Linhares Beuttenmüller e Laura Cavalcanti, ambos cearenses,[4] Maria da Glória Cavalcanti Beuttenmüller nasceu em 4 de agosto de 1925 na cidade do Rio de Janeiro, quando sua mãe adoeceu durante a gravidez e precisou ir ao Rio para tratamento.[1] A família, que então morava no Rio Grande do Sul em virtude do trabalho itinerante de seu pai, já tinha a pequena Teresinha.[1][nota 1] Após seus primeiros cinco meses de vida, sua mãe se recupera e então todos retornam à Região Sul.[1]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Contato com a fonoaudiologia[editar | editar código-fonte]

Visto ser um fiscal do imposto de consumo baseado no Distrito Federal, seu pai precisava viajar muito com a família,[1] o que possibilitou que a futura fonoaudióloga entrasse em contato com as culturas das várias cidades e estados por onde passavam. Se por um lado, essa diversidade fez que ela sorvesse da riqueza de sotaques e pronúncias do país, por outro produziu nela um efeito pouco desejado — a absorção dos vários sotaques deixou sua fala quase incompreensível para muitos daqueles que a ouviam.[1] Para sanar esse problema, seus pais a estimularam a fazer aula de declamação. Foi a partir daí que ela se deu conta da importância da fala para a boa comunicação.[1]

Em 1932, após se estabelecer no Rio com a família em virtude da transferência de seu pai, Glorinha inicia seus estudos de declamação.[1] Com o tempo, passou a se apresentar em recitais e a dar aulas de declamação, iniciando o que viria a ser o alicerce de sua profissão.[1]

Terapeuta da fala[editar | editar código-fonte]

Em meados da década de 1960, um fato curioso marcou sua carreira: uma deficiente visual precisou de ajuda para preparar uma conferência que ministraria no Instituto Benjamin Constant e chamou Glorinha para ajudá-la com certas palavras do texto às quais tinha dificuldade de pronunciar, o que fez a fonoaudióloga se dar conta de que as palavras não são apenas conjuntos de sons articulados, mas têm «cor» e forma.[1][nota 2] Após a conferência da professora deficiente visual, Glorinha Beuttenmüller foi convidada a ministrar aulas no instituto, ensinando outros deficientes a se expressar melhor, o que a conduziu ao desenvolvimento do próprio método de ensino, que ela chamaria de «terapia da fala».[1][nota 3]

Em dezembro de 1961, um coral formado por deficientes do instituto treinados pela fonoaudióloga apresentou-se no Teatro Maison de France e o evento teve grande repercussão na imprensa carioca, o que deixou os dotes profissionais de Glorinha ainda mais conhecidos.[1] A procura por seus serviços se avolumaram, principalmente vinda de profissionais que dependiam da voz para desempenhar suas funções. Nessa época ela também ministrava cursos de impostação vocal em instituições como Rádio MEC, Universidade Santa Úrsula, PUC-RJ e Uni-Rio (então Fefierj).[1] O Teatro de Arena, que na época era uma das companhias teatrais mais importantes do Brasil, também a chamou, e entre o fim dos anos 1960 e meados dos 70 ela atuou em emissoras de rádio cariocas (Rádio Rural, Tupi e Jornal do Brasil).[1]

Glorinha Beuttenmüller trabalhou por dezoito anos na Rede Globo, convidada por Armando Nogueira e Alice Maria para que uniformizasse o modo de falar dos jornalistas da empresa, que eram provenientes de várias regiões do Brasil. Para além do jornalismo, com seu conhecimento de teatro e da arte da fala, foi a fada-madrinha de artistas, cantores e políticos, que a procuravam para «aprender a usar a voz». A terapeuta já moderou vozes de jornalistas como William Bonner e Fátima Bernardes, assim como atores e atrizes consagrados, como Fernanda Montenegro, entre dezenas de outras personalidades.[3]

Atualmente, Glorinha leciona na Faculdade CAL de Artes Cênicas, no Rio de Janeiro.

Livros[editar | editar código-fonte]

Entre seus livros publicados destacam-se:[5][3]

  • Você sabe falar? (1961)
  • Expressão oral - Integração do cego à sociedade (1968)
  • Ortofonia e Ortodontia - duas ciências unidas para o êxito de um trabalho (1971)
  • Método espaço-direcional - dicção, plano de disciplina; Voz e respiração (1973)
  • Expressão Vocal e Expressão Corporal (1974) (em parceria com Nelly Laport)
  • Locução e TV (1976)
  • O despertar da comunicação vocal (1995)

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

No início da década de 1930, a fonoaudióloga casa-se com Roberto Bastos e tem dois filhos, Vânia Maria Beuttenmüller Bastos e Antônio Frederico Beutenmüller Bastos (já falecido),[6] separando-se posteriormente.[4][1]

Notas

  1. Seu pai nasceu em 1898 em Guaramiranga, Ceará, e seu avô, Antônio Frederico Beuttenmüller, em João Pessoa, Paraíba, em 1875, sendo de ascendência germânica.[4]
  2. A deficiente visual não conseguia ver, sentir e entender o que aquelas palavras designavam. Como a fonoaudióloga afirmou em entrevista: «O sol ela sentia pelo calor e portanto o 'via'; já a lua não.»[1]
  3. Tal método ela viria a registrar em 1972, e consistia na ideia de que as palavras em um tipo de escultura fonética, a qual necessitava de todo o corpo para transmitir seus significados.[1]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q Redação Globo (2009). «Perfil de Glorinha Beuttenmüller». Mémoria da Rede Globo de Televisão. Consultado em 5 de agosto de 2014. 
  2. Adm. do portal (4 de março de 2011). «Personalidade: Glorinha Beuttenmüller». Enciclopédia Itaú Cultural do Teatro. Consultado em 30 de maio de 2013. 
  3. a b c Daniella Clark (25 de agosto de 2009). «Beber água e bocejar fazem bem à voz, recomenda fonoaudióloga». Portal G1. Consultado em 30 de maio de 2013. 
  4. a b c ARRUDA, Francisco de Assis Vasconcelos de (1998). ««Os Linhares»» (PDF). Genealogia Sobralense, volume V – os Linhares, 1742–1998. Consultado em 5 de agosto de 2014. 
  5. Adm. do portal (31 de agosto de 2009). «Lançamento de livro de Glorinha Beuttenmüller lota salão nobre». Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Consultado em 30 de maio de 2013. 
  6. Convite a missa de 30º deia de Antônio Frederico Beutenmüller Bastos - Jornal do Brasil, 25/8/1996, p. 34
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Ligações externas[editar | editar código-fonte]