Haroldo Saboia

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Haroldo Sabóia
Deputado Federal pelo  Maranhão
Período 1 de fevereiro de 1987 a 1 de fevereiro de 1999
Deputado Estadual do  Maranhão
Período 1º de janeiro de 1979 a 15 de março de 1987(2 mandatos consecutivos)
Vereador de São Luís Bandeira de São Luís.svg
Período 1º de janeiro de 2001 a 30 de janeiro de 2005
Dados pessoais
Nascimento 16 de junho de 1950 (68 anos)
São Luís, MA
Partido PSOL[1][2]
Profissão advogado

Haroldo Freitas Pires de Sabóia (São Luís, 16 de junho de 1950) é um advogado e político brasileiro, filiado ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL)[3]. Historicamente filiado ao PT, é membro do PSOL, e já foi deputado estadual (1979–1987), deputado federal (1987–1995, 1996–1999), vereador (2001–2005). É notória a sua posição política de oposição à Família Sarney, a quem acusa de massacrar o povo do estado do Maranhão, de iludir a população pelo uso abusivo dos meios de comunicação e de estar constantemente envolvida em desvios de verbas e corrupção.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de Pires de Sabóia, e de Iracema Freitas Pires de Sabóia.[4] Estudou na Escola Benedito Leite, Colégio Marista e Liceu Maranhense. Morou em São João del-Rei, em Minas Gerais, onde fez o curso clássico do Colégio Santo Antônio dos frades franciscanos holandeses, frequentado também por Tancredo Neves.

Graduado em Economia e Planejamento em Economia do Setor Público pela Universidade de Paris, Pantheon Sourbonne, na França de 72 a 77. e Direito pela Universidade de Brasília (Unb) em 77, tem ainda MBA em Políticas Públicas pela Fundação Getúlio Vargas em 2004.

Em 1967, filiou-se ao então clandestino PCdoB.

Em 1968, cursou-se em jornalismo, na Universidade de Brasília (UnB), ao lado do jornalista Evandro Carlos de Andrade, que o convidou para a redação do jornal O Estado de São Paulo. Militava no movimento estudantil, que se opunha ao regime militar de 1964 nos tempos do "vitorinismo".

Após a edição do AI-5, Haroldo Sabóia foi obrigado a abandonar o jornalismo por conta da ditadura militar, passando a viver na clandestinidade em um dos períodos mais sombrios da história do Brasil, até agosto de 71, quando foi para a França.

Em 1977, retornou ao Brasil, junto com Renato Rabelo, e, extinto o pluripartidarismo, optou e filiou-se ao MDB. No entanto, durante sua existência a ARENA foi um partido hegemônico no Maranhão e às eleições proporcionais sempre teve direito a pelo menos 80% das vagas e esse gigantismo foi transferido ao PDS.

Participou com Maria Aragão, Nascimento de Morais, Jackson Lago, e outros, da criação do Movimento de Oposição pra Valer, do Comitê Brasileiro de Anistia, da Campanha das Diretas, defendeu a luta dos estudantes em 79, na conquista da meia passagem, defendeu o direito à moradia e a Reforma Agrária.

Em 1978, foi eleito o parlamentar mais votado da oposição, um dos 36 deputados estaduais que foram eleitos, mas a ARENA conquistou quase todas as cadeiras[5]. Ali pôde conhecer de perto a triste realidade e do povo do Maranhão, o trabalho escravo. Lutou contra a escravidão contemporânea uma bandeira que marcou profundamente a sua vida[6][7].

Na ocasião os maranhenses residentes no Distrito Federal escolheram seus representantes graças à Lei nº 6.091 de 15 de agosto de 1974.[8]

Lutou a favor das greves e manifestações estudantis na capital do estado contra o aumento das passagens de ônibus num movimento que culminou com o anúncio da meia-passagem[9][10]

À frente do partido, participou de todas as campanhas pelo retorno do país à democracia, inclusive a luta pela anistia ampla, geral e irrestrita. Com o fim do bipartidarismo (1979), o MDB converteu-se em Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), do qual seria representante regional.

Com o fim do bipartidarismo em 1980 o PDS surgiu como novo partido governista e a oposição ficou entre aderir ao PMDB ou aos partidos de esquerda, embora a divisão das forças políticas tivesse como referência o papel da Família Sarney, que revezou-se entre aliada ou adversária de João Castelo e Epitácio Cafeteira ao longo dos anos.

Mediante ao bipartidarismo incorporou-se ao PMDB, por onde em 1982, foi reeleito um dos 41 deputados estaduais[11].

Em 1985, foi candidato a vice-prefeito, na chapa de Carlos Guterres coligado com PSB e PCB, obteve 20.226, (12,34%), ficando em quarto lugar[12].

Em 1986[13], foi eleito um dos 18 deputados federais, pela Aliança Democrática[6][nota 1] com 22.930 votos. Foi favorável a votação da Emenda Constitucional Dante de Oliveira em 1984 e em Tancredo Neves no Colégio Eleitoral em 1985.[14]

Em 1988, foi deputado federal da Assembleia Nacional Constituinte, um dos responsáveis por estabelecer a nova Constituição democrática para o Brasil após 21 anos sob regime militar. A nova Constituição, na qual Haroldo teve papel entusiasta fundamental, enfim foi aprovada em 5 de outubro de 1988, tendo sido chamada por Ulysses Guimarães, de Constituição Cidadã, pelos avanços sociais incorporados no documento como: A redução da jornada de trabalho para 44 horas semanais, o direito à licença maternidade de 120 dias, o direito ao voto aos 16 anos de idade (do qual João Castelo votou contrário). Foi considerado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) como constituinte nota 10, por ter votado em defesa dos interesses dos cidadãos brasileiros e residentes no Brasil.

Em 1990, foi eleito deputado federal, com 22.086 votos nominais pelo PDT. Apoiou João Castelo. Apurados os votos do primeiro turno, a coligação que sustentava João Castelo somou 46% dos votos para governador e elegeu o senador Epitácio Cafeteira, abrindo a perspectiva de uma derrota do "sarneísmo", evento almejado pelo presidente Fernando Collor, ferrenho crítico de seu antecessor durante a eleição presidencial de 1989. Contudo, uma vez que o ex-presidente fora eleito senador pelo Amapá, pôde atuar com mais liberdade na campanha de Edison Lobão, afinal eleito governador em segundo turno. Passados quatro anos, o cenário mudou devido ao desgaste acumulado pelo Governo Sarney e, atento a essa conjuntura, José Sarney transferiu o domicílio eleitoral para o Amapá, onde elegeu-se senador enquanto Epitácio Cafeteira conseguiu um mandato idêntico pelo PDC do Maranhão. Somado a isso havia o fato que, pela primeira vez em 25 anos, surgiram dois blocos políticos contrários à família Sarney: um composto por João Castelo e Epitácio Cafeteira e outro à esquerda liderado pelo prefeito de São Luís, Jackson Lago, que apoiou o nome de Conceição Andrade. Diante desse quadro os "sarneístas", lançaram Edison Lobão, que recebeu o suporte do governador João Alberto de Souza.

No Fora Collor, ao lado de Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, Plínio de Arruda Sampaio, Orestes Quércia, Mario Covas, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e Franco Montoro, pedia abertamente que a votação do impeachment no Congresso não fosse secreta[15].

Em 1994, foi eleito deputado federal, pelo PT, obtendo 15.330 dos votos válidos (1,47%). José Carlos Sabóia foi deputado federal, até 1996, quando seus votos foram recontados[nota 2].

Em 1998, foi candidato ao Senado da República pelo PT, na Coligação Maranhão presente, Lula presidente (PT, PCdoB, PCB), conquistou a confiança de 390.005 eleitores (30,34% do total), obtendo a segunda colocação entre cinco candidatos[16].

Foi diretor financeiro e em seguida, presidente da Companhia de Energia de Brasília (Ceb) no governo Cristóvão Buarque de 95 a 96.

Integrou por duas vezes a delegação brasileira na Assembleia Geral da ONU e na Eco 92, e em Nova York, em 1997.

Em 1996, assumiu o mandato de deputado federal[11].

Em 2000, foi o único vereador eleito, pelo PT em São Luis. Não se recandidatou quatro anos depois, ressurgindo o PT na Câmara Municipal de São Luis somente 12 anos depois, em 2012.

Em 2002, devido à sua grande popularidade, Haroldo Sabóia, com apoio de Jackson Lago, foi candidato a senador. No mesmo ano, desde o início, ficou com Jackson Lago, da coligação "Frente Trabalhista" (PDT, PTB, PCdoB, PPS, PPB, PTN, PAN). Com índices de aprovação positivos, enfrentou três grandes nomes da política maranhense, três ex-governadores, numa eleição que só tinha duas vagas em disputa, mesmo sem apoio de Presidente, governador, ou prefeitos, sem poder econômico, conquistou uma marca emblemática de meio milhão de votos e venceu na cidade de São Luís, seus três adversários. Obteve 474.191 votos nominais (11,66%) do total.

Não se elegeu, mas o jingle de sua campanha, com o refrão "Haroldo Sabóia, Haroldo Sabóia, Haroldo Saboóóia...", é ainda hoje bastante popular. Criado por um militante do partido, o jingle tornou-se referência na história política maranhense recente e é considerado um case de comunicação.

Em 2003, desfiliou-se do PT, para filiar-se ao PPS.

Em 2006, preferiu não candidatar-se mas foi um dos coordenadores da campanha de Jackson Lago, contribuindo para a primeira derrota da família Sarney em eleições diretas à disputa pelo Palácio dos Leões, eleito com sucesso[17] e derrotando a familia Sarney[18]. Num flanco de oposição a José Sarney que surgiu à esquerda e foi liderado por Jackson Lago que se elegeu prefeito de São Luís em 1988, 1996 e 2000. Posteriormente, Jackson perdeu o cargo na Justiça para Roseana Sarney[19].

Em 2007, voltou ao PDT.

Em 2008, foi candidato a vereador, pelo PDT, sem êxito[20][6][21]. Caso tivesse optado pelo PCdoB, teria sido eleito parlamentar da Capital Equinocial.

Em 2010, apoiou Jackson Lago. Foi revelado na época, em reportagem publicada pela revista Veja, que emissários da família Sarney tentaram comprar os votos de delegados petistas para que estes apoiassem a coligação com o PMDB, por valores que variaram de R$ 20 mil a R$ 40 mil.[22] Na última semana de agosto de 2010, ganhou força na internet um movimento intitulado "Fora Roseana Sarney".[23] A Campanha de Jackson contestou o resultado das pesquisas eleitorais, apontando que os institutos de pesquisa estariam favorecendo Roseana Sarney.[24]

Seu prestígio foi retomado em 2012, quando foi candidato a prefeito, pelo PSOL, porém sem êxito[25][26].

Em 2014, foi candidato a senador, sem êxito[27] [nota 3].

Visões Políticas[editar | editar código-fonte]

Sim Cotas Raciais Sim União de pessoas do mesmo sexo Sim Reforma Tributária Sim Imigrantes
Não Privatização Sim Reforma Política no Brasil
Sim Democracia Não Intervenção Militar ? Software Livre

Notas

  1. Graças à Emenda Constitucional nº 25 de 15 de maio de 1985 os brasilienses elegeram representantes às duas casas do Congresso Nacional enquanto os territórios federais elegeram apenas quatro deputados federais cada e em Fernando de Noronha não houve eleições.
  2. O banco de dados do TSE o referencia como eleito, mas a Câmara dos Deputados diz que José Carlos Saboia exerceu o mandato até que o titular assumisse em 1996 devido a uma recontagem de votos.
  3. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral, o recorde de votação absoluta para o governo do Maranhão pertence a Flávio Dino que obteve 1.877.064 votos em 2014.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Programa do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL)
  2. "Partido dos Professores" (Gonçalves, 2013)
  3. Edson Sardinha (6 de novembro de 2012). «Os perfis dos melhores deputados». Congresso em Foco. Consultado em 3 de outubro de 2013 
  4. Biografia de Haroldo Sabóia. FGV
  5. «Banco de dados do Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão». Consultado em 22 de julho de 2013 
  6. a b c «Banco de dados do Tribunal Superior Eleitoral». Consultado em 20 de abril de 2016 
  7. Planalto satisfez Nunes ao não escolher José Sarney para governar o Maranhão (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 28/04/1978. Primeiro caderno, p. 02. Página visitada em 24 de abril de 2016.
  8. «Presidência da República: Lei nº 6.091 de 15/08/1974». Consultado em 23 de julho de 2013 
  9. Governador liberta estudantes (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 20/09/1979. Primeiro caderno, p. 15. Página visitada em 24 de abril de 2016.
  10. Estudantes maranhenses decidem acabar greve de repente (online). Jornal do Brasil, Rio de Janeiro (RJ), 24/09/1979. Primeiro caderno, p. 07. Página visitada em 24 de abril de 2016.
  11. a b «Anuário estatístico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: representação política, eleições de 1982». Consultado em 14 de abril de 2013  Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome "ReferenceB" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes
  12. Afinal - Edição 65;Edição 86;Edição 92 - Página xxxv
  13. Fonte: Secretaria do Tribunal Superior Eleitoral - TSE. Anuário Estatístico do Brasil - 1986. Rio de Janeiro: IBGE, v. 47, 1987. P. 245.
  14. «Biblioteca do IBGE: Anuário Estatístico do Brasil». Consultado em 9 de outubro de 2013 
  15. Collor fora (online). O Estado de S. Paulo, 30/09/1992. Página visitada em 17 de junho de 2014.
  16. «Banco de dados do TSE: Quadro Geral das eleições de 1998 no Maranhão». Consultado em 30 de agosto de 2015 
  17. Do “Maranhão Novo” ao “Novo Tempo”: a trajetória da oligarquia Sarney no Maranhão Wagner C. da Costa, pág.16
  18. No Maranhão, os efeitos do caciquismo (online). O Estado de S. Paulo, 02/11/1978. Página visitada em 21 de junho de 2014
  19. «TSE nega recursos e confirma cassação do governador do Maranhão (g1.com)». Consultado em 21 de junho de 2014 
  20. Erro de citação: Código <ref> inválido; não foi fornecido texto para as refs de nome DEPUTADOCASTELO
  21. «Depois de cinco derrotas nas urnas, tucano João Castelo é eleito em São Luís». Consultado em 30 de abril de 2016 
  22. Garrone, Raimundo. "No Maranhão, petistas contrários a aliança com Roseana Sarney apresentam chapa com PCdoB e PSB". O Globo. 24 de maio de 2010.
  23. "Militantes virtuais pedem “Fora Roseana Sarney”". Vermelho. 2 de setembro de 2010.
  24. Garrone, Raimundo. Jornal Pequeno - O Órgão das Multidões. (18 de setembro de 2010.). «"Jackson diz que pesquisas isentas contrariam números do Ibope"». Cópia arquivada em 18 de setembro de 2015  Verifique data em: |data= (ajuda)
  25. «Apuração das Eleições 2012 em São Luís» 
  26. Terra.com (17 de julho de 2012). «Psol é o partido com mais candidatos a prefeito nas capitais». Consultado em 25 de agosto de 2012 
  27. «Divulgação de resultados das Eleições 2014». Tribunal Superior Eleitoral. 21 de outubro de 2014. Consultado em 26 de outubro de 2014