Ilha Montão de Trigo

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23° 51' 50" S 45° 46' 54" O

Ilha do Montão de Trigo vista da Praia de Santiago

Montão de Trigo é uma ilha do estado de São Paulo, no Brasil. Fica situada entre a enseada da Bertioga e o canal de São Sebastião (cidade à qual pertence), a aproximadamente 14 km do continente. O cume da ilha, cuja altitude é apontada como sendo de 276 ou 300 metros acima do nível do mar,[1][2] é um ponto de contemplação do oceano, das ilhas adjacentes e do canal de São Sebastião. Sua profundidade é de 3 a 20 metros. A ilha é resultado de intensas atividades vulcânicas ocorridas no passado.[1]

Em algo entre 20 minutos e meia hora,[3][2] pode-se chegar à ilha por meio de embarcações alugadas nas praias de Juqueí e Barra do Una.[4] Como não há praias, o acesso se dá por um píer improvisado.[5][3]

Turismo e fauna[editar | editar código-fonte]

A Ilha Montão de Trigo apresenta ótimas condições para o mergulho, tanto livre como autônomo.[6] Com profundidade para todos os níveis de mergulhadores, é um local bastante procurado para check out (portinho) e turismo. A melhor época para o mergulho é o verão, quando a temperatura da água se torna mais quente e a visibilidade melhora. O windsurf é outra atividade realizada no local.[6]

A fauna do local não é muito rica, mas a ilha ainda oferece grutas e tocas ao seu redor para exploração, onde se pode com frequência encontrar pargos, badejos, garoupas, lagostas, salemas e peixes frades, em pares ou solitários. No entorno da ilha, é possível avistar golfinhos e pinguims.[3]

Economia[editar | editar código-fonte]

Quase todos os habitantes da ilha vivem da pesca artesanal, uma vez que o arrasto é proibido. Nos últimos anos, o número de peixes tem diminuído, e em 2013, os pescadores capturavam 1/6 da quantidade diária normalmente conquistada em 2005, devido à competição com barcos maiores.[3] Contudo, em 2018, uma portaria do Ministério do Meio Ambiente do Brasil limitou a pesca da tainha nos litorais sul e sudeste do Brasil, permitindo que mais desses peixes chegassem às águas em volta da ilha; com efeito, em julho daquele ano, oito toneladas de tainhas foram pescadas em volta da ilha.[7] Algumas famílias complementam a renda vendendo peças de artesanato.[3]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Mapa de 1612 de parte do litoral dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, com a localização da ilha, denominada "Monte de Trigo" na época. A ilha está no começo da curva abrupta que o litoral faz para baixo no desenho.

Nos últimos três séculos, a ilha foi permanentemente habitada por famílias de caiçaras (cerca de 52 em janeiro de 2012,[5] número que se mantinha em março de 2013[3] e em janeiro de 2014;[2] os habitantes são conhecidos como "monteiros"[3]), que ganharam no início de 2012 permissão para ocupar e explorar a ilha, que ainda pertence ao governo, mas não estará mais sujeita a projetos imobiliários futuros.[5] A permissão é parte de um programa do governo federal do Brasil que visa beneficiar pequenos povoados nativos por todo o país. As permissões são chamadas de TAUS - Termo de Autorização de Uso Sustentável. Geralmente, as permissões são dadas a povoados ribeirinhos no Norte do Brasil; esta foi a primeira vez que uma população insular recebeu o benefício. Com o TAUS, os caiçaras podem reivindicar melhorias como sistema de saneamento básico, água encanada e programas de habitação.[5]

A população local vive com pouca infraestrutura: não há eletricidade, e os moradores vivem a base de baterias. Também não há saneamento básico. Muitas casas não dispõem de banheiros e os habitantes urinam e defecam em banheiros secos externos ou na vegetação local.[3] Em 2012, nenhum médico havia visitado o local havia dois anos.[8]

Há apenas uma escola, que ensina até a quarta série[8] (equivalente à quinta série,[3] a partir de 2010), e que é equipada com um quarto para que a professora possa passar a semana na ilha e retornar para o continente só nos fins de semana.[3]

Devido à maior parte dos casamentos ocorrerem dentro da mesma família,[3][2] a maioria dos habitantes leva o sobrenome Oliveira.[8][2]

Referências

  1. a b «Nos passeios de barco, descubra o que o mar esconde». O Estado de S. Paulo. Grupo Estado. 22 de janeiro de 2010. Consultado em 12 de setembro de 2016 
  2. a b c d e Pinho, Angela (31 de janeiro de 2014). «Moradores de ilhas do litoral paulista vivem no isolamento». Veja São Paulo. Grupo Abril. Consultado em 12 de setembro de 2016 
  3. a b c d e f g h i j k «Pessoas vivem em situação de isolamento na ilha Montão de Trigo». Antena Paulista. Grupo Globo. 17 de março de 2013. Consultado em 10 de setembro de 2016 
  4. Mori, Letícia (20 de dezembro de 2013). «Vai para São Sebastião? Confira 24 dicas de programas nas praias da cidade». Folha de S.Paulo. Grupo Folha. Consultado em 10 de setembro de 2016 
  5. a b c d da Silva, José Benedito (8 de janeiro de 2012). «Caiçaras 'ganham' ilha no litoral norte de SP; veja vídeo». Folha de S.Paulo. Consultado em 8 de janeiro de 2012 
  6. a b Zanchetta, Diego (31 de dezembro de 2011). «Ilhas são refúgio vip no litoral norte». O Estado de S. Paulo. Grupo Estado. Consultado em 10 de setembro de 2016 
  7. Aguiar, Marina (11 de julho de 2018). «Condições climáticas e mudança na lei favorecem o aparecimento da tainha na região». Sistema Costa Norte de Comunicação. Consultado em 2 de janeiro de 2019 
  8. a b c da Silva, José Benedito (8 de janeiro de 2012). «Falta de tudo, menos quem tenha Oliveira no sobrenome». Folha de S.Paulo