Jacobina Mentz Maurer

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Jacobina Mentz Maurer (junho de 1841 ou 1842 - 2 de agosto de 1874) foi uma líder religiosa brasileira, que participou da revolta dos Muckers, acontecida no Rio Grande do Sul, Brasil, entre 1872 e 1873.

Jacobina Mentz Maurer, a líder da revolta dos muckers.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Jacobina Mentz era filha de André Mentz e Maria Elisabeth Müller, imigrantes alemães de Tambach-Dietharz, na Turíngia, no centro da Alemanha. Eles chegaram ao Brasil em novembro de 1824, fugindo de perseguições religiosas (ambos deixaram a igreja protestante e estabeleceram uma comunidade religiosa independente, o que culminou na sua perseguição). A filha do casal, Jacobina Mentz, nasceu no Brasil e foi criada na atual Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, em uma comunidade rural composta por imigrantes alemães religiosos, luteranos e católicos . A família de Jacobina foi responsável pela construção da primeira igreja protestante do sul do Brasil. Em 26 de abril de 1866, casou-se com João Jorge Maurer, também filho de imigrantes alemães. No mesmo ano, o casal mudou-se de Novo Hamburgo para Ferrabraz, no atual município de Sapiranga.[1]

Os muckers[editar | editar código-fonte]

Segundo Darcy Ribeiro, o movimento mucker, no Brasil, foi consequência do processo de anomia que entraram algumas comunidades alemãs, influenciado por tradições populares, de orientação bíblico‐protestante.[2]

Em 1868, João Maurer supostamente teve uma "visão divina", dizendo-lhe para abandonar a agricultura e tornar-se médico. Logo depois, ele conheceu o curandeiro Buchhorn, que lhe ensinou os segredos das ervas medicinais. Esses alemães viviam em uma comunidade rural isolada, sem acesso a cuidados médicos. Por isso, muitas pessoas consultavam os curandeiros locais. Em 1870, o casal começou a receber, em casa, pessoas para reuniões de leitura da Bíblia, feitas por Jacobina. Jacobina sofria de crises de desmaio desde que ela tinha doze anos, e as pessoas associavam o seu sonambulismo a poderes especiais. Logo, centenas de pessoas começaram a seguir Jacobina e seus ensinamentos. Muitas pessoas deixaram as igrejas católicas ou luteranas locais e estabeleceram uma seita fanática, com Jacobina como líder. Essa situação preocupou os sacerdotes locais e os membros da comunidade que não seguiam Jacobina. Em seguida, a comunidade dividiu-se em duas: aqueles que se juntaram a Jacobina eram conhecidos como mucker (alemão para "falso santo") e aqueles que eram contra Jacobina conhecidos como spotter (debochadores).[1]

Pessoas que eram contra os muckers passaram a ser assassinadas. Em 10 de dezembro de 1873, João Maurer, juntamente com outros dois colonos, foram para a então capital do Brasil, o Rio de Janeiro, para entregar uma petição ao imperador Pedro II, com queixa de assédio policial, agressões e insultos aos colonos. Representantes do Império solicitaram explicações às autoridades do Rio Grande do Sul sobre o caso.[1]

Em 4 de maio de 1874, aconteceu a grande reunião na casa dos Maurer, com a presença estimada de 100 a 500 pessoas. Jacobina anunciou o fim do mundo e ordenou o extermínio de dezesseis famílias inimigas. Em 15 de junho, aconteceu o massacre da família Kassel. O casal Maurer teve mandado de prisão decretado. Em 25 de junho, catorze casas de inimigos foram queimadas e dez pessoas foram mortas, inclusive crianças. [1]

Em 28 de junho, a polícia atacou, mas os muckers venceram o conflito. Isso contribuiu para a crença da divindade de Jacobina. Depois de mais um ataque fracassado, Jacobina conseguiu escapar e se esconder no Ferrabraz. O fim do conflito ocorreu em 2 de agosto do mesmo ano, quando um traidor, Carlos Luppa, levou a polícia ao esconderijo de Jacobina Mentz, que foi morta com a maioria dos muckers. Os muckers que sobreviveram foram julgados e libertados ou absolvidos, em 16 de junho de 1880. [1]

Mesmo após a morte de Jacobina, há registros da presença de muckers já em 1897 e 1898. Em outubro de 1897, três pessoas foram mortas e o crime foi atribuído aos muckers liderados por Aurélia Maurer, a filha de Jacobina. Em 1898, um grupo de cem alemães assassinaram cinco muckers na região de Nova Petrópolis e Lajeado.[1]

Adaptação cinematográfica[editar | editar código-fonte]

A história foi adaptada para o cinema no filme A paixão de Jacobina, de 2002, dirigido por Fábio Barreto. O papel de Jacobina foi interpretado por Letícia Spiller.

Referências

  1. a b c d e f DESCRIÇÃO CRONOLÓGICA DO EPISÓDIO MUCKER
  2. RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro, Companhia de Bolso, fourth reprint, 2008 (2008)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]