João Cutileiro

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João Cutileiro
João Cutileiro em Serralves (1994) na exposição do amigo Álvaro Lapa.
Nome completo João Pires Cutileiro
Nascimento 26 de junho de 1937 (82 anos)
Lisboa
Nacionalidade Portugal Portuguesa
Ocupação Escultor

João Pires Cutileiro (Lisboa, 26 de junho de 1937) é um escultor português.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Sua mãe, de nome Amália era de Pavia, no Alto Alentejo, e foi viver para Évora, onde se casou com José Cutileiro, um médico da Organização Mundial da Saúde aí sediado. Dos três filhos do casal, João Cutileiro é o do meio. Em Lisboa, a família Cutileiro vivia na Av. Elias Garcia, numa casa afamada por ser frequentada pela chamada intelligentsia, um grupo de personalidades da época. António Pedro, um deles, trá-lo para desenhar no seu atelier, em 1946. Durante os dois anos que aí trabalhou, foi fortemente influenciado pelo Surrealismo.

Entre 1949 e 1951, passa a frequentar o estúdio de Jorge Barradas onde executa trabalhos de modelismo e de pintura, para além de vidrados de cerâmica. Descontente, muda-se para o atelier de António Duarte, onde é assistente de canteiro, voluntário, durante dois anos. Lá se dá o seu contacto com a pedra, pois tinha como trabalho ampliar os modelos do mestre canteiro, passá-los a gesso e, a esses últimos, metamorfoseá-los no mármore. Em 1951, com 14 anos, apresenta a sua primeira exposição individual em Reguengos de Monsaraz, numa loja de máquinas de costura, mostrando esculturas, pinturas, aguarelas e cerâmicas.

Completa o liceu no Colégio Valsassina e é nesse período que apresenta a sua ideologia política, quando ingressa na organização juvenil do Movimento de Unidade Democrática (MUD). Anos mais tarde, em 1960, assume de novo uma posição política ao ingressar no Partido Comunista Português (PCP). Esta passagem pelo PCP como militante foi curta, pois a "célula" a que pertencia desmanchou-se e os contactos perderam-se.

A caminho de Cabul, para visitar o seu pai que lá ficaria um ano, passou por Florença, onde se encantou pela obra de Michelangelo. Confirmou então uma tendência que existia desde os seus seis anos, quando esculpiu um presépio, a tendência para a escultura. No regresso a Lisboa, inscreve-se na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa (ESBAL), sendo aluno de Leopoldo de Almeida.

Não passa mais do que dois anos na ESBAL, entre 1953 e 1954, por perceber que em Portugal o único material considerado prestável era o bronze e as pesquisas, o experimentalismo e a criatividade eram travados. Sai do país por influência de Paula Rego, que lhe dá a conhecer, em Londres, a Slade School of Art. Nessa escola, que frequentou entre 1955 e 1959, desenvolveu a sua capacidade com o seu mestre escultor Reg Butler e no final recebeu três prémios: composição, figura e cabeça.

Vida profissional[editar | editar código-fonte]

Estátua de Cutileiro representando D. Sancho I frente ao Castelo de Torres Novas
Monumento ao 25 de Abril, em Lisboa

Ao começar a utilizar máquinas elétricas para executar o trabalho, dedica-se ao mármore e surgem as figuras, as paisagens, as caixas e as árvores. Nos dez anos seguintes a 1961, faz cinco exposições em Lisboa e uma no Porto.

Em 1970, regressa a Portugal e instala-se em Lagos. É lá que executa a sua obra mais polémica, D. Sebastião, erigida nessa mesma cidade.

Essa obra confrontou o academicismo do Estado Novo e recebeu fortes críticas e diz, numa frase irónica, que desistia da escultura, passando a ser apenas «um fazedor de objectos destinados à burguesia intelectual do ocidente», espantando os escultores por, segundo ele próprio, ser essa mesma a função de um escultor, a de criador de peças decorativas. Esta frase pretende também menosprezar as críticas de quem o achava escultor menor.

Conquistou uma menção honrosa no Prémio Soquil no ano de 1971 e, cinco anos mais tarde, as suas esculturas e mosaicos foram expostos em Wuppertal, na Alemanha, seguindo-se exposições em Évora (1979, 80 e 81) e, no ano de 1980, a sua obra volta à Alemanha, mas a Dortmund. Nesse mesmo ano, expõe em Washington, D. C. e na Sociedade Nacional de Belas Artes. No ano seguinte, participou no Simpósio da Escultura em Pedra, na cidade de Évora, e numa exposição na Jones Gallery, em Nova Iorque. A 3 de agosto de 1983, foi agraciado com o grau de Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.[1]

A sua costela alentejana impulsiona-o a mudar-se para Évora no ano de 1985 e aí está exposta, na sua casa, uma grande parte do seu leque de obras.

As Meninas de Cutileiro, ironicamente chamadas, são provavelmente o seu tema mais famoso e valeram-lhe (e valem) a mais distinta glória e dinheiro, mas também desprezo da parte de alguns.

No ano de 88, realiza exposições em Almancil, Macau e Lisboa e, no ano seguinte, faz novas exposições em Almancil e na capital de Portugal. Em 1990, elabora uma exposição que se apresenta como a retrospetiva da sua arte, em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian. Daí resultou a amargura de só ver mostrada parte da sua obra e que não iria conseguir reunir todos os seus trabalhos de uma só vez.

Nos anos de 1992 e 93, realiza mais exposições em Bruxelas, Luxemburgo, Évora, Guimarães, Lagos, Almancil e Lisboa. Faz nos anos seguintes mais exposições.

Distinções[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

esculturas de João Cutileiro

Referências

  1. «Entidades Nacionais Agraciadas com Ordens Portuguesas». Resultado da busca de "João Cutileiro". Presidência da República Portuguesa. Consultado em 17 de maio de 2020