Joaquim Pessoa

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Joaquim Maria Pessoa
Joaquim Pessoa.jpg
Retrato de Joaquim Pessoa da autoria de Inácio Ludgero, 1982
Nascimento 22 de Fevereiro de 1948
Barreiro
Nacionalidade Portugal português(a)
Ocupação Poeta e artista plástico
Profissão Publicitário
Principais trabalhos "O Livro da Noite",
"Vou-me Embora de Mim"
Movimento literário diversos

Joaquim Maria Pessoa (Barreiro, 22 de fevereiro de 1948), conhecido por Joaquim Pessoa, é um poeta, artista plástico, publicitário e estudioso de arte pré-histórica português.

Com formação na área do "marketing" e da publicidade, foi diretor criativo e diretor-geral de várias agências de publicidade e autor ou co-autor de diversos programas de televisão ("1000 Imagens", "Rua Sésamo", "45 Anos de Publicidade em Portugal", etc.).[carece de fontes?] Foi diretor pedagógico e professor da cadeira de Publicidade no Instituto de Marketing e Publicidade, em Lisboa, e professor no Instituto Dom Afonso III, em Loulé.

Desempenhou durante seis anos (1988-1994) o cargo de director da Sociedade Portuguesa de Autores. Em colaboração com Luís Machado, organizou em 1983 o I Encontro Peninsular de Poesia, que reuniu prestigiados nomes da poesia ibérica. Conta com mais de 600 recitais da sua poesia, realizados em Portugal e no estrangeiro.[carece de fontes?] Foi director literário da Litexa Editora, diretor do jornal "Poetas & Trovadores", colaborador das revistas "Sílex" e "Vértice" e do jornal "A Bola".

Foi um dos fundadores da cooperativa artística Toma Lá Disco, com Ary dos Santos, Fernando Tordo, Carlos Mendes, Paulo de Carvalho e Luiz Villas-Boas, entre outros.

Viu o seu nome ser atribuído a arruamentos na Baixa da Banheira (concelho da Moita) e no Poceirão (concelho de Palmela).

Obra literária[editar | editar código-fonte]

«... julgo que a poesia tem, também, a obrigação de palpar o mundo, de estar atenta aos sintomas e ajudar ao diagnóstico.» — Joaquim Pessoa, em entrevista publicada no livro "Poetas Visitados", de Maria Augusta Silva, p. 194, Edições Caixotim, Lisboa, 2004.

Embora tenha começado a escrever muito antes (iniciou a sua carreira em "O Juvenil", suplemento literário do jornal "Diário de Lisboa" dirigido por Mário Castrim e Alice Vieira), o seu primeiro livro (O Pássaro no Espelho) foi editado em 1975 e até hoje publicou mais de três dezenas de obras, incluindo três antologias. Em 2001 começou a ser publicada a Obra Poética, em 7 volumes, que reunirá a maior parte dos seus poemas.[carece de fontes?]

Foi galardoado com o mais importante prémio português de poesia – o Prémio da Associação Portuguesa de Escritores e da Secretaria de Estado da Cultura – e ainda com o Prémio de Literatura António Nobre e com o Prémio Cidade de Almada.

Está representado em cerca de meia centena de antologias coletivas em Portugal e no estrangeiro e está referenciado em várias enciclopédias, dicionários e roteiros literários.[carece de fontes?] Depois de uma Antologia Pessoal editada por Edilberto Coutinho em São Paulo, foi publicada pela Universidade de São Petersburgo, em edição bilíngue, uma antologia poética e a tradução integral, por Vadim Kopyl e outros, de Vou-me Embora de Mim, uma das suas últimas obras.

Os seus textos constam igualmente de vários livros de ensino de literatura e língua portuguesa. Está traduzido em inglês, francês, russo, castelhano e búlgaro.[carece de fontes?]

Análises e comentários à obra literária[editar | editar código-fonte]

Como escritor, salientou David Mourão-Ferreira, é o poeta progressista de hoje mais naturalmente capaz de comunicar com um vasto público.[carece de fontes?]Fernando Dacosta afirma que Joaquim Pessoa, herdeiro de linhas riquíssimas da cultura portuguesa, se afirmou pela luminosidade da sua escrita, pelo domínio da sua pintura, pela subtileza da sua inquietação, um autor irrecusável no panorama cultural português.[carece de fontes?]

Vadil Kopyl, no posfácio da edição bilíngue, português-russo, de Vou-me embora de Mim (Alexandria Publishing & Humanities Agency. São Petersburgo, Rússia):

  • Na p. 240: Nesses primeiros livros o poeta sabe variar a forma dos seus poemas: linhas curtas e longas, rimadas ou em verso livre. Em alguns sua maneira de escrever pode parecer "simples", antifigúrica, outros estão saturados ao máximo de imagens e símbolos. Ele pode escrever um poema usando só (ou quase só) substantivos ou só (ou quase só) pronomes e verbos e "joga" com as palavras do mesmo radical: "e passa nos meus passos passo a passo".
  • Nas pp. 240–242: No prefácio [do livro em prosa "Português Suave"] o autor, ao explicar que "para um poeta escrever em prosa é tão necessário como para uma galinha comer areia, enrija o ovo, isto é, a escrita…", realça, como o fez Cesário Verde, o seu amor por "os ácidos, os gumes, os ângulos agudos". E como Joaquim Pessoa não escreve prosa propriamente dita, mas "escreve em prosa", técnica dos efeitos especiais em poemas politizados e sua prosa satírica parece ser a mesma:
– criação de novas palavras: com "almoçar" e jantar" foi formado "almojantar", explicado ironicamente pelo autor como "confraternização gastronómica"; cravo, símbolo da revolução, recebe muito significativo elemento "ex": "ex-cravo"; o neologismo "malviver" modificando o substantivo "canções" faz alusão às "canções de maldizer";
– fragmentação das palavras (com parêntesis contíguo ou interior): a(m)paro, (a)braço, (des)amor… oferece duplo significado da palavra com/sem parêntesis;
– alteração intencional da palavra ou locução fixa cujo significado transparece bem claro no derivado ou na palavra-substituto: "burgocracia (burocracia) de aliteratura", "pré-histeria" (pré-história), "Europa acidental" (ocidental);
– hominimia entre um palavra e um grupo de palavras: "só neto" – soneto; "sol dado" – soldado. No último caso, o poeta revolucionário consegue uma frase extraordinária: "o Abril foi um sol dado" em que o Abril pode entender-se como "um sol dado" mas também como "um soldado".
  • Na p. 244: Falando da criação poética de Joaquim Pessoa nos anos 70, os autores da "História da Literatura Portuguesa" num artigo pequeno, mas altamente profissional, souberam destacar o essencial: que o poeta naqueles anos "acompanhando a gestação, a alegria breve e a repulsa posterior de uma revolução traída", "trouxe à sátira política e social um humor realista de um Soropita, Tolentino ou Cesário ambientados em Lisboa"; que o ciclo da poesia politizada, indiscutivelmente principal, aparece "debruado" por "outro ciclo paralelo de experiência erótica"; que a evolução "vai no sentido de aguda e rediviva sensibilidade às tradicionais instituições da dor e da morte humanas como um microcosmo consciente de um macrocosmo por reconhecer".

Maria Lúcia Lepecki, em "Sobre o entendimento do mundo", posfácio da 2.ª edição (2002) de Vou-me Embora de Mim (p. 71): O compromisso do Poeta é o de dar a conhecer o que sabe que foi antes e o que vê estar sendo agora. O compromisso do Poeta é reiterar, em discurso atento e generoso, a obrigação ética que tem ele, e temos nós, de perscrutar a face de todas as coisas, tentando construir uma imagem da verdade. Num livro de sabedoria como este, não é surpreendente que Natureza e Cultura, Homem e Cosmos se entendam e representem como entidades históricas e partilhem das experiências do nascer, do viver e do morrer. Experiências que também são, como todos sabemos, privilegiados objectos do dizer lírico.

José Jorge Letria, em "A inquirição do mundo", outro posfácio da mesma obra (pp. 74–75): Livro de um poeta culto que incessantemente dialoga com outros poetas, os antigos e os modernos, de Ovídeo a David Mourão-Ferreira, Vou-me Embora de Mim confirma a definição de Eduardo Lourenço segundo a qual o poeta é o cronista dos mitos, bem como a ideia de que, em Portugal, o pensamento filosófico mais genuíno é o que se encontra na escrita dos poetas. De facto, este é um livro sobre o pensamento, na medida em que pensa o próprio ato de pensar, poeticamente, confrontando-nos com as dicotomias ser/ter ou querer/desejar.

Manuel Frias Martins, em "A despoetização do mundo", ainda outro posfácio da obra referida (p. 84): Quando há já demasiados anos me referi à poesia que Joaquim Pessoa havia publicado entre 1975 e 1984 afirmei, entre outras coisas, o seguinte: "Sugerindo o acto poético pelo campo de uma operatividade produtora de um discurso socialmente eficaz, Joaquim Pessoa foi construindo (…) uma obra poética radicalmente assente num comunicação sensualmente partilhada. Surgida (…) pela dinâmica ‘tendenciosa’ do comprometimento social e político, e do desejo de discurso que estava subjacente à sua relação de significância histórica, a poesia de Joaquim Pessoa foi gradualmente assumindo ao longo dos anos um atraente movimento de revelação da subjetividade e da experiência dos sentidos."

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Livros publicados[editar | editar código-fonte]

  • "O Pássaro no Espelho", Moraes Editores (1975)
  • "Poemas de Perfil", edição do autor (1975)
  • "Amor Combate", Moraes Editores (1976)
  • "Canções de Ex-Cravo e Malviver", Moraes Editores (1977)
  • "Português Suave", Moraes Editores (1978)
  • "Os Dias da Serpente", Moraes Editores (1979; 2.ª edição 1980)
  • "Os Olhos de Isa", Moraes Editores (1980; 2.ª edição 1981)
  • "O Livro da Noite" (Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores e da Secretaria de Estado da Cultura), Moraes Editores (1981)
  • "O Amor Infinito" (Prémio de Literatura António Nobre), Moraes Editores (1982)
  • "125 Poemas – Antologia Poética", Litexa Editora (198?)
  • "Caderno de Exorcismos", em colaboração com Graça Castro, Moraes Editores (1983)
  • "A Assembleia dos Pássaros e Outras Histórias – Poemas para Crianças", Moraes Editores (1983)
  • "Paiol de Pólen", Círculo de Leitores (1983)
  • "Os Olhos de Isa", edição especial, Litexa Editora (1983)
  • "Fly", Litexa Editora (1983; 2.ª edição 1985)
  • "Sonetos Perversos", Litexa Editora (1984)
  • "Os Herdeiros do Vento – Antologia Apócrifa", Litexa Editora (1984)
  • "Antologia Poética", org. de Edilberto Coutinho, São Paulo, Brasil (1985)
  • "Amor Combate (Poesia 1975/1980)", Litexa Editora (1985)
  • "Peixe Náufrago". Litexa Editora (1985)
  • "Mas", Litexa Editora (1987)
  • "Por Outras Palavras" (Prémio de Poesia Cidade de Almada), Litexa Editora (1990)
  • "À Mesa do Amor", Átrio Editora (1994)
  • "À Mesa do Amor" (edição especial, ilustrada por Isabel Mendes Ferreira), Litexa Editora (1994)
  • "Vou-me Embora de Mim", Hugin Editores (2000) e Litexa Editora (2.ª edição, 2002)
  • "Obra Poética", Litexa Editora (vol. 1, 2001; vol. 2, 2001; vol. 3, 2002)
  • "Nomes", Litexa Editora (2003)
  • "Vou-me Embora de Mim" e "Poemas Escolhidos" (org. e posfácio de Kopyl Vadim), Ed. Alexandria, São Petersburgo, Rússia (2007)
  • "O Pouco É para Ontem", Litexa Editora (2008)
  • "Sonetos eróticos & irónicos & sarcásticos & satíricos & de amor & desamor & de bem & e de maldizer do poeta Joaquim Pessoa", Litexa Editora (2008)
  • "Ano Comum", Litexa Editora (a publicar)

Participações em antologias[editar | editar código-fonte]

  • "Poetas Portugueses – Antologia (IV Centenário da Morte de Camões)", Câmara Municipal do Barreiro, 1981
  • "Portugal, a Terra e o Homem – Antologia de Textos de Escritores Portugueses do Séc. XX", por David Mourão-Ferreira e Maria Alzira Seixo, II vol., VI série, Fundação Calouste Gulbenkian, 1981
  • Poemabril – Antologia Poética", Nova Realidade, 1984
  • "A Ilha dos Amores", Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto, 1984
  • "Micromegas – A Portuguese Issue", por Robert Krueger, University of Northern Iowa, EUA, 1985
  • "A Infância Lembrada", por Matilde Rosa Araújo, Livros Horizonte, 1986
  • "Antologia de Homenagem a Cesário Verde", Câmara Municipal de Oeiras, 1991
  • "Poetas Escolhem Poetas – Antologia", Lello & Irmão, 1992
  • "Poesia Portuguesa do Séc. XX – Antologia", Bulgária, 1993
  • "O Tejo e a Margem Sul na Poesia Portuguesa", Câmara Municipal do Seixal, 1993
  • "Vozes Poéticas da Lusofonia", Câmara Municipal do Seixal, 1993
  • "A Mãe na Literatura Portuguesa – Antologia", por Maria Teresa Horta, Círculo de Leitores, 1999
  • "Reflexos da Poesia Contemporânea do Brasil, França, Itália e Portugal", antologia por Jean-Paul Mestas, Universitária Editora, Lisboa, 2000
  • "Lisboa com seus poetas, Colectânea de Poesia sobre Lisboa", Publicações D. Quixote, 2000
  • "Um Mundo no Coração", antologia bilingue (português/francês) de Jean-Paul Mestas, Universitária Editora, Lisboa, 2001
  • "Cem Sonetos Portugueses", por José Jorge Letria e José Fanha, Terramar, 2002
  • "Cem Poemas Portugueses sobre Portugal e o Mar", por José Jorge Letria e José Fanha, Terramar, 2003
  • "Choque e Pavor – 25 Poemas contra a Guerra do Iraque", Editora Ausência, 2003
  • "Cem Poemas Portugueses do Riso e do Maldizer", por José Jorge Letria e José Fanha, 2003
  • "Cerejas – Poemas de Amor de Autores Portugueses Contemporâneos", Editorial Tágide, 2004
  • "Poesia Portuguesa Contemporânea", por Vadim Kopyl, Centro Lusófono Camões da Universidade Estatal Pedagógica de Hertzea, São Petersburgo, Rússia, 2004
  • "Cem Poemas Portugueses sobre a Infância", por Jose Jorge Letria e José Fanha, Terramar, 2004
  • "Na Liberdade – Antologia Poética (30 anos do 25 de Abril)", Graça Editores, 2004
  • "30 Poemas para 30 anos do 25 de Abril", selecção e prefácio de Urbano Tavares Rodrigues, Edições ASA, 2004
  • "Cem Poemas Portugueses do Adeus e da Saudade", por José Jorge Letria e José Fanha, Terramar, 2005
  • "Poemas da Natureza", organização de José Fanha, Gailivros, 2005

Como tradutor/adaptador[editar | editar código-fonte]

  • "Carmen", em colaboração com José Jorge Letria e Luís Machado, Hugin Editores (1998)

Como antologiador[editar | editar código-fonte]

  • "Viagens na Nossa Terra – Portugal Visto pelos Escritores Portugueses", antologia colectiva, Direcção-Geral do Turismo (1984)
  • "O Trabalho", em colaboração com Armando Cerqueira e José do Carmo Francisco, edição dos Sindicatos dos Bancários do Norte, do Centro e do Sul e Ilhas, Lisboa (1983)
  • "O Desporto", em colaboração com Armando Cerqueira e José do Carmo Francisco, edição dos Sindicatos dos Bancários do Norte, do Centro e do Sul e Ilhas, Lisboa (1983)

Poesia gravada em disco[editar | editar código-fonte]

  • "Português Suave", Rossil, 1980
  • "A Arte do Coração", Edições Sassetti, 1982

Bibliografia passiva[editar | editar código-fonte]

"Understanding the Portuguese Poet Joaquim Pessoa – A Study in Iberian Cultural Hybridity", Robert Simon, The Edwin Mellen Press, Nova Iorque, EUA (2008)

Poeta de canções[editar | editar código-fonte]

«Mais de 90% dos textos dessas canções são poemas de livros meus que foram musicados e cantados.»
— Joaquim Pessoa, em entrevista publicada no livro "Poetas Visitados", de Maria Augusta Silva, p. 197, Edições Caixotim, Lisboa, 2004.

Foram os compositores e cantores que o levaram ao conhecimento do grande público, musicando e interpretando poemas seus. Nas palavras de David Mourão-Ferreira, Joaquim Pessoa teve "um papel muito importante no movimento renovador da canção portuguesa".[carece de fontes?]

Tendo como temáticas mais vincadas Lisboa, o amor, a liberdade e as desigualdades sociais, os seus poemas foram palavra de muitos sucessos musicais,[carece de fontes?] musicados e cantados, entre outros, por:

  • Carlos do Carmo – "Cantiga de Maio"
  • Carlos Mendes – "Lisboa, meu amor", "Amélia dos olhos doces", "Alcácer que vier" e todas as canções dos álbuns "Amor Combate", "Canções de Ex-Cravo e Malviver" e do álbum infantil "Jardim Jaleco", considerado pela crítica o melhor trabalho poético musical realizado em Portugal para crianças (onde?) sete
  • Clara Ghimel (Brasil) – "Canção de estar em terra"
  • Fernando Tordo – "Assim como quem morre", "Canto de passagem", "Tordesilhas"
  • Jorge Palma – "Mar português"
  • José Mário Branco – "Negreiro"
  • Kátia Guerreiro – "Talvez não saibas"
  • Lúcia Moniz – "Canção de Amor do Marinheiro"
  • Manuel Freire – "Gaivota Portuguesa"
  • Nuno Nazareth Fernandes – "Nasceu a primeira mulata"
  • Paco Bandeira – "Meridional", "Pintores", "Pedro d'Além", "Náufrago"
  • Paulo de Carvalho – "Amor sem palavras", "Onde é que tu moras?", "Lisboa, menina e moça" (os dois últimos também gravados por Carlos do Carmo)
  • Rui Veloso –"Desconversar" (gravado também por Fernando Pereira)
  • Samuel – "Carta do velho Gil Eanes", "Canção do convés"
  • Tatiana Pavlova (Rússia) – "Nos olhos de Isa", "Eu cantaria mesmo que tu não existisses"
  • Tonicha – todas as canções do álbum "Ela por Ela"
  • Tozé Brito – "Canção da alegria"
  • Vitorino Salomé – "O sonho de Colombo"
  • Carlos Mendes, Fernando Tordo e Paulo de Carvalho – "Os operários do Natal", em colaboração com Ary dos Santos

O artista plástico e estudioso de arte[editar | editar código-fonte]

Artista plástico[editar | editar código-fonte]

O que faço nas artes plásticas é também um acto poético. Julgo ter uma plasticidade muito ligada à poesia, sinto-as como irmãs — Joaquim Pessoa citado por Maria Augusta Silva, "Diário de Notícias", 22 de junho de 2003, p. 42.

Embora apenas tenha começado a expor em 1998, produziu já cerca de duas centenas de obras, entre desenhos, pintura de acrílico sobre óleo e papel e colagens com papel reciclado pintado.[carece de fontes?] A crítica tem referido a sua obra como "cromaticamente pujante, lembrando mesmo o trabalho dos fauves no início do século XX e […] onde a memória da infância é tema recorrente nas paisagens e nas figuras humanas. A sua pintura não é totalmente independente da sua poesia, podendo considerar-se que Joaquim Pessoa faz uma pintura poética em que cada trabalho é um projecto caracteristicamente intuitivo" (DPHC – Divisão de Património Histórico-Cultural, Núcleo de Artes Plásticas).

Sobre as colagens, Maria Augusta Silva afirma no "Diário de Notícias" de 7 de julho de 2003 (p. 29) que "Joaquim Pessoa, a partir de papel reciclado colorido, manipula os fragmentos e dá forma e movimento a colagens que se revelam vibrantes, plenos de vida e afectos. É também a voz e o olhar políticos que passam pela linguagem pictórica de um nome que, há décadas, tem marcado a criatividade portuguesa." Está representado em várias coleções públicas (nomeadamente nas Câmaras Municipais de Sintra, Cascais, Serpa e Arruda dos Vinhos, entre outras) e privadas.

Referências à arte de Joaquim Pessoa[editar | editar código-fonte]

Miguel Barbosa, in "A arte de um poeta pintor", introdução do catálogo de uma exposição do autor: Existe constante procura neste poeta-pintor da simplicidade, da síntese da essência do objecto e da criação. Os desenhos de Joaquim Pessoa têm a alma de um Cocteau ou de um Ciuca […] A arte de Joaquim Pessoa não é uma mera caricatura do mundo que o cerca, mas a alma que está por detrás e além dele, o momento de plenitude encontrado e perdido no onirismo da utopia.

Rico Siqueira, pintor, na introdução ao livro "Desenhos de Joaquim Pessoa": Toda a figuração de Joaquim Pessoa se empenha a evidenciar em primeiro plano uma dupla teatralidade. Não há, em Pessoa, o desejo de totalizar o fantasma em objecto definido. Tanto nas cenas imaginárias como no espaço figurativo do desenho, há sempre lugar para a indecisão […] estes desenhos são viagens, letreiros, figuras, estradas ou caminhos de itinerários assumidos, numa espécie de colagem de elementos, ora felizes e festivos, ora melancólicos, ora ainda excitados pela descoberta ou divertidos pela aventura acontecida. […] A muita consideração que tenho pelo trabalho de Joaquim Pessoa deve-se, acima de tudo, à alta qualidade gráfica dos seus desenhos.

Em "Uma afirmação irresistível", Fernando Dacosta afirma, referindo Joaquim Pessoa, que a pintura e o desenho têm nele, dentro de uma diversidade renascentista, dimensões assinaláveis.

Exposições Colectivas[editar | editar código-fonte]

1998 – Espaço GAN, Lisboa; Chão de Pedra Galeria de Arte, Lisboa. 1999 – "Mertol’Arte", Associação de Defesa do Património, Mértola. 2000 – II Bienal de Arte do Alentejo; II Bienal de Arte de Expressão Figurativa de Alenquer, Alenquer. 2006 – Exposição Arte na Planície, Montemor-o-Novo; Galeria CidiArte, Lisboa 2009 – "Chapéus Há Muitos...", Galeria CiDiArte, Lisboa.

Exposições Individuais[editar | editar código-fonte]

1998 – Junta do Turismo de Cascais/Câmara Municipal de Cascais. 1999 – Chão de Pedra Galeria de Arte, Lisboa. 2000 – Câmara Municipal de Arruda dos Vinhos; Atelier dos Cardaes, Lisboa; Galeria RTP, Lisboa. 2001 – Moinhos do Restelo, Lisboa. 2003 – Galeria Artela, Lisboa. 2004 – Galeria Arc 16, Faro; Galeria de Vila Verde de Ficalho; LM – Galeria de Arte, Sintra. 2005 – Galeria do Museu Regional de Sintra; Galeria CiDiArte, Lisboa. 2006 – Galeria Arc 16, Faro. 2008 – LM – Galeria de Arte, Sintra.

Estudos e negócios de arte pré-histórica[editar | editar código-fonte]

Joaquim Pessoa é um conhecido coleccionador e negociante privado de arte pré e proto-histórica,[1] e interessado sobre o culto das Estatuetas de Vênus e de Deusa mãe em território português, não sendo claro se tem ou não publicados estudos sobre a matéria.[carece de fontes?]

No contexto do descalabro financeiro do Banco Português de Negócios (BPN) em 2009 foi apurado que, em 2004, o BPN havia adquirido a Joaquim Pessoa por 5,3 milhões de euros uma colecção de arte pré-histórica de valor duvidoso.[2] . Com base em peritagens do Museu Nacional de Arqueologia apurou-se que as peças seriam fabricações falsas ou réplicas de peças originais e, por conseguinte, sem qualquer valor arqueológico.[3] Em 2011, Joaquim Pessoa foi constituído arguido pela Polícia Judiciária (PJ) por suspeita de burla qualificada encontrando-se, à data de Maio de 2012, proíbido de ausentar-se do território nacional [4] ; mas insistindo na autenticidade das suas peças com base noutras peritagens por ele encomendadas.[5]

Joaquim Pessoa terá alegadamente também vendido ao longo dos anos peças falsas ao coleccionador Ernesto Lourenço Estrada, cuja colecção acabou na posse da Câmara Municipal de Abrantes que se comprometeu em 2007 a exibi-la num novo museu orçamentado em 13 milhões de euros.[6]

Referências

  1. "O mercado das peças de arte arqueológicas é um regabofe" Diário de Notícias (13 de Maio de 2011). Visitado em 13 de Maio de 2012.
  2. O espólio do BPN Correio da Manhã (15 de Fevereiro de 2009). Visitado em 13 de Maio de 2012.
  3. Poeta Joaquim Pessoa suspeito de burla na venda de arte ao BPN} Diário de Notícias (13 de Maio de 2011). Visitado em 13 de Maio de 2012.
  4. Poeta vendeu arte falsa ao BPN por 5,2 milhões Diário de Notícias (11 de Novembro de 2011). Visitado em 13 de Maio de 2012.
  5. Mais 5,2 milhões em burlas ao BPN Correio da Manhã (10 de Novembro de 2011). Visitado em 13 de Maio de 2012.
  6. Arte falsa chega à Câmara de Abrantes Diário de Notícias (13 de Maio de 2011). Visitado em 13 de Maio de 2012.