King (futebolista)

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Nivacir Innocencio Fernandes, mais conhecido como King (Curitiba,[1] 6 de janeiro de 1917), é um ex-futebolista brasileiro que atuava como goleiro.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Seu apelido derivava, do filme King Kong, de 1933, por ele conseguir segurar uma bola de futebol com apenas uma mão, da mesma maneira que o gorila cinematográfico fez com uma moça,[1] embora tenha "pegado" apenas como "King".[2] Irmão de Teleco, estrela do Corinthians, King foi uma das primeiras estrelas do São Paulo após sua refundação, em 1935.[2]

Aos dez anos, começou a jogar no Brasil, clube varzeano de Curitiba, e, mais tarde, foi para o Elite, que defenderia na segunda divisão do Campeonato Paranaense, em 1932.[1] O técnico Canhoto, do hoje extinto Palestra Itália de Curitiba, viu-o jogar e convenceu-o a ir jogar em seu clube, apesar do assédio de outros times e da tentativa do Elite de mantê-lo.[1] Ele começou no segundo quadro do Palestra, mas, após apenas quatro partidas, ganhou a vaga de titular no primeiro quadro, que ocupou durante todo o Campeonato Paranaense daquele ano.[1]

Seu irmão Teleco, que já atuava no Corinthians, tentou levar para lá seu irmão, mas este preferiu o São Paulo, aonde chegou, em 1936, aos dezenove anos.[1] King estreou pelo Tricolor em 25 de janeiro de 1936, no primeiro jogo após a refundação do clube, uma vitória por 3 a 2 sobre a Portuguesa Santista.[1] Carismático,[3] foi transformado em ídolo pela torcida, mas deixou o clube numa disputa salarial, em 1938, e foi para o Flamengo.[1] No Rio de Janeiro, disputou apenas dez partidas, acumulando duas vitórias, um empate e sete derrotas.[4]

Poucos meses depois, voltou ao São Paulo, mas, com Roberto Gomes Pedrosa como titular,[3] foi para o segundo quadro, pelo qual foi campeão em 1940.[1] Assumiu o posto de titular, novamente, no Campeonato Paulista de 1941, sagrando-se vice-campeão,[1] mas, no ano seguinte, perderia a posição para Doutor,[3] na campanha do vice-campeonato paulista.

Destacou-se na conquista do Campeonato Paulista de 1943, especialmente no jogo decisivo, um empate sem gols com o Palmeiras.[1] Tendo suportado o que a Folha de S. Paulo considerou "o maior 'bombardeio' de toda a sua carreira", foi, ao final do jogo, carregado pela torcida até os vestiários.[1] O São Paulo foi vice-campeão em 1944, com King na meta, porém, em 1945, ele perderia a vaga para Gijo, e o São Paulo conquistaria o título.[3] Em entrevista dada em 1969, King dizia que, em 1946, já não tinha mais a mesma condição física do começo da carreira, o que se refletiu em suas atuações.[1]

Quando o São Paulo implantou um esquema mais profissional de trabalho, em 1947, com regime alimentar diferenciado e concentrações, o goleiro, querendo manter sua "liberdade", teria dito para Vicente Feola, da comissão técnica tricolor: "Quero continuar vivendo como fiz desde os meus tempos de infância. Quero ser livre, pois não posso dispensar o convívio de amigos que me convidam para as noites alegres. Se o regime for esse, você tem liberdade total para decidir sobre o meu destino."[1] Diante da sugestão de Feola para que ele procurasse outro clube para jogar, King retrucou: "Se não for no São Paulo, não jogarei mais futebol."[1] King, então, encerrou sua carreira, e o São Paulo contratou-o para cuidar das concentrações.[1] Ele ainda é o sétimo goleiro que mais defendeu o São Paulo na história, com 204 partidas.[5]

A decisão, entretanto, não seria definitiva. João Guidotti, conselheiro do São Paulo e presidente do XV de Piracicaba, chamou-o para defender o clube do interior, oferecendo-lhe, além do salário, o estádio do clube para morar.[1] Na campanha do XV na segunda divisão, que lhe valeu o título e o acesso à primeira divisão em 1949, King disputou cinco partidas.[1] Ele pensou em voltar a São Paulo, mas acabou desistindo e encerrou novamente a carreira, tornando-se, então, o massagista do clube piracicabano.[1]

Vinte anos depois, ainda estava no XV, tendo trabalhado ainda como técnico, preparador físico, chefe de almoxarifado e com as categorias de base, além de ter disputado algumas partidas pelo time de veteranos do clube.[1]

Dados[editar | editar código-fonte]

  • Jogos disputados pelo São Paulo: 204[5]
  • Chegada ao clube: janeiro de 1936
  • Data de saída: 1 de março de 1948
  • Gols sofridos pelo São Paulo: 303 [5]

Títulos[editar | editar código-fonte]

São Paulo[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t Rubens Ribeiro e Almir Borges (30 de janeiro de 1969). «As mãos que deram glória ao São Paulo FC». São Paulo: Empresa Folha da Manhã. Folha de S. Paulo (14 473): p. 30 
  2. a b Alexandre da Costa (2005). Almanaque do São Paulo Placar. [S.l.]: Abril. p. 405 
  3. a b c d Felipe de Queiroz (2012). Os Reis do Pacaembu. [S.l.]: Pontes. p. 152. ISBN 9788571133846 
  4. Roberto Assaf e Clóvis Martins (2001). Almanaque do Flamengo Placar. [S.l.]: Abril. p. 493. ISBN 7893614010687 Verifique |isbn= (ajuda) 
  5. a b c Michael Serra (22 de dezembro de 2014). «Ranking histórico: Goleiros». São Paulo F.C.