Língua ainu
| Língua ainu アイヌ イタク | ||
|---|---|---|
| Pronúncia: | ['ʔaj.nu ʔi.'tak̚] | |
| Falado(a) em: | Japão | |
| Região: | Ilha de Hokkaido | |
| Total de falantes: | 10–30 (2006)[1] | |
| Família: | Língua isolada | |
| Escrita: | Katakana Alfabeto latino Alfabeto cirílico (acadêmico)[2] | |
| Códigos de língua | ||
| ISO 639-1: | --
| |
| ISO 639-2: | ain | |
| ISO 639-3: | ain
| |
O ainu é classificado como língua em perigo crítico segundo o Atlas Mundial das Línguas em Perigo (2010) da UNESCO | ||
A língua ainu (em ainu: アイヌ イタク, aynu itak; AFI: ['ʔaj.nu ʔi.'tak̚]) é uma língua isolada, falada pelo grupo étnico ainu da ilha de Hokkaido, no Japão.[3] É a única língua não-japônica falada no país.[4]
O ainu é dividido em três grupos dialetais: de Hokkaido, de Sacalina e das Ilhas Curilas. Os dialetos de Sacalina e das Curilas são extintos. Eles diferem bastante no vocabulário, mas análises comparativas detalhadas são limitadas pela escassez de registros.[5] Documentos indicam que registros da língua iniciaram-se no século XVI.[6][7]
Em 2023, 11.450 pessoas se identificaram como ainu,[8] e o povo também é oficialmente reconhecido pela administração japonesa desde 2008.[9] Todavia, o idioma foi classificado pela UNESCO como "em perigo crítico", resultado de um longo processo de discriminação racial e assimilação cultural imposto pelo governo local. Como consequência, muitos dialetos tornaram-se extintos e a língua deixou de ser usada no cotidiano.[3] Desde a década de 1980, o uso da língua tem aumentado, acompanhado por um forte movimento de revitalização cultural ainu. A quantidade exata de falantes nativos é incerta; estimava-se entre 10 e 30 adultos em 2006.[1]
Assim como outras línguas do nordeste asiático, o ainu é uma língua aglutinante e com ordem SOV. Por outro lado, ela é uma das únicas línguas polissintéticas da região, comumente formando novas palavras pela adição de afixos. Outra característica incomum do ainu é a marcação de núcleo, algo raro entre os idiomas do nordeste da Ásia. A língua também possui uma variedade de vozes, incluindo uma voz causativa "indefinida" considerada rara.[10][11] Historicamente, o idioma nunca possuiu um sistema de escrita próprio, mas tem uma literatura oral bem documentada.[12][4] Houve tentativas de criar uma ortografia com o alfabeto latino, o cirílico e o katakana japonês. O cirílico foi utilizado apenas por pesquisadores russos, enquanto o katakana e o latino foram posteriormente adotados para a escrita comum.[2][13]
Etimologia
[editar | editar código]O etnônimo ainu, ou aynu, significa "pessoa" ou "homem" na língua.[14] O a palavra aynu itak (アイヌ イタク, em katakana), portanto, é formado por aynu e itak, que traduz para "língua" ou "palavra".[15] Embora aynu seja o nome mais utilizado, alguns preferem o termo utari ("companheiros" ou "pessoas"), devido à conotação negativa com a palavra aynu no Japão.[16][17]
Distribuição
[editar | editar código]Além de Hokkaido, a língua ainu também era falado na região de Tohoku, nas Ilhas Curilas e na Ilha de Sacalina. Alguns pesquisadores acreditam que a língua também esteve presente na península de Kamchatka. Com o tempo, o uso da língua nesses territórios diminuiu, e os falantes passaram a se concentrar em Hokkaido.[3] Em 2013, foi registrado que aproximadamente 70% da população ainu identificada vivia nas províncias de Hidaka e Iburi.[18] Alguns ainus também vivem em outros países, como Estados Unidos.[19]
Dialetos
[editar | editar código]
Dialetos de Hokkaido
Dialetos de Sacalina
Dialetos das Curilas
Os dialetos ainu dividem-se em três principais grupos, conforme as regiões em que eram falados: as variantes faladas na ilha de Hokkaido, as faladas na Ilha de Sacalina, e as faladas nas Ilhas Curilas.[5] Os dialetos de Sacalina e das Curilas são considerados extintos.[20]
As variedades ainda não possuem uma classificação bem definida. Alguns autores, como a linguista Anna Bugaeva, se referem ao idioma como parte de uma família linguística própria, onde os grupos citados são as respectivas subfamílias.[21] Uma possível divisão de dialetos e subdialetos pode ser feita da seguinte forma:[22][23]
- Hokkaido
- Dialetos do Nordeste
- Dialetos do norte
- Sōya: Falado no extremo norte de Hokkaido. É o dialeto mais similar aos de Sacalina, sendo distante dos outros dialetos de Hokkaido.
- Dialetos centrais
- Asahikawa/Ishikari: Falado na região da bacia hidrográfica do rio Ishikari, localizada no centro de Hokkaido. Compartilha diversas características com outros dialetos, além de ter correspondência lexical frequente com o dialeto de Nayoro.
- Nayoro: Falado na região da bacia hidrográfica do rio Nayoro. Características lexicais são próximas da variante de Ishikari.
- Dialetos do leste
- Obihiro
- Kushiro: Falado na região da bacia hidrográfica do rio Kushiro.
- Bihoro: Falado na região da cidade de Bihoro. Vocabulário básico difere do dialeto de Kushiro, além de ter diferenças fonéticas com outros dialetos.
- Samani: Falado na região da cidade de Samani.
- Tokachi: Falado na região da bacia hidrográfica do rio Tokachi e da planície de Tokachi. Apresenta similaridades de léxico com os dialetos de Kushiro e Bihoro.
- Shizunai: Falado na região da cidade de Shinhidaka, localizada nos arredores da bacia hidrográfica do rio Shizunai. Possui características próximas à variante de Tokachi, tanto na gramática quanto no léxico.
- Dialetos do norte
- Dialetos do Sudoeste
- Dialetos do sul
- Biratori/Saru: Falado na região da bacia hidrográfica do rio Saru. Apresenta diferenças em léxico e gramática dos outros dialetos, exceto o de Chitose. Possui uma forma incomum de marcação de pessoa.
- Nukibetsu
- Niikappu: Falado na região da antiga vila de Niikappu, localizada nos arredores da bacia hidrográfica do rio Niikappu. Se localiza entre as regiões dos dialetos de Saru e Shizunai, compartilhando características lexicais com ambos.
- Mukawa: Falado na região da cidade de Mukawa. Vocabulário extremamente parecido com as variantes de Chitose e Saru, porém possui pequenas diferenças fonológicas.
- Chitose: Falado na região da cidade de Chitose. Compartilha traços gramaticais com a variante de Saru, tendo uma possível relação histórica próxima do dialeto.
- Dialetos do oeste
- Yakumo: Falado na região da cidade de Yakumo. Possui diversas diferenças fonéticas com outros dialetos.
- Oshamambe: Falado na região da cidade de Oshamambe.
- Horobetsu: Falado na região da cidade de Noboribetsu. Vocabulário básico é bem próximo dos dialetos de Saru e Chitose, mas difere das variantes em outros aspectos.
- Dialetos do sul
- Dialetos do Nordeste
- Sacalina †
- Dialetos do norte
- Dialetos centrais
- Dialetos do sudoeste
- Dialetos do nordeste
- Ilhas Curilas †
- Dialetos do norte: Falado em todas as ilhas ao norte. Esses dialetos são distintos comparados aos de Hokkaido.
- Dialetos do sul: Falado nas ilhas de Kunashir, Shikotan, Etorofu, e Urup. Alguns relatos afirmam que a língua é similar aos dialetos de Hokkaido, enquanto outros dizem que ela é parecida com os dialetos do norte das Curilas. Possui semelhanças com os dialetos do leste de Hokkaido em fonologia, vocabulário e gramática.
- Hokkaido
Os dialetos de Sacalina são mais similares com os de Hokkaido, e os das Curilas são bem diferentes dos outros dois grupos.[26] As variedades de Sacalina e de Hokkaido geralmente não são mutuamente inteligíveis.[27] Similar às vilas ainu, os dialetos seguem os cursos dos rios, estendendo-se de jusante a montante de bacias hidrográficas. Não há diferenças dialetais notáveis dentro das regiões, mas pode-se constatar alguma diferença até ao longo de um mesmo rio e entre vilas.[28]
História
[editar | editar código]
Área historicamente confirmada (território) e lugares com possíveis topônimos de origem ainu (círculos)
Possível antiga área baseado em evidências toponômicas
As origens da língua ainu ainda são incertas. Alguns acreditam que o japonês e o ainu têm um ancestral em comum, porém isso não é comprovado.[29] Sugere-se que ele tenha pertencido a uma família linguística maior no passado, sobrevivendo após ser disseminado para Hokkaido e outras regiões. Outra hipótese é que o ainu reduziu a diversidade linguística do arquipélago, absorvendo ou substituindo outras línguas à medida que adentrava o norte.[30]
Origens
[editar | editar código]A língua ancestral do ainu é associada com a primeira onda migratória para o Japão, ocorrida há mais de 30 mil anos. Na segunda onda, há 3 mil anos atrás, agricultores de arroz que falavam japonês vieram da península coreana, movimento que continuou durante os períodos de Yayoi e Kofun. Com isso, todas as línguas da região foram substituídas, exceto o ainu. Por volta de 1000 EC, a língua se espalhou de Honshu para Hokkaido, seguindo em 1300 EC para as ilhas Curilas e em 1500-1600 EC para a Sacalina. O surgimento da língua no sul de Hokkaido se conecta com a cultura Satsumon, que posteriormente se expandiu para o nordeste e confrontou aqueles da cultura Okhotsk na região, supostos falantes da língua nivkhe. Até o final do século XIII, os Satsumon substituíram os Okhotsk, marcando o início da cultura ainu já documentada.[30]
O proto-ainu, um antecessor hipotético da língua, formou-se ao longo dos últimos mil anos. Ele possuía um inventário fonológico elaborado, tendo 17 consoantes. Autores divergem ao discutir se a língua tinha vogais longas e/ou tonicidade.[31] A tabela a seguir mostra alguns exemplos de palavras em proto-ainu comparadas com o dialeto asahikawa:

| Proto-ainu | Ainu (dialeto de Asahikawa) | Tradução |
|---|---|---|
| *nöm.i | i-nomi | "Realizar um festival" |
| *Etu | etu | "Nariz" |
| *nOn | non | "Saliva" |
| *opas | upas | "Neve" |
| *nom | nunnun | "Sugar/Infiltrar" |
| *gop-nE | hup-ne | "Estreito" |
História documentada
[editar | editar código]Até o século XV, os ainus realizavam trocas com os japoneses, sem registro de conflitos. Contudo, em 1604, a ilha de Hokkaido, então chamada de Ezo, foi concedida ao clã Matsumae.O clã monopolizou as trocas com os ainus, e assim marca-se o início da colonização da região.[33]

Em 1807, após o xogunato Tokugawa tomar controle do norte de Hokkaido, os ainus foram incentivados a aprender o japonês.[33] Em outubro de 1871, quatro decretos foram emitidos para a população ainu, sendo um deles incentivando o esforço para aprender a ler e escrever o japonês. Esses decretos visavam promover a japonização do povo, restringindo seus costumes e impondo normas culturais. Em 1872, uma escola provisória foi aberta no templo de Zōjō-ji, em Tóquio. Foram enviados 38 indivíduos ainu para lá, a fim de estudarem a língua japonesa e terem treinamento agrícola. Ao longo do projeto, alunos expressavam o desejo de voltar para seus locais de origem, resistindo à assimilação cultural. Por esse motivo, a escola foi posteriormente transferida para Sapporo, e os resultados da escola foram considerados "mal-sucedidos".[34]
Em 1875, foi firmado o Tratado de São Petesburgo, onde o Japão tomou posse das Ilhas Curilas em troca da Ilha de Sacalina, que se tornou território russo. Com isso, os ainus das Curilas foram transferidos para a ilha de Shikotan em 1884. Isso resultou na morte de muitos nativos da língua, levando à extinção da variedade das Curilas no início do século XX, e o dialeto já tendo desaparecido na década de 1930.[27] Similarmente, mais de 800 pessoas ainu que viviam em Sacalina foram realocados para Hokkaido, forçando-os a alterar drasticamente seu modo de vida. Além disso, após a ilha voltar à posse russa, os ainus restantes foram obrigados a retornar ao Japão, contribuindo para a perda do dialeto. Eventualmente, o dialeto de Sacalina também desapareceu, sendo extinto da ilha na década de 1970. Take Asai, a última falante dessa variedade, faleceu em 1994.[25][35]

Em 1899, foi decretada a "Lei de Proteção dos Antigos Aborígenes de Hokkaido", iniciando um processo de políticas de assimilação no país. No início do século XX, então, o Estado japonês exerceu uma posição de opressão linguística sob a população ainu, resultando no abandono do idioma para fins de comunicação. Na década de 1950, o idioma já não era mais usado com essa finalidade.[35] A língua nunca foi proibida legalmente, mas era comum que fosse banida ou restrita em escolas, e crianças frequentemente eram obrigadas a aprender a língua japonesa. Além disso, a discriminação racial diária e o bullying no ambiente escolar também fez com que a língua não fosse transmitida para gerações futuras, que cresceram sem ter contato com o ainu.[3] Até a segunda metade do século XX, muitas residências ainu já não utilizavam-a entre si.[36]
Em 1946, foi estabelecida a Associação Ainu de Hokkaido em Shizunai,[37] visando garantir os direitos étnicos do povo. Ela também fundou outras divisões ao longo de Hokkaido, sendo um agente central na revitalização do ainu. Então, em 1997, a Lei dos Antigos Aborígenes foi abolida, e decretou-se a "Lei de Promoção da Cultura Ainu e Divulgação e Esclarecimento do Conhecimento sobre a Tradição Ainu, etc.". Essa lei busca "concretizar uma sociedade em que o orgulho étnico do povo ainu seja respeitado e contribuir para o desenvolvimento de diversas culturas em nosso país", através de medidas governamentais que promovam a língua e cultura ainu.[37] Finalmente, em Junho de 2008, a Dieta Nacional do Japão passou uma resolução que reconhecesse os ainus como povo indígena do Japão.[9][38]
História da documentação
[editar | editar código]Durante o período Edo, o xogunato Tokugawa fechou o Japão para o exterior em um movimento conhecido como Sakoku, e o Cristianismo foi banido de 1614 até 1871. Ainda assim, o primeiro registro da língua ainu foi feito por um missionário jesuíta Italiano, chamado Girolamo de Angelis. Ele foi enviado ao Japão em 1602 e 1621, registrando um total de 54 palavras na língua. É possível que o documento não seja um trabalho original, correspondendo a uma cópia de outro material escrito em kana japonês. Outro importante documento foi o chamado Ezo kotoba, escrito por um sacerdote chamado Kūnen, que viajou por Hokkaido em 1704. Têm um total de 456 entradas, sendo o documento mais antigo com tamanho considerável.[39][40]
Na época em que a Rússia se interessava pela expansão ao leste, os dialetos de Sacalina e das Curilas também foram registrados. Um dos primeiros documentos foi uma lista de 297 itens compilada em 1755 por Stepan Krasheninnikov, um explorador e acadêmico russo que participou na Segunda Expedição a Kamchatka, ou Grande Expedição do Norte. Existem diversas outras listas e dicionários publicados ao longo da história.[41]
Em 1792, foi publicado um dos documentos mais importantes no registro do ainu: o primeiro dicionário da língua, chamado de Moshiogusa. Ele foi escrito por Kumajirō Uehara e Chozaburō Abe.[40] O dicionário possui um total de 2 mil entradas, além de vários textos em ainu, incluindo a literatura oral do povo.[41] O Moshiogusa foi um marco na documentação da língua, além de se tornar um dicionário popular devido a sua abrangência e por ser fácil de obter. Sua influência foi tanta que muitos trabalhos publicados após seu lançamento eram baseados nele.[42]

A próxima fase da documentação do ainu se iniciou com a publicação do dicionário Ainu-Russo pelo médico Mikhail Dobrotvorskiy, em 1875. Em 1887, o missionário da Igreja Anglicana John Batchelor publicou o primeiro dicionário ainu-inglês-japonês em escala completa, além de escrever uma pequena gramática. Ele contém de 15 mil a 20 mil palavras do ainu de Hokkaido, além de algumas do ainu Kuril. Outra contribuição central nos estudos da língua foi o livro Materials for the study of the Ainu language and folklore, escrito pelo polonês Bronisław Piłsudski em 1912.[43]
O estudo linguístico do ainu se iniciou por volta do século XX, associado com o professor Kyōsuke Kindaichi da Universidade Imperial de Tóquio. Seu foco era voltado para o estudo da gramática ainu e da documentação de poemas épicos da cultura, chamados yukar. Após sua morte, esses estudos foram continuados pelo professor Shirō Hattori, também da Universidade Imperial. Posteriormente, duas alunas de Hattori, chamadas Suzuko Tamura e Kyōko Murasaki, seguiram os estudos do idioma com a produção de gramáticas, dicionários e coleções de texto. Tamura fez registros do dialeto de saru, e Murasaki, do de Raichishka. Em 2022, foi publicado o Handbook of the Ainu language, uma obra abrangente com mais de 21 capítulos escritos por diversos especialistas.[44]
Fonologia
[editar | editar código]Consoantes
[editar | editar código]A língua ainu possui 12 fonemas consonantais, apresentados na seguinte tabela:[45]
| Bilabial | Labiovelar | Alveolar | Alvéolo-palatal | Palatal | Velar | Glotal | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Plosiva | p ⓘ | t ⓘ | k ⓘ | ʔ ⓘ | |||
| Africada | ʨ ⓘ | ||||||
| Nasal | m ⓘ | n ⓘ | |||||
| Vibrante | r ⓘ[a] | ||||||
| Fricativa | s ⓘ | h ⓘ | |||||
| Aproximante | w ⓘ | j ⓘ |
A oclusiva glotal /ʔ/ ocorre no início de sílabas que começam por vogal, assim tendo um comportamento previsível. Por esse e outros motivos, há discordância quanto ao seu status fonético. Ainda assim, tratá-la como um fonema simplifica a descrição da estrutura silábica e explica contextos em que sua ocorrência não é previsível. Por isso, alguns autores a incluem no inventário fonológico do ainu.[45]
Ao final de sílabas, os fonemas /p/, /t/ e /k/ têm soltura não audível nos dialetos de Hokkaido, realizados como [p̚], [t̚] e [k̚], respectivamente. Já na maioria dos dialetos de Sacalina, eles correspondem a /s/ após a vogal /i/, ou /h/ após qualquer outra vogal, como em:[47]
- tek (Hokkaido) e teh (Sacalina) "mão";
- sik (Hokkaido) e sis (Sacalina) "olho".
A consoante /ʨ/ é articulada como a africada alvéolo-palatal desvozeada [ʨ], ou como a africada alveolar surda [t͡s] caso venha antes da vogal /u/. O fonema /s/ é realizado como a alveolar [s], ou como palatal [ʃ] caso venha antes de /i/. Ao final de sílabas, ele é palatalizado após /i/, ocorrendo variação livre entre a alveolar [sʲ] e a palatal [ʃʲ], como nas palavras:[47]
- san [san] "desça";
- sini [ʃini] "descansar";
- pis [pisʲ] "praia";
- nispa [niʃʲpa] "homem rico".
A consoante /r/ é frequentemente articulada como tepe alveolar [ɾ], mas alguns alofones como [l], [d] e a vibrante alveolar vozeada [r] já foram registrados. Nos dialetos de Nairo e outros do nordeste de Sacalina, o /r/ ao início de palavras pode ser realizado como a plosiva /t/ em algumas palavras, como:[48]
- rayke (Hokkaido) e tayki (Nairo) "matar";
- ru (Hokkaido) e tuu (Nairo) "estrada";
- re (Hokkaido) e tee (Nairo) "nome";
As consoantes /m/ e /n/ são articuladas como a nasal bilabial [m] e a nasal alveolar [n], respectivamente. O fonema /n/ ainda pode ser realizado como a nasal velar [ŋ] antes de /k/, como em hanku [haŋku] "umbigo".[49] A consoante /h/ possui como alofone a fricativa bilabial desvozeada [ɸ], articulada quando o fonema se encontra antes de /u/.[50]
Vozeamento consonantal
[editar | editar código]O vozeamento ocorre em todas as plosivas com pares vozeados e com a africada /ʨ/, porém apenas em contextos específicos. Ele ocorre quando a consoante está entre vogais, ou após uma nasal, ou após a consoante /r/. Isso ocorre nos exemplos:[47]
- sapa [saba] "cabeça";
- sampe [sambe] "coração";
- kirpu [kirbu] "gordo/a".
O fonema /h/ também sofre vozeamento quando está entre vogais. No dialeto de Hokkaido, esse fenômeno ocorre com maior frequência após consoantes nasais, presente em um total de 40% das ocorrências.[47]
Vogais
[editar | editar código]O inventário vocálico do ainu inclui cinco vogais (/a/, /i/, /u/, /e/ e /o/). Nos dialetos de Sacalina, também encontram-se variantes longas de cada vogal.[31]
| ↓ Altura
|
Anterior | Posterior |
|---|---|---|
| Fechada | i ⓘ | u ⓘ |
| Semifechada | e ⓘ | o ⓘ |
| Aberta | a ⓘ |
Entre consoantes desvozeadas, as vogais /i/, /u/ e /e/ frequentemente sofrem desvozeamento, como em:[51]
- ci̥se "casa";
- su̥tu "raiz";
- se̥ta "cachorro".
Alguns autores propõem a existência de ditongos no ainu. Todavia, a segunda vogal é frequentemente tratada como uma semivogal (/w/ ou /j/) ao invés de uma vogal.[52]
Fonotática
[editar | editar código]O padrão silábico do ainu segue a forma CV(C), onde C é uma consoante e V é uma vogal. Portanto, existem dois tipos de sílabas: CV e CVC. Apesar de não existirem sílabas que começam com vogais, elas podem ocorrer na fala de algumas pessoas através da omissão da oclusiva glotal. Nos dialetos de Sacalina, devido à presença de vogais longas, a formação de sílabas CVV também é possível.[53][54]
Existem restrições na formação de sílabas: Nos dialetos do sul de Hokkaido, as combinações ti, wi, ʔuw e ʔiy nunca ocorrem dentro de uma mesma sílaba, e as combinações wu e yi ocorrem apenas em encontros de morfemas. Em palavras com dois ou mais morfemas, yi e wu podem ocorrer como parte de um processo de ressilabificação, como em awun mimtar "entrada de uma casa". Todas as consoantes podem aparecer antes de uma vogal, mas algumas não podem estar após. Os fonemas que não aparecem após vogais são /ʔ/, /ʨ/, e /h/ nos dialetos de Hokkaido e das Curilas, ou /ʔ/, /ʨ/, /p/, /t/, k/, e /r/ na maioria dos de Sacalina.[45] Diversos processos de assimilação e dissimilação também ocorrem, presentes no limite de sílabas e palavras.[55]
Prosódia
[editar | editar código]No ainu, a marcação de sílaba tônica depende do peso silábico, aparecendo na primeira ou na segunda sílaba. Nas variantes de Hokkaido, essa marcação serve para diferenciar algumas palavras, como ocorre em nísap "repentino" e nisáp "canela (parte do corpo)". As regras são como descritas a seguir:[56]
- Se a primeira sílaba for leve (termina em vogal), a segunda sílaba será tônica, como em ke.má "perna";
- caso contrário, se ela for pesada (termina em consoante), a primeira sílaba será tônica, como em ʔáp.to "chuva".
Nos dialetos de Hokkaido, algumas palavras não seguem as regras descritas. Nos dialetos de Sacalina, tais exceções correspondem a palavras com vogais longas, como visto nos exemplos:[57]
- réra (Hokkaido) e reera (Sacalina) "vento";
- mína (Hokkaido) e miina (Sacalina) "risada".
Essa tonicidade irregular também é observada em alguns empréstimos do japonês, como a palavra káne "metal/dinheiro".[54]
Ortografia
[editar | editar código]Os falantes da língua ainu utilizam dois sistemas de escrita principais: um baseado no alfabeto latino, e outro baseado no kana japonês. Em especial, o katakana é o sistema mais utilizado pelos ainus, e o hiragana foi usado apenas durante o período Edo.[13] O alfabeto cirílico também foi utilizado, porém apenas pesquisadores russos faziam uso dele.[2]
Alfabeto latino
[editar | editar código]A língua utiliza uma versão adaptada do alfabeto latino original, tendo apenas 16 letras, além de um apóstrofo ⟨'⟩ para representar a oclusiva glotal /ʔ/. Entretanto, ela é comumente omitida devido ao seu comportamento fonológico previsível.[58] Além desses grafemas, existem dois outros símbolos que podem ser utilizados na escrita: o ⟨=⟩ ou ⟨-⟩, que serve para separar radicais e afixos, e o ⟨@⟩, para marcar sufixos de pessoa. Também utiliza-se o acento agudo ⟨´⟩ para marcar sílabas tônicas em algumas palavras.[59] A seguir, pode-se ver todos os caracteres do alfabeto, junto da sua pronúncia fonética e uma aproximação no português:[46]
| Letra | Pronúncia (AFI) | Aproximação |
|---|---|---|
| a | /a/ ⓘ | alma |
| c | /ʨ/ ⓘ | tchau |
| e | /e/ ⓘ | dedo |
| h | /h/ ⓘ | marreta |
| i | /i/ ⓘ | iguana |
| k | /k/ ⓘ | corpo |
| m | /m/ ⓘ | morcego |
| n | /n/ ⓘ | nabo |
| o | /o/ ⓘ | mosca |
| p | /p/ ⓘ | pena |
| r | /ɾ/ ⓘ | prato |
| s | /s/ ⓘ | sapato |
| t | /t/ ⓘ | tatu |
| u | /u/ ⓘ | música |
| w | /w/ ⓘ | quando |
| y | /j/ ⓘ | iodo |
| ' | /ʔ/ ⓘ | ã-ã |
O alfabeto latino, apesar de ser ensinado no Japão, não é um sistema de escrita muito familiar para a grande parte de seus habitantes. Por isso, os ainus que utilizam-no são, em sua maioria, aqueles já expostos à cultura ocidental. Embora seu uso seja criticado por alguns falantes, esse sistema é o mais prático de se usar nos meios digitais.[60]
Katakana
[editar | editar código]O katakana ainu é uma versão adaptada do silabário japonês, utilizando todos os grafemas e diacríticos, além de outros símbolos especiais. Nesse sistema, a oclusiva glotal não é representada. A seguir, está uma parte do sistema katakana ainu, junto da pronúncia de cada grafema e uma aproximação em português:[61]
| Katakana | Pronúncia (AFI) | Aproximação | Katakana | Pronúncia (AFI) | Aproximação |
|---|---|---|---|---|---|
| ア | /a/ ⓘ | alma | ワ | /wa/ | quase |
| イ | /i/ ⓘ ou /j/ ⓘ | iguana ou iodo | ウィ | /wi/ | quiz |
| ウ | /u/ ⓘ ou /w/ ⓘ | música ou quando | ウォ | /wo/ | quórum |
| エ | /e/ ⓘ | dedo | アク | /ak/ | actínio |
| オ | /o/ ⓘ | mosca | イシ | /is/ | isso |
| カ | /ka/ | caso | ウッ | /ut/ | caput |
| シ | /si/ | siga | エン | /en/ | entrar |
| トゥ | /tu/ | turvo | オプ | /op/ | opção |
| テ | /te/ | tentar | アム | /am/ | amnésia |
| チャ | /ʨa/ | tchau | ウイ | /uj/ | muito |
| チ | /ʨi/ | título | イリ | /ir/ | circo |
| ネ | /ne/ | nesse | エウ | /ew/ | meu |
| ホ | /ho/ | rosca | プ | /p/ ⓘ | pena |
| パ | /pa/ | parar | ッ[a] | /t/ ⓘ | tatu |
| ミ | /mi/ | mico | ク | /k/ ⓘ | corpo |
| ヤ | /ja/ | boia | ム | /m/ ⓘ | morcego |
| イェ | /je/ | ciente | ラ/リ/ル/レ/ロ[b] | /r/ ⓘ | ar |
| レ | /re/ | veredito | ハ/ヒ/フ/ヘ/ホ[c] | /h/ ⓘ | rato |

- ↑ Também substitui a primeira consoante nos encontros pp, tc, tk, tt, ss, e kk.
- ↑ O grafema utilizado depende da vogal anterior. Para /ar/, utiliza-se o grafema ラ; para /er/, utiliza-se レ; para /ir/, utiliza-se リ; para /or/, utiliza-se ロ; e para /ur/, utiliza-se ル.
- ↑ O grafema utilizado depende da vogal anterior. Para /ah/, utiliza-se o grafema ハ; para /eh/, utiliza-se ヘ; para /ih/, utiliza-se ヒ; para /oh/, utiliza-se ホ; e para /uh/, utiliza-se フ.
Além dos grafemas já existentes no katakana tradicional, alguns caracteres adicionais foram criados, pois certos padrões silábicos não tinham como ser representados. O símbolo ⟨ク⟩ serve como exemplo, correspondendo a consoante /k/ ao final de palavras, como em hok/ホク "comprar". Essa escrita modificada já é utilizada desde 1891, tendo mais de 10 caracteres "pequenos" para a escrita de certos sons. Apesar de algumas publicações escrevem dessa forma, o processamento digital de textos com esse sistema se torna mais difícil, e certas tecnologias não permitem que alguns grafemas especiais sejam utilizados.[13]
Gramática
[editar | editar código]Na língua ainu, as palavras podem pertencer a 7 classes gramaticais distintas: substantivos, verbos, advérbios, interjeições, verbos auxiliares, adjuntos adnominais e partículas. Os adjetivos não são uma classe separada, pois sintaticamente se comportam como verbos intransitivos. Ainda, os pronomes são considerados um subgrupo dos substantivos, e não um grupo distinto.[62]
Pronomes
[editar | editar código]Pronomes pessoais
[editar | editar código]O ainu possui quatro tipos de pronomes pessoais: pronomes de primeira pessoa, segunda pessoa, terceira pessoa, e pessoa indefinida ou quarta pessoa. A pessoa indefinida também possui outros usos, como indicar a primeira pessoa inclusiva e marcar a segunda pessoa no honorífico.[63] Todos possuem os morfemas an (singular) ou oka/okay (plural) como raiz, verbos intransitivos que significam "ser/existir".[64] Em alguns dialetos, essa raiz pode ser substituída por utar "pessoas" ou sinuma. Esses pronomes comumente são omitidos e, quando presentes, servem para dar ênfase ou introduzir um novo referente no discurso.[65][66]
Dialeto/Região → ↓ Pessoa
|
Dialeto de Saru (Sul) | Dialeto de Tokachi (Leste) | Dialeto de Ishikari (Centro) | Dialeto de Raichishka (Sacalina) | |
|---|---|---|---|---|---|
| Primeira pessoa | Singular | káni | kuani | kuani | kuani |
| Plural (exclusivo) | cóka | ciutari, ciokay | ciokay | anoka, anokayahcin | |
| Segunda pessoa | Singular | eani | eani | eani | eani |
| Plural | ecioká | eciutári, eciokáy | esokáy | ecioka, eciokayahcin | |
| Terceira pessoa | Singular | sinuma | anihi | anihi | - |
| Plural | oka | okay | okay | - | |
| Pessoa indefinida | Singular | asinuma | - | - | (Não indicado) |
| Plural | aoká | anokáy, anutári | anokáy | (Não indicado) | |
Os pronomes pessoais são considerados um tipo de substantivo. Entretanto, diferente dos substantivos comuns, eles não podem ser o núcleo de uma frase nominal com modificadores. Portanto, frases como húci eani (lit. "avó você") ou Suzuko káni (lit. "Suzuko eu") são gramaticalmente incorretas.[64]
Afixos pronominais
[editar | editar código]O ainu também faz uso de afixos pronominais para indicar o sujeito e o objeto de uma ação, inseridos antes ou depois de verbos. Ao contrário dos pronomes independentes, esses afixos são obrigatórios. Em verbos transitivos, os afixos de sujeito geralmente precedem os de objeto, mas tal ordem é sujeita a variação dialetal.[68]
Tipo de argumento → ↓ Pessoa
|
Sujeito (Verbos transitivos) | Sujeito (Verbos intransitivos) | Objeto | |
|---|---|---|---|---|
| Primeira pessoa | Singular | ku- | ku- | en- |
| Plural (exclusivo) | ci- | -as | un- | |
| Segunda pessoa | Singular | e- | e- | e- |
| Plural | eci- | eci- | eci- | |
| Terceira pessoa | Singular | ∅ | ∅ | ∅ |
| Plural | ∅ | ∅ | ∅ | |
| Pessoa indefinida | - | a- | -an | i- |
O dialeto de Sacalina também usa o sufixo -yan, presente em algumas marcações da primeira pessoa e da segunda pessoa do plural, ambas como sujeito.[70] Na prática, o uso de dois afixos pronominais ao mesmo tempo raramente ocorre na língua. Isso se deve não apenas à marcação da terceira pessoa ser nula, mas também a restrições na co-ocorrência da primeira pessoa sujeito com a segunda pessoa objeto. No dialeto de Saru, por exemplo, a frase "eu te vi ontem" é escrita como numan eci-nukar ruwe ne, onde o sufixo eci- indica a primeira e a segunda pessoa do singular ao mesmo tempo.[65] Entretanto, o uso de dois afixos simultâneos é possível, como ocorre em eci-en-nukar "eu te vi ontem".[71]
Pronomes demonstrativos
[editar | editar código]O ainu possui dois tipos de demonstrativos: os espaciais, que se referem a algo mencionado pela primeira vez, e os conceituais, que se referem a algo já mencionado ou que foi compreendido pelos participantes da conversa.[72]
| Tipo | Demonstrativo | Função | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Espacial | tan, tapan (forma enfática) | Expressa algo presente ou visível, um novo tópico de conversa ou algo localizado próximo de onde a conversa se passa. A palavra tan também pode se juntar com outros substantivos ao início de uma frase para chamar a atenção de alguém, como o "ei" ou "ei, você" do português. | tan kampi / tapan kampi "essa carta" (que está em posse de alguém, ou que é escrita agora); tan pan hekaci, ku-itak ciki pirkano nu "meu querido jovem companheiro, preste atenção no que eu falo" |
| taan | Indicar algo que esteja nas proximidades do falante, similar ao pronome demonstrativo "este/esta". | taan kampi "esta carta" | |
| toan | Expressar algo que esteja mais distante do falante, como faz o demonstrativo "aquele/aquela" do português. | toan kampi "aquela carta" | |
| Conceitual | ne | Se refere à pessoa ou coisa que está sendo discutida agora, vindo antes do substantivo em questão. | ne poyseta ku-korar wa isam "eu dei o cachorrinho" |
| ne wa an, ne wa oka | Traduz para "exatamente isso", e serve para indicar algo mais específico. | ne wa an nepki k-éese "eu realizei esse (mesmo) trabalho"; ne wa oka poyseta ( utar) opitta ku-korar wa isam "eu dei esses exatos cachorrinhos" | |
| néa (singular), nérok (plural) | Usadas para lembrar o ouvinte de alguém ou algo que surgiu na conversa anteriormente. Similar ao "aquele(s)" do português. | néa poyseta he an? "aquele cachorrinho?" (que estávamos falando sobre); nérok poyseta utar "aqueles cachorrinhos" | |
| ikia, ikirok | Se referir a uma pessoa ou um animal que fez algo anteriormente. | ikia p ek na "aquele cara (de antes) está vindo"; ikirok poyseta (utar) "aqueles cachorrinhos" (que fizeram algo anteriormente) |
Verbos
[editar | editar código]Tempo e modo
[editar | editar código]Os verbos em ainu não são conjugados em tempo, e portanto usa-se a mesma forma para qualquer período. É preciso inferir o tempo das ações a partir do contexto, ou ele pode ser expresso com outras palavras caso necessário. Isso é visto nos exemplos:[62]
- hempara e-ek? "quando que você veio/virá?";
- núman k-ek "eu vou amanhã";
- nisatta k-ek "eu vim ontem";
- nisatta ku-hosipi kusu-ne "Eu retornarei amanhã".
Os modos são indicados de várias formas, seja através de partículas ou de verbos auxiliares. Entretanto, essa indicação é opcional, e nem sempre ocorre.[73]
| Modo | Função | Formação | Exemplos |
|---|---|---|---|
| Imperativo | Dar uma ordem. | Verbo é marcado na terceira pessoa do nominativo. | nu! "escute!"; te un arki wa móno-rok yan! "venham aqui e se sentem!" |
| Dar um lembrete gentil. Geralmente usado ao falar com crianças, jovens ou indivíduos doentes. | Verbo é marcado na terceira pessoa do nominativo, e a partícula hani é adicionada ao final. | pirkano mokor hani "durma bem"; eci-opitta arki yan hani "venham todos" | |
| Fazer um pedido ou solicitação. | Utiliza-se o verbo wa kore "fazer algo por alguém". | puni wa kore "Levantar (algo) por (alguém)"; ek wa en-kore "por favor venha" | |
| Proibir alguma ação. | Utiliza-se a palavra iteki antes do verbo. | iteki ye! "não fale!"; iteki oyra yan hani! "não esqueça!/é melhor você não esquecer!" | |
| Necessativo | Indicar que uma ação é necessária, servindo como um imperativo "leve". | Pode ser marcado pela expressão nankor na, ou por kuni. | e niu nankor na! "Você deve ouvir!"; a kor nispa, hokure kuni a cisehe orun e hosipi "meu marido, você deve se apressar e voltar para nossa casa" |
| Hortativo | Indica um convite mútuo ou um imperativo leve que também compreende o falante. | Adiciona-se na ao predicado. No dialeto de Saru, utiliza-se ro. | uerpak ipe an na! "vamos comer juntos!"; uenewsar an kane apkas an na! "vamos conversar enquanto andamos!" |
| Desiderativo | Expressar vontades ou desejos difíceis de se realizar. | Usa-se a partícula de ênfase ta, que pode ou não se combinar com a partícula oka. Intonação é parecida com a de exclamações. | "nen ka ta a-kar yak a-rayke oka!!" sekor yaynu kusu ... "'eu queria que houvesse alguma forma onde eu pudesse matá-lo!!' (ele pensou)";cep rur a-e ta ki!! "eu realmente quero um pouco de sopa de peixe!" |
| Expressar desejo por parte do falante. | Utiliza-se o auxiliar rusuy. | e e rusuy cik, e! "se você quer comer, então coma!"; ku sanpe wen kane ku e rusuy "eu quero comer tanto que eu estou me sentindo mal" | |
| Intencional | Expressar intenção mais forte ou ação incipiente. | Utiliza-se a construção kusu ki. Não pode ter um sujeito inanimado no caso de indicar uma ação incipiente. | a cisehe un an e tura kusu ki ruwe ne na "Eu planejo te levar até a minha casa"; ku poho, e monrayke kusu ayakotan e oman kusu ki... "meu filho, você está prestes a ir para outra vila para trabalhar" |
| Dubitativo | Duvidar a veracidade de uma afirmação, geralmente quando o falante acredita ser provável que ela seja verdadeira. | Utiliza-se o auxiliar nankor. | tane ek nankor pe, iteki iruska na! "ele provavelmente virá logo; não fique tão bravo!"; ek nankor wa "estou certo de que ela virá" (resposta à pergunta "ela virá ou não?") |
| Assertivo | Declarar ou enfatizar o predicado de uma frase. | Usa-se o verbo auxiliar ki "fazer". Também pode-se adicionar a posposição ka entre o verbo principal e ki para enfatizar ainda mais. Na forma negativa, adiciona-se a negação somo antes de ki. | apkas siri nitan apkas ki wa... "Seu passo era, e ele de fato andava, e..."; eattukonnoan yaptek okkay utarpake ne wa, an eyaykopuntek ka ki... "Ele certamente era um homem esforçado, um chefe, e eu estava muito feliz sobre isso..."; nepka ye ka somo ki "Ele não disse absolutamente nada" |
| Potencial | Denotar que uma ação é possível ou não. | Usa-se o verbo askay "ser capaz" ou aykap "ser incapaz", junto do prefixo e- "deste modo" | ku kokkasapa arka. Ku akpas eaykap "Meu joelho dói. Não consigo andar"; hure konno, a e easkay "quando eles ficarem vermelhos, pode-se comê-los" |
Aspecto e evidencialidade
[editar | editar código]Em relação ao aspecto verbal gramatical, O ainu não possui marcadores com tal objetivo, mas tem algumas formas de expressá-lo opcionalmente.[76] Alguns deles são expressos através da construção "verbo-conjunção-verbo suplementar", onde o segundo verbo é o que informa o significado aspectual. Alguns exemplos aparecem na seguinte tabela, onde são apresentados alguns aspectos no idioma e suas formações:[77]
| Aspecto | Formação ("conjunção-verbo suplementar") | Exemplo |
|---|---|---|
| Progressivo | kor[a]/kan[a]/kusu[b]/no[c] an (singular)/oka (plural) | pon su ani a-kor huci suke wa a-e kor oka-an pe ne
"Minha avó cozinhou em um pote pequeno e nós estávamos comendo" |
| Resultativo perfeito | wa/no[c] an (singular)/oka (plural) | tókap an kor hotke-an wa an-an "à tarde, eu deito" |
| Perfectivo | wa isam | konto oni ekimne wa isam "então o demônio foi para as montanhas" |
| Incoativo | wa arpa/paye | - |
| Completivo | wa okere (singular)/okerpa (plural)[d] | tan yuk tan ukuran e-e wa e-okere yak "se você comer todo esse cervo hoje à noite..." |
| Prospectivo | kusu ne[a]/kar[b] | kotan a-uhuy-ka kusu ne "eu vou queimar a vila" |
No aspecto progressivo, apenas verbos atélicos podem entrar em sua formação, enquanto que o resultativo perfeito aceita somente verbos télicos. Além da construção apresentada, o aspecto pode ser expresso através de verbos auxiliares. Isso ocorre no resultativo perfeito, onde caso o verbo principal não tenha um "resultado direto", utiliza-se o auxiliar a/rok, como em tane ku-ype a wa "eu já comi".[78]
Já a evidencialidade é uma categoria não-obrigatória no ainu, possuindo 4 principais marcadores entre dialetos.[79]
| Tipo de evidência | Marcador | Exemplo |
|---|---|---|
| Sensorial visual | siri (lit. "a aparência de") | húci ek kor an siri ne "a mulher idosa está aqui (visível)" |
| Sensorial não-visual | humi (lit. "o som de") | sine tuy or o p a-ne humi ne "(eu sinto que) nós nascemos da mesma mãe" |
| Evidencial | hawe (lit. "a voz de") | ne wen kamuy ne hawe ne nankor "(eu ouvi falar que) provavelmente foi aquele kamuy (Deus/espírito) mau" |
| Inferencial | ruwe (lit. "a pegada de") | apa-ko-kik-kik hine kik-kik hine ray-ke ruwe ne
"(eu achava que) ele bateu no cachorro pela cabeça com aquilo e o matou" |
Ambos os marcadores siri e ruwe são baseados em evidências visuais. Todavia, o uso de siri tem correlação com o presente relativo, enquanto que ruwe é correlacionado com o passado relativo. Além disso, no dialeto de Tokachi, nota-se que a escolha entre os dois marcadores depende do tipo de predicado. O marcador inferencial ruwe é o mais utilizado, visto que carrega um significado de assertividade. É possível combinar marcadores diferentes em uma mesma frase, como em ap-ne kane ekas, a-ekas-i i-res-u hi ne hawe an ruwe ne "Eu definitivamente ouvi falar que é um fato que isso e isso aconteceu, e avô, meu avô, me criou".[80]
Número
[editar | editar código]No ainu, o conceito de número verbal não é em relação apenas a quantidade de pessoas que realizam uma ação, mas também ao número de eventos. Na maior parte dos verbos transitivos que marcam número, por exemplo, o plural indica quantas vezes uma ação foi realizada, chamado de "número de evento". Os verbos intransitivos, por outro lado, concordam com os afixos pronominais que são inseridos nele, como em maciya or ta e-arpa "você foi a cidade" (arpa é a forma singular do verbo "ir"). Acredita-se também que, se a pluralidade na frase for expressa através de outro elemento, como uma palavra que expresse quantidade, não se usa a forma plural, exceto se o falante busca enfatizar a quantidade. Isso ocorre, por exemplo, na frase ikka sisam poro-n-no an usi ta "o lugar onde várias pessoas japonesas vivem", em que o verbo an está na sua forma singular apesar do sujeito ser plural, expresso por poro "vários".[81]
Existem três principais formas de marcar número na língua:[82]
- Alguns verbos possuem formas no singular e no plural completamente distintas entre si, como o verbo "vir", que em ainu é ek no singular e arki no plural;
- outros verbos utilizam o sufixo -n no singular e -p no plural, como o verbo riki-n (singular)/ riki-p (plural) "subir". Os verbos desse tipo são apenas intransitivos e relacionados a movimento;
- certos verbos também fazem uso do sufixo -V no singular e -pa no plural, onde V é uma vogal qualquer. alguns dessa categoria incluem tuy-e (singular)/tuy-pa "cortar" e kom-o (singular)/kom-pa (plural) "dobrar".
Não existem muitos verbos no ainu que façam essa distinção entre números. Isso pode ser observado em onuman mokor wa an hi ne "quando (a garota) está dormindo a noite" e mokor wa oka ruwe ne "pessoas estão dormindo", onde o verbo mokor permanece o mesmo, e a única coisa que se altera é o verbo de existência an/oka.[83]
Voz
[editar | editar código]A voz verbal é marcada no ainu através de afixos. A língua possui cinco vozes: aplicativa, causativa, recíproca, reflexiva e antipassiva.[84][85] Elas aumentam ou diminuem a valência verbal em um argumento. O verbo ran-ke "abaixar algo", por exemplo, possui 2 argumentos, mas pode receber o sufixo aplicativo o- e se tornar o-ran-ke "abaixar algo até (algum local)", um verbo com 3 argumentos.[86]
| Mudança na valência | Voz | Afixo(s) | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Aumento (+1) | Aplicativa | e- (prefixo instrumental), ko- (prefixo dativo), o- (prefixo locativo)[a] | a-kor ekas-i hoski-no nea okkay-po utar ko-i-pun-i "os jovens serviram avô primeiro"; a-sa-utar-ihi nep ka a-e-kasuy ka somo ki "eu não ajudei minhas irmãs com nada" |
| Causativa | -re/e/te[b] | nep ka puma ka a-kor-e pa ka somo ki no "eles não receberam nenhum pagamento" | |
| Diminuição (-1) | Recíproca | u- | u-tumam-an hine hotke-an "nós nos abraçamos e dormimos" |
| Reflexiva | yay-, si-[c] | inyay-ipe-re "se alimentar"; si-turi-ri "se esticar" | |
| Antipassiva | i- | tokaci wa ek pewre kur monrayke e-i-kasuy. "um jovem que veio de Tokachi ajudou pessoas com o trabalho" |
- ↑ Cada prefixo possui uma variedade de funções semânticas além da classificação apresentada. e- e ko-, por exemplo, também podem expressar sentido de local, além de diversas outras categorias de sentido.[87]
- ↑ utiliza-se -re após vogais ou após /y/, -e depois da consoante /r/, e -te após consoantes que não sejam /r/ ou /y/.[88]
- ↑ A diferença entre os prefixos é um dos tópicos mais debatidos sobre a língua. Alguns autores acreditam que si- seja um marcador anti-acusativo, enquanto outros afirmam que ele seja um reflexivo indireto, isto é, o sujeito não participa da ação, e yay- seja um reflexantivo direto. [89]
A voz aplicativa também possui os sufixos duplos e-ko e ko-e, onde ko marca recipiente e e marca conteúdo, como visto na frase nep ka a-kar ka e-aykap wa, a-i-ipe-re ka, e-ko-sunke kor, an-an humi an? "por que não posso fazer nada e eles me enganam até com comida?". Não há uma distinção clara entre as duas formas.[90] Esse fenômeno também ocorre com a voz causativa, como na frase eci-ahu-p-te-re kur ka isam na "não há nenhuma pessoa para quem eu (poderia) pedir para deixar vocês entrarem". Existem outros afixos causativos, como -ke e -ka, mas eles não são considerados produtivos. Esses sufixos chegaram a ser parcialmente substituídos por -re/e/te nas variantes do sudeste de Hokkaido, e há variação dialetal em relação ao uso de -ke e -ka.[91][92] O sufixo da voz recíproca também pode ser aplicado em substantivos locativos, posposições, e advérbios, como em:[93]
- sam "perto" e u-sam "perto um do outro";
- tura "com alguém/algo" e u-tura "um com o outro, juntos";
- neno "assim" e u-neno "um assim como o outro, um parecido com o outro".
Há também um tipo de voz causativa especial no ainu, chamada de "causativa indefinida". Ela é marcada pelo sufixo -yar/ar, e diferente do causativo comum, não altera a valência do verbo. usa-se essa voz quando é preciso causar uma pessoa não específica a realizar uma ação, ou ter uma ação realizada por alguém indefinido além de si próprio, como na frase e-kor topenpe sa-n-ke wa e-yar "Ofereça alguns de seus doces e deixe que as pessoas (os) comam". Também pode ser usada para marcar o causativo tradicional quando se quer demonstrar respeito, como em ipe-yar-an ro "vamos comer alguma coisa" (lit. "vamos fazer alguém comer").[11]
Substantivos
[editar | editar código]No ainu, os substantivos não declinam em gênero, número ou caso. Existem duas categorias principais: substantivos comuns e substantivos locativos. Pronomes e substantivos próprios são considerados tipos especiais de substantivos comuns na língua.[94]
Casos gramaticais
[editar | editar código]O ainu possui oito casos gramaticais obrigatórios, sendo esses: locativo, alativo, ablativo, prolativo, comitativo, comparativo, instrumental e translativo. O locativo se torna opcional quando um marcador de posição é parte do adjunto. Todos os casos são marcados por posposições, indicadas na tabela a seguir: [95]
| Caso | Posposição | Exemplo |
|---|---|---|
| Locativo | ta, otta (forma enfática) | kane sintoko oske ta huci ape iokunnuka! "a Deusa do Fogo é miserável dentro de um fogão de metal!"; sine to ta re suy ranke ipe an "nós comemos três vezes em um dia" |
| Alativo | un[a], orun (forma enfática), unno (ênfase no objeto), pakno | episkan un inkar an ayne, ... "Após olhar em todas as direções, nós finalmente..."; toon nay orun iteki payeka yan! "Não vá naquele pântano!"; ni sinrit corpokke unno retartek kane... "Estava esbranquiçado até de baixo da raiz da árvore, e ao mesmo tempo..." |
| Ablativo | wa, orwa (forma enfática) | nisappone mun tum wa kim un kamuy cisoyekatta "De repente um urso saltou de dentro do matagal"; kusur un kotan orwa eci arki hawe ne yakun, ... "Se você diz que você veio da vila de Kushiro, ..." |
| Prolativo | peka, turasi, esoro | sinenne kim peka ku apkas ka etoranne "Eu também não andar sozinho pelas montanhas"; pet turasi paye an a paye an a ayne... "seguimos para cima ao longo do rio por muito (muito) tempo, e então finalmente..." |
| Comitativo | tura | ponnispa tura ren an ne, onne huci tura ren an ne wa, ukoitak an ruwe ne "com o jovem nós somos três, com essa mulher velha nós somos três, e nós conversamos juntos" |
| Comparativo | akkari, koraci[b] | aynu ne yakun, aynu koraci hawki... "se for um ser humano, ele falará como um ser humano..."; ine menokopo ek wa, eattukonnoan pirka, a kor katkemat akkari siretokkor kane an kamay menoko ek... "uma mulher jovem veio, e ele era muito bonita, uma mulher divina veio, que estava sendo mais bonita que a minha esposa..." |
| Instrumental | ari | hempak suy ka cikiri ari ku nisapi kik kane an "ele estava chutando minha canela várias vezes com seu pé"; sake anakne amam ari a kar pe ne "quanto ao saquê, ele se faz com arroz" |
| Translativo | ne | a kor katkemat unma ne an kar wa ... "minha mulher foi transformada em um cavalo, e..." |
Posse
[editar | editar código]Ao indicar a posse de algo, o ainu diferencia entre substantivos inalienáveis (que têm vínculo com o possuidor, como partes do corpo e relações de parentesco), e alienáveis (que não têm vínculo inerente com o possuidor). Os inalienáveis, por serem obrigatoriamente possuídos, são marcados por afixos pronominais de sujeito transitivo, e quase sempre pelo sufixo de posse -hV antes de vogais, ou -V(hV) antes de consoantes. V representa uma vogal qualquer, e sua escolha depende da raiz da palavra:[98] geralmente, V é igual à última vogal do substantivo marcado, como em ku-sik-ihi "meu olho", ou em e-nupe-he "suas lágrimas". Caso a palavra termine em /w/ ou /y/, V se torna /e/, como em k-ay-ehe "minha flecha". Existem exceções para essas regras, como as palavras:[99]
- kem "sangue"→ kem-ihi;
- nan "rosto" → nan-uhu;
- par "boca" → par-oho.
Também se usa o sufixo de posse para se referir a coisas que são parte de um todo, como na frase kane hum-ihi "som de um sino", ou op nic-ihi "cabo da lança".[100]
Para objetos alienáveis, como animais, plantas, utensílios e outros objetos, eles não são considerados possessíveis no ainu. Por isso, não podem receber os afixos de pessoa, mas ainda conseguem estabelecer uma relação de posse através do verbo kor "ter". Esse verbo pode receber os afixos, e assim estabelece relações de posse, como em ku-kor makiri "minha faca", ou e-kor seta "seu cachorro". A distinção entre as duas categorias não é encontrada nos dialetos de Sacalina. O sufixo -V(hV) pode ser visto em outras palavras além de substantivos inalienáveis, como instrumentos, construções e outros. Isso é visto nas frases:[101]
- ku-atuy-ehe "meu mar";
- tarat-uhu-hcin "as cordas deles";
- nokanramu pu-y-ehe "armazém do irmão mais novo".
Sentenças
[editar | editar código]A ordem básica dos constituintes no ainu é SOV, isto é, sujeito-objeto-verbo. A língua apresenta grande flexibilidade na ordem do sujeito e do objeto, especialmente em frases com dois objetos.[102] Todavia, o verbo sempre vem ao final de frases, e apenas partículas podem ser inseridas após ele.[103] O tópico principal das frases e outros assuntos considerados importantes podem vir antes do sujeito, como ocorre em petru otta patek okay pe aynu cise ne a wa ... "as casas ainu ficavam apenas ao longo de rios, e...".[104]
O alinhamento do ainu é flexível, e varia de acordo com a pessoa:[105]
- Na primeira pessoa do singular, a língua é nominativo-acusativa, onde o sujeito de um verbo transitivo (A) é tratado igual ao sujeito de um verbo intransitivo (S), enquanto que o objeto (O) é diferente de ambos;
- na primeira pessoa do plural e na pessoa indefinida, ela é tripartida, em que S, A e O são todos tratados de formas diferentes;
- na segunda e terceira pessoa, ela é direta, no qual S, A e O são tratados igualmente.
Sentenças negativas
[editar | editar código]No ainu, a negação é feita com a inserção da palavra somo antes de sintagmas verbais, como em wenpuri a-kor wa ka somo ne "não é porque nós temos características ruins...". Outras palavras podem substituir somo dependendo do dialeto, como sien (Obihiro e Tokachi), hen-ne (Shizunai), han-n-ah (Sacalina), nepe (Curilas), dentre outras.[106]
Além dessa formação, existem alguns verbos em que a negação é parte de seu significado, e portanto eles são utilizados ao invés de somo. Um exemplo disso é o verbo para "existir", que possui uma forma positiva an e uma forma negativa isam, como na frase tan kotan ta isam "não é nessa vila". Com esses pares de verbos, não é permitido utilizar a negação tradicional, então somo an como negação do verbo "existir" seria inválido. Outros exemplos incluem:[107]
- kor "ter" e sak "não ter";
- eram(u)an "entender" e erampewtek "não entender";
- amkir "ser familiar" e eramiskari "não ser familiar";
- easkay "conseguir fazer (bem)" eaykap "não conseguir fazer bem/conseguir fazer apenas mal".
Sentenças interrogativas
[editar | editar código]Sentenças interrogativas exigem formas diferentes dependendo do tipo de pergunta. Em questionamentos binários (sim ou não), a estrutura não se altera, e a sentença precisa apenas de uma intonação ascendente ao final. Entretanto, isso pode soar grosseiro dependendo da situação, então a partícula ya é adicionada ao final para soar mais respeitoso, como em paye-an ciki e-sir-amkir ya? "você lembra o caminho se nós formos lá?". Já para perguntas informacionais (o que? quando? onde?), utilizam-se palavras interrogativas para indicar o tipo, e substitui-se a cópula ne pelo verbo an "existir" quando necessário. O uso de ya em questões desse tipo é raro.[108]
| Palavra | Tradução | Exemplo |
|---|---|---|
| hemanta | O que | eani hemanta e-e? "o que você vai comer?" |
| hunna | Quem | toan kur hunna an? "quem é aquela pessoa?" |
| hunak/hinak | Onde | ekasi hunak ta an? "onde está avô?" |
| makanak/mak | O que/Como/Porque | mak e-yaynu? "o que você pensa?"; sintoko sekor a-ye p makanak an pe an? "o que é a coisa chamada de sintoko?" |
| inan/inaan/hinaan | Qual/Quais | inan pe e-kor rusuy? "qual que você quer?" |
| hempak | Quantos | hempak pe e-kor? "quantos você quer?" |
| hempara | Quando | hempara e-ek? "quando que você veio" |
O uso de perguntas de pressuposição também é comum, onde o falante assume que certas informações sejam verdadeiras e forma sua indagação a partir disso. São mais formais que perguntas binárias, e implicam um contexto ou conhecimento prévio onde assume-se que o ouvinte já saiba. Nos dialetos de Sacalina, essas perguntas terminam em marcadores de evidência, enquanto que nos dialetos de Hokkaido são marcados por formas especiais de verbos, similares aos marcadores de posse. Isso é visto nas seguintes frases:[110]
- sine-n ne ekimne-an hawe? "Você vai para as montanhas caçar sozinho?"
- siriman poro-n-no ʔeci-tarap-ihii? "Você sonhou muito na última noite?"
Outro tipo de pergunta são as alternativas, que apresenta dois questionamentos. Para esse tipo, adiciona-se a partícula he após a parte principal de cada pergunta, como em "mokor he ne ya; ray he ne ya" "Eu estava dormindo ou eu estava morto?".[110] Além disso, sentenças interrogativas podem se tornar em expressões de acusação ou atribuição de culpa, como em mak e-iki siri an?! "o que diabos você está fazendo?!"[111]
Vocabulário
[editar | editar código]Literatura oral
[editar | editar código]
A língua ainu possui uma das literaturas orais mais bem documentadas de todas as línguas em risco, sendo um patrimônio cultural bem abundante no idioma.[12][4] A seguir, é apresentado parte da transcrição de um uepeker, um conto do folclore ainu, intitulado "Pananpe Escapa das Mãos do Demônio (Pananpe Escapes from the Demon's Hands, em inglês)". Ele conta a história de um homem que foi pego por um demônio, mas conseguiu fugir usando uma bola de lã e uma agulha, e tornou-se rico por causa dos objetos.[112]
| Ainu (alfabeto latino) | Ainu (Katakana) | Tradução[a] |
|---|---|---|
| pakno nispa isam nispa a= ne hine an =an pe ne hike, | パクノ ニシパ イサム ニシパ ア= ネ ヒネ アン =アン(アナン) ペ ネ ヒケ, | Sou um homem rico, mais rico do que qualquer outro. |
| ekimne =an kor yuk ne ciki kamuy ne ciki nuwe a= koan. | エキムネ =アン コロ ユク ネ チキ カムイ ネ チキ ヌウェ ア= コアン. | Quando vou às montanhas, caço muitos veados e ursos. |
| uturu ta atuy teksam ta san =an wa peray =an ne ya | ウトゥル タ アトゥイ テクサム タ サン =アン(サナン) ワ ペライ =アン ネ ヤ | Também vou à praia para pescar. |
| repotcikoykip yaotcikoykip nuwe a= koan pe ne kor, | レポッチコイキプ ヤオッチコイキプ ヌウェ ア= コアン ペ ネ コロ | Já pesquei muitas coisas no oceano e muitas coisas nas montanhas. |
| sine ar suy ne suy pis ta san =an h_ine peray =an kor an =an akusu, | シネ アラ スイ ネ スイ ピシ タ サン =アン イネ(サナンネ) ペライ =アン コロ アン =アン アクス(アナ ナクス), | Um dia, quando eu estava pescando na praia, |
| sirar ka ta oni an. | シララ カ タ オニ アン. | havia um demônio em cima de uma das rochas. |
| oni peray kor an h_ine, | オニ ペライ コロ アン イネ(アニネ) | O demônio estava pescando. |
| "pirka upen kam a= pa siri an." | "ピリカ ウペン カム ア= パ シリ アン." | [Ele disse:] “Encontrei uma carne jovem e deliciosa.” |
| sekor hawean kor ek korka, | セコロ ハウェアン コロ エク コロカ, | Enquanto dizia isso, o demônio veio em minha direção. |
| kira =an ka eaykap pe ne kusu, | キラ =アン カ エアイカプ ペ ネ クス, | Como não era possível escapar, |
| neno an =an wa an =an akusu, | ネノ アン =アン(アナン) ワ アン =アン アクス(アナナクス), | fiquei parado, |
| i= uk h_ine, | イ= ウク イネ(ウキネ), | ele me pegou, |
| orano cip or omare, | オラノ チプ オロ オマレ, | e me colocou em seu barco. |
| i= omare hine i= kusa hine hinak ta paye =an akusu, | イ= オマレ ヒネ イ= クサ ヒネ ヒナク タ パイェ =アン アクス(アナクス), | Carregando-me em seu barco, |
| poru an h_ine, | ポル アン イネ(アンネ), | chegamos a uma caverna |
| poru or_ ta ahup =an ruwe ne akusu, | ポル オロ タ(オッタ) アフプ =アン ルウェ ネ アクス, | e quando entramos na caverna, |
| pon oni an ruwe ne hine, | ポン オニ アン ルウェ ネ ヒネ, | havia um pequeno demônio lá. |
| "a= kor pon oni, | "ア= コロ ポン オニ, | “Meu diabinho, |
| upen kam a= pa wa ek =an ruwe ne na. | ウペン カム ア= パ ワ エク =アン(エカン) ルウェ ネ ナ. | Encontrei carne fresca e jovem. |
| hokure pirkano e= ipere wa mimus yakne a= e yak a= ekironnu kusu ne na. | ホクレ ピリカノ エ= イペレ ワ ミムシ ヤクネ ア= エ ヤク ア= エキロンヌ クス ネ ナ. | Faça-o comer bastante e, quando ele estiver gordo, você se sentirá bem alimentado se o comer. |
- ↑ Tradução livre.
Vocabulário básico
[editar | editar código]
A seguir, alguns termos básicos do vocabulário ainu e suas respectivas traduções para o português:[113]
| Ainu | Tradução[a] |
|---|---|
| irankarapte na. | Olá! |
| iyairaykere | Obrigado. |
| pirka hi ne eci=arki na. | Bem vindo(a)! |
| apunno mokor | Boa noite. |
| sarampa; popkeno oka yan. | Tchau/Adeus! |
| popke no oka yan | Tchau/Se cuide! |
| yaytupare yan. | Por favor, tome cuidado. |
| ku=yayapapu na. | Me desculpe |
| a; e; oun | Sim |
| somo | Não |
| ruwe an. | Sério? |
| ku=katun humi wen | Não me sinto bem. |
| hinak oro wen? | Há algo errado? |
| nekona ikkewe an? | O que isso significa? |
| tan kotan ta nen ka sisam itak easkay kur an ruwe? | Tem alguém nessa vila que fale japonês? |
| sanpesituriri | Se sentir bem/melhor |
| oyasimsimke | Dois dias depois de amanhã |
| oyasim | Depois de amanhã |
| nisatta | Amanhã |
| tanto | Hoje |
| núman | Ontem |
| hoskinuman | Anteontem |
| hoskiannuman | Dois dias antes de ontem |
| toan kur en=omap | Aquela pessoa me ama/me valoriza |
- ↑ Tradução livre.
Numeração
[editar | editar código]Números cardinais
[editar | editar código]
No ainu de Hokkaido, utiliza-se a base 10 e a base 20 para formar os seus numerais cardinais.[115] Os números de 6 a 9 são formados a partir de sua distância até o 10.[116] Para números entre 11 e 19 e entre 21 e 29, a formação é feita através da adição a 10 e 20, respectivamente, marcada pelo verbo ikasma "estar em excesso".[117] Os múltiplos de 20 são formados através da multiplicação, e dezenas não múltiplas de 20 utilizam da adição com o prefixo e-. Números maiores que 30 que não sejam dezenas são formados a partir da adição com ikasma, então o número 76, por exemplo, é expresso por iwan-pe ikasma wan pe e-ine-hot no dialeto de Saru.[118] Os numerais não são muito diferentes entre os dialetos de Hokkaido.[119]
| Algarismo | Ainu | Algarismo | Ainu | Algarismo | Ainu |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | sine | 11 | sine ikasma wan | 21 | sine ikasma hotne |
| 2 | tu | 12 | tu ikasma wan | 22 | tu ikasma hotne |
| 3 | re | 13 | re ikasma wan | 30 | wan e tu hotne |
| 4 | ine | 14 | ine ikasma wan | 40 | tu hotne |
| 5 | askine | 15 | askine ikasma wan | 50 | wan e re hotne |
| 6 | iwan | 16 | iwan ikasma wan | 60 | re hotne |
| 7 | arwan | 17 | arwan ikasma wan | 70 | wan e ine hotne |
| 8 | tupesan | 18 | tupesan ikasma wan | 80 | ine hotne |
| 9 | sinepesan | 19 | sinepesan ikasma wan | 90 | wan e askine hotne |
| 10 | wan | 20 | hot(ne) | 100 | askine hotne |
Números maiores não são comuns em conversas diárias, pois os ainus não faziam tanto o uso de números grandes e exatos.[121] No ainu de Sacalina, os números de 1 a 10 são iguais aos de Hokkaido, mas acima disso, emprega-se um sistema de base 10 para formar os números. Nesse sistema, a unidade de dezena é expressa por kunkutu, e a de centena por tanku. Ambas as formas não são encontradas nos dialetos de Hokkaido.[115]

Números ordinais e contagem
[editar | editar código]Os números ordinais no ainu são expressos através do sufixo iye e-, como em iye e-re tesapa "a terceira estação".[122] A língua também faz uso de dois classificadores nominais para contagem, sendo um deles para contar pessoas (-iw após consoantes, -n após vogais), e um para contar coisas, ou qualquer outra coisa que não sejam pessoas (-p/pe). Sendo assim, sine-n significa "uma pessoa", e sine-p significa "uma coisa".[123] Ainda, existem unidades de medidas próprias do idioma, sendo elas:[124]
- wo, que mede a distância entre o polegar e o indicador quando esticados (aproximadamente 15cm);
- tem, que mede a distância entre as pontas dos punhos quando os braços estão estendidos (aproximadamente 5 pés);
- to/terko, utilizada para contagem de dias, sendo terko mais comum antigamente;
- e o sufixo -suy, usado para contar quantas vezes uma ação foi feita (exemplos: ar-suy "uma vez"; tu-suy "duas vezes").
Referências
- ↑ a b Li & Lee 2006, p. 767.
- ↑ a b c Tamura 2000, p. 5.
- ↑ a b c d Tamura 2000, p. 1.
- ↑ a b c Bugaeva 2022a, Seção 1.
- ↑ a b c Tamura 2000, p. 2.
- ↑ Tamura 2000, p. 7.
- ↑ Refsing 1986, p. 17.
- ↑ «令和 5 年 「北海道アイヌ生活実態調査」の実施結果について(概要)» [Resultados da Pesquisa da Situação de Vida dos Ainus em 2023 (Sumário)] (PDF). Hokkaido Prefectural Government (em japonês). Consultado em 4 de fevereiro de 2026
- ↑ a b «Japan recognizes Ainu as an indigenous people - Programa Asia Pacifico». Biblioteca del Congreso Nacional de Chile. 18 de julho de 2008. Consultado em 4 de fevereiro de 2026
- ↑ Bugaeva 2022b, Seção 1.
- ↑ a b Bugaeva & Kobayashi 2022, Seção 4.3.1.
- ↑ a b Majewicz 2022, Seção 6.
- ↑ a b c Nakagawa & Fukazawa 2022, Seção 8.4.1.
- ↑ Bugaeva 2012, p. 461.
- ↑ Batchelor 1905, p. 19.
- ↑ Dahlby, Tracy (26 de setembro de 1981). «Conquered Tribe in Japan Parallels Fate of American Indians». The Washington Post (em inglês). ISSN 0190-8286. Consultado em 5 de fevereiro de 2026. (pede subscrição (ajuda))
- ↑ Batchelor 1905, p. 487.
- ↑ «Actual Living Conditions of the Hokkaido Ainu». Ainu Association of Hokkaido (Incorporated) (em inglês). Consultado em 5 de fevereiro de 2026
- ↑ Ōno 2022, Seção 1.
- ↑ Evans, Lisa (15 de abril de 2011). «Endangered languages: the full list». the Guardian (em inglês). Consultado em 4 de fevereiro de 2026
- ↑ Bugaeva 2024, p. 451.
- ↑ Nakagawa & Fukazawa 2022, Apêndice.
- ↑ Bugaeva 2024, pp. 561-564.
- ↑ Piłsudski 1998, p. 600.
- ↑ a b Tamura 2000, p. 3.
- ↑ Tamura 2000, pp. 2-3.
- ↑ a b Refsing 1986, p. 53.
- ↑ Tamura 2000, pp. 3-4.
- ↑ «アイヌ語とは - 環境生活部アイヌ政策推進局アイヌ政策課» [O que é a língua ainu - Divisão de Políticas Ainu, Gabinete de Promoção de Políticas Ainu e Departamento de Meio Ambiente e Estilo de Vida]. 北海道公式サイト (em japonês). Consultado em 8 de fevereiro de 2026
- ↑ a b Bugaeva 2024, pp. 542-543.
- ↑ a b Bugaeva 2024, p. 549.
- ↑ de la Fuente 2022, Seção 2.1.
- ↑ a b Bugaeva 2024, pp. 543-545.
- ↑ Ueno 2017, pp. 213-214.
- ↑ a b Bugaeva 2024, p. 544.
- ↑ Ōno 2022, Seção 2.
- ↑ a b «Summary of the Act for the Promotion of the Ainu Culture». Ainu Association of Hokkaido (Incorporated) (em japonês). Consultado em 9 de fevereiro de 2026
- ↑ Bugaeva 2024, pp. 544-545.
- ↑ Bugaeva 2024, p. 545.
- ↑ a b Satō 2022, Seção 3.
- ↑ a b Bugaeva 2024, p. 546.
- ↑ Satō 2022, Seção 1.
- ↑ Bugaeva 2024, p. 547.
- ↑ Bugaeva 2024, pp. 547-548.
- ↑ a b c Bugaeva 2024, p. 552.
- ↑ a b c Dal Corso 2022, p. 10.
- ↑ a b c d Bugaeva 2024, p. 553.
- ↑ Bugaeva 2024, pp. 553-554.
- ↑ Tamura 2000, p. 20.
- ↑ Bugaeva 2024, p. 554.
- ↑ Shiraishi 2022, Seção 2.1.
- ↑ Bugaeva 2012, p. 466.
- ↑ Tamura 2000, p. 21.
- ↑ a b Bugaeva 2012, p. 467.
- ↑ Bugaeva 2024, p. 556.
- ↑ Bugaeva 2024, pp. 558-559.
- ↑ Bugaeva 2024, p. 559.
- ↑ Bugaeva 2012, p. 465.
- ↑ Tamura 2000, p. 23.
- ↑ Nakagawa & Fukazawa 2022, Seção 8.4.2.
- ↑ a b «アイヌ民族博物館 アイヌ語アーカイブ» [Museu Ainu - Língua Ainu (Arquivo)]. アイヌ民族博物館. Consultado em 16 de fevereiro de 2026
- ↑ a b Tamura 2000, p. 36.
- ↑ Bugaeva 2024, p. 576.
- ↑ a b Tamura 2000, p. 47.
- ↑ a b Bugaeva 2022a, Seção 4.1.
- ↑ Tamura 2000, p. 35.
- ↑ Tamura 2000, p. 50.
- ↑ a b Bugaeva 2024, pp. 576-577.
- ↑ Bugaeva 2010, p. 751.
- ↑ Bugaeva 2024, p. 580.
- ↑ Bugaeva 2024, p. 578.
- ↑ Tamura 2000, p. 262.
- ↑ Refsing 1986, pp. 201-202.
- ↑ Tamura 2000, pp. 241-250.
- ↑ Refsing 1986, pp. 202-210.
- ↑ Bugaeva 2024, pp. 598-600.
- ↑ Bugaeva 2012, pp. 494-495.
- ↑ a b Bugaeva 2024, pp. 591-595.
- ↑ a b Bugaeva 2024, pp. 598-599.
- ↑ Bugaeva 2024, p. 600.
- ↑ Nakagawa 2022, Seção 3.
- ↑ Nakagawa 2022, Seção 2.
- ↑ Nakagawa 2022, Seção 3.1.
- ↑ a b Bugaeva & Kobayashi 2022, Seção 4.1.
- ↑ a b Bugaeva & Kobayashi 2022, Seção 4.2.
- ↑ Bugaeva 2024, p. 583.
- ↑ a b Bugaeva 2024, p. 584.
- ↑ Bugaeva & Kobayashi 2022, Notas.
- ↑ Bugaeva & Kobayashi 2022, Seção 4.2.2.
- ↑ Bugaeva & Kobayashi 2022, Seção 4.1.1.
- ↑ Bugaeva 2024, p. 585.
- ↑ Bugaeva & Kobayashi 2022, Seção 4.1.2.
- ↑ Bugaeva & Kobayashi 2022, Seção 4.2.1.
- ↑ Tamura 2000, p. 81.
- ↑ Refsing 1986, p. 164.
- ↑ Refsing 1986, pp. 164-170.
- ↑ Refsing 1986, p. 165.
- ↑ Bugaeva 2024, pp. 569-570.
- ↑ Tamura 2000, pp. 84-87.
- ↑ Tamura 2000, p. 86.
- ↑ Bugaeva 2024, pp. 570-572.
- ↑ Bugaeva 2022b, Seção 4.3.
- ↑ Tamura 2000, p. 25.
- ↑ Tamura 2000, p. 29.
- ↑ Bugaeva 2024, p. 577.
- ↑ Bugaeva 2024, p. 602.
- ↑ Tamura 2000, p. 226.
- ↑ a b Bugaeva 2024, pp. 605-606.
- ↑ Tamura 2000, pp. 234-237.
- ↑ a b Bugaeva 2024, p. 606.
- ↑ Tamura 2000, p. 237.
- ↑ a b Akasegawa, Shiro. Nakagawa, Hiroshi; Bugaeva, Anna; Kobayashi, Miki; Yoshikawa, Yoshimi, eds. «Corpus». A Glossed Audio Corpus of Ainu Folklore. National Institute for Japanese Language and Linguistics. Consultado em 28 de fevereiro de 2026
- ↑ a b Akasegawa, Shiro. Bugaeva, Anna; Endo, Shiho, eds. «A Topical Dictionary of Conversational Ainu». A Topical Dictionary of Conversational Ainu. National Institute for Japanese Language and Linguistics. Consultado em 6 de março de 2026
- ↑ Dubreuil, Chisato (3 de novembro de 2007). «The Ainu and Their Culture: A Critical Twenty-First Century Assessment». Asia-Pacific Journal: Japan Focus (em inglês). Consultado em 8 de março de 2026
- ↑ a b Bugaeva 2024, p. 616.
- ↑ Tamura 2000, p. 254.
- ↑ Refsing 1986, pp. 112-113.
- ↑ Tamura 2000, pp. 254-255.
- ↑ Refsing 1986, p. 111.
- ↑ Refsing 1986, pp. 110-112.
- ↑ Tamura 2000, p. 255.
- ↑ Tamura 2000, p. 259.
- ↑ Tamura 2000, pp. 255-256.
- ↑ Tamura 2000, pp. 257-258.
Bibliografia
[editar | editar código]Batchelor, John (1905). An Ainu-English-Japanese dictionary (including a grammar of the Ainu language) (em inglês). [S.l.]: Facsimile Publisher. 719 páginas. ISBN 9333379266
Bugaeva, Anna (2010). «Ainu applicatives in typological perspective». John Benjamins. Studies in Language. International Journal sponsored by the Foundation “Foundations of Language (em inglês). 34 (4). ISSN 0378-4177. doi:10.1075/sl.34.4.01bug. Consultado em 1 de março de 2026
Bugaeva, Anna (2012). «Southern Hokkaido Ainu». In: Tranter, Nicholas. The Languages of Japan and Korea (em inglês). [S.l.]: Routledge. pp. 461–509. 544 páginas. ISBN 9781138107373
Bugaeva, Anna (2022a). «Introduction». In: Bugaeva, Anna. Handbook of the Ainu Language (em inglês). [S.l.]: De Gruyter Mouton. ISBN 9781501502859
Bugaeva, Anna (2022b). «Chapter 1 - Ainu: A head-marking language of the Pacific Rim». In: Bugaeva, Anna. Handbook of the Ainu Language (em inglês). [S.l.]: De Gruyter Mouton. ISBN 9781501502859
Bugaeva, Anna; Kobayashi, Miki (2022). «Chapter 15 - Verbal Valency». In: Bugaeva, Anna. Handbook of the Ainu Language (em inglês). [S.l.]: De Gruyter Mouton. ISBN 9781501502859
Bugaeva, Anna (2024). «The Ainuic language family». In: Vajda, Edward. The Languages and Linguistics of Northern Asia (em inglês). [S.l.]: De Gruyter Mouton. pp. 541–632. ISBN 9783110554038. doi:10.1515/9783110556216-010
Dal Corso, Elia (2022). Materials and Methods of Analysis for the Study of the Ainu Language. Southern Hokkaidō and Sakhalin Varieties (PDF) (em inglês). Veneza: Edizioni Ca’Foscari. ISBN 9788869695858
de la Fuente, José Andrés (2022). «Chapter 5 - The Ainu language through time». In: Bugaeva, Anna. Handbook of the Ainu Language (em inglês). [S.l.]: De Gruyter Mouton. ISBN 9781501502859
Lee, Sean; Hasegawa, Toshikazu (26 de abril de 2013). «Evolution of the Ainu Language in Space and Time». PLoS ONE (em inglês). doi:10.1371/journal.pone.0062243. Consultado em 4 de fevereiro de 2026
Li, David; Lee, Sherman (23 de janeiro de 2006). «Bilingualism in East Asia». In: Bhatia, Tej; Ritchie, William. The Handbook of Bilingualism (em inglês). [S.l.: s.n.] 884 páginas. ISBN 978-0-631-22735-9
Majewicz, Alfred (2022). «Chapter 4 - Ainu language Western records». In: Bugaeva, Anna. Handbook of the Ainu Language (em inglês). [S.l.]: De Gruyter Mouton. ISBN 9781501502859
Minahan, James (2016). Encyclopedia of Stateless Nations: Ethnic and National Groups around the World (em inglês). [S.l.]: Greenwood. ISBN 978-1610699532
Nakagawa, Hiroshi (2022). «Chapter 17 - Verbal number». In: Bugaeva, Anna. Handbook of the Ainu Language (em inglês). [S.l.]: De Gruyter Mouton. ISBN 9781501502859
Nakagawa, Hiroshi; Fukazawa, Mika (2022). «Chapter 8 - Hokkaido Ainu dialects: Towards a classification of Ainu Dialects». In: Bugaeva, Anna. Handbook of the Ainu Language (em inglês). [S.l.]: De Gruyter Mouton. ISBN 9781501502859
Ōno, Tetsuhito (2022). «Chapter 12 - The history and current status of the Ainu language revival movement». In: Bugaeva, Anna. Handbook of the Ainu Language (em inglês). [S.l.]: De Gruyter Mouton. ISBN 9781501502859
Piłsudski, Bronisław (1998). Majewicz, Alfred; Winter, Werner; Rhodes, Richard, eds. The collected works of Bronisław Piłsudski (em inglês). Volume 3, Materials for the Study of the Ainu Language and Folklore 2. [S.l.]: De Gruyter Mouton. ISBN 9783110109283
Refsing, Kirsten (1986). The Ainu Language: The Morphology and Syntax of the Shizunai Dialect (em inglês). [S.l.]: Coronet Books Inc. 275 páginas. ISBN 9788772880204
Satō, Tomomi (2022). «Chapter 3 - Major old documents of Ainu and some problems in the historical study of Ainu». In: Bugaeva, Anna. Handbook of the Ainu Language (em inglês). [S.l.]: De Gruyter Mouton. ISBN 9781501502859
Shiraishi, Hidetoshi (2022). «Chapter 13 - Phonetics and phonology». In: Bugaeva, Anna. Handbook of the Ainu Language (em inglês). [S.l.]: De Gruyter Mouton. ISBN 9781501502859
Tamura, Suzuko (2000) [1988]. The Ainu Language (em inglês). [S.l.]: Sanseido. 293 páginas. ISBN 4385359768
Ueno, Masayuki (26 de julho de 2017). «アイヌ語の衰退と復興に関する一考察» [Um estudo do declínio e da revitalização da língua ainu]. 埼玉学園大学. Bulletin of Saitama Gakuen University. Faculty of Humanities (em japonês). ISSN 1347-0515. Consultado em 8 de fevereiro de 2026
