Monte Mário

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Monte Mário
Colina de Roma
Vista do Monte Mário a partir da Cúpula da Basílica de São Pedro
Nome italiano Monte Mario

Monte Mário (em italiano: Monte Mario) é o nome de uma das colinas de Roma na margem direita do Tibre, na região noroeste da capital. Atravessada pela Via Trionfale, ocupa parte do território dos municípios I (Centro), do XIV (Monte Mario) e uma pequena parte do XV (Cassia/Flaminia), abrangendo, portanto, parte dos quarteirões (quartieri) Trionfale, Della Vittoria e Primavalle. Com este mesmo nome também é chamada a região urbana localizada na colina, às margens da Via Trionfale e da parte inicial da Via di Torrevecchia, onde fica ainda a homônima estação ferroviária Roma Monte Mario.

Com seus 139 metros de altura em relação ao nível do mar, o Monte Mário é o monte mais alto de Roma e, assim como o Janículo e o Píncio, é um dos locais de onde se pode obter as mais belas vistas da cidade, sobretudo de um lugar chamado Zodiaco, com vista para o sul e o leste dos quarteirões vizinhos, dos mais importantes monumentos da cidade, da Cidade do Vaticano, dos Montes Albanos, dos Montes Tiburtinos, dos Montes Prenestinos e dos cumes mais altos dos Apeninos centrais ocidentais. Além disto, no Monte Mário começa o parque linear mais longo de Roma, o Parco di Monte Ciocci.

História[editar | editar código-fonte]

Vista de Roma a partir do Monte Mário.

Escavações realizadas na propriedade Cartoni, na Valchetta, vizinha do Monte Mário, descobriram um utensílio de sílex, lascas do mesmo material e dentes de animais. Estes restos, com idade de mais de 65 000 anos, são os mais antigos já descobertos na região de Roma.

Na Idade Média, o Monte Mário ficava ao longo do trajeto da Via Francigena, que começava no Borgo Leonino e seguia pela região de La Giustiniana, passando pela La Storta para depois virar para o norte após a Isola Farnese. Os peregrinos o chamavam de Mons Gaudii[1]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Os romanos chamavam o Monte Mário de Mons Vaticanus ou Clivus Cinnae, uma referência ao cônsul Lúcio Cornélio Cina. Para a origem do nome atual, há algumas hipóteses: a primeira de que seria derivado de "mare" ("mar"), uma referência às conchas fósseis que podem ser encontradas no local ou ao fato de que, de alguns pontos, é possível enxergar o mar. A segunda hipótese é de que seu nome deriva de uma villa pertencente a Mario Mellini, humanista do século XV, e, desde 1935, sede Museo Astronomico e Copernicano de Roma[2].

Observatório no Monte Mário.

Esta última hipótese, porém, contrasta com o fato que, presumivelmente no século XI, em plena Idade Média, o monte já era chamado de Monte Malo[3] por causa do assassinato de Giovanni Crescenzio por Otão III da Saxônia em 998.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Edifícios[editar | editar código-fonte]

A zona habitada do Monte Mário se divide essencialmente na crista do morro, ocupada por quarteirões residenciais de classe média e classe média alta, como Balduina, Trionfale, Belsito e Della Vittoria, e a porção mediana das encostas, ocupada pela parte setentrional do quarteirão Primavalle, mais popular. A parte do subúrbio Della Vittoria perto da Piazza Nostra Signora di Guadalupe é chamada de "Monte Mario Alto" e se espraia pelas margens do colle Sant'Agata, onde, na década de 1920, uma cooperativa construiu o primeiro assento. Nas imediações foram construídos outros núcleos mais populares na década seguinte. Entre as décadas de 1970 e 1980 se completou a ocupação da colina.

Finalmente, o Monte Mário é também historicamente ligado ao complexo do histórico manicômio provincial de Santa Maria della Pietà, um dos maiores e antigos da Europa.

Parques e áreas verdes[editar | editar código-fonte]

  • Reserva Natural do Monte Mário, com cerca de 204 hectares;
  • Reserva Natural da Insugherata, uma área protegida que abriga grande parte das espécies naturais de Roma e cujo nome é uma referência à presença de sobreiros (em italiano: sugheri). Trata-se de um importante corredor biológico entre a área urbanizada a norte de Roma e o Parco di Veio, a noroeste da capital.
  • Parco regionale urbano del Pineto , uma área natural protegida da Comuna de Roma, instituída em 1987 com cerca de 240 hectares, incluindo uma zona de proteção integral de 26 hectares.
  • Parco Lineare, o mais longo parque linear de Roma, com mais de cinco quilômetros de extensão. Ocupa o antigo traçado da antiga linha metropolitana Roma-Viterbo e foi inaugurado em 14 de junho de 2014, com pistas de corrida e ciclovias que ligam a região da estação de Monte Mario, do complexo de Santa Maria della Pietà, com o Parco di Monte Ciocci.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Outra vista de Roma a partir do Monte Mário.

Referências

  1. Ferdinand Gregorovius, Geschichte der Stadt Rom im Mittelalter, vol. IV, Monaco, C. H. Beck, 1988, p. 660.
  2. Villa Mellini nel sito ufficiale del Museo Astronomico e Copernicano
  3. No canto XV do Paraíso, Dante se refere, por sinédoque, à cidade como Montemalo.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]