Monte Quirinal

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Monte Quirinal
Uma das sete colinas de Roma
O Quirinal é mais ao norte delas, no alto da imagem.
Nome latino Collis Quirinalis
Nome italiano Quirinale
Rione Trevi
Edifícios Castro Pretório, Jardins Salustianos, Termas de Constantino, Armazém de Lúcio Névio Clemente, Villa Colonna, Villa Aldobrandini
Palácios Palazzo Volpi di Misurata, Palazzo del Drago, Palazzo Baracchini, Palazzo della Consulta, Palazzo del Quirinale, Palazzo Rospigliosi, Palazzo Barberini
Igrejas Sant'Andrea al Quirinale, San Carlo alle Quattro Fontane, San Silvestro al Quirinale, Basílica de Santa Pudenciana
Religião Santuário de Semo Sanco, Templo de Quirino, Templo de Flora, Santuário de Diana Planciana, Templo da Pudicícia Plebeia, Templo da Fortuna Euelpis, Templo da Esperança, Templo de Febris, Templo da Fortuna Primigênia, Templo da Vênus Ericina, Templo da Gente Flávia, Templo de Serápis, Mitreu Barberini, Hipogeu da Via Livenza, Sepulcro dos Semprônios, Altar do incêndio de Nero
Figuras mitológicas Tito Tácio, Antigo Capitólio
Esculturas Domadores de Cavalos, Vaso de Duenos

Monte Quirinal (em latim: Collis Quirinalis; em italiano: Quirinale) é uma das sete colinas sobre as quais foi fundada a cidade de Roma. Sua altura máxima é de 50,9 metros acima do nível do mar, na região do jardim do Palazzo del Quirinale[1].

Geografia[editar | editar código-fonte]

O Quirinal, juntamente com o Viminal, era antigamente chamado de collis ("colina") por excelência em contraposição com os outros, que eram montes ("montes"). Além do Quirinal propriamente dito, que era a extremidade oriental da colina, onde ficava o Templo de Quirino e a Porta Quirinal, da Muralha Serviana, se reconhecem ali outros cumes, como o Latiaris, ao sul, vizinho dos fóruns imperiais, o "Mucial" (em latim: Mucialis), também chamado de "Sanqual" (Sanqualis), no Largo Magnanapoli), e o "Salutar" (Salutaris), a oeste, perto do moderno Palazzo del Quirinale.

Quirinal visto do vizinho Pinciano.
Mesma vista numa gravura de 1827.

Seus vales laterais eram, por outro lado, muito mais profundos que atualmente e foram preenchidos por sedimentos em épocas variadas: na Piazza Barberini, por exemplo, o nível original do solo está a 11,75 metros de profundidade e nas laterais da Via Nazionale o pavimento original está sob 17 metros de terra. O desnível repentino das ruas transversais, como o da antiga via que rebatizada de Via delle Quattro Fontane, chegavam a até 25 metros, com várias subidas e descidas.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Segundo a lenda romana, no Quirinal ficava uma pequena vila de sabinos e para lá foi o rei Tito Tácio depois da paz entre romanos e sabinos, quando a colina foi anexado ao perímetro antigo da cidade, conhecido como "Roma quadrada", no Palatino[2]. Os sabinos chamaram a colina de Cures, cidade da Sabina, e do altar dedicado a Quirino, possivelmente o deus único desta Cures sabina.

Outra lenda conta que Rômulo, depois de morto, passou a ser associado a Quirino e a ele foi edificado um templo na colina dedicado a ele e ela passou a ser chamada de "Quirinal"[3].

História antiga[editar | editar código-fonte]

Períodos arcaico e monárquico[editar | editar código-fonte]

O Quirinal já era ocupado no final da Idade do Ferro, como revelaram alguns túmulos arcaicos escavados perto da Porta Colina e da Porta Sanqual (entre outros). Um depósito de ex-votos descoberto diante da escadaria de Santa Maria della Vittoria foi datado no século VII a.C. e um outro similar foi encontrado na encosta oposta, incluindo o vaso de Duenos, uma das mais antigas inscrições em latim (fim do século VII e início do século VI a.C.).

Uma tradição conta que o Quirinal foi anexado à cidade por Sérvio Túlio, o sexto rei de Roma[4][5]. Outra afirma que foi o segundo, Numa Pompílio, na época anterior à construção da Muralha Serviana[6].

A independência do assentamento no Quirinal do que se desenvolveu no Palatino, que se expandiu depois para a Roma quadrada e para o Septimôncio, pode ser comprovada pela existência no local de um santuário dedicado à Tríade Capitolina e de um dedicado à Fé, idênticos aos já existentes no Capitolino, e pelo culto de Marte no Quirinal, repetindo o culto no Palatino, e pela existência de um colégio de sálios no Quirinal, idêntico ao dos sálios palatinos. O próprio nome com o qual se fazia referência ao Quirinal, "collis", e não "mons", é sinal da existência de um período no qual as duas comunidades eram independentes entre si[7].

Período republicano[editar | editar código-fonte]

No Quirinal ficava o antiquíssimo Santuário de Semo Sanco (446 a.C.) e o túmulo de Quirino, que Lúcio Papírio Cursor, cônsul em 293 a.C., transformou no Templo de Quirino depois de seu triunfo pela Terceira Guerra Samnita.

Monumentos do Quirinal
Fachada de Sant'Andrea della Valle, obra de Bernini.

Muito antigo também era o Antigo Capitólio (Capitolium Vetus), onde o culto da Tríade (Júpiter, Juno, Minerva) provavelmente já era realizado bem antes do culto no Capitolino. O Templo de Flora, uma deusa osco-sabina, ficava ali também. Na fronteira com o Viminal ficava o Santuário de Diana Planciana, no início do Vico Longo, ao longo do qual estavam também vários outros santuários: Templo da Pudicícia Plebeia, Templo da Fortuna Euelpis, Templo da Esperança (Spes) e o Templo de Febris. Perto da Porta Colina ficavam outros três templos dedicados a Fortuna, incluindo o Templo da Fortuna Primigênia e, fora dela, estavam o Templo da Vênus Ericina (215 a.C.) e um templo de Hércules no local onde Aníbal havia se aproximado de Roma para examinar suas fortificações.

Sob a Basílica de Santa Pudenciana foram descobertos mosaicos datados entre o século II e o início do século I a.C..

Período imperial[editar | editar código-fonte]

Na reorganização urbana da cidade durante época de Augusto, o Quirinal e o Viminal foram incluídos na Regio VI Alta Semita. Augusto também ordenou a construção de um templo dedicado a Marte no local. Do lado de fora da Muralha Serviana, Tibério determinou a construção do Castro Pretório.

Domiciano determinou a construção do Templo da Gente Flávia no local onde ficava a residência ancestral de sua família. Contudo, o edifício sagrado mais importante na região era o Templo de Serápis, construído por Caracala. Além destes, as fontes revelam também a presença de cultos orientais no local, com templos incluindo o chamado Mitreu Barberini e o Hipogeu da Via Livenza (utilizado por pagãos e cristãos).

Entre os moradores mais famosos do Quirinal estão Tito Pompônio Ático, amigo e correspondente de Cícero, Vespasiano e Marcial. A região mais setentrional do Quirinal era vizinha do Pinciano e foi parcialmente ocupada pelos Jardins Salustianos, uma das villas privadas do imperador romano na cidade.

Constantino ordenou a construção das Termas de Constantino, as últimas termas construídas em Roma, um edifício do qual não restou nada além de alguns desenhos do século XVI. O complexo era pequeno e refinado, servindo como contraponto às grandiosas e populares Termas de Diocleciano. Na época imperial, o Quirinal era um quarteirão habitado principalmente por famílias patrícias.

Ruas antigas[editar | editar código-fonte]

As principais vias do quarteirão eram as que atravessavam o Quirinal integralmente, do sudoeste para o nordeste: o Vico Patrício, o Vico Longo (moderna Via Nazionale) e a Alta Semita. As vias transversais eram muito menores e menos agitadas, com vários aclives e declives para superar a íngreme encosta da colina.

Edifícios antigos[editar | editar código-fonte]

Além dos já citados, também ficavam no Quirinal o Sepulcro dos Semprônios, o Altar do incêndio de Nero e o Armazém de Lúcio Névio Clemente.

História medieval e moderna[editar | editar código-fonte]

Na Idade Média foram construídas a Torre delle Milizie e o convento de Santi Pietro e Domenico e sobre as Termas de Constantino foi construído o Palazzo Rospigliosi. Ali foram descobertas as duas famosas estátuas dos "Domadores de Cavalos" e também as duas estátuas dos deuses fluviais que Michelangelo colocou na escadaria do Palazzo Senatorio no Campidoglio.

Ruas modernas[editar | editar código-fonte]

A última importante obra viária construída no Quirinal foi o Túnel Umberto I, iniciado pelo prefeito de Roma, príncipe Colonna, em 31 de janeiro de 1901[8] e inaugurado em 20 de outubro de 1902 com a passagem de bondes destinados às autoridades[9].

Edifícios modernos e contemporâneos[editar | editar código-fonte]

No Quirinal estão diversos monumentos importantes. A igreja de Sant'Andrea al Quirinale, projetada por Bernini (1658-1671) por ordem do cardeal Camillo Pamphili (sobrinho do papa Inocêncio X), é um dos mais elegantes exemplos do barroco em Roma, com a famosa planta oval e seu esplêndido interior (mármores, estuques e dourações). As Quattro Fontane e a igreja de San Carlo alle Quattro Fontane, de Borromini, foram respectivamente a primeira e a última obra dele (o interior da igreja foi sua primeira encomenda em Roma e a fachada só foi completada depois de sua morte). Em frente à igreja está o Palazzo Volpi di Misurata. A igreja de San Silvestro al Quirinale foi descrita pela primeira vez por volta de 1000, mas foi reconstruída no século XVI e teve sua fachada refeita no século XIX.

Além disto, o Quirinal abriga diversos palácios: o Palazzo del Drago, o Palazzo Baracchini, atual sede do Ministério da Defesa da Itália, o Palazzo della Consulta, que abriga atualmente a Corte Constitucional, a suprema corte da magistratura italiana, construído por Ferdinando Fuga a pedido do papa Clemente XII, e, na frente dele, o Palazzo del Quirinale, a sede da Presidência da República Italiana. Além deles, o já citado Palazzo Rospigliosi e o Palazzo Barberini.

A Villa Colonna, do século XVII, em frente ao Palazzo Rospigliosi, abriga alguns restos do Templo de Serápis de Caracala.

Piazza del Quirinale. No centro, o Palazzo del Quirinale e à direita dele, o Palazzo della Consulta. No centro, a fonte decorada com o Obelisco Quirinal e as estátuas dos "Domadores de Cavalos".

Referências[editar | editar código-fonte]

Túnel Umberto I, no Quirinal.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Coarelli, Filippo (1984). Guida archeologica di Roma (em italiano). Verona: Arnoldo Mondadori Editore 
  • Platner, Samuel Ball (1929). A Topographical Dictionary of Ancient Rome. Quirinal (em inglês). Londres: Oxford University Press 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]