Neo-impressionismo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Neoimpressionismo)
Ir para: navegação, pesquisa
Uma Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte, Seurat, 1884

Neo-impressionismo é um termo criado pelo crítico de arte francês Félix Féneon (1861-1944) em 1886 ao ver a obra Uma Tarde de Domingo na Ilha de Grande Jatte, de Georges Seurat, considerado líder do movimento, em uma exposição da Société des Artistes Indépendants (Salon des Indépendants) em Paris. A França passava por um período de avanços tecnológicos e os pintores estavam buscando novos métodos. Os seguidores do neo-impressionismo, em particular, foram atraídos para cenas urbanas modernas, bem como paisagens e praias. A interpretação baseada na ciência de linhas e cores influenciou a caracterização de sua arte. As técnicas pontilhistas e divisionistas são muitas vezes mencionadas ao se falar neste movimento, pois eram as técnicas dominantes em seu início.[1][2]

Princípios estéticos: luz e cor[3][editar | editar código-fonte]

O Neo-impressionismo surgiu como uma tentativa de evolução e superação da pintura impressionista. Seurat e seus seguidores queriam refinar o modo intuitivo e espontâneo de pintar dos impressionistas. Para isso, o artista recorreu aos estudos de cor e ótica que haviam sido publicados na época. Os neo-impressionistas utilizavam de pontos e blocos de cor a fim de criar no olhar do espectador a composição da obra. Era também objetivo dos neo-impressionistas resgatar o status da pintura na virada do século, pois ela havia sido inferiorizada com outras técnicas, principalmente com a chegada da fotografia.[4]

Círculo cromático de Chevreul

O desenvolvimento da teoria da cor por Michel Eugène Chevreul e outros no final do século 19 desempenhou um papel fundamental na formação do estilo neo-impressionista. O livro de Ogden Rood, Modern Chromatics, reconheceu os diferentes comportamentos exibidos por luzes coloridas e pigmentos coloridos. Enquanto a mistura do primeiro criava uma cor branca ou cinza, a última produzia uma cor escura e turva. Como pintores, os neo-impressionistas tiveram que lidar com pigmentos coloridos, para evitar a tontura, eles inventaram um sistema de justaposição de cor pura. Assim, a mistura de cores não era necessária. A utilização efetiva do pontilhismo facilitou a obtenção de um efeito luminoso distinto e, à distância, os pontos se juntaram como um todo mostrando o máximo brilho e conformidade com as condições reais da luz.

Teoria da Cor de Chevreul[editar | editar código-fonte]

Michel Eugène Chevreul era um químico francês e diretor de uma fábrica de tapetes franceses, a Gobelin. Responsável pela preparação do tingimento das peças, Chevreul ficou intrigado com o fato de não conseguir alcançar o efeito que gostaria nas peças e, após muita observação, percebeu que a questão não estava relacionada aos pigmentos que eram usados, mas sim a forma como os fios de cores diferentes eram entrelaçados. [5]O objetivo de seu sistema foi "estabelecer a lei do “contraste simultâneo”. Provavelmente foi Aristóteles (384 A.C. – 322 A.C.) quem primeiro formulou um questionamento que só foi respondido por Chevreul no Séc. XIX, sobre o entrelaçamento dos fios. A aparência das cores é profundamente afetada pela justaposição de uma cor com a outra (a cor púrpura parece diferente sobre o branco e sobre o preto) e, também sob diferentes iluminações. Esta é a formulação do problema que hoje chamamos de metamerismo, pelo qual a cor muda conforme a fonte luminosa. Também, Leonardo da Vinci percebeu este fenômeno."[5]

Com isso, Chevreul criou um círculo cromático com 72 cores e 5 zonas com 20 segmentos que retratam os efeitos de diferentes níveis de brilho.[5]

As descobertas de Chevreul foram importantes para que o grupo dos neo-impressionista pudessem avançar em suas pesquisas pictóricas e realizarem as técnicas do pontilhismo e do divisionismo.

Origens do termo[6][editar | editar código-fonte]

Há uma série de alternativas ao termo "Neo-impressionismo" e cada um tem sua própria nuance: o cromoluminarismo era o termo preferido por Georges Seurat. O termo enfatiza os estudos de cor e luz que foram fundamentais para o seu estilo artístico. No entanto, o termo raramente é usado hoje. O divisionismo é mais comumente usado para descrever um modo de pintura neo-impressionista. Refere-se ao método de aplicação de traços individuais de cores complementares e contrastantes. Ao contrário de outras designações desta era, o termo "Neo-impressionismo" não foi dado como uma crítica ao movimento. Em vez disso, abraça os ideais de Seurat e seus seguidores em sua abordagem à arte. [7]

O Pontilhismo apenas descreve uma técnica posterior baseada no divisionismo em que são aplicados pontos de cor em vez de blocos de cores.

Evolução[1][editar | editar código-fonte]

O auge do movimento neo-impressionista durou cerca de cinco anos(1886-1891), mas não terminou com a morte de Georges Seurat em 1891. O impressionismo continuou a evoluir e se expandiu na próxima década com características ainda mais distintivas. A incorporação de idéias políticas e sociais, especialmente o anarquismo, começou a mostrar proeminência. Após a morte de Seurat pela difteria e o amigo de Albert Dubois-Pillet pela varíola no ano anterior, os neo-impressionistas começaram a mudar e fortalecer sua imagem através de alianças sociais e políticas. Eles se relacionaram ao movimento anarco-comunista e, através disso, muitos artistas mais jovens foram atraídos por essa "combinação de teoria social e artística".

Na década de 1890, Signac voltou à sua crença anterior na harmonia visual do estilo neo-impressionista e a crença de que significava seus ideais. Ele também enfatizou que os neo-impressionistas não estavam buscando o realismo. Eles não queriam imitar, mas sim "a vontade de criar o belo ... Nós somos falsos, falsos como Corot, como Carrière, falso, falso! Mas também temos o nosso ideal - ao qual é necessário sacrificar tudo" .Este retorno a um estilo anterior era alienante e causou fissuras e tensões dentro da comunidade de neo-impressionistas.

Crítica [1][editar | editar código-fonte]

No início do movimento, o neo-impressionismo não foi bem ecebido pelo mundo da arte e pelo público em geral. Em 1886, a primeira exibição de Seurat de sua obra agora mais famosa, Uma Tarde de Domingo na Ilha de La Grande Jatte, inspirou torrentes de críticas negativas. A comoção evocada por esta obra de arte só pode ser descrita com palavras como "confusão" e "escândalo". [7]

O uso de pequenos segmentos de cores por parte dos neo-impressionistas para compor uma imagem inteira foi considerado ainda mais controverso do que o movimento anterior. O impressionismo tinha sido notório por sua representação espontânea de momentos fugazes e rápidos nas pinceladas. O neo-impressionismo provocou respostas semelhantes por razões opostas. A regularidade meticulosamente calculada de pinceladas foi considerada demasiado mecânica e antitética às noções comumente aceitas de processos criativos estabelecidos para o século XIX.

De acordo com fontes modernas, grande parte da crítica dos neo-impressionistas na época é apenas fora de foco. Em dezembro de 1894, o jornal socialista independente La Petite République apresentou uma coluna da primeira página do crítico Adolphe Tabarant. Ele observou a nova galeria cooperativa neo-impressionista na Rue Laffitte, focada em Luce e Signac, também conhecidos como os jovens mestres:

"A arte tem, talvez, uma tendência para uma síntese mal-humorada, em direção a uma observação científica que é muito seca. Mas como ele vibra, e como ele soa com a verdade! Que despesa de colorir, que profusão de noções agitadas, em que se sente as paixões nobres e sinceras dos jovens que, depois de lamentar Seurat, se esforçam para capturar todos os segredos da luz do sol! " [8]

Os neo-impressionistas foram apoiados desde o início em 1884 pelo Journal des Artistes. Outros trabalhos também discutiram os futuros neo-impressionistas juntos, mostrando que se formaram como um grupo através da criação de um espaço de exibição democrático, não seu movimento ou estilo artístico.

Após a virada do século, o crítico Félix Fénéon criticou o idealismo de Signac em seu trabalho posterior. Ele comparou o Signac com Claude e Poussin ao dizer que Claude Lorrain conhecia todos os detalhes do mundo real e que ele conseguia expressar o mundo contido pelo seu belo espírito. Ele relaciona Signac com um "herdeiro da tradição da paisagem que imaginava o reino da harmonia".

[1]

Paul Signac, 1890, Portrait of Félix Fénéon, óleo sobre tela, 73.7 x 92.5 cm, Museum of Modern Art, New York

Principais artistas neo-impressionistas[editar | editar código-fonte]

Pinturas neo-impressionistas[editar | editar código-fonte]

Georges Seurat, Le Cirque, 1891, óleo sobre tela, 185 x 152 cm, Musée d'Orsay, Paris
Tour Eiffel, Seurat

Referências

  1. a b c d «Neo-Impressionism» 
  2. Cultural, Instituto Itaú. «Neo-Impressionismo | Enciclopédia Itaú Cultural». Enciclopédia Itaú Cultural 
  3. «Neo-Impressionism» 
  4. ARGAN, Giulio Carlo (2006). Arte Moderna. [S.l.]: Companhia das Letras 
  5. a b c «Círculos cromáticos» 
  6. «Neo-Impressionism» 
  7. a b Lee.; Smith, Ellen W; Tracy E (1983). The Aura of Neo-Impressionism: The W. J. Holliday Collection. [S.l.]: Indiana University Press 
  8. HUTTON, jOHN, g. Neo-Impressionism and the Search for Solid Ground: Art, Science, and Anarchism in Fin-de-siecle France. [S.l.: s.n.] 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]