Partido Revolucionário dos Trabalhadores (Brasil)

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Disambig grey.svg Nota: Para outras organizações políticas homônimas, veja Partido Revolucionário dos Trabalhadores.

Partido Revolucionário dos Trabalhadores foi uma organização política clandestina de esquerda criada no final de 1968, a partir de uma dissidência da Ação Popular (AP).[1] O grupo dissidente discordava da orientação maoísta ortodoxa seguida pela direção da AP (luta antifeudal, cerco das cidades pelo campo etc.) e defendia uma linha diretamente socialista.

Não deve ser confundido com o "PRT", primeiro nome do partido que viria a se tornar, em meados dos anos 1990, o PSTU - Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado, uma dissidência de esquerda do Partido dos Trabalhadores.

História[editar | editar código-fonte]

Quando, em 1967, o maoísmo já caracterizava o caminho que a AP iria seguir, alguns militantes se unificaram em torno de uma oposição que constituiria o futuro PRT. Integravam aquele grupo dois ex-presidentes da UNE (União Nacional dos Estudantes), um ex-sacerdote católico de muita atuação no movimento das Ligas Camponesas no Maranhão e em todo o Nordeste (Padre Alípio) e José Porfírio (reconhecido líder camponês e ex-deputado estadual antes do Golpe de 1964. Encontra-se "desaparecido" desde 1971).

Em 1968 foi apresentado à AP um texto intitulado "Duas Posições", que os inquéritos examinados apontam como tendo sido escrito por "Rolando" (codinome de Vinícius Caldeira Brant, ex-presidente da UNE). O texto continha uma crítica ao documento denominado "Seis pontos", elaborado pela direção da AP,[2] que expressava as influências do pensamento de Mao Tsé-Tung sobre a linha a ser seguida pela organização. Na primeira reunião da RADN (Reunião Ampliada da Direção Nacional), que aconteceu em 1968, o documento "Duas Posições" foi lido para os 30 militantes presentes, mas não chegou a ser discutido. Contudo, após a reunião seguiu-se um ataque fulminante aos defensores daquele documento, que acabaram sendo chamados, pela Direção da AP, de "Grupo Oportunista e Provocador de Rolando" (em alusão ao autor do documento, "Rolando", ou seja, Vinícius Caldeira Brant). A expulsão do grupo viria em breve.[3]

Em 1969, viria a primeira publicação do número único da revista teórica Revolução Proletária. A constituição formal do PRT aconteceu no mês de setembro, numa reunião composta por poucos militantes e na qual foi eleita uma Comissão Executiva Provisória.[3]

Fundado formalmente em janeiro de 1969, o PRT chegou a executar algumas ações armadas no Rio de Janeiro e em São Paulo, atuando também no Recife, Pernambuco, e nos estados de Minas Gerais e Goiás, até ser desestruturado no começo de 1971, depois de ser duramente atingido pelos órgãos de repressão do regime militar então vigente.

Referências

  1. Memória Biblioteca Nacional. STM reduz penas de réus envolvidos na morte de um soldado da PM em S. Paulo . Jornal do Brasil, edição nº 152, 2 de outubro de 1971, p.14
  2. Em síntese o "Documento dos Seis Pontos" (v. "Capítulos da História da Ação Popular", 2ª Parte[ligação inativa], por Augusto C. Buonicore).
    1. definia o pensamento de Mao-Tsetung como a etapa atual do desenvolvimento do marxismo-leninismo;
    2. caracterizava a sociedade brasileira como semi-feudal e semi-colonial;
    3. estabelecia o "caráter nacional e democrático" da "revolução brasileira";
    4. optava pela guerra popular como caminho revolucionário (em oposição ao "foquismo" guevarista, defendido pelos dissidentes);
    5. colocava a tarefa de reconstruir o partido revolucionário marxista-leninista no Brasil;
    6. apontava para a integração na produção como meio de transformação ideológica dos militantes da AP.
  3. a b Projeto Brasil: Nunca mais. Tomo III. Perfil dos atingidos, pp. 29, 81s. Arquidiocese de São Paulo, 1985.