Eduardo Collen Leite

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Eduardo Collen Leite
Nascimento 28 de agosto de 1945
Campo Belo, Brasil
Morte 8 de dezembro de 1970 (25 anos)
Nacionalidade Brasil brasileiro
Ocupação guerrilheiro
Influências

Eduardo Collen Leite (codinome: Bacuri; Campo Belo, 28 de agosto de 19458 de dezembro de 1970) foi um militante e guerrilheiro de organizações armadas de extrema-esquerda durante a ditadura militar no Brasil. Líder e participante ativo de ações diretas contra o regime, foi o guerrilheiro que, depois de preso, mais tempo foi torturado pelos agentes da repressão, passando 109 dias em poder de seus captores sob todo tipo de torturas até ser executado.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de Alberto Collen Leite e Maria Aparecida Leite, começou a militar desde adolescente na POLOP (Organização Revolucionária Marxista Política Operária). Em 1967, depois de servir ao Exército, trabalhou como técnico em eletricidade e telefonia, até ingressar na militância comunista e na luta armada, como integrante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Depois de tornar-se líder da REDE (Rede Democrática), com a extinção desta participou das ações da Aliança Libertadora Nacional (ALN), dirigida por Carlos Marighella.[2]

Prisão, tortura e morte[editar | editar código-fonte]

Um dos mais ativos guerrilheiros nas ações armadas urbanas do período, depois de participar dos sequestros do cônsul do Japão em São Paulo e do embaixador alemão Ehrenfried von Holleben no Rio de Janeiro[2] – onde matou a tiros o policial federal Irlando de Moura Régis, segurança de Holleben[3] – ambos no primeiro semestre de 1970, "Bacuri" - seu apelido na guerrilha - foi preso no Rio de Janeiro por oficiais do CENIMAR, o Centro de Informações da Marinha, em 21 de agosto de 1970, quando fazia o levantamento da rotina do embaixador do Reino Unido, com vistas a mais um sequestro objetivando a libertação de presos políticos pelo governo militar,[2] especialmente de sua mulher, Denise Crispim, há um mês detida no DOPS e grávida.[1]

Entregue pelos militares à equipe do delegado Sérgio Fleury, um dos mais extremistas agentes da repressão policial aos opositores da ditadura, que acompanhava a equipe da Marinha e o algemou pessoalmente numa rua do bairro da Gávea, entre setembro de dezembro de 1970 "Bacuri" foi constantemente levado a centros de interrogatórios do DOI-CODI, prisões e casas isoladas, na OBAN e no presídio da Ilha das Cobras, onde fez greve de fome e recusou atendimento médico, sendo brutalmente torturado e interrogado dezenas de vezes, sem nada dizer aos torturadores.[1] Denise Crispim o viu pela última vez depois de retirada da cadeia do DOPS grávida de sete meses, na delegacia do bairro de Vila Rica, em São Paulo, à qual foi levada pelos homens de Fleury, algemado e com hematomas e queimaduras por toda pele.[1]

Em 26 de outubro, ele ficou sabendo que não mais seria deixado com vida, depois de lhe ser mostrado nos jornais a notícia plantada pela polícia de que tinha fugido e desaparecido, após ser levado para o reconhecimento do corpo de outro companheiro. Considerado pela repressão como o mais perigoso dos guerrilheiros, por seu denodo durante as ações armadas da guerrilha de que participou, foi assassinado em 8 de dezembro de 1970, no Forte dos Andradas, no Guarujá, em São Paulo,[1] logo depois do sequestro do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher, no Rio de Janeiro, por guerrilheiros comandados por Carlos Lamarca, para que não fosse libertado na troca de reféns, não apenas por sua importância como pelo estado físico a que havia sido reduzido pelos torturadores. Bem antes disso, ele já não tinha mais o movimento das pernas por causa das torturas – para as quais era levado arrastado – a que vinha sendo submetido.[1]

Seu corpo, encontrado no litoral de São Sebastião, São Paulo, foi entregue à família em um caixão lacrado, na tentativa de esconder o que ele havia sofrido nas mãos dos torturadores. Porém, seus familiares abriram o caixão e se depararam com um "Bacuri" desfigurado, com orelhas decepadas, inúmeras queimaduras, hematomas, dentes arrancados, olhos vazados, dois tiros no peito e dois na cabeça.[4]

Em junho de 2011, foi lançado o livro Eduardo Leite, o Bacuri, da jornalista Vanessa Gonçalves, uma biografia de sua vida que se desdobra com mais detalhes em seus 109 dias na mão dos torturadores. Nele, Artur Paulo de Souza e Jorge Zuchowski, dois colaboradores da polícia política que se infiltraram como militantes na Frente de Libertação Nacional, são apontados como os traidores que apontaram sua localização ao CENIMAR e o levaram a ser preso em 1970. Em 2010, um deles, Arthur de Souza, pediu indenização ao Estado como perseguido político, que lhe foi negada.[1]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d e f g «109 dias de tortura». IstoÉ. Consultado em 22 de maio de 2013 
  2. a b c Jacob Gorender. «109 Dias no Inferno». O Rebate. Consultado em 22 de agosto de 2011 
  3. Sirkis, Alfredo. Record, ed. Os Carbonários. 1998. [S.l.: s.n.] ISBN 8501053155 
  4. «Uma história de luta contra a ditadura militar». Sindicato dos Psicólogos de São Paulo. Consultado em 22 de maio de 2013