Arno Preis

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Arno Preis (Forquilhinha, 193415 de fevereiro de 1972) foi um militante do movimento de esquerda contra a ditadura militar brasileira.

Participou da ANL (Aliança Nacional Libertadora) e da MOLIPO (Movimento de Libertação Popular). Foi assassinado pelo regime em 1972. É um dos casos investigados pela Comissão da Verdade, que apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.


Biografia[editar | editar código-fonte]

Arno era o oitavo entre os treze filhos do casal Edmundo e Paulina Preis. Descendente de alemães, nasceu em Forquilhinha, no estado de Santa Catarina. Estudou em seminários dos padres franciscanos e, em São Paulo, formou-se em direito pela Universidade de São Paulo (USP).[1]

Desistiu do sacerdócio pouco antes da ordenação, e passou a sonhar com a carreira de diplomata. Aplicado aos estudos, Arno era poliglota: falava doze idiomas - entre eles o grego, latim, romeno, alemão, russo e japonês. Da língua japonesa para o português fez a tradução de três livros: Kamikaze, Cruz Vermelha e Iwo Jima. [2]

Em 1962 concluiu o curso de direito sem, no entanto, atuar efetivamente na profissão. Nessa época, Preis se mantinha com a ajuda da família e o dinheiro de traduções de livros. Ficou noivo de Helena Mirabelli, estudante da USP, mas a relação foi interrompida com as circunstâncias da vida na clandestinidade, consequência da militância política da época. [3]

“Pretendia ele prestar concurso no Itamarati e seguir a carreira diplomática. Vocacionado para uma carreira de diálogos e negociações, acabou por empunhar armas e morrer em cidade do interior de Goiás. Tomados de indignação cívica, centenas de jovens dobraram as folhas de seus livros, uniram-se a pessoas de outras origens que também deixaram suas rotinas e foram enfrentar o sacrifício. Muitos, o martírio.” Depoimento de Ivo Sooma, advogado e amigo de Arno Preis.[1]

Militância[editar | editar código-fonte]

Há indícios da participação de Arno nas chamadas ações de expropriações da ANL durante a fase de formação da organização. Em 1968 participou das operações de assalto ao trem pagador da Estrada de Ferro Santos-Jundiaí e o carro pagador da Massey-Fergusson, na Zona Oeste da cidade de São Paulo.[3]

Em 1969, segundo os arquivos da repressão, Preis passou a comandar o Grupo Tático Armado (GTA) da ANL. Quando foi identificado pelo regime, saiu do Brasil e viajou à Cuba, onde passou pelo treinamento de guerrilha e integrou o III Exército da ANL. [2]

Voltou ao Brasil em 1971, como militante do Movimento de Libertação Popular (MOLIPO), e começou a operar na região do Araguaia, onde a organização planejava montar uma base revolucionária.

Morte[editar | editar código-fonte]

Em 1972 foi executado em uma ação conjunta de policias do Batalhão de Goiás e do DOPS. Foi assassinado com tiros e perfurações feita à faca ou baioneta, e depois enterrado como indigente. A morte do guerrilheiro foi divulgada semanas depois pelo jornal Folha de S.Paulo, no dia 22 de março daquele ano. A versão oficial, depois desmentida pelo laudo da necropsia, dizia que “ao ser abordado pelas forças policiais, reagiu a tiros”. [2]

O corpo de Arno Preis só foi encontrado em 1993. Os restos mortais foram exumados no Cemitério de Tocantins e levados para o Instituto Médico Legal (IML) de Brasília, onde foram identificados. Depois de vinte e dois anos, em 1994, o corpo de Arno foi sepultado e enterrado pela família em Forquilhinha, cidade onde nasceu.[3]

Homenagem[editar | editar código-fonte]

Em 31 de outubro de 2013, os estudantes do curso de direito da Faculdade Max Planck em Indaiatuba (SP) fundaram seu centro acadêmico, o qual foi batizado como Centro Acadêmico Arno Preis, em homenagem por sua militância no movimento estudantil no Largo de São Francisco e na luta contra a ditadura militar.[4]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos, Instituto de Estudo da Violência do Estado, Grupo Tortura Nunca Mais. «Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a Partir de 1964» (PDF) 
  2. a b c «Acervo - Mortos e Desaparecidos Políticos» 
  3. a b c «A Luta da Família de Arno Preis Pela Verdade e Por Reparação: Contribuição aos Estudos a Respeito dos Mortos e Desaparecidos da Ditadura» 
  4. «Centro Acadêmico Arno Preis»