Yoshitane Fujimori

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Yoshitane Fujimori
Nascimento 19 de maio de 1944
Mirandópolis, Brasil
Morte 5 de dezembro de 1970 (26 anos)
São Paulo, Brasil
Nacionalidade Brasil brasileiro
Ocupação guerrilheiro
Influências

Yoshitane Fujimori (Mirandópolis, 19 de maio de 1944 - São Paulo, 5 de dezembro de 1970) foi um guerrilheiro brasileiro, integrante da luta armada contra a ditadura militar instalada no país em 1964.

Foi morto pelas forças de segurança de São Paulo, e seu corpo foi enterrado como indigente no Cemitério de Vila Formosa.[1]

Sua morte é investigada pela Comissão Nacional da Verdade, que apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira. [2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de Tadakazu Fujimori e Harue Fujimori, era técnico em eletrônica. Filiou-se à VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e foi um dos mais ativos combatentes do período. Participou de diversas ações de guerrilha urbana entre 1968 e 1970. Fujimori tinha estreita ligação com Carlos Lamarca, considerado o maior inimigo do regime militar brasileiro. Para não ser identificado pelos órgãos de segurança do regime, Fujimori usava codinomes: Edgar e Japonês.

Em 7 de novembro de 1968, Fujimori matou, com três tiros, o empreiteiro de obras Estanislau Ignácio Correa, durante uma ação da VPR para roubar o carro do empresário. [3] O empresário, embora desarmado, reagiu, pois levava uma pasta contendo dinheiro para o pagamento dos seus operários. Fujimori atirou. O corpo de Estanislau foi retirado do veículo, e o carro foi levado pelos militantes da VPR. Pouco depois, o motor "apagou", e o carro foi abandonado. A pasta que continha o dinheiro ficou no banco de trás. [4]:218 [5]

Fujimori também comandou o segundo assalto realizado pela VPR ao Banco do Estado de São Paulo, na rua Iguatemi, em 1968.[4]:222

Fujimori foi um dos militantes que acompanharam Carlos Lamarca na quebra do cerco a uma área de treinamento da VPR, no Vale do Ribeira, em São Paulo. Nesse episódio, ele matou, a coronhadas de fuzil FN FAL, o tenente da Força Pública (hoje, Polícia Militar do Estado de São Paulo) Alberto Mendes Júnior .[6]

Morte[editar | editar código-fonte]

No dia 5 de dezembro de 1970, Fujimori passava pela Praça Santa Rita de Cássia, no Bosque da Saúde, na cidade de São Paulo, junto com outro guerrilheiro, Edson Quaresma, quando foram reconhecidos por uma patrulha do DOI-CODI do II Exército, que começou a persegui-los. Os agentes metralharam o automóvel, ferindo ambos os guerrilheiros. Edson correu para um rua lateral onde foi alcançado e morto. Yoshitane, foi ferido e, segundo testemunhas, chegou vivo ao Doi-Codi .[7][8] Mas, a morte de Fujimori envolve uma polêmica: mesmo estando muito ferido, ele chegou com vida ao DOI-CODI. Depois, apareceu morto.[9] O agente da repressão que estava envolvido em sua morte era Alcides Cintra Bueno Filho.[10] Já os legistas que atestaram o laudo médico de Fujimori foram Armando Canger Rodrigues e Harry Shibata.[10]

A solicitação da necrópsia de Fujimori, feita por Alcides Cintra Bueno Filho, diz que o corpo deveria ser fotografado de frente e perfil. Nunca foram encontradas fotos do cadáver. O corpo deu entrada no Instituto Médico Legal quatro horas após a provável hora da morte. Foram encontradas cinco balas no corpo de Fujimori. O laudo registra que uma delas atingiu as costas e as outras quatro foram disparadas na cabeça - uma na região auricular direita. Na opinião da relatora, é improvável que, durante um tiroteio, uma pessoa seja atingida por quatro tiros na cabeça, pois dificilmente o atirador conseguiria acertar quase todos os tiros no mesmo lugar.[2]

Investigação póstuma[editar | editar código-fonte]

Os documentos relativos à autópsia de Fujimori foram enviados pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos para ser feito um laudo do perito Celso Nenevê. Foi ele quem produziu a prova mais importante utilizada pela relatora. Analisando o trajeto dos disparos, o perito chegou à conclusão de que, das quatro balas que atingiram o rosto de Fujimori, três delas penetraram na face direita e foram disparadas com o corpo de Fujimori caído, deitado, virado de bruços. A CEMDP, por maioria dos votos, considerou que Edson Quaresma e Yoshitane Fujimori foram executados sob a guarda dos militares.[2]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «A voz dos mortos de Vila Formosa». Isto É. Consultado em 21 de junho de 2011 
  2. a b c «Acervo - Mortos e desaparecidos políticos». Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Consultado em 14 de junho de 2014 
  3. Industrial morto com 3 tiros. Folha de S.Paulo (acervo), 8 de novembro de 1968, 2ª edição, página 16.
  4. a b LAQUE, João Roberto. Pedro e Os Lobos: Os Anos de Chumbo na Trajetória de um Guerrilheiro Urbano. Editora Editorial, S./D.
  5. MIR, Luís. A Revolução Impossível. São Paulo: Bestseller, 1994
  6. Gaspari, Elio. Companhia das Letras, ed. As Ilusões Armadas: A Ditadura Escancarada 2002 ed. [S.l.: s.n.] ISBN 85-359-0299-6 pg.197
  7. "Cadáveres de militantes eram expostos no DOI-Codi como troféu de vitória", diz ex-sargento. Por Fernanda Calgaro. UOL, 10 de maio de 2013.
  8. «PARA NÃO ESQUECER JAMAIS! História de EDSON NEVES QUARESMA e YOSHITANE FUJIMORI -CXXVII». Consultado em 21 de junho de 2011 
  9. «Imprensa denuncia outro torturado que ainda está na ativa». Movimento Nacional de Direitos Humanos. Consultado em 15 de junho de 2014 
  10. a b «Yoshitane Fujimori». Centro de Documentação Eremias Delizoicov. Consultado em 13 de junho de 2014