João Leonardo Rocha

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João Leonardo da Silva Rocha
Na foto, João Leonardo é o 1º de cócoras (à esq.) com um casaco escondendo as algemas.
Nascimento 4 de agosto de 1939
Salvador, Brasil
Morte junho de 1975 (35 anos)
Palmas de Monte Alto, Brasil
Nacionalidade Brasil Brasileira
Ocupação Professor, advogado e guerrilheiro

João Leonardo da Silva Rocha (Salvador, 4 de agosto de 1939 - Palmas de Monte Alto, junho de 1975) foi um advogado, professor e guerrilheiro brasileiro.[1][2][3][4]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Foi um militante de organizações de extrema-esquerda do Brasil, mais conhecido por ter sido um dos 15 presos políticos libertados e banidos do Brasil em troca da libertação do embaixador estadunidense, sequestrado por militantes do MR-8 e ALN, em 1969.

Filho de Mário Rocha e Maria Nathália da Silva Rocha, João Leonardo cursou o primário na município de Amargosa, à 235 km de Salvador, sua cidade natal. Retornou à capital baiana para fazer o secundário no colégio dos Irmãos Maristas. Em 1952, ingressou no Seminário Católico de Aracajú, no qual ficou até 1975.[5]

Em 1959, João Leonardo foi aprovado em um concurso do Banco do Brasil, foi trabalhar em Alagoinhas no interior da Bahia, município no qual seus pais passaram a morar, além de lecionar as matérias de português e latim na Escola Normal e Ginásio de Alagoinhas e no Colégio Santíssimo Sacramento.[5]

Em 1962 muda-se para São Paulo ainda como funcionário do Banco do Brasil onde continuou a lecionar português e latim em escolas da região do ABC paulista. Ingressou logo depois na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (Faculdade de Direito do Largo de São Francisco), época em que começou a participar da militância política. Pouco tempo depois, tornou-se diretor da Casa do Estudante, local que abrigava os estudantes da Faculdade de Direito e se localizava na avenida São João. Considerado excelente poeta e contista, chegou a realizar na residência alguns duetos musicais com Arno Preiss, também desaparecido político, morto em fevereiro de 1972.[5]

Quando cursava o último período de direito, já integrava a ALN, Aliança de Libertação Nacional), quando foi preso pelo DOPS no final de janeiro de 1969, acusado de fazer parte do Grupo Tático Armado da ALN. Participou do assalto ao trem pagador na Ferrovia Santos Jundiaí, ocorrido em 10 de agosto de 1968,[6] de acordo com Francisco Gomes,[7] um dos participantes do ato (que também contou com a participação do atual senador Aloysio Nunes). Foi indiciado no inquérito policial que apurou a execução do oficial do exército estadunidense Charles Chandler em 12 de dezembro de 1968.

Em 1969, com o sequestro do embaixador dos Estados Unidos, Charles Burke Elbrick, foi um dos 15 presos políticos trocados pela libertação do embaixador. Foi para o México junto com os demais e de lá para Cuba onde fez treinamento de guerrilha. Retornou ao Brasil clandestinamente em 1971, juntos com outros dissidentes da ALN que formaram a MOLIPO, Movimento de Libertação Popular, entre eles o ex-ministro José Dirceu, com o nome de José Lourenço da Silva, indo morar em Itapetim, sertão de Pernambuco, no sítio Baixio, distante 2 km do distrito de São Vicente, próximo à divisa com a Paraíba. Raspava sempre a cabeça e ficou conhecido como Zé Careca. Casou-se com uma viúva, Virgínia Paes de Lima, que morreu em 1990 sem saber que fora casada com um guerrilheiro.[1]

Morte[editar | editar código-fonte]

Em 1974, ao ser procurado pela polícia local, fugiu para o interior da Bahia, pretendendo trabalhar para viver, utilizando documentos com o nome de José Eduardo da Costa Lourenço. Foi morto em junho de 1975, ano em que a ALN e a MOLIPO não existiam mais, por agentes da Polícia Militar da Bahia em Palmas de Monte Alto, margem direita do Rio São Francisco, com dois tiros de escopeta na perna que provocaram intensa hemorragia, segundo o laudo balístico.[1][3]

Na época, as autoridades alegaram que a morte se deu sob a investigação de um conflito armado, no qual João Leonardo era um pistoleiro, embora não houvesse nenhum registro de crimes contra a vida em seu nome. Sua morte foi o último episódio a ratificar a existência de penas de morte extra judiciais a todos os exilados que retornassem ao Brasil com o objetivo de enfrentar o regime ditatorial.[8][9]

Oficialmente, seu nome figura na lista de desaparecidos políticos presente na lei nº9.140/95, que prevê a possibilidade do Estado ser responsabilizado pelas morte e desaparecimentos, que ocorreram por motivação política, entre setembro de 1971 e agosto de 1979. Em 2002, a lei nº10.532/02 afirmou tal responsabilidade. [5][10]

Fatos posteriores[editar | editar código-fonte]

  • Durante o período que morou em São Vicente, Itapetim, viajava mensalmente, dizendo a esposa que ia para São Paulo. Certa vez um morador de São Vicente o encontrou em Patos, Paraíba e informou a dona Virgínia.
  • Segundo José Dirceu e Ana Corbisier em entrevistas quando na visita ao local onde residiu Zé Careca, eles se encontravam regularmente em cidades maiores próximas, como Arcoverde, Serra Talhada e Patos. Na mesma data, o distrito de São Vicente homenageou João Leonardo, batizando a praça principal o nome de João Leonardo da Rocha.[11]

Busca pelos restos mortais[editar | editar código-fonte]

A Comissão Nacional da Verdade está realizando uma série de investigações com o objetivo de determinar o local no qual João Leonardo foi sepultado na cidade de Palmas do Montes Altos. Para tanto, o irmão de João, o advogado Mario Rocha Filho, disponibilizou amostra de DNA para identificação em uma possível exumação. Também, várias pessoas que vivem na região e acompanharam o caso na época depuseram, com o intuito não apenas de encontrar os restos mortais do professor, como também entender as motivações que levaram a sua morte.[8]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Portal R7 (13 de dezembro de 2010). «Desaparecido da ditadura pode estar enterrado na Bahia». noticias.r7.com. Consultado em 26 de abril de 2011 
  2. Folha da Tarde (26 de novembro de 1969). «DOPS Leva à justiça os matadores de Chandler». almanaque.folha.uol.com.br. Consultado em 26 de abril de 2011 
  3. a b Marcos Cirano. «Integrante de guerrilha tentou montar base rural em Itapetim». pe-az.com.br. Consultado em 26 de abril de 2011 
  4. Adriano Ceolin (4 de abril de 2011). «Dirceu viaja para Pernambuco e participa de homenagem». colunistas.ig.com.br. Consultado em 26 de abril de 2011 
  5. a b c d «Ficha descritiva de João Leonardo da Silva Rocga». Comissão especial sobre mortos e desaparecidos políticos. Consultado em 31 de março de 2014 
  6. Jornal Última Hora (12 de agosto de 1968). «Assalto ao trem pagador tem testemunha chave». Arquivo público de São Paulo 
  7. CARVALHO, Luiz Maklouf (4 de amrço de 1999). «Golpe levou deputado às armas». Jornal do Brasil  Verifique data em: |data= (ajuda)
  8. a b «CNV busca restos mortais de João Leonardo no sertão da Bahia». Comissão Nacional da Verdade. 18 de março de 2014. Consultado em 31 de maio de 2014 
  9. Centro de Documentação e Memória Fundação Maurício Grabois (20 de junho de 2011). «João Leonardo da Silva Rocha». Consultado em 31 de maio de 2014 
  10. «A respeito das leis 9.140/95 e 10.536/02.». Consultado em 31 de maio de 2014 
  11. Itapetim.net (18 de março de 2011). «Ex-ministro José Dirceu estará em Itapetim no distrito de São Vicente nesta próxima segunda-feira». Itapetim Notícias. Consultado em 31 de maio de 2014 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]