Virgílio Gomes da Silva

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Virgílio Gomes da Silva
Nascimento 15 de agosto de 1933
Sítio Novo, Brasil
Morte 29 de setembro de 1969 (36 anos)
São Paulo, Brasil
Nacionalidade Brasil brasileiro
Ocupação guerrilheiro

Virgílio Gomes da Silva (codinome:Jonas; Sítio Novo, 15 de agosto de 1933São Paulo, 29 de setembro de 1969) foi um sindicalista e guerrilheiro brasileiro, que se destacou na luta contra a ditadura militar no Brasil.[1] Fez parte do movimento sindicalista durante os anos 1960 e, em 1969, já na luta armada, participou do sequestro do embaixador dos Estados Unidos Charles Burke Elbrick. Foi o primeiro preso político a sumir depois da edição do Ato Institucional Número Cinco.[2]

Foi um dos casos investigados pela Comissão da Verdade, que apurou mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.

Trajetória Política[editar | editar código-fonte]

Movimento Sindical[editar | editar código-fonte]

Em 1957, foi contratado como operário na fábrica da empresa Nitro Química, em São Miguel Paulista. No mesmo ano, associou-se ao PCB (Partido Comunista Brasileiro) e envolveu-se no movimento sindical do Sindicato dos Químicos e dos Farmacêuticos de São Paulo. Em 1963, liderou uma importante greve de 3 mil operários pela conquista do 13 salário na Nitro Química.[3] Buscando apoio dos companheiros na fábrica da empresa Luftfalla, foi gravemente ferido por um dos dirigentes da empresa. Nessa época, foi preso por cerca de duas semanas. Seis meses depois, ao perceber que está sendo vigiado, fugiu para o Uruguai.

Ação Libertadora Nacional[editar | editar código-fonte]

Sob os conselhos de Carlos Marighella, Virgílio fez parte da dissidência do PCB, em 1967. Passou a integrar a ALN (Ação Libertadora Nacional) e fez o treinamento de guerrilha em Cuba entre outubro de 1967 e julho de 1968. Fez parte do GTA (Grupo Tático Armado).

Sequestro de Charles Burke Elbrick[editar | editar código-fonte]

Virgílio participou do sequestro do embaixador americano, Charles Burke Elbrick, que ficou preso entre 4 e 7 de setembro de 1969.[2] Ele foi responsável pela estratégia militar da operação.[4]

Vida Pessoal[editar | editar código-fonte]

Virgílio casou-se com Ilda Martins da Silva, no dia 21 de maio de 1960.[4] Se conheceram quando trabalhavam na Nitro Química, em 1957. Juntos, tiveram quatro filhos: Vlademir, nascido em 1961; Virgílio Gomes da Silva Filho, em 1962; Gregório, em 1967 e Isabel, nascida em 1969.

Morte[editar | editar código-fonte]

Virgílio foi preso na Avenida Duque de Caixas, em São Paulo, no dia 27 de setembro de 1969. Foi encapuzado e levado pelos agentes da Operação Bandeirantes - OBAN (DOI-CODI/SP). Seu irmão, Francisco Gomes da Silva, preso dois dias antes testemunho que viu Virgílio na prisão com as mãos algemadas para trás enfrentando cerca de quinze pessoas e sendo agredidos por elas, até que levou um chute na cabeça que produziu um ferimento grave.[2] Depois de 12 horas de tortura não resistiu e sucumbiu aos seus ferimentos.

Sua esposa, Ilda, foi presa no dia seguinte, em São Sebastião. Também foi levada para a sede do Oban. Todos seus filhos, exceto Gregório, foram presos e levados para o Dops e, em seguida para o Juizado de Menores. Ilda ficou presa por nove meses, dos quais quatro passou sem contato com os filhos ou com a família, no DOPs e depois no Presídio Tiradentes.

Responsáveis[editar | editar código-fonte]

Segundo o Dossiê dos mortos e desaparecidos políticos a partir de 1964,[5] os torturadores responsáveis pela morte de Virgílio eram

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. DOSSIÊ - Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil. «Virgílio Gomes da Silva». Consultado em 5 de outubro de 2016 
  2. a b c Gaspari, Elio (2014). A Ditadura Escancarada 2 ed. Rio de Janeiro: Editora Intrínseca. 526 páginas. ISBN 978-85-8057-408-1 
  3. dhnet (29 de setembro de 2009). «Virgílio Gomes da Silva Direito à Memória e à Verdade» (PDF) 
  4. a b Documentos Revelados. «VIRGILIO GOMES DA SILVA: OPERARIO, BRASILEIRO, REVOLUCIONARIO». Consultado em 5 de outubro de 2016 
  5. Tortura Nunca Mais Pernambuco. «DOSSIÊ DOS MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS A PARTIR DE 1964» (PDF). Consultado em 5 de outubro de 2016