Frederico Eduardo Mayr

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Frederico Eduardo Mayr (Timbó, Santa Catarina, 29 de outubro de 1948São Paulo, 24 de Fevereiro de 1972) foi um estudante universitário, Militante do Movimento de Libertação Popular (Molipo). Filho de Carlos Henrique e Gertrud Mayr, foi um dos presos e torturados pela ditadura militar brasileira aos 23 anos.[1]

É um dos casos investigados pela Comissão da Verdade, que apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.

Biografia[editar | editar código-fonte]



Frederico nasceu numa região de colonização europeia, em Timbó, Santa Catarina. Era criança ainda quando foi para o Rio de Janeiro cursar o primário na escola municipal Dr. Cócio Barcellos, em Copacabana. Depois, cursou o ginásio no Colégio Mallet Soares, ainda em Copacabana. Da primeira infância à adolescência, foi um dos destaques na escola de escoteiros, dos sete anos aos dezesseis, dentro da Tropa Baden Powell - onde sempre demonstrou muito gosto pelo contato com a natureza. Além de acampamentos, também praticou a pesca submarina.

Aos dezoito anos de idade, ingressou na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Segundo seus professores, entre eles Ubi Bava, sempre foi muito aplicado e dedicado. O elogio também veio de artistas plásticos com quem se relacionava, como Ilio Burrini e Ivan Serpa, por exemplo. Serpa, inclusive, foi importante no desenvolvimento de Frederico ao lhe ensinar a técnica da pintura e a lógica espacial das telas. Em 1969, Frederico estava no segundo ano da faculdade e seguia dedicado às artes plásticas, quando passou a militar clandestinamente na ALN, Aliança Nacional Libertadora. Naquele momento, participou de ações armadas e foi condenado pela Justiça Militar. Pressionado, foi para Cuba, onde teve treinamento de guerrilha. Retornou ao Brasil em 1971, já incorporado ao Molipo.[2]

Morte[editar | editar código-fonte]



Preso no dia 23 de fevereiro de 1972, em São Paulo, Frederico foi baleado e, na sequência, preso. Levado ao DOI-CODI/SP. Vítima da repressão e do autoritarismo que eram característicos da Ditadura, foi visto por presos políticos na chamada cadeira de dragão, uma das torturas usadas. Ele foi identificado pelos agentes daquele órgão. Nos documentos policiais, consta seu nome verdadeiro e, na ficha individual do DOPS aparece sua foto de frente e de perfil, datada de 24 de fevereiro de 1972.[3] Há informações sobre a prisão no dia anterior, na Avenida Paulista, em São Paulo. 

Nessa mesma data teria sido encaminhado para o IML/SP, às 10 horas da manhã, após tiroteio com agentes na Rua Pero Correia, Jardim da Glória, conforme consta na requisição de exame - enviada pelo DOPS em nome de Eugênio Magalhães Sardinha. Na mesma requisição, está o nome verdadeiro e completo: Frederico Eduardo Mayr em caixa alta e no topo da página.

O laudo necroscópico, assinado pelos legistas Isaac Abramovitc e Walter Sayeg no nome falso, repete a versão oficial e traz a descrição de três tiros, sendo dois de cima para baixo. A foto de seu corpo do arquivo do DOPS/SP mostra seu rosto e seu dorso - nitidamente mais magros e desfigurados. 

Não há qualquer informação oficial sobre a morte de Frederico. Por esta razão, os organizadores das listas de mortos e desaparecidos tiveram dúvidas para enquadrá-lo em uma destas duas categorias. Integrantes do Comitê Brasileiro de Anistia proporcionaram aos familiares de Frederico o acesso ao seu atestado de óbito - em que consta um nome falso, localizado em processo a que respondia na Justiça Militar. A impunibilidade do caso foi comprovada a partir deste documento, sob a identidade falsa de Eugenio Magalhães Sardinha.



Homenagem[editar | editar código-fonte]

Os restos mortais de Frederico tiveram como destino a vala clandestina do Cemitério de Perus. Somente em 1992, aberta a vala, sua ossada foi identificada pelo Departamento de Medicina Legal da UNICAMP. Após a homenagem celebrada por Dom Paulo Evaristo Arns, na Igreja da Sé, em São Paulo, juntamente com os restos mortais de Helber José Gomes Goulart e Emanuel Bezerra dos Santos, os resquícios de Frederico foi trasladado para o jazigo da família, no Rio de Janeiro em 13 de setembro de 1992.



Em "A Ditadura Escancarada", o jornalista Elio Gaspari enfatiza que "os órgãos de segurança pareciam não pretender esconder a falsidade de suas notas oficiais" tamanhas as contradições estampadas nos próprios comunicados oficiais sobre a morte de subversivos. Num dos trechos do livro, o autor trata de Frederico: “tamanha onipotência na manipulação da realidade produziria dois casos patéticos (...) Outro ‘cubano’, Frederico Eduardo Mayr, morre três vezes. A primeira, ‘a caminho do hospital’ depois de um tiroteio na avenida Paulista. A segunda, no dia seguinte, fugindo de um ‘ponto’ no Jardim da Glória. A terceira, no mesmo dia, alvejado pelos colegas quando estava dentro de um carro, preso. Na realidade, Mayr foi para o DOI, onde o fotografaram e ficharam, dando-lhe o número 1112. Tinha uma bala alojada debaixo da pele da barriga. O ferimento era tão superficial que se podia apalpar o projétil. Conversava normalmente. Mataram-no com três tiros no peito, perfurando-lhe os dois pulmões”.



Durante a gestão da prefeita Luiza Erundina, em São Paulo, foi inaugurado um complexo viário na confluência entre a Avenida João Dias e a Marginal Pinheiros, próximo à Praça Alceu Amoroso Lima que é composto de três grandes viadutos, recebendo cada um o nome de um militante assassinado pelos órgãos de repressão política durante o regime militar. Entre eles, Frederico Eduardo Mayr.[4]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. [1]. Secretaria de Direitos Humanos. Governo Federal.
  2. [2].Comissão da Verdade do Estado de São Paulo RUBENS PAIVA.
  3. [3]. Consulta Popular - Por um projeto popular para o Brasil
  4. [4].Memória, Verdade e Justiça, Coletivo Catarinense.