Alex de Paula Xavier Pereira

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Alex de Paula Xavier Pereira
Nascimento 9 de agosto de 1949
Rio de Janeiro, Brasil
Morte 20 de janeiro de 1972 (22 anos)
São Paulo, Brasil
Nacionalidade Brasil brasileiro
Ocupação estudante, guerrilheiro
Influências

Alex de Paula Xavier Pereira (Rio de Janeiro, 9 de agosto de 1949São Paulo, 20 de janeiro de 1972), filho de João Baptista Xavier Pereira e Zilda Xavier Pereira, foi um estudante e militante da Ação Libertadora Nacional. [1]

Foi morto no contexto de sua oposição à ditadura militar brasileira. Seu caso é investigado pela Comissão Nacional da Verdade.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Alex de Paula Xavier Pereira cresceu em uma família com tendências políticas, uma vez que os pais eram militantes políticos, o irmão Iuri Xavier Pereira foi dirigente da ALN, e a irmã Iara Xavier Pereira foi militante da organização. Desde pequeno, Alex conviveu com a perseguição e repressão sofrida pela família devido ao governo militar.[2]

Influenciado pela posição política da família, Alex iniciou suas atividades políticas cedo, participando do Movimento secundarista e também sendo diretor do Grêmio do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro. Junto a ele estavam os colegas Luiz Afonso de Almeida, Marcos Nonato da Fonseca e Aldo de Sá Brito, os últimos dois também mortos na luta armada contra a ditadura militar.[3]

Militância[editar | editar código-fonte]

Ainda jovem, ingressou no Partido Comunista Brasileiro, com o objetivo de combater o governo militar. Eventualmente, acabou aproximando-se do ideal da luta armada contra a ditadura, e uniu-se a Ação Libertadora Nacional. Participou de curso de guerrilha (urbana e rural) junto a seu amigo e também militante Carlos Eugênio Paz em 1970, em Cuba, e, em questão de pouco tempo seu rosto é associado a um grupo de terroristas procurados. Sua costumeira dedicação e astúcia levaram-no ao cargo de chefe de um dos Grupos Táticos Armados da organização, e, com isso, iniciou um período de atividade política intenso. Começou a viver clandestinamente, inclusive respondendo processos na justiça militar a distância. [4]

Alex foi também o responsável pela criação da ALN-RJ e pelo recrutamento da maioria dos membros que a integravam.

Por sua irreverência e habilidades acabou chamando atenção da direção nacional do grupo, inclusive de Carlos Marighella que acreditava imensamente no potencial e no futuro do jovem como combatente.

Circunstâncias da morte[editar | editar código-fonte]

Em 20 de janeiro de 1972, Alex de Paula Xavier Pereira e Gelson Reicher, amigo de Alex e também militante da ALN, foram fuzilados dentro de um carro. No dia 22 de janeiro de 1972, foram divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo as mortes de Alex de Paula Xavier Pereira e Gelson Reicher. A versão oficial divulgada para os órgãos de comunicação afirmava que os dois teriam atirado contra policiais e desencadeado um tiroteio, do qual teriam saído mortos: “O volks de placa CK 4848 corre pela Avenida República do Líbano. Em um cruzamento, o motorista não respeita o sinal vermelho e quase atropela uma senhora que leva uma criança no colo. Pouco depois, o cabo Silas Bispo Feche, da PM, que participa de uma patrulha, manda o carro parar. Quando o volks pára, saem do carro o motorista e seu acompanhante atirando contra o cabo e seus companheiros; os policiais também atiram. Depois de alguns minutos três pessoas estão mortas, uma outra ferida. Os mortos são o cabo da Polícia Militar e os ocupantes do volks, terroristas Alex de Paula Xavier Pereira e Gelson Reicher”. [5] Na mesma nota foram divulgados os nomes com que os dois foram enterrados: Alex como João Maria de Freitas e Gelson como Emiliano Sessa, ambos enterrados no cemitério em Perus. Somente em 1979, é que foi achado o corpo de Alex, que três anos depois foi trasladado para o Rio de Janeiro.

Quando foi analisado pela Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos, o caso de Alex chamou a atenção pela versão do tiroteio não fazer sentido com o exame do IML, encontrado em arquivos secretos do DOPS. O legista afirmou que, tendo em vista as equimoses e escoriações pelo corpo de Alex, o laudo do IML não se sustenta, pois “com a descrição destas lesões podemos afirmar que o Sr. Alex esteve preso por seus agressores, que provocaram lesões não fatais e posteriormente desferiram lesões mortais, sendo as primeiras absolutamente desnecessárias tendo contribuído apenas para aumento do sofrimento antes da morte configurando-se o verdadeiro processo de tortura”.[2]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Comissão da Verdade do Estado de São Paulo. «Caso Alex de Paula Xavier Pereira». Consultado em 13 de junho de 2014 
  2. a b Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. «Acervo – Mortos e Desaparecidos Políticos». Consultado em 13 de junho de 2014 
  3. Desaparecidos Políticos. «Alex de Paula Xavier Pereira». Consultado em 13 de junho de 2014 
  4. Comissão da Verdade do Estado de São Paulo. «Alex de Paula Xavier Pereira». Consultado em 13 de junho de 2014 
  5. Arquivo Público do Estado de São Paulo. 22 de janeiro de 1972 http://acervo.estadao.com.br/pagina/#!/19720222-29720-nac-0001-999-1-not. Consultado em 14 de junho de 2014  Em falta ou vazio |título= (ajuda)