Gelson Reicher

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Gelson Reicher
Nascimento 20 de fevereiro de 1949
São Paulo, Brasil
Morte 20 de janeiro de 1972 (22 anos)
São Paulo, Brasil
Nacionalidade Brasil brasileira
Ocupação político, guerrilheiro
Influências

Gelson Reicher (São Paulo, 20 de fevereiro de 1949 — São Paulo, 20 de janeiro de 1972) foi um estudante de medicina e militante da Ação Libertadora Nacional (ALN). É um dos casos investigados pela Comissão da Verdade, que apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido na capital do Estado de São Paulo, Gelson Reicher era o único filho homem de Berel Reizel Reicher e Blima Reicher. Era estudante do quinto ano da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e dava aulas no curso de pré–vestibular MED. Foi diretor do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz (CAOC) e dirigiu o grupo de teatro dos alunos da faculdade, além de escrever poesias e peças de teatro, compor músicas para as encenações e ser responsável pela direção dos espetáculos.

O quarto de Gelson foi mantido intacto, quase dez anos depois de sua morte, pela família, com todos os objetos no mesmo lugar em que deixará quando estivera lá pela última vez.

Sua irmã Felícia Madeira foi amiga de infância de Iara Iavelberg, militante integrante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). Junto com Iuri Xavier Pereira, na ALN, Reicher criou os jornais Ação e 1° de Maio, e retomou a publicação O Guerrilheiro. [1]

Morte[editar | editar código-fonte]

Gelson Reicher foi morto junto com Alex de Paula Xavier, também integrante da Ação Libertadora Nacional (ALN), no dia 20 de janeiro de 1972, quando estava prestes a completar 23 anos. Os dois foram enterrados no Cemitério de Perus, com nomes falsos: Alex como João Maria de Feitas e Gelson com o nome Emiliano Sessa.

O caso[editar | editar código-fonte]

Segundo os registros da morte o caso foi registrado da seguinte maneira: O fusca em que estavam Gelson e Alex estava em alta velocidade pela avenida República do Líbano, ultrapassou um farol vermelho e quase atropelou uma mulher que estava com uma criança. O cabo Silas Bispo Feche, que estava em uma patrulha no local, dá ordem para o carro parar. Assim que o carro para, os dois militantes saem atirando contra o cabo e outros policiais que se encontravam no local. No final do tiroteio estão mortos o cabo, Gelson Reicher e Alex de Paula Xavier. A nota oficial informou tanto os nomes falsos dado as vítimas, quanto seus nomes verdadeiros. [2]

Incongruências no relato[editar | editar código-fonte]

  1. As mortes só foram relatadas dois dias depois do ocorrido
  2. Os mortos foram registrados no cemitério de Perus com nomes falsos
  3. Em 1992 foi encontrado um depoimento nos arquivos do Departamento de Ordem Política e Social (DOPs), o depoimento de um preso, informando características físicas e possíveis locais que Alex de Paula Xavier e Gelson Reicher, poderiam estar; o que desmente a nota oficial de que o encontro entre policiais e os militantes foi ocasional
  4. Uma perícia realizada em 1996 pelo legista Nelson Massini, baseado no laudo divulgado pela ditadura e nas fotos da autópsia, alegou que Alex sofreu agressões antes de ser morto, comprovado por marcas no corpo. [3]

A verdade da morte[editar | editar código-fonte]

Quando deram entrada no Instituto Médico Legal (IML), tanto Alex quanto Gelson estavam só de cueca. O exame feito pelo legista Nelson Massini, as fotos do corpo de Alex, e os documentos do IML comprovaram que a versão oficial não se sustentava.

O perito que analisou o corpo de Gelson Reicher foi Isaac Abramovitc, que ignorou as escoriações pelo corpo, e só relatou no laudo os ferimentos à bala; e mais tarde foi denunciado junto ao Conselho Federal de Medicina por colaborar com as ações da ditadura militar. Abramovitc, inclusive, era amigo próximo da família de Reicher. Ao depor na CPI, ele alegou não ter reconhecido o corpo do militante, mas foi ele próprio que avisou a família sobre a morte e por isso o corpo foi resgatado dias depois de ter sido enterrado. [4] [5]

Testemunhas[editar | editar código-fonte]

O ex-administrador do Cemitério de Perus, Antonio Pires Eustácio, deu seu depoimento na audiência pública da Comissão Nacional da Verdade em conjunto com a Comissão da Verdade do estado de São Paulo “Rubens Paiva”, no dia 24 de fevereiro de 2014, e relatou o que acontecia no cemitério e como ajudou familiares a encontrar os corpos dos desaparecidos.

Eustácio afirmou que antes da criação da vala comum, onde eram enterrados todos os mortos considerados indigentes, o plano do governo era desenterrar e cremar todos esses corpos, o que teria dificultado a identificação dos militantes. O plano só não seguiu em frente devido a questões legais. Com isso, todos os indigentes eram enterrados na vala comum e continham o registro em um livro.

O ex-administrador se recorda de que todos os militantes de oposição ao regime, como é o caso de Gelson Reicher, eram marcados com um “T” vermelho, indicando a palavra terrorista, no livro de registros. O símbolo ficava no canto superior junto com uma descrição mínima do morto; além de ser proibido que as famílias tivessem acesso a isso.

Na audiência ainda depuseram o ex-preso político Gilney Viana, assessor da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, e a irmã de Iuri Xavier Pereira e Alex Xavier Pereira, e ex-integrante da ALN, Iara Xavier Pereira, que relatou a dificuldade de encontrar o corpo dos seus dois irmãos, mortos pela ditadura.[6]

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Com a iniciativa da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, com a parceria do Centro Acadêmico Oswaldo Cruz, no dia 9 de novembro de 2007, foi feito um memorial na sede do centro acadêmico, em homenagem a Gelson Reicher e e Antônio Carlos Nogueira Cabral, ex-presidente da entidade e também militante da ALN, que foi morto no Rio de Janeiro em 12 de abril de 1972.

Em são Paulo, no Jardim da Glória, uma praça recebe o nome de Gelson Reicher [7]

Referências