Aluísio Palhano Pedreira Ferreira

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Aluísio Palhano Pedreira Ferreira
Nome completo Aluísio Palhano Pedreira Ferreira
Nascimento 21 de maio de 1922
São Paulo, Brasil
Morte 21 de maio de 1971 (49 anos)
São Paulo, Brasil
Nacionalidade Brasil brasileira
Ocupação bancário, sindicalista, militante

Aluísio Palhano Pedreira Ferreira (Pirajuí, 5 de setembro de 1922São Paulo, 21 de maio de 1971) foi um bancário, sindicalista e militante da Vanguarda Popular Revolucionária desaparecido na ditadura militar brasileira. É um dos casos investigados pela Comissão da Verdade, que apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.

Juventude[editar | editar código-fonte]

Aluísio Palhano Pedreira Ferreira nasceu no dia 5 de setembro de 1922, na cidade de Pirajuí, em São Paulo. Era o segundo filho do fazendeiro João Alves Pedreira Ferreira e de sua mulher Henise Palhano Pedreira Ferreira.[1]

Em 1932, com 10 anos, Aluísio mudou-se para a casa da avó materna em Niterói, no Rio de Janeiro. Após se formar em direito pela UFF, ingressou na carreira de bancário trabalhando no Banco do Brasil, e foi por duas vezes presidente do Sindicato dos Bancários. Em 1963, foi eleito presidente da Confederação dos Trabalhadores dos Estabelecimentos de Crédito e vice-presidente da antiga CGT.[1]

Em 1947, com 25 anos, casou-se com Leda Pimenta, com quem teve dois filhos, Márcia e Honésio.

Ditadura[editar | editar código-fonte]

Em 1964, sendo o líder sindical bancário mais proeminente da época, teve seus direitos políticos cassados e sofreu perseguição direta do regime militar, situação que o fez deixar o país. Em maio do mesmo ano, pediu asilo na Embaixada do México, e foi posteriormente para Cuba. Lá, foi o representante brasileiro na Organização Latino-Americana de Solidariedade, em Havana. Ficou no país até 1970, quando voltou clandestinamente para o Brasil, sob o codinome de João Alves Pedreira Ferreira, identidade de seu falecido pai[1]. Posteriormente, descobriu-se que governantes do regime militar vigiaram Aluísio entre os anos de 1964 até 1970.[2]

Neste período, manteve contato limitado com sua família, o último ocorrido no dia 24 de abril do mesmo ano. Depois disso, Aluísio foi dado como desaparecido.[1]

Prisão e Morte[editar | editar código-fonte]

Seu sequestro aconteceu no dia 6 de maio de 1971, na cidade de São Paulo, provavelmente a partir de denúncia do agente policial infiltrado Cabo Anselmo, que era seu contato na VPR[3]. Aluísio foi levado para o DOI-CODI de São Paulo, onde ficou por seis dias, e depois para a Casa da Morte, em Petrópolis, onde esteve com Inês Etienne Romeu.[4] No dia 13 de maio, retornou ao DOI-CODI/SP, onde ficou por pouco mais de uma semana, até ser assassinado. Durante o período, Inês relatou o estado debilitado de Aluísio, e as sessões repetidas de tortura que sofria.

Em 1º de agosto de 1978, uma carta escrita por Altino Dantas Jr. - seu companheiro de prisão - e encaminhada ao Ministro do Superior Tribunal Militar, General Rodrigo Otávio Jordão Ramos, denunciava o assassinato de Palhano nas dependências do DOI-CODI da Rua Tutóia, em São Paulo, na madrugada de 21 de maio de 1971. Segundo o depoimento, confirmado pela Anistia Internacional, Aluísio veio do Cenimar do Rio de Janeiro e foi mantido prisioneiro no local, até ser morto pelas mãos da equipe do torturador Dirceu Gravina.

Sobre a ocasião, Dantas Jr escreveu:

Por volta do dia 16 de maio, Aluísio Palhano chegou àquele organismo do II Exército, recambiado do Cenimar do Rio de Janeiro (...) Na noite do dia 20 para 21 daquele mês de maio, por volta das 23 horas, ouvi quando o retiraram da cela contígua à minha e o conduziram para a sala de torturas, que era separada da cela forte, onde me encontrava, por um pequeno corredor. Podia, assim, ouvir os gritos do torturado. A sessão de tortura se prolongou até a alta madrugada do dia 21, provavelmente 2 ou 4 horas da manhã, momento em que se fez silêncio. (...) 'Alguns minutos após, fui conduzido a essa mesma sala de torturas, que estava suja de sangue mais que de costume. Perante vários torturadores, particularmente excitados naquele dia, ouvi de um deles, conhecido pelo codinome de ‘JC’ (cujo verdadeiro nome é Dirceu Gravina), a seguinte afirmação:’Acabamos de matar o seu amigo, agora é a sua vez’. (...) Entre outros, se encontravam presentes naque-le momento os seguintes agentes: ’Dr. José’ (oficial do Exército, chefe da equipe); ‘Jacó’ (integrante da equipe, cabo da Aeronáutica); Maurício José de Freitas (‘Lunga’ ou ‘Lungaretti’, integrante dos quadros da Polícia Federal), além do já citado Dirceu Gravina ‘JC’, e outros sobre os quais não tenho referências.[5]

Em 1991, o nome de Aluísio Palhano foi encontrado, no arquivo do DOPS/PR, numa gaveta com a identificação "falecidos" [6]. Nesta lista, além dos já citados por Dantas Jr, o então Comandante do DOI-CODI/SP, Major Carlos Alberto Brilhante Ustra e o Capitão Ítalo Rolim aparecem como nomes envolvidos no sequestro, tortura e morte de Aluísio[7].

Apesar dos depoimentos, sua morte nunca foi confirmada oficialmente pelas autoridades. O nome de Aluísio consta na lista de desaparecidos políticos anexa à Lei no 9.140/95,[5] tendo sido preso em 9 de maio de 1971 em São Paulo.</ref> Seu corpo nunca foi encontrado, havendo boatos de que foi atirado em um rio ou incinerado em algum dos altos-fornos de usinas de açúcar em Campos, junto com outros presos políticos assassinados.[8]

Em 2012, o Ministério Público Federal denunciou à Justiça Federal em São Paulo Carlos Alberto Brilhante Ustra e Dirceu Gravina, que ainda encontrava-se na ativa na Polícia Civil de São Paulo, pelo crime de sequestro qualificado, que, por ser permanente, não pode ser contemplado pela Lei da Anistia de 1979. A denúncia foi rejeitada pela 10ª Vara Criminal de São Paulo, que tomou o fato como prescrito. O MPF entrou com recurso na 2ª Turma do TRT da 3ª região e aguarda decisão.[9]

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Em 1986, o Grupo Tortura Nunca Mais inaugurou uma rua com o nome de Aluísio Palhano, no bairro de Campo Grande, no Rio de Janeiro. Posteriormente, uma rua em São Paulo também foi renomeada em sua homenagem.

Em 1994, recebeu a Medalha Pedro Ernesto, da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, proposta pelo vereador Adilson Pires.

Em 2000, recebeu a Medalha Chico Mendes de Resistência outorgada pelo Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro, por indicação do Sindicato dos Bancários.[10]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d Aluísio Palhano Pedreira Ferreira | Mortos e Desaparecidos Políticos
  2. Audiências Abertas da Comissão da Verdade - São Paulo, 25/02/2013 - página 62
  3. Audiências Abertas da Comissão da Verdade - São Paulo, 25/02/2013 - página 56
  4. Casos de Abílio Clemente Filho, Virgílio Gomes e Aluísio Palhano são discutidos em audiência , No documento do MPF consta o relato de três testemunhas (Altino Dantas Júnior, Lenira Machado e Inês Etienne Romeu) das torturas e da transferência de Aluísio de São Paulo para o Cenimar/RJ e de seu retorno para São Paulo.
  5. a b ACERVO - MORTOS E DESAPARECIDOS POLÍTICOS
  6. Aluísio Palhano Pedreira Ferreira. Grupo Tortura nunca mais / RJ, 24 de junho de 2013.
  7. Audiências Abertas da Comissão da Verdade - São Paulo, 25/02/2013 - página 60
  8. Para bancários do Rio de Janeiro, é hora da verdade sobre a morte de Aluísio Palhano
  9. Audiências Abertas da Comissão da Verdade - São Paulo, 25/02/2013 - página 61
  10. Medalha Chico Mendes de Resistência