Ângelo Arroyo

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Ângelo Arroyo
Nascimento 6 de novembro de 1928
São Paulo, Brasil
Morte 16 de dezembro de 1976 (48 anos)
São Paulo, Brasil
Nacionalidade Brasilbrasileiro
Ocupação sindicalista, guerrilheiro
Influências

Ângelo Arroyo (São Paulo, 6 de novembro de 1928 – São Paulo, 16 de dezembro de 1976) foi um dirigente do Partido Comunista do Brasil (PC do B), integrante da Guerrilha do Araguaia e um dos dois únicos combatentes a saírem vivos do conflito após os embates dos guerrilheiros com as Forças Armadas. É um dos casos investigados pela Comissão da Verdade, que apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Participação Política

Ângelo Arroyo filiou-se ao PCdoB aos 17 anos, em 1945, e no ano seguinte foi eleito membro do Comitê Regional de São Paulo e secretário do Comitê Distrital da Mooca. Atuava como operário metalúrgico e passou a integrar o movimento sindical do estado de São Paulo, onde viria a ser um dos líderes do Sindicato dos Metalúrgicos nos anos 50. Como sindicalista, participou das greves e manifestações ocorridas em São Paulo nos anos 1952 e 1953, que resultaram em sua prisão por algumas ocasiões. [1]

Além da sua atuação em São Paulo, Arroyo participou de movimentos políticos em áreas rurais ao redor do país. Uma das ações que contou com a sua participação foi a Revolta e Formoso e Trombas,organizada por camponeses sem terra, em Goiás, nos anos de 1950 a 1957. Pouco antes do Golpe Militar, em 1962, tornou-se membro da Comissão Executiva do Comitê Central pela Conferência Nacional Extraordinária organizada pelo partido ao qual era afiliado.

Ideologia

Influenciado pelas ideologias de esquerda, Arroyo defendia a luta armada revolucionária. Acreditava na ideologia científica do proletariado e, em 1956, junto aos seus colegas de partido Pedro Pomar, Maurício Grabois, Lincoln Roque, Lincoln Oest, Luiz Guilhardini e João Amazonas, entrou em defesa do Partido Bolchevique, de Lenin e Stálin, quando no XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética, foram feitas críticas à linha revolucionária do partido soviético. [2]

Em 1960, durante a organização do V Congresso do Partido Comunista do Brasil, Arroyo se opôs à linha revisionista de Luís Carlos Prestes, que abria mão da luta armada. Nos anos seguintes, ele participou de atividades contra o revisionismo na cidade de São Paulo. Nos dois anos seguintes, colaborou para a reestruturação do Partido Comunista do Brasil, sendo eleito membro do Comitê Central e da Comissão Executiva durante a organização da Conferência Nacional Extraordinária organizada pelo partido.

Araguaia[editar | editar código-fonte]

Com a implantação da ditadura militar no Brasil em 1964, Arroyo entrou na clandestinidade e foi para o nordeste ajudar a desenvolver núcleos de resistência na área rural do país. Integrante do comitê central do Partido, foi um dos primeiros quadros partidários a instalarem-se no Araguaia, sob o codinome de ‘Joaquim’, assumindo por alguns anos a condição de pequeno comerciante local, enquanto se faziam os preparativos para a instalação da guerrilha.

No sul do Pará, era um dos comandantes da guerrilha, ajudando a organizar pequenos grupos para furar o cerco militar. Arroyo assumiu o comando do destacamento A, em 1972, onde integrou a Comissão Militar das Forças Guerrilheiras do Araguaia. Era responsável pela comunicação entre os destacamentos guerrilheiros e a comissão militar. [3] Foi um dos poucos sobreviventes das investidas militares ao longo da Guerrilha do Araguaia e só saiu de lá em janeiro de 1974 quando o movimento havia sido dispersado pelo exército. Fugiu da zona de conflito com o guerrilheiro ‘Zezinho do Araguaia’, quando os últimos guerrilheiros já haviam sido assassinados pelas Forças Armadas. Ele e Zezinho foram os únicos a escapar do cerco do exército, após o ataque à Comissão Militar da Guerrilha, que resultou na morte do líder do partido Maurício Grabois. Deixaram para para trás cerca de sessenta companheiros mortos nas matas da Amazônia.[4]

Seu Relatório Arroyo, em que relata a ação de resistência comunista no Araguaia é um dos principais e únicos documentos existentes sobre a história da guerrilha. Nele foram indicadas as ações do movimento, além das mortes e desaparecimentos ao longo dos dois anos da Guerrilha do Araguaia. Até hoje, o relatório feito por Arroyo e apreendido no dia de sua morte é o mais completo documento sobre a ação no sul do Pará.[5]

Relatório Arroyo[editar | editar código-fonte]

Tido como o principal documento sobre a Guerrilha do Araguaia, mesmo 30 anos depois dos acontecimentos, o Relatório Arroyo(1974) foi entregue aos líderes do partido comunista em São Paulo logo após a fuga de Ângelo Arroyo do cerco das Forças Armadas. O documento é dividido em 9 partes: Primeira campanha, Início da luta, Segunda campanha, Avanços e perdas, Período de Trégua, A guerrilha e as massas, Ação militar, Novas tarefas e medidas da CM e Terceira campanha. Entre os pontos de destaque do documento, está o depoimento de Arroyo sobre o apoio das massas ao movimento no sul do Pará, conforme explicitado no seguinte trecho:

[6]

Morte[editar | editar código-fonte]

Depois de sair da Guerrilha do Araguia, Arroyo não teria vida longa.. Em 16 de dezembro de 1976, foi fuzilado junto com o também líder comunista Pedro Pomar, ambos desarmados, em uma emboscada feita por agentes do Doi-Codi, numa casa da Rua Pio XI, no bairro da Lapa, em São Paulo, quando participava de uma reunião da direção do PCdoB.[7]. Eles se reuniam para redigir uma nova edição do jornal A Classe Operária, publicação do Partido Comunista que começou a circular em 1925, distribuída sigilosamente no Brasil durante o período da Ditadura Militar. [8]

O episódio ficou conhecido como Chacina da Lapa. Os agentes do DOI-CODI/SP cercaram o local e não houve troca de tiros, apesar dos documentos militares supostamente forjados indicarem ter havido um tiroteio. Ângelo Arroyo e Pedro Pomar foram mortos no interior da casa e João Baptista Franco, segundo nota oficial, teria sido morto por atropelamento perto do local da fuzilaria. O corpo de Ângelo Arroyo está enterrado no Cemitério da IV Parada em São Paulo.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. "Tortura Nunca Mais">TorturaNunca Mais/RJ
  2. "A Nova Democraria">[1], A Nova Democracia
  3. "Grabois">[2], Organização Grabois
  4. Gaspari, Elio - A Ditadura Escancarada, Cap. A floresta dos homens sem alma, Companhia das Letras, 2002
  5. «Dicionário Político». Consultado em 24 de abril de 2011 
  6. "Organização Grabois">[3], Organização Grabois.
  7. "Tortura Nunca Mais"
  8. "Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos"

Bibliografia[editar | editar código-fonte]