Ladislau Dowbor

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Ladislas Dowbor, conhecido como Ladislau Dowbor (Banyuls-sur-Mer, França, 1941), é um economista brasileiro, de origem polonesa.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de Ladislas Dowbor e de Sofia Denartevicz,[1] nasceu na França, durante a Segunda Guerra Mundial, quando seus pais estavam a caminho da América, fugindo da guerra. A partir de 1951, a família se estabelece no Brasil.

Depois de formar-se em Economia Política na Universidade de Lausanne, na Suíça, obteve seu mestrado e doutorado em Ciências Econômicas (1976) na Escola Central de Planejamento e Estatística de Varsóvia (atual Escola de Economia de Varsóvia; em polonês, Szkoła Główna Handlowa w Warszawie).[2]

Durante o regime militar de 1964, foi militante de esquerda e membro da direção da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Como líder da organização, participou, em março de 1970, do sequestro de Nobuo Okuchi, cônsul do Japão em São Paulo. Menos de um mês depois da libertação do diplomata (em troca da liberação de cinco presos políticos: Damaris de Oliveira Lucena, esposa do falecido Antonio Raimundo de Lucena, e seus três filhos; Shizuo Ozawa,[3] Diógenes José de Carvalho Oliveira; Otávio Ângelo; Madre Maurina , do Lar Santana de Ribeirão Preto), Ladislau e os demais militantes envolvidos no sequestro foram presos pelos órgãos de segurança. Na prisão, Ladislau foi torturado[4] até que, nos primeiros dias de 1971, foi incluído no grupo de 40 presos políticos libertados em troca do embaixador suíço Giovanni Bucher, também sequestrado, numa operação comandada por Carlos Lamarca. [5] A companheira de Ladislau, a psicóloga Pauline Philipe Reichstul (1947 - 1973) também acabou sendo presa e foi torturada até a morte, juntamente com outros cinco membros da VPR, no episódio conhecido como "Chacina da Granja de São Bento", operação montada em 8 de janeiro de 1973, pelo delegado Sérgio Fleury, o infiltrado cabo Anselmo e o agente do DOPS Carlos Alberto Augusto, na cidade de Paulista, Região Metropolitana do Recife.[6]

No exílio, Ladislau Dowbor viveu inicialmente na Argélia. Ainda nos anos 1970, foi professor de finanças públicas na Universidade de Coimbra. A convite do ministro Vasco Cabral, tornou-se coordenador técnico do Ministério de Planejamento da Guiné-Bissau (1977-81). Também trabalhou como consultor na Nicarágua, Costa Rica, África do Sul e no Equador.

Anistiado, regressou ao Brasil.

Entre 1989 e 1992 foi Secretário de Negócios Extraordinários da Prefeitura de São Paulo (administração de Luiza Erundina), respondendo especialmente pelas áreas de meio ambiente e relações internacionais.[7]

Atualmente é professor titular no departamento de pós-graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, nas áreas de economia e administração. Continua a atuar como consultor de diversas agências das Nações Unidas, bem como de governos e municípios, além de várias organizações do sistema S. Atua como conselheiro no Instituto Polis, CENPEC, IDEC, Instituto Paulo Freire, Conselho da Cidade de São Paulo e outras instituições. Nos anos mais recentes, tem trabalhado no desenvolvimento de sistemas descentralizados de gestão, particularmente em administrações municipais. [8]

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

Ladislau Dowbor é autor ou coautor de mais de 40 livros, a exemplo de Formação do Terceiro Mundo e O que é capital (ambos da editora Brasiliense), Aspectos econômicos da Educação (editora Ática) e Formação do Capitalismo no Brasil, publicado em diversos países e atualizado em 2010. Seu livro mais recente, Democracia Econômica, apresenta 20 eixos de mudanças para o país e pode ser baixado na íntegra a partir do site do autor (dowbor.org)

Referências

  1. Diário Oficial do Estado de São Paulo (DOSP), 27/01/1970. Poder Executivo, p. 87
  2. Entrevista com Ladislau Dowbor: Quem tem medo da reforma tributária. Jornal Extra Classe, maio de 2013.
  3. Shizuo Ozawa: "Quero esquecer que ele existiu." Revista Época, 29 de novembro de 2010
  4. Um relato pessoal sobre a guerrilha. Por Euler de França Belém. Revista Bula — Literatura e Jornalismo Cultural, 18 de julho de 2009.
  5. Dowbor: ausência de reformas bloqueou lulismo. Por Ladislau Dowbor. Outras Palavras, 7 de agosto de 2015.
  6. Sobrevivente da chacina, em que morreram seis militantes da VPR, reaparece e revela fatos novos
  7. Ladislau Dowbor (dados biográficos). Crises e Oportunidades.
  8. Site oficial de Ladislau Dowbor

Ligações externas[editar | editar código-fonte]