Massafumi Yoshinaga

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Massafumi Yoshinaga (Paraguaçu Paulista , 22 de janeiro de 1949 - São Paulo, 7 de junho de 1976) foi um militante que fez parte do Movimento secundarista e da Vanguarda Popular Revolucionária. Ficou conhecido por ser um dos militantes de esquerda que gravaram depoimentos para a televisão renegando suas convicções políticas anteriores e se manifestando contra organizações clandestinas.

É um dos casos investigados pela Comissão da Verdade, que apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.

Vida[editar | editar código-fonte]

Massafumi nasceu em Paraguaçu Paulista era filho Kiyomatsu Yoshinaga e Mitsuki Kuriki. Estudou no Colégio Brasílio Machado, na Vila Mariana, capital paulista.

Movimento Secundarista[editar | editar código-fonte]

Começou a participar do Movimento Estudantil Secundarista enquanto ainda era estudante do ensino médio no Colégio Brasílio Machado, em 1966. Em junho de 1967, foi designado ao congresso da União Paulista dos Estudantes Secundaristas, e acabou sendo eleito vice-presidente da entidade. Em 1968, passou a dirigir o jornal “Avante”, em sua escola, e se tornou liderança conhecida nesse segmento estudantil.

Vanguarda Popular Revolucionária[editar | editar código-fonte]

Tornou-se militante da Vanguarda Popular Revolucionária. Massafumi passou alguns meses na primeira área de treinamentos que a VPR selecionou no Vale do Ribeira, juntamente com os revolucionários Celso Lungaretti, Carlos Lamarca, Lavecchia e Yoshitane Fujimori. Em 1970, Massafumi e Lungaretti foram removidos daquela área. Lungaretti foi preso em abril daquele ano, pouco antes de os órgãos de segurança descobrirem a presença de Lamarca naquela região. Depois de alguns meses mas ainda em 1970, Massafumi se apresentou voluntariamente aos órgãos de segurança depois de passar alguns meses sem contato com a VPR, enfrentando dificuldades de sobrevivência e sendo avidamente procurado pelo regime militar, pois era confundido com Fujimori, que foi acusado este de participação em inúmeras ações armadas, enquanto que Massafumi tinha, na VPR, militância de base. Os dois eram nisei.

Retratação e arrependimento[editar | editar código-fonte]

Em 2 de julho de 1970, concedeu entrevista à TV Tupi[1] quando renegou suas convicções políticas anteriores e se manifestou contra organizações clandestinas. Massafumi foi posto em liberdade dias depois. Vale ressaltar que os protagonistas de boa parte dos “arrependimentos”, inclusive os de maior repercussão, foram secundaristas que, em circunstâncias normais, teriam demorado muitos anos para atingirem tal grau de militância. Entretanto, a esquerda armada estava perdendo muitos quadros e precisava repô-los rapidamente, então diminuiu a rigidez nos critérios de admissão e mesmo de treinamento.

Problemas psicológicos[editar | editar código-fonte]

Depois de ser posto em liberdade, Massafumi tentou trabalhar como vendedor de coleções de livros, pesquisador de mercado, corretor de imóveis, mas não se fixou em nenhum trabalho. No processo apresentado por seus familiares à Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos[2] consta que, após submeter-se a retratação pública, Massafumi passou a sofrer distúrbios psicológicos que terminaram se revelando permanentes. Massafumi Tinha alucinações e dizia repetidamente que a Operação Bandeirante estava atrás dele e que queria matá-lo. Diante disso, submeteu-se a diversos tratamentos psiquiátricos. Em 1973, seu estado de saúde mental piorou por causa da morte de sua mãe. De outubro de 1975 a abril de 1976, esteve internado no Hospital das Clínicas de São Paulo, em tratamento psiquiátrico.

Morte[editar | editar código-fonte]

Massafumi cometeu suicídio em 7 de junho de 1976, na cidade de São Paulo, em sua casa na Vila Odete, seis anos depois de gravar seu depoimento. Ele já havia tentado se matar antes outras duas vezes, na primeira se jogou embaixo de um ônibus e na segunda tentou se jogar pela janela. Na terceira e última, Massafumi se enforcou com a mangueira de plástico do chuveiro do apartamento que dividia com seu pai e dois de seus cinco irmãos. A historia da vida e morte do Massafumi é contada pelo historiador Jeffrey Lesser no livro Uma Diaspora Descontente. [3]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Entrevista de Massafumi à TV Tupi http://www.bcc.org.br/tupi/detalhe/44741.
  2. Relatório sobre Massafumi Yoshinaga da Comissão Especial Sobre Mortos e Desaparecidos http://cemdp.sdh.gov.br/modules/desaparecidos/acervo/ficha/cid/137.
  3. Uma Diáspora Descontente: Os Nipo-Brasileiros e os Significados da Militância Étnica, 1960-1980 (São Paulo: Editora Paz e Terra, 2008) http://www.record.com.br/livro_sinopse.asp?id_livro=27390