Wânio José de Mattos

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Wânio José de Mattos
Nome completo Wânio José de Mattos
Nascimento 27 de abril de 1926
Santa Catarina, Brasil
Morte 16 de outubro de 1973 (47 anos)
Santiago, Chile
Nacionalidade Brasil brasileiro
Ocupação policial

Wânio José de Matos (Piratuba, 27 de abril de 1926 – Santiago 16 de outubro de 1973), filho de José Antônio de Mattos e Luiza Santos Mattos, foi capitão da Polícia Militar de São Paulo e militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). [1][2] É um dos casos investigados pela Comissão da Verdade, que apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Wânio José de Matos, militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) e capitão da Polícia Militar de São Paulo, nasceu em Piratuba. Morreu em 1973, aos 47 anos de idade. Preso pela Operação Bandeirantes, em 1970, foi expulso da Polícia e exilado no Chile, em 1971. Somente após o Relatório Rettig (1992), seus familiares tiveram acesso às informações sobre as circunstâncias de sua morte e o Estado Chileno assumiu a reparação financeira. Sua certidão de óbito, feita em Santiago (Chile), no Hospital de Capaña do Estádio Nacional dá sua morte em 16 de outubro de 1973, tendo como causa mortis “peritonite aguda”. Não há assinaturas de médicos legistas. Lá, como aqui, forjavam-se causas mortis. [3]

Acusações e morte[editar | editar código-fonte]

Wânio José de Mattos era acusado pelos órgãos de segurança do regime militar de apoiar as atividades da VPR, integrando a sua área de Inteligência. Preso por agentes da OBAN em abril de 1970, foi expulso da PM e banido para o Chile em 1971, junto com outros 69 presos políticos, em troca do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher. Naquele país, trabalhou como professor universitário. Com o golpe militar que derrubou o presidente Salvador Allende, em 11/09/1973, no Chile, Wânio e a mulher foram presos e levados para o Estádio Nacional, em Santiago, conforme testemunho da exilada Marijane Vieira Lisbôa. Morreu em 16 de outubro daquele ano, sem tratamento médico, em consequência de ferimentos causados durante a prisão. A certidão de óbito emitida pelo Hospital de Campanha do Estádio Nacional, sem assinaturas de médicos legistas, deu como causa da morte “peritonite aguda”. A família só teve conhecimento das circunstâncias da morte de Wânio com a divulgação do Relatório Rettig, em 1991, pela Comissão Nacional da Verdade e Reconciliação, que inventariou as violações de Direitos Humanos durante a ditadura de Pinochet. Com base nesse reconhecimento oficial assumido pelo governo do Chile, os familiares receberam indenização definida por lei daquele país. O processo formado junto à CEMDP foi indeferido porque prevaleceu a interpretação de que não restou comprovada, com as informações disponíveis no momento de julgamento do caso, que o Estado brasileiro tivesse responsabilidade pela morte. O reexame do caso foi aventado pelo jornalista Lucas Figueiredo, em 15/04/2007, quando publicou simultaneamente no Correio Braziliense e no Estado de Minas matérias divulgando o conteúdo do chamado Livro negro do terrorismo no Brasil, produzido pelo Exército entre 1986 e 1988. Escreve o jornalista:

“Outro trecho revelador do livro refere-se a Wânio José de Mattos, integrante da VPR que desapareceu no Chile em setembro de 1973, após o golpe militar que depôs o presidente Salvador Allende. Só em 1992, quando os arquivos chilenos foram abertos, a família foi informada pelas autoridades daquele país que, por falta de atendimento médico, Wânio morrera de peritonite aguda no Estádio Nacional, onde se encontrava preso. Contudo, pelo menos quatro anos antes da abertura dos arquivos chilenos, o Exército brasileiro já tinha conhecimento da versão, como mostra a página 788 do livro secreto. O trecho em que se lê ‘Wânio José de Mattos morreu no Chile, em 1973, com peritonite’ é mais uma prova de que, a partir do início da década de 1970, as ditaduras latino-americanas atuavam em estreita sintonia na guerra suja que travavam sobre seus opositores, parceria que ficou conhecida com o nome de Operação Condor.” [4]

Por último, em 22/07/2007 o jornalista Cláudio Dantas Sequeira publicou no Correio Braziliense matéria sobre documentos secretos do Itamarati durante o período ditatorial, reforçando a possibilidade de que autoridades brasileiras tenham contribuído para a prisão e morte de Wânio, visto que fica comprovada a existência de vigilância permanente sobre todos os exilados brasileiros, especialmente no Chile. A reportagem menciona que no Informe 656, de 31/12/1973, o Itamaraty é formalmente comunicado da morte de Wânio em 16/10/1973, nove anos antes do reconhecimento oficial pelo governo chileno e 20 anos antes de os ministérios brasileiros da Marinha, do Exército e da Aeronáutica terem informado oficialmente ao ministro da Justiça Maurício Corrêa que não sabiam daquela morte.[5]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências