Soledad Viedma

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Soledad Viedma
Nome completo Soledad Barret Viedma
Nascimento 6 de janeiro de 1945
Laureles, Paraguai
Morte 8 de janeiro de 1973 (28 anos)
Paulista, Brasil
Nacionalidade Paraguai paraguaia
Ocupação militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR)

Soledad Barret Viedma (Laureles, 6 de janeiro de 1945Paulista, 7 de janeiro de 1973[1]) foi uma guerrilheira e militante comunista paraguaia, integrante da organização de extrema-esquerda Vanguarda Popular Revolucionária (VPR)[2] que fazia a luta armada contra a ditadura militar brasileira. Foi assassinada pelas forças de segurança do regime em 1973, aos 28 anos e grávida, com mais quatro companheiros, no episódio conhecido como Massacre da Chácara São Bento, em Pernambuco.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Soledad Barret Viedma nasceu em 1945, no Paraguai, filha de Alejandro Rafael Barrett López, filho único do escritor anarquista espanhol Rafael Barrett. O avô de Soledad chegou ao Paraguai em 1904 e ficou conhecido por denunciar as injustiças sociais que presenciava, em especial o regime de escravidão dos trabalhadores mais pobres.[3][4]

Sua irmã, Nanny Barrett, disse que seu avô e seu pai foram perseguidos por suas ideias políticas e denúncias. Quando Soledad tinha apenas 3 meses, sua família precisou se exilar na Argentina, onde moraram por cinco anos e depois retornaram ao Paraguai. Sua adolescência foi inquieta, período no qual começou a militar em vários grupos políticos juvenis vinculados à Frente Juvenil-Estudiantil de Asunción.[3][5]

Por conta da militância da família, eles precisaram novamente se mudar devido à repressão da ditadura, desta vez para Montevidéu, no Uruguai. Lá Soledad se destacou no canto e na dança, tornando-se um símbolo da juventude paraguaia, sempre comparecendo em atos de solidariedade a seu país. Mas em 6 de julho de 1962, quando tinha 17 anos, ela foi sequestrada por um comando neonazista uruguaio, Los Salvajes,[6] que marcou em suas coxas a suástica nazista por ela se negar a repetir a frase "Viva Hitler, Abaixo Fidel!".[4][5] Estes grupos associavam o antissemitismo com antissocialismo e Soledad tinha ancestralidade judaica por parte de mãe.[7]

Por volta dessa época, Soledad viaja para Moscou, para estudar na escola do Komsomol por um ano. Estabelece-se na Argentina, militando pelo Partido Comunista Paraguaio. Em 1967, decide viajar a Cuba, onde recebe treinamento militar com a guerrilha, onde conheceu o brasileiro José María Ferreira de Araujo, com quem teve uma filha, chamada Ñasaindy.[3]

Em julho de 1970, José Maria voltou para o Brasil para se juntar à luta armada, mas foi capturado e assassinado por militares. Soledad soube de sua morte apenas no ano seguinte, quando veio ao país para buscá-lo. Antes disso, ela decidira entrar para o movimento brasileiro para se opôr à ditadura, através da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). A VPR a enviou para Recife, com outros combatentes, onde ela conheceu José Anselmo dos Santos, "o cabo Anselmo",[8] que usava o nome de Daniel, que militou junto de José Maria. Cabo Anselmo foi dirigente da Associação de Marinheiros quando o golpe de estado contra João Goulart aconteceu e ficou conhecido como herói pelos companheiros. No entanto, na ditadura instaurada no Brasil em 1968, ele passou a atuar como agente duplo para poder delatar seus companheiros. Por sua função de agente duplo, ele se envolveu com Soledad, muito respeitada pela VPR e juntos se estabeleceram em Olinda, Pernambuco, em 1972.[3][4]

Traição e morte[editar | editar código-fonte]

Soledad, grávida na época, foi delatada por Anselmo em 8 de janeiro de 1973, junto com outros membros da VPR: Pauline Reichstul, Eudaldo Gómez da Silva, Jarbas Pereira Márquez, José Manoel da Silva e Evaldo Luiz Ferreira[3] em uma emboscada.[9] Segundo a polícia, eles foram mortos em confronto na chácara São Bento, evento que passou a ser chamado de “Chacina da Chácara de São Bento”.[10] Porém os delatados por Anselmo foram separados e encarcerados em locais diferentes de Olinda e em seguida assassinados.[11][12] Foi nesta chácara, na cidade de Abreu e Lima, nos arredores de Recife que seus corpos foram encontrados.

O corpo de Soledad nunca foi entregue para a família e ninguém sabe onde ele está sepultado.[3][13]

Referências

  1. MOTA, Urariano (2009). Soledad no Recife. São Paulo: Boitempo. p. 120. ISBN 978-85-7559-138-3 
  2. Corral, Francisco (n.d.). «Recordando a Soledad Barrett - La nieta del escritor Rafael Barrett fue asesinada en 1973». Bitacora (em espanhol). Consultado em 4 de janeiro de 2014. 
  3. a b c d e f «Hace 43 años asesinaron en Brasil a la paraguaya Soledad Barrett». Última hora. Consultado em 1 de julho de 2017. 
  4. a b c Carta Maior (ed.). «Soledad, a mulher do Cabo Anselmo». Direitos Humanos. Consultado em 1 de julho de 2017. 
  5. a b Memórias da Ditadura (ed.). «Soledad Barret Viedma». Memórias da Ditadura. Consultado em 1 de julho de 2017. 
  6. «Brasil pide perdón por un crimen». ABC Color. Consultado em 15 de julho de 2017. 
  7. Broquetas, Magdalena. «A propósito de las repercusiones del "caso Eichmann". Antisemitismo y anticomunismo en Uruguay (1960-1962)» (PDF). Encuentros Uruguayos. Consultado em 4 de abril de 2017. 
  8. Alvaro Magalhães (ed.). «Exclusivo: espião da ditadura, Cabo Anselmo diz que foi traído por chefe da repressão após entregar namorada». R7. Consultado em 1 de julho de 2017. 
  9. Mota, Urariano (17 de outubro de 2011). «Soledad, a mulher do Cabo Anselmo». Carta Capital. Consultado em 4 de janeiro de 2014.. Sem remorso e sem dor, o Cabo Anselmo a entregou grávida para a execução. Com mais cinco militantes contra a ditadura, no que se convencionou chamar “O massacre da granja São Bento”. 
  10. ALUIZIO PALMAR (ed.). «Sobrevivente da "Chacina da Chácara de São Bento" reaparece e revela fatos novos sobre o caso». Documentos Revelados. Consultado em 1 de julho de 2017. 
  11. Veiga, Gustavo. «El regreso del viejo cabo Anselmo». Página 12. Consultado em 1 de julho de 2017. 
  12. Capriglione, Laura. «Filha de guerrilheiros quer resgatar memória dos pais». Folha de S.Paul. Consultado em 1 de julho de 2017. 
  13. Capriglione, Laura (20 de maio de 2012). «Filha de guerrilheiros quer resgatar memória dos pais». Folha de S.Paulo. Consultado em 4 de janeiro de 2014. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]