Boanerges de Souza Massa

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Boanerges de Souza Massa (Avaré, 07 de janeiro de 1938Pindorama, 21 de junho de 1972) foi um médico e guerrilheiro brasileiro que militou na Ação Libertadora Nacional (ALN) e no Movimento de Libertação Popular (Molipo) durante o Regime militar no Brasil. [1][2]

É um dos casos investigados pela Comissão da Verdade, que apura mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de Laura e Francisco de Souza Massa, Boanerges mudou-se ainda pequeno para o município de Rancharia com os pais. Logo retornou para sua cidade natal onde completou o ginásio. A origem humilde não foi um empecilho para sua carreira acadêmica. O guerrilheiro cursou medicina na Universidade de São Paulo (USP), tendo concluído o curso em 1965. Antes de atuar no combate a ditadura brasileira, trabalhou no Hospital das Clínicas, na capital Paulista.

Boanerges tornou-se perseguido político após prestar socorro à Francisco Gomes da Silva, militante da ALN baleado durante uma ação armada. Após este episódio, passou a viver na clandestinidade e a integrar o movimento. Em 1970, o médico foi para Cuba junto com outros militantes, entre eles, Ruy Carlos Vieira Berbert, Maria Augusta Thomaz, Aylton Adalberto Mortati e Ana Corbisier.[3]Permaneceram em uma casa cedida pelo governo cubano - na época Fidel Castro era presidente - e lá realizaram um treinamento de guerrilha, que consistia em estudos e treinamentos físicos. Ainda em Cuba, fundaram o Molipo, uma dissidência da Ação Libertadora Nacional, criada por Carlos Marighella.

Regressou ao Brasil em 1971, com outros militantes, se instalando em Bom Jesus da Lapa. Com o endurecimento das Forças de Segurança na região, se deslocaram para o norte de Goiás.

Desaparecimento[editar | editar código-fonte]

Em maio de 1972, a agência Brasília do Serviço Nacional de Informações encaminhou à Presidência da República um relatório produzido pelo DOI-CODI/CMP; DOI/3ª e CIE/ADP à respeito da intitulada Operação Ilha,[4] cujo objetivo era de localizar e desmembrar núcleos terroristas instalados no Norte do Estado de Goiás, constituídos por elementos da Aliança Libertadora Nacional, procedentes de Cuba. Órgãos de segurança nacional e de repressão policial já monitoravam o Molipo e sabiam sobre a volta ao Brasil. Boanerges de Souza Massa estava entre os militantes que regressariam ao país.

No dia 21 de dezembro de 1971, em Pindorama/GO, Boanerges foi preso pela polícia local se identificando como vendedor de produtos farmacêuticos. O médico possuía dois documentos de identificação, uma com o nome de Julio Martins e outro com o nome de Moyses Jacinto Braga. Em seguida, foi conduzido para Porto Nacional em Goiás, e, sua prisão foi conferida ao CIE/11ª RM. No dia 26 de dezembro do mesmo ano sua remoção para Brasília foi determinada, em seus primeiros interrogatórios confirmou ser Boanerges de Souza Massa, tendo revelado mais tarde o nome de seus companheiros Ruy Carlos Vieira Berbert e Jeová Assis Gomes. De acordo com o relatório, o médico contou a seus interrogadores sobre uma fazenda que o Molipo tinha na região de Araguaína, para servir de base para ações de guerrilha rural.

A Operação Ilha indica que Boanerges foi o primeiro a ser preso e de morte categoricamente admitida pelo relatório. Seu último registro foi documentado no dia 21 de junho de 1972, informando a continuidade dos interrogatórios. O relatório destacou, entretanto, que Boanerges e seu companheiro Jeová encontravam-se debilitados fisicamente, de modo que sua identificação tornou-se difícil.

Devido à ausência de seu nome no Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil, [5] sua prisão não era oficialmente assumida pelos órgãos de segurança do Regime Militar, o que ocorreu apenas quando o requerimento foi apresentado à Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos(CEMDP).

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

A desaparição do guerrilheiro em 1971, ano em que diversos membros do Molipo foram mortos ou desapareceram, gerou a suspeita de que Boanerges poderia ser um informante que estava infiltrado no grupo desde de sua ida para Cuba. A hipótese foi bastante discutida pela esquerda brasileira. Entretanto, documentos do Exército[6]informam que o guerrilheiro foi descoberto e preso a partir de informações colhidas em outra operação contra o Grupo armado, no Rio de Janeiro, no ano em que os assassinatos ocorreram.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Comissão de Familiares de Mortos e desaparecidos do Comitê brasileiro pela Anistia (CBA/RS) - Dossiê Ditadura - Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil 1964-1985, pg.355, Ed. Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009, ISBN 9788570607171
  2. Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. «Acervo - Mortos e Desaparecidos Políticos». Consultado em 1 de junho de 2014 
  3. Centro de Documentação Eremias Delizoicov. «Ficha pessoal». Consultado em 1 de junho de 2014 
  4. http://www.cnv.gov.br/images/pdf/publicacoes/claudio/publicacoes_operacao_ilha.pdf
  5. Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a partir de 1964
  6. Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. «Acervo - Mortos e Desaparecidos Políticos». Consultado em 1 de junho de 2014