Suely Kanayama

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Suely Kanayama
Nascimento 25 de maio de 1948
Coronel Macedo, Brasil
Morte setembro de 1974 (26 anos)
Conceição do Araguaia, Brasil
Nacionalidade Brasil brasileira
Ocupação estudante e guerrilheira
Influências

Suely Yumiko Kanayama (codinome:"Chica"; Coronel Macedo, 25 de maio de 1948Conceição do Araguaia, setembro de 1974) foi uma guerrilheira brasileira, integrante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) e participante da Guerrilha do Araguaia, movimento armado criado na Amazônia brasileira para fomentar uma revolução rural e derrubar a ditadura militar da época, instaurando um governo socialista no país.

Oficialmente desapareceu em setembro de 1974, no Araguaia. Foi um dos casos investigados pela Comissão da Verdade, que apurou mortes e desaparecimentos na ditadura militar brasileira.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nissei filha de um casal dos agricultores imigrantes, Yutaka Kanayama e Emi Noguchi, deixou Coronel Macedo com os pais aos 4 anos e fez seus estudos básicos e secundários no município de Avaré. Com a mudança da família para a cidade de São Paulo em 1965, onde morou no bairro de Santo Amaro, concluiu o segundo grau no Colégio Albert Levy e em seguida ingressou na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH - USP), onde cursou Licenciatura de Língua Portuguesa e Germânica. Nesse mesmo período, filiou-se ao PCdoB. Entre 1968 e 1969 fez, como cadeira opcional, a língua japonesa.[1]

Na USP, tornou-se amiga de Rioko Kayano e, juntas, ingressaram na Ação Popular (AP). Mais tarde, outra nissei, Nair Kobashi, as convidou para militarem no PCdoB. Passaram, então, a serem chamadas de o “exército japonês”.[2]

Após 1967, Sueli tornou-se uma das novas lideranças estudantis, necessária devido à ausência das antigas lideranças, que haviam sido perseguidas, estavam no exterior ou na clandestinidade. Matriculou-se na USP pela última vez em 1970, porém para continuar a luta política ingressou na militância política clandestina.

Guerrilha do Araguaia[editar | editar código-fonte]

Chegou ao Araguaia em fins de 1971, sendo uma das últimas a se integrar ao Destacamento B da Guerrilha, comandado por Osvaldão, onde recebeu o codinome de "Chica". Baixinha e magrinha, apesar da fragilidade física, era determinada e tornou-se uma das mais preparadas guerrilheiras, aprendendo a atirar e a sobreviver na mata, apesar de "ser péssima nos deslocamentos, onde perdia noção de orientação", segundo relatório do Exército Brasileiro de 1993.[1] Atuava como auxiliar de saúde e era chefiada pelo médico João Carlos Haas Sobrinho.[1] Quando houve o reagrupamento da guerrilha com a comissão militar em dezembro de 1973, então sob forte perseguição e ataques das tropas do exército, Suely deixou o grupo em 25 de dezembro com outro guerrilheiro, José Maurílio Patrício, para tentar localizar dois companheiros dispersos na selva,[3] Cilon da Cunha Brum e José Lima Piauhy Dourado.[2] Pouco depois de sua saída, o local foi atacado e os guerrilheiros dizimados.

Suely desapareceu na selva até setembro de 1974, quando a guerrilha já estava praticamente extinta e apenas alguns de seus integrantes ainda vagavam na mata, doentes e famintos. Como quase tudo que cerca a morte dos guerrilheiros do PCdoB no Araguaia, há mais de uma versão para a morte de "Chica". A mais difundida delas diz que, cercada por uma patrulha do exército, recusou rendição e respondeu a tiros, ferindo um soldado; foi então morta por mais de cem tiros de militares com balas de grosso calibre, fato que chocou os soldados e oficiais que viram seu corpo depois de transportado para a base de Xambioá.[4] Outra versão, do depoimento de um sargento do exército, diz que foi presa ferida no confronto, torturada e executada com uma injeção letal na base de Bacaba.[5]

Desaparecida[editar | editar código-fonte]

Sobre a ocultação do cadáver de Kanayama, o coronel da Aeronáutica Pedro Cabral declarou em 1993 que o corpo da guerrilheira foi enterrado na base de Bacaba, local construído pelo exército para interrogatório e guarda de prisioneiros. Durante a operação-limpeza levada a cabo pelo Exército, no início de 1975 – que desenterrou corpos de guerrilheiros dos locais originais para evitar posterior localização – seu corpo, intacto, sem roupa, a pele muito branca e sem nenhum sinal de decomposição, apenas marcas de bala,[2] foi desenterrado e levado de helicóptero até a Serra das Andorinhas, ao norte da região do conflito, onde foi queimado, por desconhecidos,comgasolina e misturado a pneus velhos.[6] Oficialmente é dada como desaparecida política [7] e hoje dá nome a uma rua do bairro de Campo Grande, no Rio de Janeiro, e a outra em Campinas, estado de São Paulo.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Teles, Janaína (org.). Mortos e desaparecidos políticos: reparação ou impunidade?, Humanitas - FFLCH/USP, 2000. ISBN 8575060112
  • MORAIS, Tais de. SILVA, Eumano. Operação Araguaia: os arquivos secretos da guerrilha. ISBN 8575091190.
  • Instituto de Estudo da Violência do Estado (org). Grupo Tortura Nunca Mais - RJ e PE (org). Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Políticos a Partir de 1964. Companhia Editora de Pernambuco - Pernambuco, 1995. p.390 - 391.
  • Site da Comissão Nacional da Verdade
  • Comissão de Familiares de Mortos e desaparecidos do Comitê brasileiro pela Anistia (CBA/RS). Dossiê Ditadura: mortos e desaparecidos políticos no Brasil (1964-1985). Imprensa Oficial de São Paulo, 2009. p. 592 - 594

Referências

  1. a b c d «SUELY YOMIKO KANAYAMA». Secretaria Especial dos Direitos Humanos. Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos. Consultado em 3 de setembro de 2015 
  2. a b c «SUELY YUMIKO KANAYAMA». Comissão da Verdade do Estado de São Paulo. Consultado em 3 de setembro de 2015 
  3. Vermelho.org/Sueli Yumiko Kamaiana (Chica)
  4. MORAIS, Tais de. SILVA, Eumano. Operação Araguaia: os arquivos secretos da guerrilha, Epílogo.
  5. França Belém, Euler. «Militares pagavam por cabeças cortadas». Jornal Opção. Consultado em 4 de setembro de 2015 
  6. VEJA, O fim da guerra no fim do mundo 19 de outubro de 1993
  7. Centro de Documentação Eremias Delizoicov/Kanayama