Maria Regina Lobo Leite Figueiredo

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Maria Regina Lobo Leite Figueiredo
Nascimento 5 de junho de 1938
Rio de Janeiro, Brasil
Morte 29 de março de 1972 (33 anos)
Rio de Janeiro, Brasil
Nacionalidade Brasil brasileira
Ocupação guerrilheira, pedagoga
Influências

Maria Regina Lobo Leite Figueiredo (Rio de Janeiro, 5 de junho de 1938 [1]Rio de Janeiro, 29 de março de 1972) foi uma pedagoga e guerrilheira brasileira, integrante da organização de extrema-esquerda Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), que participou da luta armada contra a ditadura militar brasileira (1964-1985). Morreu após confronto com agentes do governo no bairro de Quintino, cidade do Rio de Janeiro, aos 33 anos, no episódio conhecido como Chacina de Quintino.[1]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Carioca, quinta de seis filhos de um médico pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz e de uma assistente social do INAMPS,[1] integrou a Juventude Universitária Católica e era formada em Filosofia pela Faculdade Nacional de Filosofia (FNFi) da Universidade do Brasil, no Rio de Janeiro.[2] Casada com Raimundo Gonçalves Figueiredo, um dos autores do Atentado do Aeroporto dos Guararapes em 1966, morto em 27 de abril de 1971, deixou duas filhas menores.[3] Os dois haviam se conhecido em Recife, depois da permanência de Regina em Morros, cidade do interior do Maranhão, onde por mais de dois anos realizou trabalho de educadora através do Movimento de Educação de Base (MEB), apoiado pela Igreja Católica. Na época, ela o marido militavam na Ação Popular (AP) e trabalhavam num projeto junto à Fundação Nacional do Índio (Funai) para a educação de índios no Paraná. Após a morte de Raimundo, mudou-se de volta para o Rio de Janeiro.[1]

Segundo o Grupo Tortura Nunca Mais, ela foi ferida quando a casa em que se encontrava foi invadida por agentes do DOI/CODI-RJ no dia 29 de março de 1972. Com ela encontravam-se Lígia Maria Salgado Nóbrega e Antônio Marcos Pinto de Oliveira, todos mortos após a operação. O corpo de Maria Regina chegou ao Instituto Médico Legal como desconhecida, vindo da Avenida Suburbana, n° 8988, casa 72, bairro de Quintino (RJ), com a justificativa de ter sido morta em tiroteio. Testemunhas porém afirmam que, após ser baleada, ela foi levada para o DOI-CODI, onde veio a morrer horas depois, tendo inclusive sido levada para o Hospital Central do Exército.[4]

Sua necrópsia, feita em 30 de março de 1972 pelos Drs. Eduardo Bruno e Valdecir Tagliari, confirma a versão oficial.[2] Foi identificada nesse mesmo dia 30, através de ficha do Instituto de Identificação Félix Pacheco/RJ. Maria Regina foi reconhecida por suas irmãs Maria Eulália, Maria Alice e Maria Augusta, em 7 de abril de 1972, e sepultada no dia seguinte no Cemitério São João Batista. Fotos e laudo de perícia de local (n° 1884/72 e Ocorrência n° 264/72) feitas pelo Instituto de Criminalística Carlos Éboli - ICCE/RJ, mostram o corpo de Maria Regina baleado.[5]

O jornal Correio da Manhã, de 6 de abril de 1972, publicou a notícia de sua morte, sob o título “Terroristas Morrem em Tiroteio: Quintino”. Ao lado de sua foto, dá o nome de outra morta política, Ranúsia Alves Rodrigues.[2] O chamado "Livro Negro" do Exército identifica Maria Regina como sendo a responsável pelo setor de imprensa da VAR-Palmares no Rio de Janeiro, que produzia o jornal União Operária.[1]

Laudo posterior da morte[editar | editar código-fonte]

Em 2013, o setor carioca da Comissão da Verdade fez novas investigações sobre o caso. Documentos em arquivos públicos foram vasculhados, seus integrantes foram a Quintino ouvir testemunhas da época (onde descobriram que o endereço da casa na verdade fica em Cascadura), solicitaram peritos de Brasília e conseguiram o depoimento de um especialista que, em 1972, examinou os corpos no IML. De acordo com este especialista, não havia qualquer vestígio de pólvora nas mãos dos mortos, o que colocou por terra a versão do governo de que havia ocorrido um tiroteio com a morte dos guerrilheiros. A execução dos três, foi então reconhecida oficialmente pela Comissão e permitiu aos parentes das vítimas entrarem com ações contra o Estado por assassinato. [6]

Referências

  1. a b c d e «Mulheres torturadas, desaparecidas e mortas na resistência à ditadura». comunistas.spruz.com. Consultado em 21 de maio de 2013 
  2. a b c «Maria Regina Lobo Leite de Figueiredo». Centro de Documentação Eremias Delizoicov. Consultado em 21 de maio de 2013 
  3. «Raimundo Gonçalves Figueiredo». Centro de Documentação Eremias Delizoicov. Consultado em 21 de maio de 2013 
  4. «Maria Regina Lobo Leite Figueiredo». torturanuncamais-rj.org.br. Consultado em 21 de maio de 2013 
  5. «fotografia». brasil.indymedia.org/. Consultado em 21 de maio de 2013 
  6. Filgueiras, Mariana (24 de novembro de 2013). «O outro lado da história». Revista O Globo. O Globo 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]