Pavilhão João Rocha

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Pavilhão João Rocha
Tipo Arena
Gênero Futsal
Andebol
Hóquei em Patins
Voleibol
Basquetebol
Inaugurada 21 de Junho de 2017
Proprietário Sporting Clube de Portugal
Custo da construção € 9.621.557
Capacidade de pessoas 3000
Website https://missaopavilhao.pt/

O Pavilhão João Rocha é um novo pavilhão gimnodesportivo localizado na freguesia do Lumiar, em Lisboa. Localizado junto ao Estádio José Alvalade, e é atualmente a casa das modalidades do Sporting Clube de Portugal. Em homenagem a uma das mais ilustres figuras da história do Sporting Clube de Portugal, o pavilhão recebeu o nome do antigo presidente do clube, João Rocha, que permaneceu no cargo entre setembro de 1973 e outubro de 1986. A sua inauguração teve lugar no dia 21 de junho de 2017.

Pavilhão[editar | editar código-fonte]

O novo pavilhão gimnodesportivo tem 3000 lugares distribuídos por quatro bancadas distintas e uma área corporate.[1][2] Além de estar destinado a acolher as competições de Futsal, de Andebol, de Voleibol, de Basquetebol e de Hóquei em Patinse, inclui também uma expansão da Loja Verde e uma extensão tecnológica e interativa do Museu Mundo Sporting. [3]

Além disto, estão incorporados no projeto um anfiteatro, duas salas de imprensa, uma área de restauração e, na sua área envolvente, dois campos de futebol de cinco e um campo de futebol de sete. Um Passeio da Fama das antigas glórias sportinguistas e um monumento evocando as grandes figuras ligadas ao clube também foram erguidos nas proximidades do pavilhão.

História[editar | editar código-fonte]

Precedentes[editar | editar código-fonte]

Em 1975, o Sporting Clube de Portugal, além de ser uma das maiores potências desportivas a nível nacional em várias modalidades, era também uma referência do desporto europeu, em particular no Hóquei em Patins.[4] Porém, esse estatuto esbarrava na fraca qualidade das suas instalações desportivas para as modalidades. João Rocha, presidente do clube na altura, avançou com o projeto de criar um complexo desportivo nas imediações do estádio do clube.

Assim, a 14 de outubro de 1976, nasceu o Pavilhão de Alvalade. Este era, na realidade, um complexo desportivo, com 4 mil metros quadrados e três recintos (o pavilhão principal, com capacidade para 5000 espectadores, e dois pavilhões mais pequenos usados para treinos).

Porém, a obra viu a sua vida ser encurtada drasticamente devido ao crescimento da cidade de Lisboa e da sua rede de transportes. Assim, em setembro de 1986, o pavilhão principal foi demolido aquando da construção da estação de metro do Campo Grande.[5][6]

Antevendo esta situação, João Rocha, ainda presidente do clube, lançou um projeto para melhorar as instalações do clube. Concretizando uma velha ambição dos adeptos sportinguistas, fechou o Estádio José Alvalade através da construção da chamada "bancada nova" e, aproveitando o espaço debaixo desta, ergueu a Nave de Alvalade.

Com capacidade para 1500 espectadores, a Nave de Alvalade passou a ser a casa das modalidades do Sporting, embora se pensasse que seria apenas provisória. Porém, o pavilhão acolheu inúmeras campanhas e eventos que permitiram ao clube conquistar um conjunto de títulos ímpar em cinco modalidades distintas entre 1986 e 2004.[7]

A 04 de janeiro de 2004, a Nave de Alvalade esgotou pela última vez com um jogo de futsal pois, juntamente com o antigo estádio, seria demolida para prosseguir com o projeto do novo Estádio José Alvalade que não contemplava a construção de um novo pavilhão para as modalidades.

Necessidade[editar | editar código-fonte]

Após a demolição da Nave de Alvalade, o Sporting Clube de Portugal deixou de ter um recinto próprio para as suas equipas poderem competir. Apesar do novo Complexo Alvalade XXI conter um edifício multidesportivo para a preparação e treino dos atletas do clube, a dimensão da massa adepta e o número de modalidades exigia um recinto próprio para a alta competição.

Apesar da consciência dessa necessidade, faltava algo determinante para a realização da obra: o terreno. Apesar de terem surgido várias alternativas e inclusive municípios que se disponibilizavam a ceder o terreno, sempre foi convicção de que tal obra só poderia ser feita na zona do novo Estádio José Alvalade.

Assim, até à construção do novo pavilhão, as diversas modalidades do Sporting estiveram repartidas entre o Pavilhão Paz e Amizade, o Pavilhão Fernando Tavares, o Pavilhão do Casal Vistoso, o Pavilhão Municipal de Odivelas e o Complexo Desportivo do FC Alverca.

Processo Burocrático[editar | editar código-fonte]

Os terrenos anteriormente ocupados pelo antigo Estádio José Alvalade acabaram por ser retidos pela Câmara Municipal de Lisboa e acabariam por ser destinados à construção do projecto Metropolis[8]. A reunião do executivo municipal de Lisboa para o loteamento dos terrenos esteve agendada para o dia 16 de Abril de 2007, mas acabou por ser adiada para que fosse negociado com o clube a cedência de uma parcela de terreno para a construção de um novo pavilhão.

A 09 de Setembro de 2009 realizou-se uma reunião entre uma delegação do Sporting, liderada por José Eduardo Bettencourt, e a CML, tendo ficado acordado que o futuro pavilhão ficaria implantado na parcela de terreno correspondente à bancada superior norte do antigo Estádio José Alvalade.

A 25 de Novembro de 2009, foi aprovado, em reunião de Câmara, o protocolo entre a CML e o Sporting, considerando a decisão do Tribunal Arbitral de condenar a CML a indemnizar o Sporting no valor de 23 milhões de euros, derivados do terreno que o clube alegava ter direito de superfície. Assim, a Câmara cederia uma parcela dos terrenos anexos ao Estádio José Alvalade no valor de € 5.000.000 para construção de um pavilhão desportivo (além de património no valor de 18 milhões de euros).

Porém, tal decisão da Câmara acabou por não ser ratificada na Assembleia Municipal de 10 de Dezembro de 2009, sendo decidido enviar o protocolo para uma comissão de urbanismo, nomeada para o reavaliar. A 12 de Janeiro de 2010, a Assembleia Municipal de Lisboa aprovou o acordo entre a autarquia lisboeta e o Sporting.

Cumprindo parte do acordo entre a autarquia e o Sporting, a Câmara de Lisboa aprovou, a 27 de Janeiro de 2010, a elaboração do Plano de Pormenor Alvalade XXI, que contempla a construção do pavilhão.

A 03 de Novembro de 2010, a Câmara Municipal de Lisboa votou favoravelmente o Plano de Pormenor Alvalade XXI, onde estava englobado o novo pavilhão do Sporting. A autarquia deu assim luz verde ao projecto que passou a ser alvo de uma derradeira análise por parte da Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, que daria o último e decisivo parecer a 25 de Março de 2011.

No âmbito do período de discussão pública do Plano de Pormenor Alvalade XXI, a CML realizou uma reunião pública de esclarecimento a 30 de Maio de 2011, vindo a aprovar o mesmo a 26 de Outubro de 2011. Porém, ficava a faltar um último passo, a aprovação pela Assembleia Municipal, o que só viria a acontecer a 12 de Março de 2013.[9]

Missão Pavilhão[editar | editar código-fonte]

Assim, após a aprovação da Assembleia Municipal do Plano de Pormenor Alvalade XXI e das Eleições Sportinguistas de 2013, Bruno de Carvalho, presidente do clube, lançou a Missão Pavilhão com vista à angariação de recursos financeiros para a construção do Pavilhão João Rocha e para as modalidades.

O objectivo final da Missão Pavilhão foi a angariação de dez milhões de euros, a serem repartidos pela construção do Pavilhão João Rocha e pela restauração do Edifício Multidesportivo.

Projeto[editar | editar código-fonte]

O projeto de arquitectura do Pavilhão João Rocha ficou a cargo da Mörschel Arquitectos.

Morfologicamente, o pavilhão caracteriza-se por "linhas claras e uma volumetria pura" enquadradas no plano de pormenor aprovado. Os dois volumes sobrepostos ganham leveza graças à utilização do metal e a um engenhoso sistema de iluminação. Este sistema inteligente está integrado na fachada do edifício e permite a sua retroiluminação, dando destaque ao edifício.

"Conceptualmente, o edifício inverte a lógica construtiva clássica, no sentido em que apresenta um volume de betão sobre um embasamento de metal retroiluminado. Esta opção confere ao edifício uma leveza particular, de grande elegância." - refere o arquiteto Andreas Mörschel.

Um programa que engloba múltiplos usos - desportivos, performativos, museológicos e comerciais - e as condicionantes do Plano de Pormenor Alvalade XXI constituíram os principais desafios do projeto. A solução proposta pela Mörschel Arquitectos passou por encontrar um equilíbrio entre as múltiplas vertentes do programa, optando por privilegiar os espaços públicos.

O Pavilhão João Rocha acaba por ficar com uma lotação de 3000 lugares sentados e fica preparado para acolher cinco modalidades: futsal, andebol, hóquei em patins, voleibol e basquetebol. A entrada para a extensão do Museu Mundo Sporting faz-se através da Loja Verde, que tem acesso direto a partir do exterior, e comunica visualmente com o campo de treinos construído para as camadas jovens do clube. Toda a envolvente do pavilhão, com três campos de jogo exteriores e balneários próprios, está aberta ao público com o objetivo de fomentar a prática desportiva e a formação de jovens desportistas.

No centro do projeto está a arena. Com uma dimensão máxima de 48x26m e um pé-direito livre de mais de 12m (essencial para a prática do voleibol), o campo do jogo é o ponto focal do edifício.

As bancadas desenvolvem-se em todo o perímetro do campo de jogo em quatro planos laterais, de forma a proporcionar uma arena equilibrada e um efeitocaldeirão, amplificando a interação dos espectadores na zona de jogo, contribuindo para o espetáculo. Todas as paredes envolventes à arena estão revestidas a tijolo klinker nero, o que permite melhorias significativas no comportamento acústico da sala, enfatizando o efeito cénico. O campo de jogo assemelha-se, assim, a uma gigante caixa negra, onde, à semelhança do que acontece no teatro, todos os olhares se dirigem para o palco, neste caso, o campo do jogo. [10]

Factos do Projeto[editar | editar código-fonte]

  • Modalidades: Futsal, Basquetebol, Voleibol, Andebol e Hóquei em Patins.
  • Altura livre máxima: 12,5m
  • Dimensões máximas da arena: 48x26m
  • Lotação: 3000 lugares sentados
  • Superfície/Área de Construção: 10.000m²
  • Comprimento do revestimento metálico do edifício: 1,7km
  • Quantidade de tijolos klinker nero utilizados no interior do edifício: 101.600[11]

Construção[editar | editar código-fonte]

Lançamento da primeira pedra[editar | editar código-fonte]

No dia 27 de Março de 2015, o Sporting Clube de Portugal assinalou o início da construção do novo pavilhão. Após um treino aberto no Estádio de Alvalade, a cerimónia do lançamento da primeira pedra do Pavilhão João Rocha iniciou-se com os discursos oficiais do presidente do Sporting Clube de Portugal, Bruno de Carvalho, e do então vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina.[12]

No dia do lançamento da primeira pedra do Pavilhão João Rocha, várias modalidades abriram as suas portas aos sócios e adeptos, que tiveram a oportunidade de experimentar não só as diversas modalidades como, nalguns casos, treinar ao lado dos atletas.

Adjudicação à Ferreira Build Power[editar | editar código-fonte]

No dia 09 de Maio de 2015, o Sporting informou, por comunicado, a suspensão do contrato com a Somague para a construção do Pavilhão João Rocha e a adjudicação à Ferreira Build Power.

Esta adjudicação foi a consequência ao incumprimento do previamente acordado no capítulo financeiro entre a Somague e o Sporting Clube de Portugal.

Este novo projecto foi apresentado publicamente aos Sócios na Assembleia Geral do dia 28 de Junho de 2015, tendo na ocasião sido anunciada a inauguração para Março de 2017.

Assim, o projecto ficou com a chancela da Mörschel Arquitectos, a construção foi assegurada pela Ferreira Build Power e a FICOPE ficou com a gestão do empreendimento e da fiscalização.

Obra[editar | editar código-fonte]

Os trabalhos decorreram durante cerca de 22 meses, integrando o normal período de vistorias, ligações de ramais e licenças de utilização, culminando com a inauguração.

Com um mês de obras, a deslocação de terras ficou praticamente concluída e passou a ser possível ver o perímetro exacto de implementação do Pavilhão.

No final do segundo mês, apareceram as primeiras estruturas em betão sob a forma da parede sul e duas gigantescas gruas passaram a fazer parte da paisagem. No terceiro mês surgiu a parede poente e foram consolidados com betão os taludes de terra norte e nascente.

A 23 de Março de 2016, o Sporting abriu as portas da obra para que todos que assim o desejassem pudessem ver de perto a nova casa das modalidades. No final do dia, os mais de 1300 adeptos que visitaram a obra atestaram bem o êxito da iniciativa.

Durante o décimo mês foi montada a armação da cobertura, começaram a ser erguidas as paredes da compartimentação interna e a bancada B sul ficou concluída e, com onze meses de obra, ficou completa toda a estrutura de betão armado.

Com um ano completo de obra os degraus de todas as bancadas, com excepção da sul A, ficaram completos, a cobertura por camadas foi colocada e o revestimento exterior ao nível do segundo piso ficou concluído.

A 13 de Agosto de 2016 decorreu o segundo "open-day", com as portas das obras do Pavilhão João Rocha abertas aos Sócios e Adeptos do clube. Com ano e meio de obra, apareceram as primeiras cadeiras nas bancadas e começaram os trabalhos de colocação da calçada portuguesa, de zonas ajardinadas e do campo de futebol 7.

Após 22 meses e 18 dias de obra, o que corresponde a um total de 689 dias, o Pavilhão João Rocha ficou pronto para ser inaugurado e, assim, abrir as suas portas a atletas, sócios e adeptos do clube, assumindo aquilo para que foi construido, ser a casa das modalidades do Sporting Clube de Portugal.

Inauguração[editar | editar código-fonte]

Inauguration of the João Rocha Pavilion.jpg

O Pavilhão João Rocha foi inaugurado no dia 21 de Junho de 2017, precisamente 15 anos depois da inauguração da Academia Sporting, em Alcochete, numa cerimónia solene de cariz institucional.

Além do pavilhão, também foram inaugurados a Rotunda Visconde de Alvalade, a Rua Professor Moniz Pereira e os Campos Cristiano Ronaldo, Luís Figo e Peyroteo.

Nas cerimónias, que tiveram por anfitrião o Presidente Bruno de Carvalho, participaram, entre outras individualidades, o Secretário de Estado da Juventude e do Desporto, João Paulo Rebelo, o Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, o Presidente da Junta de Freguesia do Lumiar, Pedro Alves, o Arquitecto, Andreas Moerschel e o Engenheiro Coordenador Geral da obra, Horácio Preto.[13]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências